A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 2 sur 38

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A mensageira das violetas

Paisagem

Meio-dia. 

O sol a prumo cai ardente, 

Dourando tudo...ondeiam nos trigais 

D´ouro fulvo, de leve...docemente... 

As papoulas sangrentas, sensuais... 

Andam asas no ar; e raparigas,

Flores desabrochadas em canteiros, 

Mostram por entre o ouro das espigas 

Os perfis delicados e trigueiros... 

Tudo é tranqüilo, e casto, e sonhador... 

Olhando esta paisagem que é uma tela 

De Deus, eu penso então: onde há pintor, 

Onde há artista de saber profundo, 

Que possa imaginar coisa mais bela, 

Mais delicada e linda neste mundo?!

 

PAISAGEM

 

Uns bezerritos bebem lentamente 

Na tranqüila levada do moinho. 

Perpassa nos seus olhos, vagamente, 

A sombra duma alma cor do linho! 

Junto deles um par. 

Naturalmente 

Namorados ou noivos. 

De mansinho 

Soltam frases d´amor...e docemente 

Uma criança canta no caminho! 

Um trecho de paisagem campesina, 

Uma tela suave, pequenina,

Um pedaço de terra sem igual! 

Oh, abre-me em teu seio a sepultura,