A Enxada e a Lança
Posfácio à 3ª edição
Ao rever novam ente este livro, quase não lhe toquei no texto. Quem tiver lido o posfácio à sua 2ª edição j á sabe por quê. E com preenderá tam bém a razão de serem poucos os parágrafos que agora escrevo. Deixo ao leitor, com as novas leituras que, a partir desta, fará sobre história da África, a tarefa de atualizar o livro.
Ele não terá dificuldade em perceber que continua, e continuará talvez para sem pre, a polêm ica sobre as origens do hom em m oderno. Nos últim os anos, m ultiplicaram -se e refinaram -se as hipóteses, m as os num erosos m odelos propostos podem , grosso m odo, continuar a ser reduzidos aos dois apresentados
nas páginas 70 a 72: ou o Hom o sapiens sapiens se desenvolveu, a partir do hom em pré-m oderno, em diferentes pontos da África, da Europa e da Ásia, ou ele surgiu exclusivam ente na África e, ao expandir-se dentro do continente e fora dele, substituiu as populações de hom inídeos preexistentes. Para alguns, isso se deu sem hibridação ou com hibridação inexpressiva; para outros, com um a hibridação intensa ou, quando m enos, significativa.
Novas descobertas não m e deram m otivos para alterar m inha narrativa, tão breve e esquem ática, sobre os prim eiros passos do hom em no continente africano. E não creio que deva dem orar-m e em descrever com o, ultim am ente, se m ultiplicaram os exam es críticos dos relatos tradicionais sobre a origem dos povos e dos estados africanos. Vem de longe, e terá ainda um grande traj eto, esse afã de procurar desentranhar a história do m ito ou entender com o a história m olda o m ito. Novas interpretações surgirão todos os anos. Que o leitor se encante em acom panhar, por exem plo, no texto com pleto, e não em resum o,
John K. Thornton1 a reecrever a saga de Antino-Uene e os inícios do reino do Congo.
Não quero, porém , deixar de partilhar o entusiasm o com que soube de novos achados nas m argens m eridionais do lago Chade. Nos prim eiros parágrafos do capítulo 13, afirm ei que o hom em não devia ser um estranho ao sul do lago, m uito antes de 2000 a.C. e das culturas reveladas pelas escavações em Borno 38, Kursakata e Daim a. Não devia ser, e não era. Trabalhos arqueológicos,
realizados a partir de 1991,2 trouxeram , entre outras, um a revelação em ocionante: a descoberta, em Duguna, sobre o rio Kom adugu Gana, de um a piroga, com cerca de sete m il anos de idade — a m ais antiga encontrada na África e um a das m ais antigas de todo o m undo. Em canoas com o essa, elegante, de proa e popa agudas, escavada num tronco de m ogno africano, com 8,40m de com prim ento e m eio m etro de lado na parte m ais larga e m ais profunda, pequenos grupos pescavam no Chade, então m uito m ais extenso, e nos rios que para ele corriam . Pertenceriam esses grupos, talvez, à m esm a gente que vivia em Konduga, no ponto m ais alto da linha geom orfológica de Bam a, tida com o um a antiga praia do Chade. Os habitantes de Konduga faziam , desde 4000 a.C., vasos de cerâm ica e deviam viver sobretudo dos recursos do lago, dos rios e dos alagados que cobriam boa parte de um a paisagem verde.
Um pouco m ais para o norte, e sem pre ao sudoeste do lago, as escavações em Gaj iganna revelaram a existência de aldeias onde m oraram por cerca de seiscentos anos, desde 1000 a.C., criadores de gado, que tam bém retiravam o sustento dos recursos aquáticos. Conheciam a cerâm ica e, diante da escassez de pedras, faziam de osso harpões, facas, talhadeiras e furadores. De osso tam bém eram os anéis que usavam com o ornam ento. Esculpiam no barro figurinhas hum anas e de anim ais, principalm ente bois.
