A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 4 sur 38

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A mensageira das violetas

Anseios

Lindas flores d´esculturais sorrisos?! 

... Bem sei vosso segredo... Um rouxinol 

Que vos viu nascer, ó flores do mal 

Disse-me agora: "Uma manhã, o sol, 

O sol vermelho e quente como estriga 

De fogo, o sol do céu de Portugal 

Beijou a boca a uma rapariga..."

 

ANSEIOS 

À minha Júlia

Meu doido coração aonde vais,

No teu imenso anseio de liberdade? 

Toma cautela com a realidade;

Meu pobre coração olha cais!

Deixa-te estar quietinho! Não amais 

A doce quietação da soledade?

Tuas lindas quimeras irreais

Não valem o prazer duma saudade! 

Tu chamas ao meu seio, negra prisão!... 

Ai, vê lá bem, ó doido coração,

Não te deslumbre o brilho do luar! 

Não ´stendas tuas asas para o longe... 

Deixa-te estar quietinho, triste monge, 

Na paz da tua cela, a soluçar!...

 

A ANTO!

 

Poeta da saudade, ó meu poeta qu´rido 

Que a morte arrebatou em seu sorrir fatal, 

Ao escrever o Só pensaste enternecido 

Que era o mais triste livro deste Portugal,