A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 38 sur 38

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A mensageira das violetas

O Meu Soneto

Asas que passam, todo o mundo as sente... 

Rasgas os meus versos... Pobre endoidecida! 

Como se um grande amor cá nesta vida 

Não fosse o mesmo amor de toda a gente!...

 

O MEU SONETO

 

Em atitudes e em ritmos fleugmáticos, 

Erguendo as mãos em gestos recolhidos, 

Todos brocados fúlgidos, hieráticos, 

Em ti andam bailando os meus sentidos...

 

E os meus olhos serenos, enigmáticos 

Meninos que na estrada andam perdidos, 

Dolorosos, tristíssimos, extáticos, 

São letras de poemas nunca lidos...

 

As magnólias abertas dos meus dedos 

São mistérios, são filtros, são enredos 

Que pecados d´amor trazem de rastros...

 

E a minha boca, a rútila manhã, 

Na Via Láctea, lírica, pagã,

A rir desfolha as pétalas dos astros!...

 

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