3
Os avanços da arqueologia na Núbia reclam am , por sua vez, alguns poucos parágrafos, em aditam ento ao que se expôs nos capítulos 3 e 4 deste livro.
Revelaram -se entre a Segunda Catarata do Nilo e Dongola, e com m ais evidência na região da Terceira Catarata, datados de m eados do quarto m ilênio a 2600 a.C., os restos de um a cultura a que se deu o nom e de pré-Querm a, porque parece conter as sem entes do reino daquele nom e. Sua cerâm ica era distinta da m oldada pelo Grupo A, em bora com ela tivesse sem elhanças. Os seus vasos m ais antigos possuíam , com o os do Grupo A, um a lustrosa parede verm elha e tinham tam bém o interior e os rebordos negros, m as só apresentavam incisões na
borda negra.4 Durante as escavações não se acharam , ao contrário do que sucede nas áreas ocupadas pelo Grupo A, cerâm icas nem obj etos im portados do Egito, a não ser na ilha Saí, logo ao sul do Batn-el-Hagar, o que indicaria que as povoações da cultura pré-Querm a não m antinham relações com erciais intensas com os egípcios.
Na área onde se ergueu a cidade de Querm a, em terrenos cobertos por um de seus cem itérios, encontraram -se os vestígios de um povoado que lhe seria anterior, com centenas de tulhas cavadas no solo, m ilhares de buracos de estacas a m arcar cabanas redondas, currais e dois prédios retangulares. As construções deviam ser de pau a pique. A gente da cultura pré-Querm a que habitava essa póvoa era sedentária, cultivava a terra e criava gado.
Há indícios de que a povoação seria envolta por um a paliçada, com um a porta
protegida por dois grandes bastiões.5
Logo no início do capítulo 4, declarei que não se sabia ao certo onde ficava Napata, porque não se haviam achado os restos dela, de suas fortificações, de seus tem plos, de seus palácios. Hoj e, j á se sabe. Estendia-se entre o m onte Jebel
6
Barcal e as praias do Nilo. E há quem pense que a m udança do centro do poder cuxita de Napata para Méroe se tenha dado devido à tom ada do poder, no prim eiro terço do século III a.C., por um a nova dinastia, originária da últim a cidade. Seria a essa substituição da aristocracia napatana por um a outra, sulista e m enos egipcianizada, que se referiria o episódio, que consta da obra de Diodoro da Sicília, sobre com o Ergam enes se libertou da tutela dos sacerdotes de Am on. Ergam enes, identificado com Arcam ani, seria o prim eiro da nova série de soberanos, o que explicaria não só o haver trocado de Nuri para Méroe o local de sua sepultura, m as tam bém a substituição, que se daria a partir dele, dos hieróglifos egípcios pelos m eroítas e por um a escrita cursiva, bem com o a
devoção crescente aos deuses locais, com o Apedem eque. 7 Já se aventou que seria este deus que estaria retratado, em estilo helenístico, com o um hom em
barbudo8 — e não Júpiter Sarapis, com o se sugere na página 149. Apedem eque figuraria no seu tem plo em Naga com várias form as diferentes: com o um leão sentado, com corpo hum ano e um a ou três cabeças de leão, com a cabeça do felino, peito e braços hum anos, tendo por resto do corpo um a serpente a em ergir de um a grande flor, e tam bém inteiram ente hum ano, com o se fosse um deus da Grécia ou de Rom a.
