A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 7 sur 38

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A mensageira das violetas

Mentiras

Nessa tarde mimosa de saudade

Em que eu te vi partir, ó meu amor, 

Levaste-me a minh'alma apaixonada 

Nas folhas perfumadas duma flor. 

E como a alma, dessa florzita,

Que é minha, por ti palpita amante! 

Oh alma doce, pequenina e branca, 

Conserva o teu perfume estonteante! 

Quando fores velha, emurchecida e triste, 

Recorda ao meu amor, com teu perfume 

A paixão que deixou e qu'inda existe... 

Ai, dize-lhe que se lembre dessa tarde, 

Que venha aquecer-se ao brando lume 

Dos meus olhos que morrem de saudade!

 

MENTIRAS

Ai quem me dera uma feliz mentira 

que fosse uma verdade para mim! 

J. DANTAS

Tu julgas que eu não sei que tu me mentes 

Quando o teu doce olhar pousa no meu? 

Pois julgas que eu não sei o que tu sentes? 

Qual a imagem que alberga o peito meu? 

Ai, se o sei, meu amor! Em bem distingo 

O bom sonho da feroz realidade... 

Não palpita d´amor, um coração

Que anda vogando em ondas de saudade! 

Embora mintas bem, não te acredito; 

Perpassa nos teus olhos desleais

O gelo do teu peito de granito...

Mas finjo-me enganada, meu encanto, 

Que um engano feliz vale bem mais 

Que um desengano que nos custa tanto!