O Papa e Mussolini

David I. Kertzer · Capítulo 33 de 38

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O Papa e Mussolini

Epílogo

 

Enquanto os judeus eram levados para a morte na Polônia, Cesare de Vecchi, primeiro embaixador de Mussolini no Vaticano, foi escondido pelos padres salesianos. Eles o haviam acolhido depois da morte do regime, em 1943. Tendo votado contra Mussolini na última reunião do Grande Conselho, De Vecchi vivia com medo não só dos Aliados, que se aproximavam, mas também dos nazistas. Mais tarde, no fim da guerra, quando os líderes fascistas que sobreviveram na Itália foram levados a julgamento, ele escapou de ser capturado, ainda escondido pelos salesianos. Temendo que seu fugitivo fosse descoberto, os padres conseguiram arranjar-lhe um passaporte paraguaio e embarcá-lo num navio para a Argentina. Ali, os salesianos locais o protegeram até que uma anistia concedida em 1949 lhe permitiu voltar para casa. Ele morreu em

Roma uma década depois. 1

Com a prisão de Mussolini, em julho de 1943, Galeazzo Ciano também se viu numa posição insustentável. Multidões exaltadas que comemoravam o fim do regime encheram as ruas de Roma, as pessoas abraçavam umas às outras, rasgavam retratos do Duce. Culpavam Ciano, tanto quanto Mussolini, pela desastrosa decisão de ir à guerra. Mas, tendo votado pela deposição do sogro, ele não sabia se os alemães, caso chegassem a tempo, o tratariam melhor do que os Aliados, que marchavam da Sicília para o norte.

Ciano e a mulher, Edda Mussolini, buscaram refúgio no Vaticano, mas tiveram seu pedido negado. Não se sabe se a solicitação chegou a ser levada a sério, pois os arquivos da Santa Sé relativos àquele ano ainda não

foram abertos.2 Em 27 de agosto, Ciano e a família driblaram um destacamento da polícia italiana em frente à sua casa e pegaram um voo que supunham destinado à segurança da Espanha, mas que os levou à Alemanha. Poucas semanas depois, Ciano foi mandado para Verona, no norte da Itália, então sob controle da República de Salò, o governo fantoche instalado pelos nazistas e chefiado por Mussolini. Não ficou de todo surpreso quando membros da milícia fascista o receberam no aeroporto. Enfiado dentro de um carro, seguiu diretamente para uma prisão nas redondezas, onde se juntou a outros membros do Grande Conselho que tinham votado contra Mussolini naquela reunião fatídica.

Na manhã de 11 de janeiro de 1944, depois de um rápido julgamento, Ciano e os outros réus foram levados a um campo de tiro dos militares próximo a Verona. Dois dias antes, sua esposa, Edda, filha de Mussolini, cruzara a fronteira suíça. Antes de partir, enviara cartas para o pai e para Hitler com uma ameaça de última hora. Se não poupassem o marido, publicaria o diário secreto dele, cujas revelações deixariam o Duce e o Führer constrangidos. Ao atravessar a pé o campo que levava à fronteira suíça, esperando ser capturada a qualquer momento por tropas alemãs, ia com o diário preso à cintura.

A ameaça de Edda foi insuficiente para salvar o marido. No campo de tiro, Ciano e os homens que foram condenados com ele atravessaram um terreno coberto de geada, depois foram obrigados a sentar de costas numa fila de cadeiras de madeira dobráveis e instáveis, de frente para um muro. O general Emilio de Bono, de setenta e sete anos, marechal das forças armadas italianas, com o característico cavanhaque grisalho, sentou-se ao lado dele. Usava um terno escuro e um chapéu preto, sentado de pernas abertas e esticadas, as mãos presas às costas. Ambos pediram para ficar de frente para os carrascos, mas não foram atendidos. Ciano levou cinco tiros nas costas, mas continuou respirando. Estirado no chão, as pernas ainda desajeitadamente presas à cadeira, gritou por socorro. O comandante do pelotão de fuzilamento correu para acudir. Tirando o revólver do coldre deu um tiro na cabeça do ducellino. “Foi como abater