Em outro capítulo sobre a Núbia, o oitavo, deixei de ressaltar a m udança nos costum es funerários, após a conversão ao cristianism o dos reinos de Nobácia, Macúria e Alódia. Quase todos, fossem poderosos ou hum ildes, passaram a ser enterrados envoltos em m ortalhas, em covas retangulares estreitas, cobertas por um a placa de tij olos. Em algum as tum bas, essa cobertura podia ter a form a de cruz, ser arredondada, dispor de lápides ou de pequenos nichos para lâm padas. Havia tam bém um a espécie de j azigo com unal, em abóbada, no qual se enterravam vários corpos. Na cripta das igrej as sepultavam -se os bispos, com seus traj es religiosos, e num a delas, a do arcebispo Georgios, as paredes estão
cobertas de inscrições.9
A m orte nivelava os crentes. Mas nem todos. Em Banganarti, a dez quilôm etros de Dongola, trabalhos arqueológicos realizados entre 2001 e 2003 revelaram duas igrej as, um a por cim a da outra. Ao longo da parede oriental da que ficava abaixo, havia um a série de sepulcros. Quando a segunda igrej a foi construída sobre a prim eira, ergueram -se sobre esses sepulcros sete capelas, decoradas com pinturas de reis núbios, coroados, com os traj es de seu ofício, tendo num a das m ãos um cetro e na outra, um a segunda coroa. Cada rei estava pintado entre apóstolos, tendo atrás deles, com o a guardá-los, um arcanj o. Noutras capelas, figuram dignitários, sem acom panhantes, usando um a espécie de capacete com chifres. Algum as inscrições indicam que nessas igrej as repousam reis de
Macúria. 10
No capítulo 9, m encionei que, para alguns, a capital de Gana não ficava na atual Mauritânia, em Koum bi Saleh, m as no delta interior do Níger. No posfácio à 2ª edição, m ostrei com o Dierk Lange, que sustenta essa teoria, não nos deixa esquecer que é ali, no m édio Níger, na cham ada Região dos Lagos, que se encontram grandes túm ulos (com o os de El Oualedj i e Koï Gourrey ) sem elhantes aos descritos por Al-Bakri para abrigar o cadáver do rei. O arqueólogo Roderick Jam es McIntosh, que, com sua m ulher, Susan Keech McIntosh, por tantos anos tem trabalhado na região do m édio Níger, reforça a
11
tese. Lem bra ele, adem ais de não se ter encontrado, nas im ediações de
Koum bi Saleh, um só desses túm ulos, que não se localizou, até agora, os restos da cidade real do gana, que devia existir ao lado da urbe dos m uçulm anos, e aventa ser possível que ela não ficasse ali, m as a sudeste, em Mem a ou na Região dos Lagos. Não é de afastar-se, porém , a hipótese de que Gana tivesse tido m ais de um a capital, num m esm o m om ento histórico, ou de que essa tivesse m udado de sítio ao longo do tem po.
Com hipóteses reconstrói-se, aliás, o passado distante daquela e de outras
partes da África. E disso não escapa Songai (capítulos 11 e 21 e páginas 687 e
689 deste livro), ainda que se disponha de três relatos históricos sobre a região, escritos por africanos, o Tarikh as-Sudan, o Tarikh al-Fattash e a crônica incom pleta, conhecida com o Notice historique, da qual só tem os um a versão francesa. Esquecem o-nos com frequência não só de que são textos produzidos na m etade do século XVII, a cuidar, em certas partes, do que teria ocorrido centenas de anos antes, m as tam bém de que seus próprios autores se queixaram da escassez de fontes com que contaram , entre as quais as m ais im portantes seriam as tradições orais, que, com o sabem os, m udam de form a no correr das gerações.
Paulo Fernando de Moraes Farias, num livro m onum ental, Arabic Medieval Inscriptions from the Republic of Mali: Epigraphy, Chronicles and Songhay -
12
Tuareg History, nos lem bra tudo isso — e m uito m ais. É possível, argum enta
ele, que esses textos servissem ideologicam ente ao processo de aj ustam ento entre os arm as (os conquistadores m arroquinos e seus descendentes) e os songais, portadores de um a longa história, súditos de um reino poderoso que não deixara de ser o m esm o ao se sucederem três dinastias (as dos Zás, Sonis e Ásquias) e que, de certa form a, podia ser considerado com o herdeiro de Gana e do Mali. Eram crônicas com postas com obj etivo político e nas quais, se necessário, não se hesitava em reinventar a tradição.
