O Papa e Mussolini

David I. Kertzer · Capítulo 36 de 38 · parte 1/7

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O Papa e Mussolini

Notas

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 7 partes.

 

FONTES DE ARQUIVOS E ABREVIAÇÕES

 

As seguintes abreviações são usadas nas notas de fim:

 

ACDF Archivio della Congregazione per la Dottrina della Fede [Arquivo da Congregação para a

Doutrina da Fé], Vaticano

S.O. Sant’Offizio [Santo Ofício]

ACS : Archivio Centrale dello Stato [Arquivo Central do Estado], Roma MCPG Ministero della Cultura Popolare [Ministério da Cultura Popular], Gabinete MCPR Ministero della Cultura Popolare [Ministério da Cultura Popular], Relatórios MI Ministero dell’Interno, Direzione Generale dela Pubblica Sicurezza [Ministério do Interior,

Diretoria Geral de Segurança Pública]

DAGR Direzione Generale Pubblica Sicurezza, Divisione Affari Generali e Riservati [Diretoria

Geral de Segurança Pública, Divisão de Assuntos Gerais e Privados]

DAGRA Direzione Generale Pubblica Sicurezza, Divisione Affari Generali e Riservati-annuali

[Diretoria Geral de Segurança Pública, Divisão de Assuntos Gerais e Privados – anuais]

FP Direzione Generale della Pubblica Sicurezza, Divisione Polizia Politica, fascicoli personali

[Diretoria Geral de Segurança Pública, Divisão de Polícia Política, arquivos pessoais]

PS Direzione Generale della Pubblica Sicurezza [Diretoria Geral de Segurança Pública] PP Direzione Generale della Pubblica Sicurezza, Divisione Polizia Politica, “materia” [Diretoria

Geral de Segurança Pública, Divisão de Polícia Política, “assunto”]

SPD Segreteria Particolare Duce [Secretariado do Duce] CO Segreteria Particolare Duce, Carteggio Ordinario [Secretariado do Duce, correspondência

comum]

CR Segreteria Particolare Duce, Carteggio Riservato [Secretariado do Duce, correspondência

confidencial]

CV Segreteria Particolare Duce, “carte della valigia” [Secretariado do Duce, “cartas da mala”] ARSI Archivium Romanum Societatis Iesu [Arquivos Romanos da Sociedade de Jesus], Roma TV Fondo Tacchi Venturi [Fundo Tacchi Venturi] ASMAE Archivio Storico, Ministero degli Affari Esteri [Arquivo Histórico, Ministério de

Assuntos Estrangeiros], Roma

APG Affari Politici [Assuntos Políticos], 1931-1945, Alemanha APIN Affari Politici, 1919-1930, Itália

APSS Affari Politici, 1931-1945, Santa Sé

APNSS Affari Politici, 1919-1930, Santa Sé AISS Ambasciata Italiana presso la Santa Sede [Embaixada Italiana na Santa Sé] Gab. Gabinetto [Gabinete]

ASV Archivio Segreto Vaticano [Arquivo Secreto do Vaticano], Cidade do Vaticano ANI Archivio Nunziatura Italia [Arquivo da Nunciatura na Itália] AESE Segreteria di Stato, Affari Ecclesiastici Straordinari [Secretaria de Estado, Assuntos

Eclesiásticos Extraordinários], Espanha

AESG Segreteria di Stato, Affari Ecclesiastici Straordinari, Alemanha AESI Segreteria di Stato, Affari Ecclesiastici Straordinari, Itália AESS Segreteria di Stato, Affari Ecclesiastici Straordinari, Estados Eclesiásticos AESU Segreteria di Stato, Affari Ecclesiastici Straordinari, Hungria

 

MINISTÈRE DES AFFAIRES ÉTRANGÈRES [MINISTÉRIO DAS RELAÇÕES EXTERIORES], PARIS

 

MAEI Ministère des Affaires Étrangères, Direction des Affaires Politiques et Commerciales

