Jack Definitivo: Segredos do Executivo do Século
I. Primeiros Anos
1. Desenvolvendo a Autoconfiança
ERA A PARTIDA DECISIVA DE UM CAMPEONATO DE HÓQUEI muito disputado. Eu estava no último ano da Salem High School; ganhamos os primeiros três jogos daquela temporada, derrotando os Danvers, Revere e Marblehead, mas depois perdemos a meia dúzia de jogos seguintes, cinco deles com a diferença de apenas um gol. Assim, desejávamos ardentemente ganhar essa última partida na Lynn Arena, contra nosso grande rival Beverly High. Como vice-capitão da equipe, os Salem Witches, eu fizera uns dois gols, e nos sentíamos bastante seguros quanto às nossas chances.
A disputa era acirrada, e já na prorrogação permanecia o empate de 2 a 2.
Mas, de repente, o outro time marcou um gol e perdemos de novo, pela sétima vez consecutiva. Num acesso de raiva, atirei longe meu bastão de hóquei na arena de gelo, disparei atrás dele e dirigi-me ao vestiário. O time já estava lá, tirando os patins e despindo os uniformes. De súbito, a porta se abriu e lá irrompeu minha mãe irlandesa.
O recinto mergulhou em silêncio. Todos os olhos se grudaram naquela mulher de meia-idade, com um vestido estampado, enquanto ela caminhava pelo recinto, passando pelos bancos de madeira, onde alguns dos rapazes já trocavam de roupa. Ela se encaminhou diretamente em minha direção e agarrou a parte superior de meu uniforme.
— Seu paspalho! — gritou ela na minha cara. — Se você não souber perder, nunca saberá ganhar. Se você não for capaz disso, não deve entrar no jogo.
Fiquei desolado — fora humilhado diante de todos os meus amigos — mas nunca esqueci aquelas palavras. A paixão, a energia, a decepção, e o amor que ela demonstrou com aquela atitude, abrindo caminho até o vestiário, era típico de minha mãe. Ela foi a pessoa de maior influência na minha vida. Grace Welch ensinou-me o valor da competição, assim como me impregnou do prazer da vitória e me imbuiu da capacidade de superar as derrotas.
Se desenvolvi algum estilo de liderança, algum meio de extrair o melhor das pessoas, devo tudo a ela. Rigorosa e agressiva, acolhedora e generosa, ela tinha grande discernimento sobre a personalidade de um indivíduo. Sempre tinha opinião sobre as pessoas. Conseguia “farejar os impostores a um quilômetro”.
Minha mãe era extremamente solidária e generosa com os amigos. Se um parente ou vizinho ia à nossa casa e elogiava os copos na cristaleira, ela não hesitava em dá-los ao visitante.
Por outro lado, se alguém se metesse em sua vida, cuidado. Ela nutria um ressentimento profundo contra qualquer um que traísse sua confiança. E essa mesma descrição se aplica sob medida a mim mesmo.
Muitas de minhas crenças básicas sobre gestão — coisas como competir com todas as forças para vencer; enfrentar a realidade; motivar as pessoas, ora abraçando-as, ora repelindo-as; fixar metas mais extensas; e monitorar implacavelmente os indivíduos, para garantir que cumpram suas tarefas — remontam à sua herança. As idéias que ela incutiu em mim jamais perderam a força. Ela sempre insistiu em encarar os fatos e a situação. Uma de suas expressões favoritas era: “Não se iluda. Essa é a realidade.”
“Se não estudar”, ela sempre admoestava, “você não será nada. Absolutamente nada. Não existem atalhos. Não se iluda”.
Eram advertências rudes e nada complacentes, que ainda hoje soam em minha cabeça, todos os dias. Sempre que tento enganar-me com a esperança de que algum problema relativo a um acordo ou negócio melhorará por obra e graça de um milagre, seus conselhos me reconduzem ao rumo certo.
Desde meus primeiros anos na escola, ela ensinou-me a necessidade de dar o melhor de mim. Ela era rigorosa comigo, mas também sabia ser carinhosa e me dava beijos. Minha mãe fazia questão que eu soubesse o quanto era querido e amado. Quando levava para casa o boletim escolar com quatro As e um B, ela primeiro queria saber por que tirei B. Mas sempre terminava a conversa elogiando-me e abraçando-me pelos As.
Ela não deixava de verificar se eu fazia os deveres de casa, da mesma maneira como hoje sempre acompanho o trabalho de meu pessoal. Ainda me lembro de quando estava em meu quarto, no andar de cima da casa, estudando as lições da escola, e minha mãe gritava da sala lá embaixo: “Ainda não terminou? É melhor não descer enquanto não acabar!”
Mas foi na mesa da cozinha, jogando baralho com ela, que descobri o lado prazeroso e divertido da competição. Lembro-me de sair correndo da escola para almoçar em casa, quando estava na primeira série, antecipando a gostosura que era o carteado com ela. Quando minha mãe vencia, o que era muito comum, ela jogava a última carta na mesa e gritava: “Bati!” Eu ficava furioso, mas mal via a hora de chegar em casa e conseguir uma revanche.
