O Medo Mais Profundo
Capítulo 29
MYRON VIROU A CABEÇA PARA Greg de supetão.
– Onde está Jeremy?
– O quê?
– Onde ele está?
Greg viu a expressão de Myron e largou a bola.
– Está com Emily, acho. Só vou buscá-lo ao meio-dia.
– Você tem celular?
– Tenho.
– Ligue para ela.
Greg já estava indo em direção a sua bolsa de academia – o atleta de reflexos maravilhosos.
– O que está acontecendo?
– Provavelmente nada.
Myron contou sobre a chamada. Greg não parou para escutar. Digitava o número. O agente começou a correr para o carro, seguido pelo rival ao telefone.
– Ninguém atende – disse Greg, já deixando uma mensagem na caixa postal.
– Ela tem celular?
– Se tem, nunca me deu o número.
Myron ligou para Esperanza.
– Preciso do celular de Emily.
– Me dê cinco minutos.
Myron telefonou para Win.
– Articule.
– Encrenca à vista.
– Estou aqui.
Os dois chegaram ao carro. Greg estava calmo. Isso surpreendeu Myron. Na quadra, quando a tensão se intensificava, seu modus operandi era enlouquecer, começar a gritar, frenético. Agora, não era mais um jogo. Como o pai dissera recentemente, quando a bomba de verdade cai, nunca se sabe como as pessoas vão reagir.
O telefone de Myron tocou. Esperanza lhe passou o celular de Emily. Ele ligou. Após seis toques, caiu na caixa postal. Merda! Myron deixou uma mensagem e se virou para Greg.
– Alguma ideia de onde possa estar Jeremy?
– Não.
– Tem algum vizinho para quem possamos ligar? Um amigo?
– Quando Emily e eu estávamos casados, morávamos em Ridgewood. Não conheço os vizinhos de Franklin Lakes.
Myron agarrou o volante com força e pisou no acelerador.
– Provavelmente Jeremy está em segurança – disse, tentando acreditar nas próprias palavras. – Não sei nem como esse cara descobriria o nome dele. Deve ser um blefe.
Greg começou a tremer.
– Vai dar tudo certo.
– Meu Deus, Myron, li aqueles artigos. Se esse cara pegar meu garoto...
– Vamos ligar para o FBI, por via das dúvidas.
– Você acha que é o melhor caminho?
Myron o encarou.
– Por quê? Você não acha?
– Só quero pagar o resgate e ter meu garoto de volta. Não quero ninguém se metendo.
– Acho que devemos ligar. Mas a decisão é sua.
– Ainda tem outra coisa que precisamos levar em conta – falou Greg.
– O quê?
– Há uma grande chance de que esse maluco seja o nosso doador, certo?
– Sim.
– Se o FBI o matar, acabou para Jeremy.
– Uma coisa de cada vez – replicou Myron. – Temos que encontrar Jeremy. E temos que encontrar esse sequestrador.
Greg continuava a estremecer.
– O que você quer fazer? – perguntou Myron.
– Você acha que devemos ligar?
– Acho.
Ele assentiu devagar.
– Ligue.
Myron telefonou para Kimberly Green. Sentia a pressão na cabeça, o sangue fluindo para os ouvidos. Tentava não pensar no rosto de Jeremy, no seu sorriso ao abrir a porta.
Você deu um último adeus ao garoto?
– FBI.
– Aqui é Myron Bolitar. Quero falar com Kimberly Green.
– A agente especial Green não se encontra.
– O sequestrador do “Plante as sementes” pode ter levado outra pessoa. Ponha-a na linha.
A espera foi mais longa do que imaginava.
– Do que você está falando? – rosnou Green.
– Ele acabou de me ligar.
– Estamos a caminho.
Os dois alcançaram um trecho engarrafado na junção da Rota 4 com a Rota 17, mas Myron subiu na grama, derrubando alguns cones de obra. Saiu na Rota 208, perto da sinagoga. Três quilômetros depois, dobravam a esquina da rua de Emily. Ele viu dois carros do FBI fazendo a curva ao mesmo tempo.
Greg, que havia entrado numa espécie de transe, despertou e apontou.
– Lá está ela.
Emily acabava de enfiar a chave na porta da frente. Myron começou a buzinar como um louco. Ela olhou para trás, confusa. Ele virou o carro, derrapando. O veículo do FBI o seguiu. Myron e Greg saltaram sem nem esperar o automóvel parar.
– Onde está Jeremy? – perguntaram os dois ao mesmo tempo.
Emily inclinou a cabeça para um lado.
– O quê? O que está acontecendo aqui?
– Onde ele está, Emily? – insistiu Greg.
– Com um amigo...
Dentro da casa, o telefone começou a tocar. Todos ficaram paralisados. Emily foi a primeira a se mover. Correu para o interior e pigarreou antes de atender:
– Alô.
Todos puderam ouvir o grito de Jeremy.