O Mundo de Sofia

Jostein Gaarder · Capítulo 46 de 83

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O Mundo de Sofia

“Os cínicos”

Vamos analisar quatro dessas correntes filosóficas.

 

“Os cínicos”

 

Conta-se que Sócrates parou certo dia em frente de uma banca onde estavam expostas muitas mercadorias. Por fim, exclamou: “Vejam só de quantas coisas os Atenienses precisam para viver!”. Com isto, queria obviamente dizer que ele não precisava dessas coisas.

 

A “filosofia cínica”, que foi fundada por “Antístenes” cerca do ano 400 a.C. em Atenas, parte desta atitude de Sócrates. Antístenes tinha sido discípulo de Sócrates. Os “cínicos” defendiam que a verdadeira felicidade não dependia de coisas exteriores, como o luxo material, o poder político e uma boa saúde. A verdadeira felicidade significava não se tornar dependente dessas coisas casuais e efêmeras. Precisamente por não repousar sobre essas coisas, a felicidade podia ser alcançada por todos. E uma vez alcançada não se podia voltar a perder.

 

O cínico mais conhecido era “Diógenes”, um discípulo de Antístenes. Conta-se que morava num tonel e que só possuía um manto, um bastão e um saco para o pão. (Não era fácil roubar-lhe a sua felicidade!). Certo dia, estava a tomar um banho de sol à frente do seu tonel quando Alexandre Magno o visitou. Alexandre apresentou-se ao sábio e disse-lhe que lhe daria o que ele desejasse. Diógenes pediu a Alexandre que não lhe tapasse o sol. Foi assim que Diógenes demonstrou que era mais rico e mais feliz do que o grande homem. Tinha tudo o que desejava.