A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 27 sur 38

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A mensageira das violetas

Amar!

Sobre a cidade muda, o horizonte 

É uma orquídea estranha a florescer.

 

Há andorinhas prontas a dizer

A missa d´alva, mal o sol desponte. 

Gritos de galos soam monte em monte 

Numa intensa alegria de viver.

 

Passos ao longe...um vulto que se esvai... 

Em cada sombra Colombina trai... 

Anda o silêncio em volta a q´rer falar...

 

E o luar que desmaia, macerado, 

Lembra, pálido, tonto, esfarrapado, 

Um Pierrot, todo branco, a soluçar...

 

AMAR!

 

Eu quero amar, amar perdidamente! 

Amar só por amar: aqui...além...

Mais este e aquele, o outro e toda a gente.... 

Amar!Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!... 

Prender ou desprender? É mal? É bem? 

Quem disser que se pode amar alguém 

Durante a vida inteira é porque mente!

 

Há uma primavera em cada vida: 

É preciso cantá-la assim florida,