A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 14 sur 38

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A mensageira das violetas

Amiga

 

Deixa-me ser a tua amiga, amor; 

A tua amiga só, já que não queres 

Que pelo teu amor seja a melhor 

A mais triste de todas as mulheres.

 

Que só, de ti, me venha mágoa e dor 

O que me importa, a mim?! O que quiseres 

É sempre um sonho bom! Seja o que for 

Bendito sejas tu por mo dizeres!

 

Beija-me as mãos, amor, devagarinho... 

Como se os dois nascêssemos irmãos, 

Aves cantando, ao sol, no mesmo ninho...

 

Beija-mas bem!... Que fantasia louca 

Guardar assim, fechados, nestas mãos, 

Os beijos que sonhei pra minha boca!...

 

PARA QUÊ?!

 

Tudo é vaidade neste mundo vão...

Tudo é tristeza; tudo é pó, é nada!

E mal desponta em nós a madrugada, 

Vem logo a noite encher o coração!

Até o amor nos mente, essa canção

Que nosso peito ri `a gargalhada,

Flor que é nascida e logo desfolhada,