O prestígio dessas crônicas teria lançado som bra sobre o que dizem as lápides nos cem itérios de Sané, e até m esm o sobre aquelas lavradas em relevo, num a bela caligrafia cúfica, no estilo de Alm eria, e que tanta curiosidade despertaram , ao serem reveladas a partir de 1939. Entre outras coisas, elas indicam — assim pensa Paulo Fernando de Moraes Farias, que, no seu livro, estuda 250 inscrições em arábico descobertas em Sané, em Gao, no local onde se crê que ficasse Tadm ekka, em Bentia (ou Cucuia) e em outros pontos da região, decifrando, transcrevendo e traduzindo cada um a delas, datando-as, identificando suas citações corânicas, analisando caligrafia e linguagem , interpretando-as, com entando-as e com parando um as com as outras —, que, antes da dinastia Zá, Diá, Zu’a ou Zuwa, houve um a outra, que os cronistas de Tom buctu não conheciam ou desprezaram , um a vez que das suas listas de reis não constam os nom es registrados epigraficam ente em Sané.
Nas lápides talhadas em cúfico de Sané, há referências a altas personagens descritas com o m alik (rei) ou m alika (rainha). Os três reis com datas de m orte m ais antigas, que figuram nas inscrições, são Abu Abdu Llah Muham m ad bin Abdu Lla bin Zaghi, falecido em 1100 de nossa era, Abu Bakr ibn Abu Quhafa, que se finou em 1110, e Yam a bin Kum a bin Zaghi, tam bém conhecido com o Um ar bin al-Kattab, m orto em 1120. Seriam esses três reis, todos eles, m uçulm anos, o prim eiro, talvez, recém -convertido, com o indicaria o ter adotado com o nom e de seu pai — o que era com um entre os novos islam itas — o do pai do Profeta. Antes deles, houve outros com o título de m alik, com o Yaghawi e Kuri.
O últim o desse grupo a aparecer num a lápide funerária em Sané foi Fanda bin Aru Bani bin Zaghi, cuj a m orte se deu em 1203. Quase um século antes, sete anos após o m alik Um ar bin al-Kattab, sepultou-se em Sané um certo Za bin al-Malika Hakkiy a. Foram , portanto, o m alik Um ar e o zá contem porâneos. É possível que tenha havido durante algum tem po um a dualidade de poder na área, ou que os zás ou zuwa exercessem um a função político-ritual sob a autoridade m aior do m alik. Posteriorm ente, os Zás teriam em polgado o poder, pois em lápides encontradas em Sané e em Gao e datadas da prim eira m etade do século XIII, o título Zuwa aparece precedido pela indicação de que se tratava de um m alik ou rei. A dinastia Zá não teria surgido, assim , entre os séculos VIII e IX, com o se depreendera dos cronistas de Tom buctu, m as m uito depois.
Paulo Fernando de Moraes Farias faz Ali Colom e Salm ã Nari em igrarem da história para o território e o tem po do m ito, onde j á os esperavam Zá Alaiam ã e seu irm ão, e sugere a hipótese de que a dinastia Soni, Sony i, Si ou Sii se tenha originado num grupo de guerreiros m andingas que se estabeleceu em Cuquia e ali, com o beneplácito do m ansa do Mali, com eçou a m andar. Em Cuquia, por causa dos rápidos de Fafa e de Labbenzanga, os bens que desciam o Níger por canoas tinham de ser delas descarregados para eludir as corredeiras. Passadas estas, voltavam às em barcações ou seguiam por terra para o sul e o sudeste, não sendo de excluir-se que as linhas com erciais que dali partiam chegassem até o Iorubo e a Ibolândia. (Já se aventou, por sinal, a hipótese de que, entre os séculos VIII e XI, tenham passado pelo m ercado de Gao as contas de vidro, possivelm ente de m anufatura egípcia, desencavadas em grande núm ero em
13
Igbo-Ukwu. )
Cuquia cresceu e voltou-se num im portante m ercado, onde deviam ser num erosos os uângaras ou com erciantes m uçulm anos, com o m ostram as lápides funerárias islam itas de Bentia, datadas de 1272 a 1489. Teria sido graças a um a aliança com os uângaras que os Sonis se fortaleceram no poder, se tornaram independentes e com eçaram , a partir de Gao, a construir um im pério às expensas de um Mali crepuscular. Não no fim do século XIV, com o está na
página 546, m as por volta de 1430.