[Diretoria de Relações Políticas e Comerciais], Itália

MAESS Ministère des Affaires Étrangères, Direction des Affaires Politiques et Commerciales,

Santa Sé

 

NARA: ARQUIVO NACIONAL DOS ESTADOS UNIDOS, COLLEGE PARK, MARYLAND

 

Todos são encontrados nas publicações do Arquivo Nacional da Microfilm Publications LM142 Arquivos Confidenciais do Departamento de Estado, Itália, Relações Exteriores, 1940-

1944

LM192 Arquivos Confidenciais do Departamento de Estado, Alemanha, Relações Exteriores,

1930-1939

M530 Registros do Departamento de Estado Referentes a Relações Políticas entre a Itália e

Outros Estados, 1910-1929

M561 Registros do Departamento de Estado Referentes a Assuntos Internos dos Estados Papais,

1910-1929

M563 Registros do Departamento de Estado Referentes a Relações Políticas entre os Estados

Papais e Outros Estados, 1910-1929

M1423 Registros do Departamento de Estado Referentes a Assuntos Internos da Itália, 1930-1939

 

DOCUMENTOS DIPLOMÁTICOS PUBLICADOS

 

DBFP Documents of British Foreign Policy [Documentos de Política Externa Britânica] DDF Documents Diplomatiques Français [Documentos Diplomáticos Franceses] DDI Documenti Diplomatici Italiani [Documentos Diplomáticos Italianos] DGFP Documents on German Foreign Policy [Documentos sobre a Política Externa alemã] FCRSE Further Correspondence Respecting Southern Europe, Great Britain Foreign Office

[Correspondência adicional a respeito do sul da Europa, Ministério do Exterior da Grã-Bretanha]

 

OUTRAS ABREVIAÇÕES

 

ADSS Actes et documents du Saint Siège relatives à la seconde guerre mondiale [Atos e

documentos da Santa Sé relativos à Segunda Guera Mundial]

BG Boston Globe

CC La Civiltà Cattolica

CDT Chicago Daily Tribune

LAT Los Angeles Times

NYT New York Times

OR L’Osservatore Romano

PNF Partito Nazionale Fascista [Partido Nacional Fascista] PPI Partito Popolare Italiano [Partido Popular Italiano] WP Washington Post

 

CAPÍTULO 1: UM NOVO PAPA

 

1. Salvatorelli, 1939, p. 9; Pizzuti, 1992, p. 99; Pollard, 1999, p. 14.

2. Pollard, 1999, p. 16. Anne McCormick, jornalista americana (1957,

p. 17), apresentou observações similares sobre Della Chiesa como

papa: “Bento XV parecia um dos papas pessimistas, tolhido por sua

posição e subjugado pelos acontecimentos de sua época. Era visto em

ocasiões públicas no Vaticano, curvado sob sua mitra, definhando com

seu estado adornado, claramente entediado e sobrecarregado por sua

respeitabilidade.”

3. ASV, AESS, pos. 515, fasc. 529, ff. 59r-94r.

4. o Na primeira reunião da nova sessão do parlamento, em 1 de

dezembro de 1919, o rei Vítor Emanuel III encontrava-se prestes a dar

início ao cerimonial quando os deputados socialistas se levantaram e

deixaram o local gritando: “Vida longa à República Socialista!” Milza,

2000, pp. 284-85.

5. Fornari, 1971, p. 50.

6. Com a reserva de que deveria ficar claro ao público que o Vaticano

não tinha autoridade sobre o partido. Para o relato de Carlo Sforza,

ver Scoppola, 1976, pp. 22-23. Ver também De Rosa, 1958 e 1959; e

Molony, 1977. Pelo resto de sua longa vida, Sturzo realizaria todo ano

uma missa em louvor a Bento XV, na data de seu falecimento.

Pollard, 1999, pp. 172-74.

7. O arquivo do Ministério do Exterior italiano possui uma pasta

repleta de telegramas criptografados de seus embaixadores no exterior,

relatando as intenções de votos dos cardeais dos países onde se

encontravam. Eles contêm vários nomes diferentes. ASMAE, APIN,

b. 1268.