Essa é provavelmente a origem de minha competitividade, em beisebol, em hóquei e nos negócios.
Talvez o maior dom que ela me legou foi a autoconfiança. A mesma qualidade que busquei e procurei infundir em todos os executivos que algum dia trabalharam comigo. A autoconfiança instila coragem e amplia os horizontes. Ê o fator que o induz a assumir riscos e a superar as próprias limitações, realizando muito mais do que jamais se considerou possível. Reforçar a autoconfiança dos outros é um componente básico da liderança. É consequência da oferta de oportunidades e da imposição de desafios para que as pessoas realizem algo que sempre julgaram inatingível — recompensando-as por cada êxito, de todas as maneiras possíveis.
Minha mãe nunca gerenciou pessoas, mas ela sabia desenvolver a autoestima. Cresci com certa dificuldade de fala, uma gagueira persistente. Por conta disso, passei por algumas situações cômicas, para não dizer constrangedoras. Na universidade, eu geralmente pedia um sanduíche de atum às sextas-feiras, quando os católicos da época não podiam comer carne. Invariavelmente, a garçonete sempre voltava com dois sanduíches, em vez de um, pois interpretava o meu “tu-tuna sandwich” (sanduíche de atum, com a repetição da primeira sílaba de atum em inglês) como “two tuna sandwiches” (dois sanduíches de atum).
Minha mãe arranjou a desculpa perfeita para a minha gagueira. “É porque você é muito inteligente”, dizia. “Não há língua que acompanhe um cérebro tão rápido quanto o seu.” Realmente, durante muitos anos, nunca me preocupei com a minha gagueira. Simplesmente acreditei no que ela disse: minha cabeça era mais rápida do que minha boca.
Só depois de muito tempo percebi o tamanho da confiança que ela me transmitiu. Décadas mais tarde, vendo minhas primeiras fotografias em equipes esportivas, fiquei surpreso ao constatar que quase sempre eu era a criança mais baixa e mais franzina de todo o grupo. Na escola, onde participava do time de basquete, tinha praticamente a metade da estatura de outros jogadores. Contudo, nunca percebi ou senti essa diferença. Hoje, olho para aquelas fotografias e acho muita graça de como eu era baixinho. Era quase absurdo que não tivesse consciência de meu tamanho. Isso mostra o que a mãe é capaz de fazer pelo filho. Ela infundiu-me toda essa confiança. Ela convenceu-me de que eu seria capaz de ser o que eu quisesse. Realmente, cabia a mim consegui-lo. “Você só precisa ir à luta”, dizia.
Meu relacionamento com minha mãe era intenso e único, caloroso e reconfortante. Ela era minha confidente, minha melhor amiga. Acho que ela agia assim em parte por eu ser filho único, nascido quando ela já era mais velha (para a época), com 36 anos, e meu pai com 41 anos. Durante muitos anos, meus pais tentaram em vão a gravidez. Quando finalmente vim à luz em Peabody, Massachusetts, em 19 de novembro de 1935, minha mãe cumulou-me com rodo o seu amor, como se eu fosse o mais precioso tesouro.
Não nasci em berço de ouro, mas recebi algo muito melhor — amor em profusão. Meus avós de ambos os lados eram imigrantes irlandeses; nem eles nem meus pais concluíram a escola secundária. Morávamos numa modesta casa de alvenaria de dois andares, em 15 Lovett Street, num bairro proletário irlandês, em Salem, Massachusetts.
A casa ficava defronte a uma pequena fábrica, do outro lado da rua. Meu pai sempre comentava que aquilo era uma grande vantagem. “Sempre procure ser vizinho de uma fábrica. Não ficam em casa no fim de semana. Não o incomodam. São discretos.” Sempre acreditei nele e nunca percebi que se esforçava para melhorar a própria autoestima.
Meu pai trabalhava muito como condutor de trem na ferrovia da Boston & Maine, entre Boston e Newburyport. Quando o “Big Jack” saía de manhã cedo, às 5 horas, em seu uniforme azul-escuro e camisa branca engomada, com o apuro típico de minha mãe, ele parecia preparado para um encontro muito importante. Quase todos os dias era a mesma coisa, uma sucessão de perfurações de tíquetes, passando pelas mesmas dez estações, tudo sempre igual: Newburyport, Ipswich, Hamilton/Wenham, North Beverly, Beverly, Salem, Swampscott, Lynn, General Electric Works, Boston. E, depois, de volta pelos mesmos lugares, cerca de quase 70 quilômetros de trilhos. Mais tarde, gostei de saber que uma de suas paradas regulares era no complexo de motores de avião da GE em Lynn, nas cercanias de Boston.