porcos”, disse um diplomata alemão que assistiu à cena.3

Diferentemente de Rachele, que jamais gostara do genro e achava que ele tivera o fim que merecia, Mussolini não sentiu prazer algum com a morte de Ciano. Talvez pressentisse que seu próprio fim estava próximo e não seria menos sórdido. Em meados de abril de 1945, o Exército aliado avançou pelas montanhas ao sul de Bolonha. Ia rumo ao norte, enquanto as tropas alemãs remanescentes se retiravam. Em 24 de abril, com o Exército aliado chegando, insurreições populares explodiram em Veneza, Gênova e Milão. Mussolini tinha passado a semana anterior em Milão, onde, em 25 de abril, o cardeal Schuster patrocinou uma reunião entre o Duce e uma delegação do comitê central de resistência, na esperança de evitar um derradeiro banho de sangue. Mussolini, informado de que os alemães tinham iniciado conversações com as forças de resistência sem lhe comunicarem, comentou: “Sempre nos trataram como criados.” Pálido, chupado, como alguém que previsse a própria morte, pediu garantias para seus compatriotas fascistas e suas respectivas famílias, mas os líderes da resistência responderam que não aceitariam nada menos do que a rendição incondicional. Mussolini pediu uma hora para refletir. Diante da possibilidade de ser levado a um “tribunal do povo”, resolveu fugir.

Chegando à cidade de Como, no extremo sul do lago homônimo, o Duce, segundo o relato de Rachele, parou para escrever uma carta para ela. Só tinha consigo um de seus lápis azuis grossos. “Querida Rachele. Eis-me aqui, tendo chegado à última fase da minha vida, à última página do meu livro. Talvez nunca mais voltemos a nos ver (...) Peço-lhe perdão por tudo o que, sem intenção, lhe fiz de ruim. Mas você sabe que foi a única mulher que amei de verdade.”

Às três da manhã do dia seguinte, ele e outros líderes fascistas seguiram num comboio de carros para o norte, sem saber ainda se deveriam tentar escapar pela fronteira da Suíça ou procurar um esconderijo nos Alpes italianos. Fazia um tempo horrível, e eles aguardavam reforços, por isso pararam numa cidade à beira do lago, onde Mussolini saiu para uma caminhada na chuva com a filha, Elena Curti, que fora encontrá-lo. Clara Petacci, que procurava o amante, avistou-o passeando perto do lago em companhia da atraente moça ruiva. Furiosa, fez um escândalo tão grande que machucou o próprio joelho.

No começo da manhã do dia 27, um grupo de duzentos soldados alemães passou por eles. Mussolini e sua guarda SS decidiram que a melhor coisa a fazer seria juntar-se aos soldados. Vestindo uma farda alemã, o Duce, acompanhado da filha e de Clara Petacci, entrou num carro blindado com destino à fronteira. Mas logo o grupo foi interceptado por um pelotão de partisans. Os alemães, apesar de muito mais numerosos do que os inimigos, não tinham mais estômago para lutar e propuseram uma negociação. Depois de seis horas de conversa, chegaram a um acordo. Os partisans deixariam os alemães cruzarem a fronteira, com a condição de que lhes permitissem inspecionar os veículos para ver se havia italianos escondidos. Apesar da farda alemã e dos óculos escuros, Mussolini foi reconhecido e capturado, junto de seus companheiros fascistas.

