O Corcunda de Notre Dame

Victor Hugo · Capítulo 56 de 65

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O Corcunda de Notre Dame

3. Viva a alegria!

 

O leitor talvez não tenha esquecido que uma parte do Pátio dos Milagres

era fechada pela antiga muralha da cidade, da qual um bom número de torres começava, já àquela época, a cair em ruínas. Uma dessas torres tinha sido transformada em local de prazeres pelos bandidos. Havia um cabaré na sala de baixo e aposentos nos andares de cima. A torre em questão era o ponto mais vivo e, consequentemente, o mais horrível da bandidagem. Uma espécie de colmeia monstruosa ali zumbia noite e dia. À noite, quando boa parte da canalha dormia, quando não havia mais janela clareada nas fachadas terrosas da praça, quando não se ouvia mais grito algum vindo das inúmeras casas, que formavam um formigueiro de ladrões, de meninas e meninos raptados ou bastardos, podia-se ainda reconhecer a alegre torre pela barulheira ambiente, pela luz escarlate que, resplandecendo dos respiros, janelas e rachaduras das paredes escapava, por assim dizer, por todos os poros.

No subsolo, então, encontrava-se o cabaré. Descia-se por uma porta baixa e por uma escada tão dura quanto um alexandrino clássico. A título de letreiro, via-se na porta um maravilhoso emaranhado de rabiscos, representando soldos novos e galinhas mortas, com esse trocadilho

embaixo: Aux sonneurs pour les trépassés.426

Nesta noite que descrevemos, no momento em que o toque de recolher se fazia ouvir em todas as torres militares de Paris, os guardas da vigilância, caso pudessem penetrar no temível Pátio dos Milagres, poderiam notar que na taberna dos bandidos havia um tumulto ainda maior do que o normal, e que se bebia e também praguejava mais do que de hábito. Do lado de fora, muitos grupos conversavam na praça, como quando se trama um grande projeto e, num ou noutro ponto, havia quem afiasse na pedra uma mal-intencionada lâmina de ferro.

Dentro da taberna, no entanto, o vinho e a jogatina eram tão forte distração para as ideias em que a bandidagem se concentrava naquela noite, que seria difícil adivinhar, pelo que diziam os beberrões, qual o foco principal. Apenas pareciam mais alegres do que habitualmente e todos deixavam que se visse alguma arma reluzir junto às pernas, uma foice, uma machadinha, um espadão ou o pé de apoio de um velho arcabuz.

A sala, de forma redonda, era bem ampla, mas igualmente eram tantas as mesas e os que nelas bebiam que tudo que havia na taberna — homens, mulheres, bancos, potes de cerveja, gente que comia, que dormia, que jogava, corpos íntegros e outros aleijados — parecia amontoado de qualquer jeito, com tanta ordem e harmonia quanto a que se vê numa pilha de cascas de ostras. Uns pedaços de sebo ardiam nas mesas, mas a verdadeira fonte de luz, o que preenchia no cabaré a função que tem o lustre numa sala de ópera, era o fogo. O subsolo era tão úmido que nunca deixavam que se apagasse a lareira, mesmo no verão, e era uma lareira imensa, de lintel esculpido, equipada com cachorros de ferro e aparelhagem de cozinha, onde ardia um fogaréu de lenha e turfa, desses que, à noite, em ruas de vilarejos, projetam em vermelho nas paredes em frente o espectro das janelas das forjas. Um maltrapilho grandalhão, gravemente encostado junto às cinzas, girava nas brasas um espeto cheio de carnes.

Por maior que fosse a confusão à primeira vista, podia-se em seguida distinguir na multidão três grupos principais, que se reuniam em torno de três personagens que o leitor já conhece. Um deles, estranhamente enfeitado com objetos brilhosos à moda oriental, era Mathias Hungadi Spicali, duque do Egito e da Boêmia. O velhaco estava em cima de uma mesa, de pernas cruzadas e dedo em riste, distribuindo em voz alta toda sua ciência em magias branca e negra aos basbaques em volta. Outro bando se concentrava ao redor de nosso velho amigo, o valoroso rei de Thunes, armado até os dentes. Clopin Trouillefou, com ar muito sério e voz baixa, organizava o saque de um enorme barril cheio de armas escancarado à frente dele, deixando à mostra uma quantidade de machados, espadas, espingardas de pederneira, cotas de malha, pedaços de armadura, pontas de lança e de dardos, flechas e setas de besta, como se fossem maçãs e uvas numa cornucópia. Cada um se abastecia ali, podia ser um morrião, um estoque, uma adaga com cabo em cruz. Até crianças se armavam e inclusive homens-tronco que, encouraçados num carrinho, passavam entre as pernas dos que bebiam, como gigantescos escaravelhos.

