A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 18 sur 38

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A mensageira das violetas

O Meu Orgulho

Bebe em todas as fontes... quando passa?...

 

O MEU ORGULHO

 

Lembro-me o que fui dantes. Quem me dera 

Não lembrar! Em tardes dolorosas

Lembro-me que fui a primavera

Que em muros velhos faz nascer as rosas! 

As minhas mãos outrora carinhosas

Pairavam como pombas... Quem soubera 

Por que tudo passou e foi quimera,

E por que os muros velhos não dão rosas! 

São sempre os que eu recordo que me esquecem... 

Mas digo para mim: "Não me merecem..." 

E já não fico tão abandonada!

Sinto que valho mais, mais pobrezinha:

Que também é orgulho ser sozinha

E também é nobreza não ter nada!

 

INCONSTÂNCIA

 

Procurei o amor, que me mentiu.

Pedi à vida mais do que ela dava;

Eterna sonhadora edificava

Meu castelo de luz que me caiu!

Tanto clarão nas trevas refulgiu,

E tanto beijo a boca me queimava!

E era o sol que os longes deslumbrava

Igual a tanto sol que me fugiu!

Passei a vida a amar e a esquecer...

Atrás do sol dum dia outro a aquecer