O chefe guerrilheiro local, abismado com os prisioneiros que tinha capturado, avisou à sede da resistência em Milão, solicitando instruções. De sua parte, o apequenado Duce pediu apenas para dizer adeus a Clara. Até aquele momento os partisans não tinham percebido que ela estava entre os cativos. Clara insistiu em ficar ao lado do amante e ter o mesmo fim que ele, e os dois passaram uma última noite de insônia juntos numa casa de fazenda. Nesse meio-tempo, chegaram as instruções de Milão. De manhã, os dois prisioneiros foram colocados num carro, para uma curta viagem até Mezzegra, à beira do lago de Como. Ali, quando se aproximavam de uma modesta vila, receberam ordens para sair e ficar em pé junto a um muro. Chovia. Clara, ainda usando o casaco de pele, chorava: “Está feliz por eu ter ficado com você até o fim?”, perguntou. Mussolini, impassível e resignado, talvez sem ter percebido que ela falara, não respondeu. Enquanto os partisans apontavam suas armas, ela tentou jogar-se na frente de Mussolini, num esforço final e inútil de protegê-lo.

Na manhã seguinte, os partisans jogaram os dois corpos num caminhão e os levaram para Milão. Na Piazza Loreto, o Duce e a amante foram amontoados com os cadáveres de mais quinze líderes fascistas que tiveram fim semelhante. Em agosto, os alemães haviam matado quinze prisioneiros partisans, em represália por bombardeios aliados e por incursões da resistência, exibindo os corpos na mesma praça. Assim era a justiça popular. Vinte e três anos de governo fascista acabaram de repente — a cidade estava livre do Exército alemão e das SS. Delirante e enfurecida, a multidão vingou-se dos corpos, cuspindo-lhes, amaldiçoando-os, chutando-os, atacando-os com pedaços de pau e com as próprias mãos. Uma mulher deu cinco tiros no cadáver de Mussolini, em vingança dos filhos mortos por causa dele.

Para proteger os corpos contra a multidão enlouquecida, alguns partisans os içaram e penduraram pelos pés em andaimes num posto de gasolina num dos lados da praça. Dos ferimentos na cabeça de Mussolini, substância cerebral escorria, pingando no chão. Clara Petacci, que sempre o chamara de “Ben”, foi pendurada ao lado dele. Alguém com senso de pudor lhe prendeu sua saia nas pernas com um pedaço de corda, para

que, de cabeça para baixo, não lhe caísse por cima da cabeça. 4

Achille Starace, que fora por tanto tempo mestre de cerimônias do culto de Mussolini, pendia ao lado do Duce. Foi o mais perto que chegou dele em muitos anos. Mussolini havia destituído Starace do cargo de líder do partido no outono de 1939, por julgar que os fascistas precisavam de uma atitude diferente para com a guerra que se avizinhava. Na primavera de 1945, o outrora orgulhoso pit bull do Duce vivia sem dinheiro e abandonado em Milão, passando seus dias perambulando pelas ruas de agasalho e tênis rasgados. Quando Milão foi libertada, um grupo de partisans o reconheceu, embora seu disfarce involuntário fosse, à sua maneira, melhor do que o de Mussolini. O julgamento dele naquele dia durou apenas vinte minutos, antes que fosse morto a tiros e tivesse o

corpo pendurado no andaime do posto de gasolina na Piazza Loreto. 5

Rachele, a sofredora mas resoluta mulher de Mussolini, foi levada pelas forças aliadas e, com os dois filhos mais novos, confinada à ilha de Ischia, no golfo de Nápoles. Mais tarde ela retornaria para a pequena aldeia de Predappio, onde, quando ainda era uma estudante, conhecera Benito. Em 1957, depois de anos de luta, ela enfim conseguiu recuperar o corpo do marido, para que fosse enterrado onde nasceu. Diferentemente dele, teve uma vida longa, morrendo em 1979.

Fascista leal até o fim, Roberto Farinacci tinha fugido de Roma um dia depois da deposição de Mussolini, em julho de 1943, tomando um avião para Munique. Levado diretamente para o quartel-general de Hitler, depois de se encontrar primeiro com Ribbentrop, viu o Führer. Quando o Duce foi instalado na República de Salò, no norte, Farinacci voltou para seu velho feudo em Cremona, ainda acreditando numa vitória nazista. No fim de abril de 1945, com as tropas aliadas se preparando para entrar na cidade, ele e um pequeno grupo de seguidores pegaram seus carros às pressas e foram embora. Ao tentar passar por uma barreira policial ao norte de Milão, acabaram detidos à bala. O motorista morreu, e Farinacci foi capturado. Os partisans tocaram seus prisioneiros para uma cidade vizinha, onde um “tribunal do povo” foi logo formado. Depois de um julgamento que durou apenas uma hora, ele foi condenado à morte.

