A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 5 sur 38

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A mensageira das violetas

Noite Trágica

Pensaste nos que liam esse teu missal, 

Tua bíblia de dor, teu chorar sentido 

Temeste que esse altar pudesse fazer mal 

Aos que comungam nele a soluçar contigo! 

Ó Anto! Eu adoro os teus estranhos versos, 

Soluços que eu uni e que senti dispersos 

Por todo o livro triste! Achei teu coração... 

Amo-te como não te quis nunca ninguém, 

Como se eu fosse, ó Anto, a tua própria mãe 

Beijando-te já frio no fundo do caixão!

 

NOITE TRÁGICA

 

O pavor e a angústia andam dançando... 

Um sino grita endechas de poentes... 

Na meia-noite d´hoje, soluçando,

Que presságios sinistros e dolentes!... 

Tenho medo da noite!... Padre nosso 

Que estais no céu... O que minh´alma teme! 

Tenho medo da noite!... Que alvoroço 

Anda nesta alma enquanto o sino geme! 

Jesus! Jesus, que noite imensa e triste! 

A quanta dor a nossa dor resiste

Em noite assim que a própria dor parece... 

Ó noite imensa, ó noite do Calvário, 

Leva contigo envolto no sudário

Da tua dor a dor que me não ´squece!

 

ERRANTE

 

Meu coração da cor dos rubros vinhos