Nos dias de trabalho, ele parecia ansioso por retornar ao trem da B&M, ao qual sempre se referia como se fosse dele. Meu pai adorava conversar com o público e encontrar pessoas interessantes. Ele percorria o corredor central daqueles vagões de passageiros como se fosse um embaixador, cheio de bom humor, perfurando os tíquetes, cumprimentando os rostos familiares e tratando-os como amigos íntimos.
No horário de trânsito mais intenso, ele trocava sorrisos e saudações com os passageiros e espalhava um pouco de conversa fiada irlandesa. Toda aquela animação no trem geralmente contrastava com seu comportamento silencioso e reservado em casa. Aquilo irritava minha mãe, que se queixava: “Por que você não traz para casa um pouco das bobagens que diz no trem?” O que raramente acontecia.
Meu pai era um empregado diligente, que trabalhava longas horas e jamais faltava ao emprego. Quando a meteorologia previa tempo ruim, ele pedia à minha mãe que o deixasse na estação à noite, onde dormia num dos vagões, para que estivesse pronto e no horário na manhã seguinte.
Raramente chegava em casa antes das sete da noite e minha mãe sempre o pegava na estação, no carro da família. Entrava em casa sobraçando uma pilha de jornais, todos deixados por passageiros no trem. Desde os seis anos, eu recebia minha dose cotidiana dos acontecimentos do dia e das notícias esportivas, graças às sobras de Boston Globes, Heralds e Records. A leitura de jornais todas as noites tornou-se um vício de toda a vida. Até hoje sou um devorador de jornais.
Meu pai despertou em mim não só a curiosidade pelo que ocorria fora de Salem. Ele também me transmitiu, com seu exemplo, o valor do trabalho árduo. E ainda fez algo que perduraria por toda a minha vida — introduziu-me no golfe. Todos os passageiros do trem sempre conversavam sobre seus jogos de golfe. E assim meu pai convenceu-se de que os chefões jogavam golfe e persuadiu-me a aprender aquele esporte, em vez de dedicar-me ao beisebol, ao futebol e ao hóquei, como era meu hábito na época. Todos os garotos mais velhos das redondezas eram carregadores de tacos em campos de golfe. Assim, com o incentivo de meu pai, comecei cedo, aos 9 anos, como carregador de tacos de golfe, no Kernwood Country Club, situado nos arredores.
Eu era terrivelmente dependente de meus pais. Muitas vezes, quando minha mãe ia apanhar meu pai, o trem se atrasava. Quando tinha 12 ou 13 anos, as demoras me deixavam louco. Eu saía de casa e descia a Lovett Street, com o coração em disparada, para ver se depois da esquina os encontrava a caminho de casa, com medo de que algo tivesse ocorrido com os dois. Não podia perdê-los. Eles eram o meu mundo.
Não era para eu ter aquele medo, pois minha mãe me criava para ser forte, valente e independente. Ela sempre teve medo de morrer cedo, vítima da mesma doença cardíaca que acometera toda a sua família. Por isso, desde cedo, em minha adolescência ela me encorajava a ser independente. Ela me incentivava a ir até Boston sozinho, para assistir a jogos esportivos ou a uma sessão de cinema. Na época, considerava-me calmo, a não ser quando minha mãe saía para buscar meu pai e se atrasavam por algum motivo.
Salem era um ótimo lugar para um garoto em idade de crescimento. A cidade era dominada por forte ética do trabalho e pelo cultivo de bons valores. Naquele tempo, ninguém trancava a porta de casa. Aos sábados, os pais não se preocupavam quando os filhos iam à Paramount, no centro da cidade, onde um quarto de dólar comprava duas entradas de cinema e um saco de pipoca, e ainda sobrava bastante troco para um sorvete na volta para casa. Aos domingos, as igrejas ficavam lotadas.
Mas a cidade também era um lugar combativo e competitivo. Sem dúvida, eu era competitivo, e o mesmo ocorria com meus amigos. Todos éramos atletas, vivendo para praticar um esporte ou outro. Organizávamos no bairro nossos próprios times de beisebol, basquete, futebol e hóquei, jogando num terreno baldio, plano e poeirento, cercado de árvores e quintais, na North Street. Varríamos o chão, para aplainá-lo, na primavera e no verão, escolhíamos os lados e as equipes, e até programávamos os campeonatos. Jogávamos desde de manhã cedo até quando soava o apito da cidade, às 20h45. Era o sinal de voltar para casa.
Na época, as escolas da cidade se distribuíam por bairros, o que gerava intensa rivalidade em todos os esportes, mesmo na escola elementar. Eu era o zagueiro da equipe masculina de futebol formada por seis jogadores da Pickering Grammar School. Meus movimentos eram extremamente lentos, mas tinha um bom braço e contava com uns dois colegas de equipe que realmente corriam. Ganhamos o campeonato em Pickering. Também era o lançador de nossa equipe de beisebol e aprendi a fazer um arremesso em curva com uma queda brusca.
