O Mundo de Sofia

Jostein Gaarder · Capítulo 11 de 83

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O Mundo de Sofia

“Os filósofos da natureza”

A partir do momento em que determinamos qual é o projeto de um determinado filósofo, podemos mais facilmente seguir o seu pensamento. Com efeito, dificilmente um filósofo se ocupa de todas as questões filosóficas.

 

Falei sobre o pensamento “dele”, porque a história da filosofia foi escrita, principalmente, por homens. Isso se deve à condição de inferioridade freqüentemente atribuída à mulher, tanto no plano físico como no plano intelectual. É grave, na medida em que, dessa forma, se perderam muitas experiências. As mulheres só surgem verdadeiramente na história da filosofia neste século. Não te vou dar trabalhos de casa — nem trabalhos complicados de matemática. As flexões dos verbos ingleses não me interessam. Mas, de vez em quando, pedir-te-ei que faças um pequeno exercício. Se aceitares estas condições, continuamos.

 

“Os filósofos da natureza”

 

Os primeiros filósofos gregos são designados por “filósofos da natureza”, porque se interessaram, principalmente, pela natureza e pelos processos físicos.

 

Já nos interrogamos sobre a origem de tudo. Hoje em dia, muitos homens acreditam que tudo nasceu do nada em determinada altura. Este pensamento não estava muito difundido entre os Gregos.

Eles acreditavam que “algo” teria existido sempre.

 

A questão fundamental não era, portanto, como é que tudo poderia surgir do nada.

 

Em lugar disso, os Gregos admiravam-se que a água se pudesse transformar em peixes vivos, e a terra morta em árvores altas ou flores de cores vistosas. Para não falar de como um bebê pode nascer no corpo da mãe!

 

Os filósofos viam com os seus próprios olhos que havia na natureza transformações constantes. Mas como é que essas transformações eram possíveis? Como é que algo feito de uma substância se poderia transformar numa coisa completamente diferente?

 

Era comum entre os primeiros filósofos acreditarem que havia um elemento primordial responsável por todas as transformações. A forma como teriam chegado a este pensamento não é clara. Sabemos apenas que ele surgiu da concepção, segundo a qual, teria de haver um elemento primordial, que daria origem a todas as transformações da natureza.

 

O mais interessante para nós não são as respostas que estes primeiros filósofos encontraram. O mais interessante são as questões que punham e que tipo de respostas procuravam. Para nós, é mais importante saber como é que eles pensaram do que o que pensaram.

 

Podemos constatar que se questionavam sobre a forma como aconteciam certas transformações na natureza. Procuravam descobrir algumas leis naturais eternas. Desejavam compreender os fenômenos da natureza, sem recorrer aos mitos tradicionais. Acima de tudo, procuravam compreender os processos da natureza através da observação da própria natureza. Isso é completamente diferente da explicação do relâmpago e do trovão, do Inverno e da Primavera, por meio da referência aos acontecimentos no mundo dos deuses.