8. As observações posteriores foram feitas pelo embaixador belga.

Beyens, 1934, pp. 102-3. As anotações sobre a indiferença do papa ao

se vestir foram feitas pelo enviado britânico sir Alec Randall, citado

em Pollard, 1999, p. 70. Minha descrição também se fia nos relatórios

posteriores do enviado britânico, encontrados em C. Wingfield,

Annual Report 1934 , 12 de janeiro de 1935, R 402/402/22; em

Hachey, 1972, pp. 285-87, seções 126-36; assim como em Roberti,

1960, pp. 6-7; Morgan, 1944, pp. 15, 136-37; e De Vecchi, 1983, p.

143.

9. Aubert, 2000, p. 230 (baseado no diário do cardeal Mercier);

Lazzarini, 1937, pp. 160-61; Beyens, 1934, pp. 83-84.

10. Vavasseur-Desperriers, 1996, p. 141.

11. Venini, 2004, p. 128.

12. Chiron, 2006, pp. 20-25.

13. Puricelli, 1996, pp. 28, 36; Durand, 2010, p. 4; Aradi, 1958, p.

21.

14. Aradi, 1958, p. 43. O papa estava convencido de que Manzoni um

dia seria reconhecido como um escritor tão importante quanto Dante.

Venini, 2004, p. 181.

15. Aradi, 1958, pp. 65-66.

16. Depois que Ratti foi eleito papa, o Clube Alpino reuniu algumas

de suas descrições das escaladas que realizara em um pequeno livro

(Ratti, 1923). Uma versão em inglês foi publicada em março de 1923,

em uma série dividida em três partes no jornal diário Atlantic

Constitution, sob o título “O padre alpinista” (11 e 18 de março).

Lazzarini (1937, pp. 69-71) forneceu uma longa lista das escaladas de

Ratti.

17. O embaixador francês na Santa Sé, François Charles-Roux (1947,

pp. 21-22), reportou as conversas que teve com o papa Ratti sobre seu

passado como alpinista.

18. Tisserant, 1939, pp. 393-94; Chiron, 2006, p. 86.

19. Domenico Tardini relatou o equívoco em uma carta para

Confalonieri na publicação de suas memórias sobre Pio XI.

Confalonieri, 1993, p. 276.

20. Lazzarini, 1937, pp. 35-36.

21. Conto essa história em Kertzer, 2001.

22. CC, 1880, IV, pp. 108-12.

23. “La rivoluzione mondiale e gli ebrei”, CC 1922 IV, pp. 111-21;

“Il socialismo giudeo-massonico tiranneggia l’Austria”, CC 1922 IV,

pp. 369-71.

24. Morozzo della Rocca, 1996, p. 108; ver também Kertzer, 2001,

pp. 247-49.

25. ASV, ANI, b. 192, ff. 534r-38r, Achille Ratti para Pietro Gasparri,

24 de outubro de 1918.

26. Achille Ratti para Pietro Gasparri, 9 de janeiro de 1919, em Wilk,

1997, pp. 250-261. Para uma apresentação mais completa das opiniões

de Ratti sobre os judeus enquanto ele estava na Polônia, ver Kertzer,

2001, pp. 245-62.

27. Pizzuti, 1992, p. 110; Chiron, 2006, pp. 111-12.

28. Levillain relatou (1996, p. 8): “A nomeação de monsenhor Ratti

para a sé de Santo Ambrósio é uma reação de Roma a um clima de

insurreição.”

29. Para um relato mais completo sobre as circunstâncias que levaram

à partida de Ratti da Polônia, ver Morozzo della Rocco, 1996. O

relato datilografado de Gasparri sobre esse episódio está em ASV,

AESS, pos. 515, fasc. 530, ff. 35r-36r. Para mais informações sobre a

experiência de Ratti na Polônia, ver Pease, 2009, cap. 2.

30. As memórias de Gasparri a respeito dessa conversa são encontradas

em Spadolini, 1972, pp. 259-60. Gasparri escreve que foi o papa Ratti

quem lhe contou o que havia acontecido.

