O Mundo de Sofia
“Quem era Sócrates?”
Os sofistas faziam com freqüência longas viagens, tomando assim conhecimento de vários sistemas de governo.
Os usos e os costumes, e as leis das cidades-estado variavam muito. Partindo dessas experiências, os sofistas iniciaram em Atenas uma discussão sobre o que era estabelecido pela natureza e o que era imposto pela sociedade. Desta forma, criaram na cidade-estado de Atenas as bases para uma crítica social. Podiam, por exemplo, mostrar que uma expressão como “pudor natural” não era admissível, porque se o pudor fosse natural, teria de ser inato. Mas é inato, Sofia, — ou foi a sociedade que o criou?
Para pessoas que viajaram muito, a resposta tinha de ser simplesmente: não é natural — ou inata — a vergonha de se mostrar nu. Pudor — ou a ausência de pudor — tem a ver, principalmente, com os usos e os costumes numa sociedade.
Como podes compreender, os sofistas provocavam fortes discussões na sociedade ateniense, ao afirmarem que não havia normas absolutas para estabelecer o que é justo e o que não é. Sócrates, pelo contrário, tentou provar que algumas normas são realmente absolutas e universalmente válidas.
“Quem era Sócrates?”
Sócrates (470-399 a.C.) é talvez a personagem mais enigmática de toda a história da filosofia. Não escreveu uma única linha.
Apesar disso, pertence ao número dos que exerceram maior influência no pensamento europeu. O fato de ser conhecido, mesmo por quem não possui muitos conhecimentos de filosofia, tem provavelmente a ver com a sua morte trágica.
Sabemos que nasceu em Atenas e que aí passou a sua vida, principalmente nas praças e nas ruas, onde conversava com todo o tipo de gente. Achava que os campos e as árvores não lhe podiam ensinar nada.
Por vezes, ficava longas horas absorto em reflexão profunda.
Ainda no seu tempo, era considerado uma pessoa enigmática e após a sua morte foi considerado o precursor das mais diversas orientações filosóficas. E precisamente por ser tão enigmático e ambíguo, variadíssimas orientações o podiam reivindicar.
Sabe-se que era muito feio. Era pequeno e gordo, e tinha olhos salientes e um nariz achatado. Mas interiormente, dizia-se, era um homem maravilhoso, nunca se poderia encontrar alguém igual a ele.
No entanto, foi condenado à morte devido à sua atividade filosófica.