A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 32 sur 38

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A mensageira das violetas

In Memoriam

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Quem fez ao sapo o leito carmesim 

De rosas desfolhadas à noitinha?

E quem vestiu de monja a andorinha, 

E perfumou as sombras do jardim? 

Quem cinzelou estrelas no jasmim? 

Quem deu esses cabelos de rainha 

Ao girassol? Quem fez o mar? E a minha 

Alma a sangrar? Quem me criou a mim? 

Quem fez os homens e deu vida aos lobos? 

Santa Tereza em místicos arroubos? 

Os monstros? E os profetas? E o luar? 

Quem nos deu asas para andar de rastros? 

Quem nos deu olhos para ver os astros?

- Sem nos dar braços para os alcançar?

 

IN MEMORIAM

Ao meu morto querido

Na cidade de Assis, Il Poverello

Santo, três vezes santo, andou pregando 

Que o sol, a terra, a flor, o rocio brando, 

Da pobreza o tristíssimo flagelo,

Tudo quanto há de vil, quanto há de belo, 

Tudo era nosso irmão! - E assim sonhando, 

Pelas estradas da Umbria foi forjando 

Da cadeia do amor o maior elo!

 

"Olha o nosso irmão Sol, nossa irmã Água..." 

Ah! Poverello! Em mim, essa lição