Contudo, na Salem High School, descobri que me cansava com muita rapidez no futebol e no beisebol. Também era muito lerdo no futebol e o meu devastador lançamento em curva ao meio-dia perdia a força às 16 horas. Meu arremesso mais rápido não conseguia quebrar uma vidraça. Os adversários ficavam sentados esperando a bola. E, assim, passei de lançador, como calouro, a reserva, como sênior. Ainda tinha a sorte de ser um atleta razoável em hóquei, como capitão e artilheiro da equipe da escola secundária, mas, na universidade, minha falta de velocidade me pegou de novo. Tive de desistir.
Graças a Deus ainda restava o golfe, esporte que não exige velocidade. Foi o estímulo de meu pai que me levou desde cedo ao Kernwood Country Club, onde comecei como carregador de tacos. Aos sábados de manhã, meus amigos e eu sentávamos no meio-fio em frente ao portão do Green Lawn Cemetery, esperando que um sócio do clube nos desse carona naquelas poucas milhas até o campo de golfe. Nos dias mais quentes do verão, escapulíamos furtivamente até um lugar escondido, que apelidamos de “Black Rock”, tirávamos toda a roupa e nos refrescávamos com uns mergulhos no rio Danvers.
Todavia, quase sempre ficávamos na colina gramada, perto do alojamento dos carregadores de tacos, esperando que o “Belo” Sweeney, o chefe dos carregadores, gritasse nossos nomes. Alto e magro, com cabelos cacheados e óculos, Sweeney retirava as bolsas, colocava-as perto da porta e chamava: “ Welch”! E eu deixava às pressas o jogo de cartas ou a luta com os colegas, para executar minha tarefa.
Quase todos queriam carregar os tacos de Ray Brady, pois ele era quem dava as melhores gorjetas em todo o clube, onde as gratificações eram em geral escassas. Geralmente, o máximo que se conseguia era US$1,50 por dezoito buracos. Mas realmente trabalhávamos para usufruir as manhãs das segundas-feiras, quando as turmas de operários faziam a manutenção do gramado. Era o paraíso dos carregadores de tacos, quando recolhíamos as bolas perdidas e usávamos nossos tacos remendados para percorrer os dezoito buracos. Chegávamos ao campo com as primeiras luzes da manhã, pois éramos expulsos exatamente ao meio-dia.
O trabalho como carregador de tacos me proporcionou algum dinheiro e, o mais importante, significou a oportunidade de aprender o jogo. Também tive contato com pessoas que haviam alcançado algum sucesso. Observando os comportamentos no campo de golfe, adquiri uma perspectiva muito precoce de como as pessoas podem ser de um fascínio irresistível ou de uma idiotice lastimável.
Além de carregar tacos, trabalhei em várias outras atividades. Durante algum tempo, entreguei o Salem Evening News. Também ajudei na agência de correios local, nas férias. Durante cerca de três anos, vendi sapatos por comissão, na loja Thom McCan, em Essex Street. Recebíamos sete centavos de dólar por par de sapatos vendido. Caso vendesse determinado modelo especial, muito feio e espalhafatoso, recebíamos um quarto ou meio dólar. Sempre os mostrava aos compradores, calçava-os em pés, às vezes malcheirosos, e dizia: “Ficam muito bem em você.” O que eu não fazia por um quarto de dólar naqueles dias!
Um desses empregos de verão realmente me ensinou algo. Convenceu-me de que nunca me daria bem numa fábrica. Operava uma furadeira de coluna na fábrica de jogos Parker Brothers, em Salem. Meu trabalho consistia em pegar um pequeno pedaço de cortiça, furá-lo, pressionando um pedal com o pé, e depois atirá-lo em um grande recipiente redondo de papelão. Todos os dias eu repetia essa rotina centenas de vezes.
Para passar o tempo, apostava comigo mesmo que seria capaz de cobrir o fundo do barril com rolhas perfuradas, antes que o capataz chegasse para esvaziá-lo. Raramente, eu conseguia. Era uma frustração. Chegava em casa com dor de cabeça. Odiava aquilo. A faina não durou três semanas, mas me ensinou muito.
Passei os primeiros anos de minha vida com o nariz pressionado contra vidros. Todos os verões, antes de ter idade para trabalhar, os garotos de Salem pegavam um trem especial para Old Orchard Beach, um parque de diversões no Maine. Era o ponto alto do verão. Embarcávamos no trem às 6h30 e chegávamos lá uma hora e meia depois. Duas horas mais tarde, a maioria já tinha gasto os cerca de cinco dólares que recebiam dos pais, experimentando todos os brinquedos.
Ainda tínhamos o dia inteiro pela frente e já estávamos duros. Então, meus amigos e eu vasculhávamos a praia à cata de garrafas retornáveis, indo de banhista a banhista e pedindo garrafas vazias. A dois centavos de dólar por garrafa, ainda conseguíamos dinheiro suficiente para um cachorro-quente e para ir a alguns brinquedos no parque de diversões, antes de voltar para casa.
Por outro lado, nunca me senti desprovido. Não queria muito de nada. Meus pais faziam quaisquer sacrifícios por mim, empenhando-se para que eu tivesse uma ótima luva de beisebol e uma boa bicicleta. E meu pai ainda permitia que minha mãe me mimasse, jamais ficando com qualquer crédito. E ela o fazia.