O terceiro grupo, enfim, o mais barulhento, jovial e numeroso, abarrotava bancos e mesas no centro das quais discursava e praguejava uma voz aflautada que saía de dentro de uma pesada armadura completa, do capacete às esporas. O indivíduo que havia conseguido aparafusar tal panóplia no corpo desaparecia de tal forma na roupagem de guerra que só se via dele o nariz desaforado, vermelho, amassado, uma mecha de cabelos louros, a boca rosada e os olhos temerários. Tinha a cintura cheia de adagas e punhais, uma espada grande dependurada, uma balestra enferrujada à esquerda e um bom cântaro de vinho à frente, sem contar, à direita, uma volumosa mulher descabelada. Todas as bocas ao seu redor riam, xingavam e bebiam.

Acrescentem-se vinte outros grupos secundários, com serventes de ambos os sexos correndo com potes na cabeça, apostadores concentrados nos jogos de bilhas, xadrez chinês, dados, jogo da vaca e no apaixonante

tabuleiro de damas a dados,427 com as brigas num canto, as trocas de beijos em outro e pode-se ter uma vaga ideia do conjunto, iluminado pela claridade vacilante das labaredas chamejantes que faziam dançar, nas paredes do cabaré, mil sombras gigantescas e grotescas.

O grupo abarrotava bancos e mesas, no centro das quais discursava e praguejava uma voz

aflautada que saía de dentro de uma pesada armadura.

 

Quanto à barulheira, era como o interior de um sino a dobrar o repique anunciando a morte de alguém.

A pingadeira de gordura, onde borbulhava uma chuva de banha, preenchia com seu chiado contínuo os intervalos dos mil diálogos que se atropelavam de ponta a ponta do salão. Dentro de toda essa balbúrdia, no fundo da taberna, num ressalto no interior da lareira, meditava um filósofo, com os pés nas cinzas e de olho nas brasas. Era Pierre Gringoire.

— Vamos, rápido com isso! Armem-se! Partimos dentro de uma hora! — dizia Clopin Trouillefou a seus súditos.

Uma jovem cantarolava:

 

Boa noite, papai e mamãe!

Os últimos cobrem o fogo.428

 

Dois homens que jogavam cartas começaram uma briga:

— Valete! — gritou o mais vermelho dos dois, mostrando o punho. — Vou te marcar a cara com um pau. Vai poder colocá-lo no lugar do valete de paus do jogo do sr. rei.

— Ufa! — bufava um normando, cuja origem se reconhecia pelo

sotaque nasalado. — Estamos aqui como os santos de Caillouville!429

— Filhos — conclamava seus seguidores o duque do Egito, com a voz em falsete. — As bruxas da França vão ao sabá sem vassouras, sem víveres nem cavalgadura, vão com apenas algumas palavras mágicas. As bruxas da Itália têm sempre um bode que as espera à porta. Todas devem sair pela chaminé.

A voz do jovem malandro armado dos pés à cabeça dominava o tumulto.

