O Corcunda de Notre Dame

Victor Hugo · Capítulo 33 de 65

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O Corcunda de Notre Dame

5. Fim da história do bolo

 

Esmeralda ficou lívida e desceu do patíbulo aos tropeções. A voz da

reclusa continuou a persegui-la:

— Desce! Desce! Ladra do Egito, ainda voltarás a subir!

— A sachette está nos seus delírios — se limitaram a comentar as pessoas. Pois esse tipo de mulher de fato inspira temor e isso as tornava sagradas, naquela época, sem que ninguém quisesse ir contra uma reclusa que rezava dia e noite.

Chegara a hora de levar Quasímodo. Ele foi desamarrado e a multidão se dispersou.

Perto da ponte Saint-Michel, Mahiette, que vinha com as duas amigas, bruscamente parou:

— E aliás, Eustache! O que fez do bolo?

— Mãe — disse o menino. — Enquanto falavam com aquela senhora que está no buraco, um cachorro grande deu uma mordida no bolo. E eu então comi o resto.

— Como assim, senhorzinho? — ela continuou. — Comeu tudo?

— Mãe, foi o cachorro. Briguei com ele, mas ele não me ouviu. Então também comi.

— Você é terrível! — disse a mãe, sorrindo e zangando ao mesmo tempo. — Está vendo, Oudarde, esse menino sozinho come toda a cerejeira que temos em Charlerange. O avô diz que ele será capitão. Eu que o pegue, sr. Eustache. Que leão!