Ela me levava às arquibancadas do Fenway Park, para ver Ted Williams jogar como ponta-esquerda do Boston Red Sox. Ela me apanhava na escola no começo da tarde e me levava ao country club para que eu chegasse antes dos outros carregadores de tacos. Católica devota, ia comigo à igreja St. Thomas The Apostle para que eu ajudasse na missa das seis horas da manhã, como coroinha, enquanto ela rezava no primeiro banco à direita.
Minha mãe se tornou minha mais animada chefe de torcida, telefonando para os jornais locais e pedindo-lhes que noticiassem meus pequenos triunfos, desde quando me formei pela Universidade de Massachusetts até quando me graduei em Ph.D. E, depois, afixava cada recorte num grande álbum. Ela era coruja a esse ponto.
Sem dúvida, ela era a responsável pela disciplina na família. Quando um dia meu pai me flagrou em seu trem, de volta para casa, depois de matar as aulas para comemorar o St. Patrick Day, em South Boston, ele não disse nada em frente a meus amigos, embora todos estivéssemos um pouco altos por causa de um moscatel de 50 centavos a garrafa.
Em vez disso, ele simplesmente contou o fato à minha mãe, que ralhou comigo e castigou. De outra feita, faltei à prática de coroinha para jogar hóquei num lago congelado no Mack Park perto de casa. Durante o jogo, o gelo cedeu sob meus pés e fiquei totalmente ensopado. Para tentar ocultar o ocorrido, despi as roupas molhadas e as pendurei numa árvore em cima de uma fogueira. E lá fiquei tintando no frio de janeiro, esperando que as roupas secassem.
Achava que estava sendo muito esperto — até que cheguei em casa.
Não demorou um segundo para que minha mãe sentisse o cheiro de fumaça em minhas roupas. Faltar ao treinamento para coroinha era erro muito grave para alguém que mantinha um crucifixo na parede, rezava o terço e considerava o padre James Cronin, pároco de nossa igreja durante muito tempo, um santo. Assim, ela mandou que me sentasse, arrancou-me a confissão, e impôs-me sua própria pena: deu-me uma surra com os sapatos úmidos que acabara de retirar de meus pés.
Embora minha mãe conseguisse ser rigorosa, também era capaz de agir como verdadeira “moleirona”. Certo dia, quando eu não tinha mais de 11 anos, roubei uma bola de um grupo que desfilava pelas ruas. Era uma velha bola suja, do tipo que se atira sobre uma pilha de garrafas de metal, com o objetivo de derrubá-las e ganhar uma boneca.
Pouco depois, minha mãe descobriu a bola e perguntou onde eu tinha conseguido aquilo. Quando admiti que a havia roubado, ela insistiu para que eu procurasse o padre Cronin, devolvesse-lhe a bola e confessasse meu ato. Como todos os padres me conheciam como coroinha, estava convencido de que me identificariam no confessionário, no momento em que abrisse a boca. Estava apavorado.
Então, perguntei á minha mãe se eu podia jogar a bola no North Canal. Depois de algumas negociações, ela deixou que eu fizesse isso. Em seguida, ela me levou à ponte da North Street e ficou observando enquanto eu jogava a bola no rio.
Em outra ocasião, já nos últimos anos da escola secundária, estava carregando os tacos para um dos sócios mais avarentos do Kernwood Country Club. Na época, já atuava como carregador de taco havia oito anos — o que era provavelmente um pouco demais para meu próprio bem. Chegamos ao sexto buraco, um ponto de arremesso em que qualquer imprecisão na tacada lançava a bola num pequeno lago. Naquele dia, o cara jogou a bola diretamente na água. Ela caiu a pelo menos três metros da margem, naquelas águas enlameadas. Ele pediu que eu tirasse os sapatos e as meias e entrasse no lamaçal para pegar a bola.
Recusei-me e, quando ele insistiu, mandei-o para o inferno. Joguei os tacos na água e disse-lhe para apanhar a bola e os tacos ele mesmo, e fui embora.
Foi uma atitude imbecil, ainda pior do que atirar o bastão de hóquei na arena de gelo. Embora minha mãe tivesse ficado aborrecida, pois o incidente me custara a bolsa de estudos do clube, ela pareceu compreender meus sentimentos e não fez muito estardalhaço em tomo do assunto.
Decepção ainda maior foi perder a oportunidade de conseguir quatro anos de ensino superior gratuito, por conta de um programa de bolsa de estudos do Corpo de Treinamento de Oficiais da Reserva (Reserve Officers Training Corps — ROTC) da Marinha. Três alunos da Salem High School passaram nos exames, eu e dois de meus melhores amigos, George Ryan e Mike Tivnan. Meu pai conseguiu que alguns deputados estaduais enviassem cartas de recomendação de meu nome, e passei por uma bateria de entrevistas para o programa. Meus amigos conseguiram. George passou a frequentar de graça a Tufts College. Mike foi para a Columbia University. Eu esperava ir para Dartmouth ou Columbia, mas a Marinha recusou-me.