Na praça da cidade, onde seria executado, Farinacci pediu a presença de um padre, que o confessou e absolveu. Quando lhe vendaram os olhos e mandaram que virasse para o muro, a fim de ser fuzilado pelas costas, Farinacci resistiu. Os homens que o prenderam surraram-no para obrigá-lo a obedecer. Mas, no momento em que os atiradores do pelotão de fuzilamento começaram a apertar os gatilhos, Farinacci virou-se e levantou o braço na saudação fascista. Uma bala atingiu-o no peito enquanto ele gritava “Viva l’Italia!”. O corpo ficou onde caiu durante horas, dando aos passantes tempo de sobra para dar-lhe chutes e cusparadas. Os que tinham armas dispararam balas desnecessárias no

cadáver do mais fascista dos fascistas. 6

Guido Buffarini, com quem o núncio papal e Tacchi Venturi tinham se encontrado tantas vezes, desfrutou da confiança do Duce até o fim. Um dos poucos que haviam votado a favor de Mussolini na fatídica reunião do Grande Conselho, fora preso pelo novo governo de Badoglio, mas em seguida libertado pelos alemães. Conseguiu chegar a Salò, onde se tornou ministro do Interior do governo fantoche italiano, cercando judeus a mando de Hitler. Em 25 de abril de 1945, esteve com Mussolini em Milão e também tentou chegar à fronteira suíça. Os partisans que o capturaram mandaram-no a Milão para ser julgado, e ali sobreviveu ao Duce por muitas semanas, até ser morto por um pelotão de fuzilamento

em 10 de julho. 7

Com oitenta e três anos quando Mussolini foi fuzilado, o padre Pietro Tacchi Venturi voltou aos livros. Em 1951, quarenta e um anos depois da publicação do primeiro volume da sua clássica história dos jesuítas, veio o segundo e último. Quando ele morreu, em março de 1956, The New York Times e The Washington Post publicaram curtos obituários. Os dois jornais lhe deram crédito por ter intermediado o Tratado de Latrão, a única negociação significativa entre Pio XI e Mussolini, na qual desempenhou

apenas um papel secundário.8

Ao ascender ao trono de São Pedro, Pio XII decidiu manter o devoto e abnegado Francesco Borgongini como seu núncio. Durante os anos de guerra, e depois do conflito, ele permaneceu no posto. Em 1953, um ano antes de sua morte, o papa o nomeou cardeal.

O padre Agostino Gemelli, fundador e reitor da Universidade Católica de Milão, tão aplaudido por Farinacci por sua palestra antissemita de 1939 em Bolonha, continuou a cortejar os favores de

qualquer um que estivesse no poder. 9 No fim da guerra, autoridades italianas criaram uma comissão para tirar os fascistas mais importantes de

posições de poder público. 10 Confrontado com o fato de que, em 1933, tinha denunciado dois alunos seus à polícia por participarem de atividades antifascistas e em face de outras acusações, Gemelli foi suspenso do cargo de reitor, enquanto novas audiências eram realizadas.

No ano seguinte, uma segunda comissão continuou os trabalhos da primeira, presidida por Ezio Franceschini, professor de literatura na Universidade Católica de Gemelli. A nova comissão absolveu Gemelli e permitiu que voltasse como reitor. Ele então nomeou Franceschini reitor da Faculdade de Letras, cargo que o levaria mais tarde à reitoria da

própria universidade.11 Hoje, Gemelli ocupa lugar de honra especial em Roma, com o mais importante hospital católico e uma estação ferroviária da cidade levando seu nome.