31. Pizzuti, 1992, pp. 12-13.

32. Fontes apresentam números um pouco diferentes para as várias

votações na eleição do papa. Usei o relato mais completo que existe,

encontrado em Aradi, 1958, p. 127. Para um relato do papel de

Gasparri nos bastidores da eleição de Ratti, ver Falconi, 1967, pp.

152-54. Falconi, assim como outras fontes, também detalha como o

apoio dos zelanti passou de Merry del Val para o cardeal Pietro La

Fontaine, um patriarca conservador de Veneza, que na décima

primeira votação conseguiu vinte e três votos contra vinte e quatro de

Ratti. As anotações do cardeal Mercier em seu diário também são

muito úteis e encontradas em Aubert, 2000, e em Lazzarini, 1937, pp.

160-63.

33. Fogarty, 1996, p. 549. Por conta do que aconteceu nesse caso, Pio

XI mudaria as regras do conclave a fim de dar mais tempo aos cardeais

não europeus para que eles pudessem participar, como ocorreu após

sua morte, em 1939.

34. Aubert, 2000, p. 200.

35. As notícias sobre a doença de Bento XV geraram uma onda de

preocupação em toda a comunidade católica. Em Nova York, as

noventa e seis mil crianças que frequentavam escolas paroquiais

católicas foram guiadas para suas igrejas locais em 20 de janeiro a fim

de rezar pela saúde do papa. Elas não estavam tão otimistas, e isso

ficou evidente pelo fato de que, em suas preces por uma rápida

recuperação, muitas acrescentaram a advertência: “Ou a graça de uma

morte tranquila.” “96.803 crianças rezam pelo papa”, NYT, 21 de

janeiro de 1922, p. 1. No dia seguinte, um relatório prematuro sobre a

morte do papa chegou ao presidente do parlamento alemão, o que

resultou em uma pausa nos procedimentos, com membros do

parlamento se levantando enquanto o presidente improvisava um

discurso fúnebre. “Presidente do parlamento alemão louva o papa”,

NYT, 22 de janeiro de 1922, p. 2.

36. Entre os espectadores que observavam a fumaça na praça de São

Pedro, no dia 5 de fevereiro, um dia antes de Pio XI ser eleito, estava

Benito Mussolini. Gentile, 2010, p. 95.

37. Aradi, 1958, p. 128.

38. É assunto um tanto controverso atribuir a ideia de conceder essa

graça inicial da sacada a Ratti ou a uma sugestão do mundano cardeal

Gasparri. O cardeal Mario Nasali Rocca, arcebispo de Bolonha,

relatou que foi ideia de Gasparri (Chiron, 2006, p. 138n), mas

Confalonieri (1957, p. 24) insiste que foi de Ratti. Uma descrição

desses acontecimentos pode ser encontrada em Aradi, 1958, pp. 146-

47, e em CC, 1922 I, pp. 371-72.

 

Í

CAPÍTULO 2: A MARCHA SOBRE ROMA

 

1. E. Mussolini, 1957, p. 135.

2. No geral, o relatório concluiu, de forma um tanto surpreendente,

que ele tinha uma fisionomia simpatico, um semblante amigável. Baima

Bollone, 2007, p. 22; ver também Ludwig, 1933, p. 37.

3. Bosworth, 2002, p. 62. Uma tradução para o inglês da primeira

publicação de Mussolini, “Dieu n’existe pas”, é encontrada em Seldes,

1935, pp. 387-90. Os 1.908 artigos são citados por Gentile, 2010, p.

84.

4. Rhodes, 1974, p. 27.

5. Baima Bollone, 2007, pp. 23, 27.

6. Por esse fragmento em Avanti!, ele foi indiciado e mais tarde levado

a julgamento por incitação à violência. Cannistraro e Sullivan, 1993,

pp. 96-97.

