A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 30 sur 38

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A mensageira das violetas

Volúpia

Sobem-me roucos brados à garganta 

Num clamor de loucura que contenho.

Ó alma da charneca sacrossanta,

Irmã da alma rútila que eu tenho,

Dize para onde eu vou, donde é que venho 

Nesta dor que me exalta e me alevanta!

Visões de mundos novos, de infinitos, 

Cadências de soluços e de gritos, 

Fogueira a esbrasear que me consome!

Dize que mão é esta que me arrasta? 

Nódoa de sangue que palpita e alastra... 

Dize de que é que eu tenho sede e fome?!

 

VOLÚPIA

 

No divino impudor da mocidade, 

Nesse êxtase pagão que vence a sorte, 

Num frêmito vibrante de ansiedade, 

Dou-te meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade... 

A nuvem que arrastou o vento norte...

- Meu corpo! Trago nele um vinho forte: 

Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço... 

São os dedos do sol quando te abraço, 

Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos 

Vão-te envolvendo em círculos dantescos 

Felinamente, em voluptuosas danças...

 

A VOZ DA TÍLIA