O rei teve menos sorte. No fim de agosto de 1939, o embaixador americano em Roma recebeu instruções urgentes do presidente Roosevelt: transmitir ao monarca o apelo especial do presidente, pedindo-lhe que fizesse o possível para impedir que a Itália fosse à guerra. Como Vítor Emanuel estava em seu refúgio nas montanhas do Piemonte, Phillips tomou um trem para Turim. Quando o carro do embaixador chegou ao remoto acampamento, o rei o esperava, trajando roupas campestres comuns e um chapéu de feltro marrom. Conduziu o embaixador até um pequeno chalé de madeira, onde Phillips entregou o apelo de última hora de Roosevelt.

Vítor Emanuel permaneceu em silêncio enquanto o embaixador lia o texto. Terminada a leitura, o rei falou. Era apenas um monarca constitucional, explicou. “Tudo o que posso fazer, nestas circunstâncias, é levar a mensagem ao meu governo.” Phillips ficou desanimado. Seguiu-se um pesado silêncio. Sem saber o que dizer, o embaixador americano lhe perguntou como estava a pescaria. O rosto do rei se iluminou. Já tinha pescado setecentas trutas, disse com orgulho, mas ficaria no acampamento até pescar as mil de costume. Quando o embaixador lhe perguntou se voltaria para Roma, no momento em que o mundo mergulhava numa guerra terrível, ele respondeu que não, que planejava ir

para sua fazenda perto de Pisa: “Detesto palácios, entende?” 12

Tendo acrescentado aos seus já muitos títulos o de rei da Albânia, depois da invasão daquele país indefeso em abril de 1939, Vítor Emanuel fez o que pôde para evitar ser responsabilizado pelos repetidos desastres sofridos pelas tropas italianas. No fim da guerra, desacreditado por sua estreita ligação com o regime fascista, ele abdicou, na vã esperança de que a monarquia sobrevivesse sob seu filho, Umberto. Num plebiscito de 1946, os italianos votaram a favor de mandar a família real para o exílio. A Itália do pós-guerra seria uma república.

Diferentemente do rei, Pio XII escapou de qualquer responsabilidade pelo desastre que atingiu a Itália. Na verdade, muita gente o considera

um heroico oponente do regime fascista. As “guerras de Pio”, 13 como os debates acalorados sobre Pio XII têm sido chamados, não destacam as relações dele com Mussolini, mas, sim, com Hitler. Seria ele responsável por não ter condenado o Holocausto quando os nazistas e seus colaboradores — muitos dos quais se diziam católicos — assassinavam os judeus da Europa? Seria Pio XII “o papa de Hitler”, como sugere o título

provocativo, talvez enganoso, do polêmico livro de John Cornwell?14 Seus detratores o acusam de covardia e de trair a missão profética do pontífice. Os defensores sustentam que foi o melhor amigo que os judeus tiveram.

Até hoje, pouca atenção tem sido dada ao papel desempenhado por Eugenio Pacelli na Itália nos anos que precederam a guerra. Suas relações com o regime fascista e suas ações para impedir que o idoso e irascível Pio XI fizesse qualquer coisa que prejudicasse a colaboração do Vaticano com o regime têm sido curiosamente mantidas fora das atenções públicas.

Pio XII, papa Pacelli, morreu em 1958. Seu sucessor, João XXIII, convocou o Segundo Concílio do Vaticano e mudou drasticamente os rumos da Igreja. Os judeus deixaram de ser satanizados. A harmonia entre as religiões seria valorizada, não escarnecida. A liberdade de religião e de expressão deveria ser aplaudida, não atacada.

Depois dos anos inebriantes do Segundo Concílio do Vaticano, tanto o papa João XXIII quanto o próprio Concílio têm sido contestados dentro da Igreja pelos saudosistas dos velhos tempos. Seu herói é Pio XII, defensor das eternas verdades da Igreja. Enquanto isso, seu antecessor, Pio XI, continua praticamente esquecido.