— Aleluia! Aleluia! — gritava ele. — É o meu batismo de fogo! Bandido! Sou bandido, pela barriga do Cristo! Deem-me de beber! Meus amigos, meu nome é Jehan Frollo du Moulin e sou fidalgo. Minha opinião é a de que Deus, se fosse dado às armas, se dedicaria às pilhagens. Irmãos, vai ser uma bela expedição. Somos uns valentes. Sitiar a igreja, arrombar as portas, salvar a donzela, arrancá-la das mãos dos juízes, das mãos dos padres, desmantelar o claustro, queimar o bispo no bispado, faremos isso em menos tempo do que precisa um burgomestre para tomar uma colherada de sopa. A causa é justa, vamos pilhar Notre Dame e é isso aí. Vamos enforcar Quasímodo. Conhecem Quasímodo, mocinhas? Já o viram suar no sino principal, num dia de grande Pentecostes? Chifre do pai! É algo bonito! Parece o diabo cavalgando uma carranca. Meus amigos, ouçam, sou bandido no fundo do coração, tenho uma alma thuneira, nasci ladrão independente. Já fui rico e devorei meu patrimônio. Minha mãe queria que eu fosse oficial, meu pai, subdiácono, minha tia, conselheiro nas perquisições, minha avó, protonotário do rei, minha tia-avó, tesoureiro da magistratura. Mas me tornei bandido. Disse isso a meu pai, que cuspiu sua maldição na minha cara, e a minha mãe, que começou, a pobre senhora, a chorar e a babar como essa acha de lenha nos cachorros da lareira. Viva a alegria! Sou um verdadeiro quebra-tudo! Taberneira amiga, outro vinho! Ainda tenho com que pagar. Não quero mais vinho de Suresnes. Ele entristece a garganta. É a mesma coisa, chifre-boi, que gargarejar com palha!

A gentalha aplaudia ao redor, com grandes risadas e, vendo o tumulto aumentar a sua volta, o estudante exclamou:

— Ah! Belo barulho! Populi debacchantis populosa debacchatio!430

E começou a cantar, com o olho perdido em êxtase, como um cônego entoaria as vésperas:

 

Quae cantica! quae organa! quae cantilenae! quae melodiae hic sine

fine decantantur! sonant melliflua hymnorum organa, suavissima

angelorum melodia, cantica canticorum mira! 431

 

Interrompeu:

— Baiuqueira dos diabos, quero comer!

Houve um momento de quase silêncio, durante o qual se ouvia a voz aguda do duque do Egito, ensinando a seus boêmios:

— A doninha se chama Aduína; a raposa, Pé-Azul ou Corre-Bosques; o lobo, Pé-Cinzento ou Pé-Dourado; o urso, Velho ou Vovô. O gorro do gnomo dá invisibilidade e permite que se vejam as coisas invisíveis. Todo sapo que se batiza deve ser vestido de veludo vermelho ou preto, com um guizo no pescoço e outro nos pés. O padrinho vai à frente, a madrinha atrás. O demônio Sidragasum tem o poder de fazer dançar mulheres nuas.

— Pela santa missa! — interrompeu Jehan. — Bem que queria ser o demônio Sidragasum.

Os bandidos continuavam, entretanto, a se armar, aos cochichos, do outro lado do cabaré.

— Pobre Esmeralda! — dizia um boêmio. — É nossa irmã. Precisamos tirá-la de lá.

— Será que ainda está em Notre Dame? — indagou um contrabandista com ares de judeu.

— Com certeza!

— Muito bem, camaradas! — exclamou o contrabandista. — Vamos a Notre Dame! Boa coisa, pois tem, na capela dos santos Féréol e Ferrution duas estátuas, uma de são João Batista e outra de santo Antônio, todas de ouro, pesando juntas dezessete marcos e cinco onças. Estou informado, sou ourives.

Serviram a Jehan, nesse momento, o jantar. Ele exclamou, de olho no colo de uma jovem ao lado:

— Pelo Volto Santo de Lucca, que o povo chama são Goguelu,432 nunca fui tão feliz. Tenho, ali em frente, um imbecil que me olha com as feições glabras de um arquiduque. Outro, à esquerda, com dentes tão compridos que escondem o queixo. Afora isso, sinto-me como o marechal de Gié, no

cerco de Pontoise, com meu flanco direito encostado numa colina.433 Pelo ventre de Maomé, camarada! Mais parece um vendedor de bolas para jogo de pela e vem se sentar perto de mim! Sou um nobre, companheiro. E mercadoria é incompatível com nobreza! Saia daqui. Eieiei! Vocês aí! Não briguem! O que é isso, Baptiste Croque-Oison, logo você que tem um nariz tão bonito, vai arriscá-lo contra os punhos desse truculento? Imbecil! Non