Nunca descobri por quê.
Ironicamente, o incidente converteu-se em grande oportunidade, Na Salem High School, eu era um bom aluno que estudava muito para conseguir boas notas, mas ninguém me considerava brilhante. Assim, inscrevi-me na Universidade de Massachusetts, em Amherst, uma faculdade estadual, onde o custo era de USS50 por semestre. Por menos de US$1.000, inclusive alojamento e passadio, conseguiria formar-me no curso superior.
Com a exceção de um primo, fui o primeiro da família a ir para a universidade. Não tinha nenhum modelo na família, a não ser meu tio Bill Andrews, que trabalhava como “engenheiro" na central elétrica de Salem. Ser engenheiro parecia bom para mim. Logo descobri que gostava de química, e, assim, dediquei-me à engenharia química.
Sabia tão pouco sobre universidades que quase não cheguei lá. Não me submeti ao Teste de Aptidão Escolar (Scholastic Aptitude Test - SAT), presumindo que os resultados de meus exames ROTC para a Marinha bastavam. Não recebi a carta de aceitação da UMass (Universidade de Massachusetts) até junho, poucos dias antes de formar-me na escola secundária. Talvez tenha ficado na lista de espera — mas nunca certifiquei-me disso. O fato de ser aluno de uma escola menos competitiva, em vez de Columbia ou Dartmouth, como eu queria, acabaria sendo uma tremenda vantagem para mim. O nível dos concorrentes com que me defrontei na UMass naqueles dias me permitiram brilhar com mais facilidade.
E embora nunca tenha carecido de confiança em mim mesmo, minha primeira semana na universidade, no outono de 1953, foi muito difícil. Minhas saudades de casa eram tantas, que minha mãe teve de dirigir 3 horas, até o campus de Amherst, para visitar-me. Lá chegando, ela tentou animar-me.
— Olha todos esses garotos por aí. Eles não estão pensando em voltar para casa. Você é tão bom quanto eles, até melhor.
Ela estava certa. Em Salem, praticara esportes, fizera um pouco de tudo, desde tesoureiro da turma, nos últimos anos da escola secundária, até capitão do time de hóquei e das equipes de golfe, mas realmente nunca estivera longe de casa, nem para passar uma noite no campo. Considerava-me um cara macho, que se julgava safo e independente, e lá me via eu totalmente desnorteado pela experiência de sair de casa para a universidade. Não estava de modo algum tão preparado para aquilo quanto alguns de meus colegas. Defrontei-me com jovens das escolas preparatórias da Nova Inglaterra e da prestigiosa Boston Latin, que se mostravam bem à minha frente em matemática. Também tive muita dificuldade em física.
Minha mãe não queria saber daquilo. O discurso de exortação funcionou. Minhas ansiedades desapareceram em uma semana.
Lutei muito em meu primeiro ano de calouro, mas saí-me bem nos exames, conseguindo a média geral (grade point average — GPA) de 3,7, o que me incluiu na lista dos alunos de melhor desempenho acadêmico, na qual permaneci durante todos os anos. Em meu segundo ano na universidade, fiz o juramento para a Phi Sigma Kappa e mudei-me para a casa da confraria, perto do lago do campus. Nossa confraria, no topo ou quase no topo em consumo de cerveja, oferecia melhores jogos de pôquer e melhores festas do que a maioria das congêneres.
O grupo era ótimo, e embora tenhamos ficado em dependência uma ou duas vezes, joguei duro e ainda consegui bons resultados. Amava a atmosfera do lugar.
Também tive bons professores na UMass, especialmente Ernie Lindsey, chefe do Departamento de Engenharia Química, que fez de mim uma espécie de projeto de estimação. Ele gostava de mim e me acompanhou durante todo o programa, como se fosse seu filho. Â semelhança de minha mãe, o apoio dele transmitiu-me muita confiança. Consegui empregos de verão em engenharia química na Sun Oil, perto de Swarthmore, Pensilvânia, e na Columbia Southern, agora PPG Industries, em Ohio. Em 1957, era um dos dois melhores alunos da universidade, formando-me em engenharia química. Se tivesse ido para o MIT, provavelmente concluiria o curso no meio da pilha. Meus orgulhosos pais compraram para mim um Fusca novinho em folha, como presente de formatura.
Nos últimos anos de universidade, fui cortejado por muitas empresas. Recebi muitas ofertas atraentes. Mas as características de minha profissão convenceram-me a fazer um curso de pós-graduação. Rejeitei os convites das empresas e decidi ir para a Universidade de Illinois, em Champaign, onde recebi uma oferta de ajuda financeira (fellowship). Com dois ganhadores do Prêmio Nobel no corpo docente de engenharia, a universidade sempre se enquadrava entre as cinco melhores em engenharia química. Foi uma grande faculdade para a minha especialização.