Ao negar-se historicidade a Ali Colom e Salm ã Nari, as duas ou três conquistas de Gao pelo Mali tornam -se, na reconstrução histórica, desnecessárias. Um a única conquista seria bastante: ela se teria dado entre as últim as décadas do século XIII e as prim eiras do século seguinte, pois a epigrafia nos indicaria ter falecido em 1280 ou 1299 o últim o dos reis Zuwas que figura nas lápides de Sané.
Quando Mam ari derrocou, em 1493, o soni Abu Bacre Dao, não assum iu o título de ásquia, porque provavelm ente j á o possuía. Isso nos faz crer Moraes Farias, pois encontrou o term o em duas inscrições tum ulares, um a delas datada de 1234. A palavra “ásquia” poderia originar-se do tam axeque “asku”, que designa um j ovem nascido escravo, e se teria aplicado, prim eiro, a quem cuidava dos cavalos reais e, depois, a um com andante m ilitar ligado diretam ente ao rei e que, no início pelo m enos, não seria um hom em livre.
A leitura do livro de Paulo Fernando de Moraes Farias foi um a deslum brante aventura intelectual. Outras experim entei, nestes dez anos que separam a 2ª edição desta 3ª de A enxada e a lança, em bora — e disto m e culpo —, ao dedicar-m e, nesse período, ao estudo da África entre os séculos XVI e XIX, tenha descuidado da sua história antiga. Não m e passaram , contudo, despercebidas — para ficar num só exem plo — as 59 m oedas de prata e cobre
que Mark Horton 14 desenterrou em Shanga e que foram provavelm ente cunhadas naquela cidade entre os séculos IX e XI. Seriam , algum as, contem porâneas das prim eiras peças am oedadas em Quíloa e Mafia, e outras, ainda m ais antigas.
Os trabalhos arqueológicos de Horton, entre 1980 e 1988, que lhe perm itiram acom panhar o evoluir de um a localidade suaíli ao longo de seis séculos, não alteraram a visão que tenho das urbes m ercantis da África Índica. E a descrição de seus im portantes achados transbordaria das páginas de um livro de síntese com o este, sem lhe m udar substancialm ente o rum o.
Não deixo aqui, por m otivos sem elhantes, o rastro de outras leituras. Este livro deve resignar-se, com o j á disse m ais de um a vez, a ser incom pleto e im perfeito, sim ples introdução ao estudo da história da África. Não quero, porém , dele
despedir-m e, sem um com entário ao que escrevi em suas páginas 671 e 672, ao
procurar responder à pergunta que fez, há m uitos anos, A.G. Hopkins: 15
— Se foram em tão grande núm ero e ao longo de tantos séculos as vendas de escravos negros ao norte da África e ao Oriente Médio, o que aconteceu com os seus descendentes, j á que deles quase não vem os a presença, nos dias de hoj e, nessas regiões?
A pergunta parece-m e, j á agora, pensando m elhor, sem sentido, pois é clara a presença dos descendentes de escravos africanos em boa parte das populações daquelas áreas do m undo. Quem disso tiver dúvida, que olhe atentam ente na televisão para as seleções nacionais de futebol e para as arquibancadas dos estádios.
Rio de Janeiro, em 19 de j aneiro de 2006.