cuiquam datum est habere nasum.434 Está realmente maravilhosa, Jacqueline Ronge-Oreille! Pena não ter cabelos. Ei! Chamo-me Jehan Frollo e meu irmão é arquidiácono. Que o diabo o carregue! Tudo que conto aqui é verdade. Tornando-me bandido, deixei de lado, feliz da vida, a metade de uma casa situada no paraíso, que meu irmão prometeu. Dimidiam

domum in paradiso.435 Cito o texto. Tenho um feudo na rua Tirechappe e todas as mulheres se apaixonam por mim. Isso é verdade como é verdade que santo Elígio foi excelente ourives, que as cinco profissões da boa cidade de Paris são todas ligadas ao trato do couro e que são Lourenço foi

queimado com cascas de ovo.436 Posso jurar, camaradas,

 

Que je ne beuvrai de piment

Devant un an, si je cy ment!437

 

Minha querida! Temos lua, olhe ali pelo respiro como o vento maltrata as nuvens! É o que eu faria com a sua blusa. Moças, assoem as crianças e soprem as velas. Cristo e Maomé! O que estou comendo? Por Júpiter! Olá! Madama! Os cabelos que faltam na cabeça das vadias estão nessa omelete. Velha! Prefiro omeletes carecas. Que o diabo cuide de você! Bela hospedaria de Belzebu, essa, onde as vadias se penteiam com os garfos!

Dito isso, ele quebrou o prato no chão e começou a cantar, soltando a voz:

 

Et je n’ai, moi.

Par la sang-Dieu!

Ni foi, ni loi.

Ni feu, ni lieu.

Ni roi,

Ni Dieu!438

 

Enquanto isso, Clopin Trouillefou terminou a distribuição de armas e se aproximou de Gringoire, que parecia imerso em profundo devaneio, com os pés num dos apoios para a lenha, na lareira.

— Amigo Pierre — disse o rei de Thunes —, em que, diabo, tanto pensa?

Gringoire se virou para ele com melancólico sorriso:

— Gosto do fogo, querido senhor. Não pelo trivial motivo de ele nos aquecer os pés ou cozinhar a sopa, mas pelas faíscas. Às vezes passo horas a olhar as faíscas. Descubro mil coisas nessas estrelas que salpicam no fundo escuro da lareira. Também essas estrelas são mundos.

— Com mil raios se o entendo! — disse o bandido. — Sabe que horas são?

— Não faço ideia — respondeu Gringoire.

Clopin se aproximou do duque do Egito.

— Camarada Mathias, o quarto de hora não é bom. Dizem que o rei Luís é 11º em Paris.

— Razão a mais para tirar nossa irmã das suas garras — respondeu o velho boêmio.

— Está falando como um homem de verdade, Mathias — disse o rei de Thunes. — Aliás, tudo vai se passar tranquilamente. Não temos resistência a temer dentro da igreja. Os padres são uns coelhos e ganhamos em número. A gente do Parlamento vai se ver mal, amanhã, quando for buscá-la! Tripas do papa! Não quero que enforquem a mocinha bonita!

Clopin se retirou do cabaré.

Jehan, enquanto isso, exclamava com a voz rouca:

— Bebo, como, estou bêbado, sou Júpiter! Ei! Pierre l’Assommeur, se me olhar outra vez dessa maneira vou te lustrar o nariz com uns piparotes.

Gringoire, por sua vez, arrancado de suas meditações, se pôs a considerar a cena agitada e barulhenta em volta, murmurando entredentes:

— Luxuriosa res vinum et tumultuosa ebrietas. Miséria! Tenho mesmo razão em não beber. E são Bento excelentemente diz: Vinum apostatare

facit etiam sapientes.439

Nesse momento, Clopin voltou e gritou com voz de trovão:

— Meia-noite!

O aviso causou o efeito do toque de montar num regimento estacionado. Todos os bandidos, fossem homens, mulheres ou crianças, se precipitaram em tumulto para fora da taberna, numa barulheira de armas e ferragens.

A lua se escondia.