Estava no campus havia não mais de duas semanas, quando encontrei uma garota bonita e a convidei para sair. Nosso encontro na noite de sábado foi tão bom que terminamos numa vaga do estacionamento do campus, perto do bosque. As janelas do fusca estavam embaçadas quando, de repente, fomos surpreendidos pelo facho de uma lanterna. Era a polícia do campus, que nos pilhara em posição meio estranha. Congelei, aterrorizado com as consequências.
Naqueles dias, as coisas eram bem diferentes. A década de 1950 foi uma época conservadora, e ainda por cima estávamos no Meio-Oeste puritano. A polícia nos levou para a o posto de segurança do campus, e lá ficamos até quatro ou cinco horas da manhã, quando nos mandaram para casa.
Naquele momento, toda a minha vida se projetou diante de meus olhos. Achei que estava a ponto de perder tudo: a ajuda financeira, a chance de conseguir a pós-graduação, minha carreira. Mas, acima de tudo, pensava na reação de minha mãe, quando ela descobrisse o que eu havia feito. Meu destino seria decidido depois de uma reunião na segunda-feira, com o reitor da universidade, que definiria a ação disciplinar.
Na manhã de domingo, reuni todas as minhas forças e telefonei para o chairman do Departamento de Engenharia Química, Dr. Harry Drickamer. Conhecia-o apenas por sua reputação de rispidez. Assustado como estava, achei que ele era a minha única esperança.
— Dr. Drickamer — disse. — Estou com um problema muito sério. A polícia do campus me pegou numa situação delicada. Estou arrasado e preciso de ajuda.
Quase molhei as calças ao narrar-lhe o sucedido.
— Que droga! — ele respondeu. — De todos os meus alunos de pós-graduação, você é o primeiro a fazer algo desse tipo. Vou tratar disso, mas é melhor que de hoje em diante você não fique arriando as calças por aí!
Não sei o que Drickamer fez, mas o fato é que ele salvou a minha pele. Ainda tive de comparecer à reunião com o reitor, mas não fui expulso da faculdade. No entanto, aquele incidente assustador aproximou-me muito mais de Harry. E desenvolvemos um relacionamento maravilhoso. Ele também me tratou como filho. Apostávamos nos jogos de futebol. Discutíamos sobre notícias na imprensa. Nos corredores, Harry implicava comigo sem dó nem piedade, sempre atormentando-me por causa do Red Sox e de meus cabelos já ralos.
Assim, ele desempenhou um papel importante em minha vida, um mentor, durante todos os anos de pós-graduação. Eu precisava daquela ajuda. Em Illinois, eu não era tão bem preparado quanto os jovens da Brooklyn Polytechnic, de Columbia ou de Minnesota. Assim, no primeiro ano, também tive de lutar naquele novo ambiente. Realmente, pelejei por minhas notas. Eu não era, de modo algum, um astro.
Depois de meu primeiro ano em Illinois, em 1958, quando concluí o mestrado, o país estava em recessão. Em vez de receber vinte ofertas de emprego, apareceram apenas duas: uma de uma refinaria de petróleo, em Oklahoma, perto de Tulsa, e outra da Ethyl Corp., em Baton Rouge, Louisiana. No avião, rumo à entrevista na Ethyl, viajava com um de meus colegas da Universidade de Illinois, quando aconteceu algo estranho. A aeromoça aproximou-se e perguntou:
— Mr. Welch, o senhor aceita uma bebida?
Em seguida, virou-se para meu colega e disse:
— Dr. Gaertner, o senhor aceita uma bebida?
Achei que "Dr.” Gaertner soava muito melhor do que “Mr.” Welch. Tudo que tinha de fazer era ficar mais uns dois anos. Assim, sem nenhuma outra consideração, continuei na universidade e obtive meu Ph.D. Também contribuiu para a decisão o fato de o mercado de trabalho não estar muito bom. E, ainda por cima, eu realmente gostava dos professores de Illinois, sobretudo de Drickamer e de meu orientador na tese de doutorado, Dr. Jim Westwater.
Nas faculdades de pós-graduação, sobretudo nos programas de doutorado, vive-se nos laboratórios. Chega-se às 8 horas da manhã e vai-se para casa às 11 horas da noite. As vezes, tinha-se a impressão de que se era julgado pelo número de horas em que as luzes ficavam acesas. Minha tese foi sobre condensação em sistemas nucleares de fornecimento de vapor. Assim, passava horas vaporizando água e observando a condensação numa placa de cobre.
Dia após dia, tirava fotografias de alta velocidade da geometria das gotas de condensação na superfície. A partir desses experimentos, desenvolvi equações de transferência de calor. O interessante sobre os trabalhos de pós-graduação e que se fica tão absorvido, que até parece um concurso ao Prêmio Nobel.
