O Corcunda de Notre Dame

Victor Hugo · Capítulo 59 de 65

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O Corcunda de Notre Dame

6. Navalha vadia

 

Saindo da Bastilha, Gringoire desceu a rua Saint-Antoine rápido como um

cavalo fujão. Chegando à porta Baudoyer, se dirigiu diretamente à cruz de pedra que se erguia no meio da praça, como se pudesse distinguir na obscuridade o vulto vestido e encapuzado de negro, sentado num degrau da cruz.

— É o senhor, mestre? — perguntou Gringoire.

O personagem de negro se levantou.

— Morte e paixão! Estou em ebulição, Gringoire. O homem no alto da torre de Saint-Gervais acaba de gritar 1h30 da manhã.

— Ah! — respondeu Gringoire. — Não foi culpa minha e sim da vigilância e do rei. Acabo de escapar por um triz. Mais uma vez, quase fui enforcado. É a minha predestinação.

— Nem isso você faz direito. Mas apressemo-nos. Sabe a senha?

— Imagine, mestre, que estive com o rei. Estou vindo de lá. Usa calções de fustão. Que aventura!

— Falastrão! Por que essa sua aventura me interessaria? Tem a senha dos bandidos?

— Tenho, fique tranquilo. “Navalha vadia”.

— Bom. Sem isso não chegamos à igreja. Os bandidos bloqueiam o caminho. Felizmente parece que tiveram que enfrentar alguma resistência. Talvez ainda cheguemos a tempo.

— Está bem, mestre. Mas como vamos entrar em Notre Dame?

— Tenho a chave das torres.

— E como sairemos?

— Há uma portinhola, atrás do claustro, dando para o Terreno. A partir de lá chegamos ao rio. Peguei a chave e deixei um barco amarrado, desde cedo.

— Escapei por um triz de ser enforcado! — ainda se impressionava Gringoire.

— Rápido! Vamos! — disse o outro.

Os dois desceram quase a correr, rumo à Cité.