A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 23 sur 38

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A mensageira das violetas

Passeio No Campo

E, mesmo que o soubesse, o não dissera... 

Olhos fitos em rútila quimera

Andava atrás de mim... E não me via!

 

Andava a procurar-me - pobre louca! - 

E achei o meu olhar no teu olhar, 

E a minha boca sobre a tua boca!

 

E esta ânsia de viver, que nada acalma, 

É a chama da tua alma a esbrasear 

As apagadas cinzas da minha alma!

 

PASSEIO NO CAMPO

 

Meu amor! Meu amante! Meu amigo! 

Colhe a hora que passa, hora divina, 

Bebe-a dentro de mim, bebe-a comigo! 

Sinto-me alegre e forte! Sou menina!

 

Eu tenho, amor, a cinta esbelta e fina... 

Pele dourada de alabastro antigo... 

Frágeis mãos de madona florentina...

- Vamos correr e rir por entre o trigo!

 

Há rendas de gramíneas pelos montes... 

Papoulas rubras nos trigais maduros... 

Água azulada a cintilar nas fontes...

E à volta, amor... tornemos, nas alfombras 

Dos caminhos selvagens e escuros,