Com o forte apoio de Jim Westwater, consegui meu Ph.D. em três anos, mais rápido do que a maioria. Em geral, o aluno de pós-graduação típico demora de quatro a cinco anos para obter o Ph.D. Eu não era de modo algum o gênio residente do programa. Para cumprir a exigência de dois idiomas estrangeiros, estudei francês e alemão dia e noite, por três meses consecutivos, durante o verão. Entrei na sala de exames e inclinei a cabeça. Tudo que eu havia entulhado em meu cérebro se derramou sobre a banca examinadora. Consegui passar nos exames, mas se alguém me perguntasse uma palavra em francês ou alemão uma semana depois, eu estaria perdido. Meu “conhecimento” se esvaiu no momento em que o verti sobre os professores.
Apesar de não ser o mais inteligente, eu de fato tinha capacidade de concentração para realizar o trabalho. Algumas das pessoas mais inteligentes do programa tiveram dificuldade em concluir a tese. Não conseguiam chegar a uma conclusão final. Minha impaciência — não a capacidade mental — foi o que me ajudou.
Sempre tive a sensação de que engenharia química era uma das melhores bases para uma carreira em negócios, porque tanto as atividades em sala de aula como a tese final ensinam uma importante lição: não existem respostas definitivas para muitas perguntas. O realmente importante é o processo de raciocínio. Uma questão típica de exame era algo mais ou menos assim: um esquiador pesa 70 quilos e está deixando trilhas no gelo com dois centímetros de profundidade. A temperatura sobe um grau a cada dez minutos, chegando a quarenta graus, e o vento sopra a 30 quilômetros por hora. Quando o esquiador romperá a camada de gelo e cairá na água?
Não há fórmulas para responder a essa pergunta.
A mesma afirmação é verdadeira para a maioria dos problemas relacionados a negócios. O processo o ajuda a aproximar-se das áreas mais escuras do cinza. Raramente existem respostas em preto-e-branco. Em geral, o importante em negócios é o cheiro, o sentimento e o toque, tanto quanto ou mais do que os números. Se esperarmos a resposta perfeita, seremos atropelados pelo mundo.
Quando fui embora de Illinois, em 1960, já havia chegado a uma conclusão quanto aos meus gostos e preferências e quanto ao que queria fazer; igualmente importante, também já sabia em que não era bom. Minhas habilidades técnicas eram muito boas, mas eu não era, de modo algum, o melhor cientista. Em comparação com muitos de meus colegas de turma, eu era extrovertido, alguém que gostava de pessoas, mais do que de livros, e de esportes, mais do que de avanços científicos. Achei que essas habilidades e interesses eram mais compatíveis com uma atividade que servisse de ponte entre o laboratório e o mundo comercial.
O reconhecimento desses fatos era mais ou menos como estar consciente de que eu era um atleta razoavelmente bom — mas estava longe de ser um atleta muito bom. O que eu queria era tornar-me algo diferente da maioria dos Ph.Ds. Em geral, eles ingressavam na carreira universitária ou se dedicavam a P&D em laboratórios de empresas. Cheguei a cogitar a idéia de ser professor, e até fui entrevistado nas universidades de Syracuse e West Virgínia, mas acabei excluindo essa opção.
Além do grau universitário, das amizades duradouras e de um método de raciocínio na solução de problemas, Illinois também me deu algo mais: uma ótima esposa. Encontrei-me pela primeira vez com Carolyn Osburn na igreja católica do campus, percorrendo as Estações da Via-Crúcis, na Quaresma. Ela assistiu à missa, assim como eu. No entanto, não falei com ela senão depois que um amigo comum nos apresentou em um bar, no centro de Champaign.
Carolyn era alta, bonita, sofisticada e inteligente. Graduara-se com honras no Marietta College e estava em Illinois com uma bolsa de estudos de US$ 1.500 por ano, concluindo o mestrado em literatura inglesa. Depois de nosso primeiro encontro num jogo de basquete, em janeiro de 1959, sempre ficamos juntos. Cinco meses depois, estávamos noivos e, em 21 de novembro, dois dias depois de meu 24~ aniversário, casamos em sua cidade natal de Arlington Heights, Illinois.
Passamos boa parte de nossa lua-de-mel percorrendo os Estados Unidos e o Canadá no Fusca, ao mesmo tempo em que participava de entrevistas de emprego. Tive a sorte de receber várias ofertas, mas apenas duas de fato atraentes: uma da Exxon, para trabalhar no laboratório de pesquisas, em Baytown, Texas; e outra da GE, para trabalhar na nova unidade de desenvolvimento de produtos químicos, em Pittsfield, Massachusetts.
A GE convidou-me para ir a Pittsfield, onde conheci o Dr. Dan Fox, cientista da empresa, responsável por novos conceitos em química. Essa oportunidade foi a que me pareceu mais atraente. O grupo de desenvolvimento era pequeno. Trabalharia com novos produtos plásticos e gostava da idéia de retornar a Massachusetts. Como meus primeiros professores, Fox impressionou-me como alguém inteligente e confiável. Vi em Fox um orientador e um modelo, que conseguia o melhor de todas as pessoas que trabalhavam com ele.