O Mundo de Sofia

Jostein Gaarder · Capítulo 24 de 83

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O Mundo de Sofia

“O homem no centro”

A partir da época de Sócrates, Atenas torna-se o ponto de encontro da cultura grega. É ainda mais importante notar que todo o projeto filosófico muda essencialmente, se passarmos dos filósofos da natureza para Sócrates. Mas antes de conhecermos Sócrates, vamos saber um pouco mais acerca dos chamados sofistas, que influenciaram o panorama cultural da cidade de Atenas.

 

O pano vai subir, Sofia!

 

A história do pensamento é semelhante a um drama em muitos atos.

 

“O homem no centro”

 

Por volta de 450 a.C., Atenas tornou-se o centro cultural do mundo grego. A filosofia também tomou então uma orientação nova.

 

Os filósofos da natureza eram, principalmente, investigadores do mundo físico. Ocupam conseqüentemente um lugar importante na história das ciências. Em Atenas, o interesse concentrou-se então mais no homem e no seu lugar na sociedade.

Em Atenas desenvolvia-se progressivamente uma democracia com assembléias populares e tribunais. Uma das condições para a instauração da democracia exigia que os homens recebessem instrução suficiente para poderem participar na vida política. Também nos dias de hoje vemos que uma jovem democracia precisa do esclarecimento popular. Entre os atenienses isso significava, principalmente, dominar a retórica.

 

Vindo das colônias gregas, um grupo de professores itinerantes e de filósofos afluiu então a Atenas. Chamavam-se sofistas. A palavra “sofista” designa uma pessoa sábia ou erudita. Em Atenas, os sofistas ganhavam o seu sustento ensinando os cidadãos.

 

Os sofistas tinham uma notável semelhança com os filósofos da natureza, pois também eles eram críticos relativamente aos mitos tradicionais. Mas, simultaneamente, os sofistas recusavam tudo o que lhes parecia ser especulação filosófica desnecessária. Achavam que mesmo que houvesse resposta para muitas questões filosóficas, os homens nunca poderiam encontrar explicações verdadeiramente seguras para os enigmas da natureza e do universo. Em filosofia, este ponto de vista é designado por “ceticismo”.

 

Mas apesar de não podermos encontrar resposta para todos os enigmas da natureza, sabemos que somos homens e que devemos aprender como viver em comunidade. Os sofistas interessavam-se pelo homem e pelo seu lugar na sociedade.

 

“O homem é a medida de todas as coisas”, dizia o sofista Protágoras (cerca de 487— 420 a.C.). Queria dizer que a justiça e a injustiça, o bem e o mal devem ser sempre avaliados em função das necessidades dos homens. À pergunta se acreditava nas divindades gregas, respondeu: “sobre os deuses nada posso dizer! Porque muitas coisas nos impedem que o saibamos: a dificuldade do problema e a brevidade da vida humana”. Chamamos “agnóstico” àquele que diz não poder afirmar com segurança se Deus existe ou não.