O Mundo de Sofia

Jostein Gaarder · Capítulo 19 de 83

Páginas do PDF

O Mundo de Sofia

“O destino”

 

 

Mais uma vez, bom dia, cara Sofia! Deixa-me apenas dizer-te que nunca deves tentar espiar-me. Um dia havemos de nos conhecer, mas serei eu a decidir o momento e o local.

 

Agora já sabes: não vais querer ser desobediente, pois não?

 

Regressando aos filósofos.

 

Vimos de que modo eles tentaram encontrar explicações naturais para as transformações da natureza. Antes disto, essas transformações eram explicadas através dos mitos.

 

Mas noutros campos a superstição antiga também tinha de ser posta de parte. Vemo-lo não só em relação à saúde e doença como também na política. Nestes domínios, os gregos acreditavam no destino.

 

“Fatalismo” significa a convicção de que está estabelecido “a priori” aquilo que irá acontecer. Encontramos esta idéia em todo o mundo — tanto hoje como em qualquer outro momento da história.

Aqui na Europa setentrional encontramo-la nas antigas sagas islandesas.

 

Tanto entre os gregos como noutros povos acreditava-se que os homens, através de diversos oráculos, podiam estar sabendo do seu destino.

 

Isso significa que o destino de uma pessoa ou de um Estado se pode prever de diversas maneiras e que se pode interpretar a partir de determinados “indícios”.

 

Ainda há muitas pessoas que acham ser possível ler o destino nas cartas, na palma da mão ou interpretando as estrelas.

 

Uma prática muito difundida na Noruega é também ler os restos do café. Depois de se tomar um café fica geralmente no fundo da xícara um pouco da borra. Talvez a borra forme uma determinada imagem ou um desenho — principalmente se recorrermos um pouco à imaginação. Quando a borra se parece com um carro, isso significa talvez que a pessoa que bebeu o café irá em breve fazer uma longa viagem de carro.

 

Vemos que o “adivinho” procura interpretar algo que, na realidade, é obscuro. Isso é típico da arte divinatória. É precisamente porque aquilo a partir do qual nós “predizemos” é tão pouco claro que, na maior parte das vezes, não é fácil de todo contradizer o adivinho.

 

Quando erguemos os olhos para o céu estrelado vemos um verdadeiro caos de pontinhos brilhantes. No entanto, muitos homens acreditaram ao longo da história que as estrelas poderiam dizer-nos algo acerca da nossa vida na terra. Ainda hoje há políticos que pedem conselho aos astrólogos antes de tomarem decisões importantes.