Moksha: Textos sobre Psicodélicos e a Experiência Visionária

Capítulo 27 - 1960 Cartas

Capítulo 27

 

1960

 

Cartas

 

Huxley fez várias conferências esse ano, em universidades de ambas as costas e na Fundação Menninger, em Topeka. Sua popularidade crescente como conferencista pode ser provavelmente <atribuída tanto à sua inteligência única e encantadora, quanto a seu assunto, do qual a Experiência Visionária era apenas um tópico interessante. O câncer foi descoberto mas rapidamente destruído pelo tratamento com agulhas de rádio. Houve tempo para duas sessões psicodélicas: uma experiência com LSD em junho, na qual ele profetizou a interpretação hindu e a budista do amor (ligação/alheamento – “ambos os tipos de nirvana”). Então, em novembro, ele e Humphry Osmond viajaram para Cambridge, onde encontraram o Dr. Timothy Leary e seus colegas que estavam na época conduzindo experiências em larga escala em Harvard (Projeto de Pesquisa sobre Psicodélicos). Lá Huxley tomou psilocibina pela primeira vez, num grupo com cinco outras pessoas.

 

AO DR. HUMPHRY OSMOND [SMITH 842]

 

3276 Deronda Dr., L. A. 28, Cal.

17 de julho de 1960

 

Meu Caro) Humphry,

 

Obrigado por sua ótima carta [...]

Seu trabalho com visualizadores parece muito interessante. Você tem alguma idéia da razão por que algumas pessoas visualizam e outras não? Eu não, a não ser quando tenho febre de 40 graus. Até mesmo o LSD – pelo menos em doses de 100 p – não me faz ver coisas com os olhos fechados. Tornei LSD há umas três ou quatro semanas e tive algumas experiências interessantes do modo como, segundo os hindus, o pensamento e o pensador e a coisa sendo pensada são um só – e depois do modo como essa experiência sem dono se torna algo que pertence a mim; depois não havia mais eu, e uma espécie de sat chitananda, num momento sem karuna ou caridade (como é estranho que os vedánticos nada falem sobre o Amor, enquanto que os budistas de Mahayana insistem que, a não ser que a prajnaparamita (a sabedoria da outra margem) tenha karuna como o

reverso da medalha, o nirvana é, para o Bodhisattva, não melhor . que o inferno). E nessa experiência com LSD, tive um vislumbre de ambos os tipos de nirvana – o contentamento-de-ser-consciência sem amor, e o mesmo com amor e, acima de tudo, uma sensação de que amor nunca é demais.

Gostei das coisas que você disse sobre o capítulo do Dr. Raynor Johnson sobre as drogas e a experiência espiritual em seu último livro.‘ Um livro interessante – embora talvez ele multiplique as entidades espirituais além do ponto estritamente necessário. Mas talvez a navalha de Ockham não seja um princípio científico válido. Talvez de vez em quando as entidades devam ser multiplicadas além do ponto da mais simples explicação possível. Pois o mundo é sem dúvida muito mais estranho e mais complexo do que pensamos normalmente.

Espero que suas dificuldades administrativas tenham sido resolvidas e que você esteja livre agora para dar prosseguimento a algo mais interessante. Fico feliz de saber que os russos tornaram conhecimento do seu trabalho [adrenocromo].

 

Do sempre seu, Aldous

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* Watcher on the hílis; a study of some mystical experiences of ordinary people. [O observador nas colinas ; um estudo de algumas experiências místicas de pessoas comuns]. (Londres, 1959.)