No Pátio dos Milagres reinava completa escuridão. Luz alguma. Longe estava, entretanto, de se encontrar deserto. Percebia-se uma multidão de homens e mulheres falando baixo. Cochichavam e podia-se distinguir, nas trevas, todo tipo de arma. Clopin subiu numa pedra grande.

— Em formação, Gíria! — comandou. — Em formação, Egito! Em formação, Galileu!

Ouviu-se uma movimentação no escuro. O imenso povaréu parecia se alinhar em colunas. Após alguns minutos, o rei de Thunes ergueu de novo a voz:

— E agora, silêncio para atravessar Paris! A senha é: “navalha vadia”. Só acenderemos as tochas em Notre Dame! Em frente!

Dez minutos depois, os cavaleiros da vigilância fugiam apavorados diante da longa procissão de homens de preto e silenciosos que descia na direção da ponte au-Change, percorrendo as ruas tortuosas que atravessam em todos os sentidos o maciço bairro do Halles.

 

426. Henry Sauval, em Histoire et Recherches des Antiquités de la ville de Paris, cita letreiros ridículos da cidade, entre os quais o da taberna La Vieille Science, que já vimos no Livro Sete, e este, com trocadilho ainda mais complicado, envolvendo o sonneur (sineiro) que batia um sino para os trépassés (mortos). Com isso ganhava alguns soldos, com os quais comprava comida (as galinhas mortas). O trocadilho, então, é por homonímia (um tanto forçada) entre Sonneur pour les trépassés e Sols neufs et des poulets trépassés.

427. Segundo Henri Sauval, eram jogos proibidos e sujeitos a multas.

428. Ditado popular, ainda segundo Sauval. Devia-se cobrir o fogo com cinzas, antes de dormir, para evitar incêndios. A expressão couvre-feu (“cobre-fogo”) se manteve para o toque de recolher.

429. Mais um provérbio, “empilhados como os santos de Caillouville”: a igreja de Notre Dame de Caillouville contava antigamente com tal quantidade de estátuas que deu origem ao ditado.

430. “De um povo sem peias, popular desprendimento!”, em latim no original.

431. “Que cânticos! Que instrumentos! Que canções! Que melodias sem fim são entoadas! Ressoam os instrumentos dos hinos, doces como mel, a suavíssima melodia dos anjos, os cânticos admiráveis entre os cânticos”, em latim no original, citação livre de santo Agostinho, sobre o paraíso.

432. O Volto Santo é um crucifixo de madeira do séc.XI-XII, cópia de outro, mais antigo, e foi objeto de grande veneração na Idade Média. É conservado numa capela da catedral de são Martinho, em Lucca, Itália.

433. Mamelon, em francês, que pode ser uma colina arredondada mas também indicar o seio. A cidade fortificada de Pontoise, nas proximidades de Paris, foi objeto de muitas disputas entre borguinhões, ingleses e franceses, no séc.XV. Em 1441 foi retomada em definitivo por Carlos VII da França, após um cerco comandado pelo marechal Pierre de Roha-Gié.

434. “Não é dado a todo mundo, ter um nariz”, em latim no original, do epigrama XLI, de Marcial.

435. A citação é da Regra Pastoral de são Gregório Magno.

436. Santo Elígio é o padroeiro dos ourives. As “cinco profissões” de Paris eram as cinco diferentes formas de se denominar o artesão a trabalhar com o couro, dadas as suas diversas especializações. Segundo uma superstição, não se lançavam cascas de ovo ao fogo, por causa do martírio de são Lourenço, queimado numa grelha.

437. “Que não beberei pimenta/ Por um ano, se minto!”, em latim no original. Citação de O romance da rosa, famoso poema medieval francês, que Sauval utiliza para a significação de “pimenta”, que viria de pigmentum, droga que mistura vinho, mel e especiarias. A bebida seria o hipocraz.

438. “E eu mesmo não tenho,/ Pelo sangue de Deus!/ Nem fé nem lei/ Nem fogo nem lar/ Nem rei/ Nem Deus!”

439. Respectivamente, “O vinho é fonte de intemperança e tumultuosa é a bebedeira” e “O vinho faz apostatar até mesmo os sábios”, em latim no original.