Moksha: Textos sobre Psicodélicos e a Experiência Visionária
Capítulo 38 - 1963 Cartas
Capítulo 38
1963
Cartas
O último ano de vida Huxley começou com a conclusão de Literatura e ciências, publicado em setembro. O retorno do câncer algumas conferéncias, mas ele conseguiu viajar a cancelar algumas conferências, mas ele conseguiu viajar mais uma vez para a Europa, para uma reunião da Academia Mundial de Artes e Ciência, para a qual ele planejava editar um volume sobre recursos humanos com Osmond. Ele expôs suas idéias sobre as diferenças entre experiências psicodélicas individuais e em grupo ao editor de Psychedelic Review (Revista Psicodélica) e transmitiu a advertência de Osmond sobre LSD contrabandeado a Leary em Harvard, a quem ele respondeu favoravelmente sobre a idéia de um centro de treinamento devotado à expansão da consciência (A Fundação Castalia foi fun-dada em Millbrook, N. Y., em 1964).
Huxley ficou cada vez mais fraco; seus últimos meses foram passados em casa, não parando de trabalhar no que seria seu último artigo: “Shakespeare e a Religião”. Na última página, Huxley escreveu: “Temos que estar continuamente alerta para meios pelos quais po-demos expandir nossa consciência."
AO DR. HUMPHRY OSMOND [SMITH 915]
6233 Mulholland, L. A. 28, Cal 7 de janeiro de 196.3
Caro Humphry,
Obrigado por sua carta. Um bom exemplo do que acontece a um homem quando ele recebe demasiada inspiração é proporcinado por Christopher Smart. “Jubilate Agno” (Agno do Ter-ceiro Domingo Depois da Páscoa) é produto de uma fase aguda de sua doença mental, quando ele não tinha controle sobre sua mente pré-consciente e sua torrente de imagens, idéias, palavras e ritmos. “David” e o poema “Natividade” foram escritos quando ele estava suficientemente maluco para esquecer que era um produto do condicionamento do século XVIII, mas não maluco o bastante para não ser capaz de organizar artisticamente sua escrita automática. E também há os poemas enfadonhos e convencionais que ele produziu quando estava demasiado são, demasiado bem adaptado ao século XVIII. LSD em demasia e com demasiada freqüência provavelmente seria fatal à arte – tão fatal quanto nenhum LSD ou nenhum de seus equivalentes que ocorrem espontaneamente.
Mande-me seu endereço em Princeton, para que eu possa entrar em contato com você quando e se eu for para o não-tão-deslumbrante Oriente.
Meu carinho para Jane e as crianças.
Atenciosamente, Aldous
A PAUL LEE 1
6233 Mulholland L. A. 28, Cal. 3 de março de 1963
Caro Sr. LEE,
Obrigado por sua carta e pelo convite para contribuir com um artigo para sua revista. No momento não posso aceitar qualquer compromisso, pois já tenho coisas demais a fazer.
Não vi o artigo de Buber, pois não leio a Review of Metaphysics (Revista de Metafísica) e a publicação pertinente não me foi enviada. Escrevi várias vezes sobre psicodélicos depois da publicação de As portar da percepçâo, que descreve uma primeira e um tanto limitada experiência com mescalina.
Quando à privacidade – toda experiência imediata é estri-tamente privada. Ninguém pode sentir a dor ou o prazer ou a maneira de ver o mundo de outrem. Tudo o que se pode sentir é um conjunto de pistas e símbolos, através dos quais, a um certo grau, pode-se supor a experiência de outra pessoa. No nível não-verbal há a solidão do ego isolado, ou a unidade da mente que saiu de sua prisão de condicionamento cultural e egoísmo, e está tão receptiva à realidade dada, em todos os níveis, quanto é possível que a criatura humana seja. Tive pouquíssima experiência de psicodélicos em grupo, mas presumo que, quando há um bom rela-cionamento, isso se deve ao fato de que o produto químico trans-formou um grupo de solidões isoladas num grupo de Unidade aberta e receptiva.
Cordialmente,
Aldous Huxley
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1 Co editor de The Pspchedelic Review. Não consta da edição de Smith.
AO DR. TIMOTHY LEARY [SMITH 929]
6233 Mulholland, L. A. 28, Cal. 20 de julho de 1963
Caro TIM,
Obrigado por suas cartas. Acho que a idéia de uma escola é excelente, pois o que precisa ser explorado, mais do que qual-quer outra coisa, é o problema de relacionar de maneira frutífera o que Wordsworth chama de “passividade sábia” com a atividade sábia – a receptividade e experiência imediata da conceituação e da projeção sobre a experiência de ordem inteligível. Como aproveitarmos o melhor de ambos os mundos descritos em “Expostulation and reply” (Admoestação e Resposta) e “The Tables Turned” (As Mesas Viradas), de Wordsworth? Isto é que tem que ser descoberto. E devíamos utilizar todos os recur-sos disponíveis – os melhores métodos de ensino formal e também LSD, hipnose (usada, entre outras coisas, para ajudar as pessoas a entrar no estado de LSD sem ter que recorrer a um produto químico), a distorção do tempo (para acelerar o processo de aprendizagem), autocondicionamento para o controle de processos autônomos e aumento da resistência física e psico-lógica à doença e ao trauma, etc., etc. [....]
Do sempre seu, Aldous