O Corcunda de Notre Dame

Victor Hugo · Capítulo 63 de 65

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O Corcunda de Notre Dame

3. Casamento de Phoebus

 

Na tarde desse longo dia, quando os oficiais judiciários do bispado foram

retirar do adro o cadáver desconjuntado do arcebispo, Quasímodo havia desaparecido de Notre Dame.

Muitos boatos circularam sobre toda essa aventura. Ninguém duvidou que houvesse chegado o dia e, pelo pacto feito, Quasímodo — isto é, o diabo — tinha levado embora Claude Frollo — ou seja, o bruxo. Presumiu-se que o corpo fora destroçado ao se retirar a alma, mais ou menos como os macacos quebram a casca para comer o coco.

Por essa razão, o arquidiácono não foi enterrado em terra santa.

Luís XI morreu no ano seguinte, no mês de agosto de 1483. Já Pierre Gringoire conseguiu salvar a cabra e obteve posteriormente algum sucesso com tragédias. Parece que, depois de tentar a astrologia, a filosofia, a arquitetura, a hermenêutica e demais loucuras, ele voltou à tragédia, que é a atividade mais louca dessas todas. Era o que ele próprio denominava um final trágico. Cito, a respeito dos seus triunfos dramáticos, o que se podia ler, já em 1483, na contabilidade do prebostado: “Para Jehan Marchand e Pierre Gringoire, carpinteiro e compositor, que montaram e encenaram o mistério apresentado no Châtelet de Paris, de boas-vindas ao sr. legado, com a organização dos personagens, devidamente vestidos e ornados à maneira exigida pelo referido mistério, tendo também preparado os cenários necessários. Total pago: cem libras.”

Phoebus de Châteaupers teve igualmente um fim trágico: casou-se.