A mensageira das violetas

Florbela Espanca · Chapitre 34 sur 38

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A mensageira das violetas

Frêmito Do Meu Corpo A Procurar-Te

Também é para o mau, para o perjuro? 

Para onde vai a alma, que morreu? 

Queria encontrar Deus! Tanto o procuro!

 

A estrada de Damasco, o meu caminho, 

O meu bordão de estrelas de ceguinho, 

Água da fonte de que estou sedenta!

 

Quem sabe se este anseio de eternidade, 

A tropeçar na sombra, é a verdade, 

É já a mão de Deus que me acalenta?

 

FRÊMITO DO MEU CORPO A PROCURAR-TE

 

Frêmito do meu corpo a procurar-te, 

Febre das minhas mãos na tua pele

Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel, 

Doído anseio dos meus braços a abraçar-te, 

Olhos buscando os teus por toda a parte, 

Sede de beijos, amargor de fel,

Estonteante fome, áspera e cruel,

Que nada existe que a mitigue e a farte! 

E vejo-te tão longe! Sinto tua alma

Junto da minha, uma lagoa calma, 

A dizer-me, a cantar que não me amas... 

E o meu coração que tu não sentes, 

Vai boiando ao acaso das correntes, 

Esquife negro sobre um mar de chamas... 

 

DIZE-ME, AMOR, COMO TE SOU QUERIDA