7. E. Mussolini, 1957, pp. 31-32.

8. Motti, 2003, p. 198.

9. Cannistraro e Sullivan, 1993, p. 97. Esse não é um dos filhos mais

bem documentados de Mussolini. Em algum momento, as histórias de

relacionamentos e crianças fora do casamento e a realidade começaram

a se misturar, embora eu não tenha nenhum motivo para acreditar que

Cannistraro e Sullivan tenham ficado do lado errado aqui. Eles

também debatiam sobre um filho de Mussolini gerado em 1918 com

outra mulher, Bianca Veneziana, com quem ele manteve encontros

esporádicos por muitos anos (1993, p. 275).

10. Rafanelli, 1975.

11. Cannistraro e Sullivan, 1993, p. 137. Rachele Mussolini (1974,

pp. 74-75) fez seu relato sobre o casamento em suas memórias. Mais

tarde, entre os apelos muito públicos de Dalser para que Mussolini a

reconhecesse como esposa e suas tentativas de mostrar ao mundo que

Benito era filho dele, o constrangimento foi demais para o líder

fascista. Ao chegar ao poder, mandou internar Irene em um

manicômio, onde ela morreu em 1937. O destino do pequeno Benito

permanece um pouco obscuro. Posto sob supervisão desde que a mãe

foi levada, ele também acabou se tornando um risco grande demais

para Mussolini e foi colocado em um hospício, onde morreu em

1942, aos vinte e seis anos. Ibid.; Festorazzi, 2010, p. 49.

12. Havia muita controvérsia em torno de como Mussolini angariou

fundos para organizar o ambicioso jornal. Parece que parte do capital

veio de suas amantes, incluindo Ida Dalser, que, aparentemente,

vendeu seu salão de beleza para conseguir o dinheiro. Além disso,

enquanto proclamava sua oposição à burguesia gananciosa, ele tirava

dinheiro de quem tinha a lucrar com a entrada da Itália na guerra.

Também recebia pagamentos em segredo das fontes dos governos

francês e britânico, ambos ansiosos para encorajar o esforço de guerra

da Itália. Bosworth, 2002, pp. 105-7.

13. Ibid., pp. 106-7.

14. “Un Appello ai lavoratori d’Italia dei fasci d’azione rivoluzionaria.

Statuto-programma”, Il Popolo d’Italia, 6 de janeiro de 1916, p. 1.

15. Festorazzi, 2010, p. 37; Cannistraro e Sullivan, 1993, p. 96.

16. Milza, 2000, p. 257. Mas, em fevereiro de 1918, Margherita

vivenciou uma tragédia quando seu primeiro filho, Roberto, que

insistiu em se alistar no exército com apenas dezessete anos, foi morto

no fronte. Enquanto Mussolini se afastava dos socialistas, castigando-os

por sabotar o esforço de guerra e desrespeitar os soldados italianos,

Margherita tinha uma ferida aberta que a impulsionou a segui-lo.

Urso, 2003, p. 119. Juntos, eles construiriam um novo mito em torno

do sacrifício e do heroísmo das tropas italianas.

17. Cannistraro e Sullivan, 1993, p. 178.

18. Margiotta Broglio, 1966, pp. 79-81; Gentile, 2010, p. 87.

19. Em Milão, Mussolini conseguiu convencer duas figuras culturais

famosas a acompanhá-lo na corrida fascista: Arturo Toscanini, afamado

maestro do La Scala – que logo se arrependeria de sua escolha –, e

Filippo Marinetti, brilhante líder do movimento futurista.

20. Cannistraro e Sullivan, 1993, pp. 215-16.

21. Galeotti, 2000, pp. 20-23.

22. De Felice, 1966, pp. 115-16.

23. Lyttleton, 1987, p. 53; Ebner, 2011, pp. 23, 30-31.

24. De Felice 1966, pp. 87, 92.

25. De Felice, 1966, p. 128; Scoppola, 1996, p. 186; Kent, 1981, pp.

5-6.

26. Gentile, 2010, p. 92.

27. Venini, 2004, p. 22.

28. CC, 1922, I, p. 558; CC, 1922, II, pp. 178, 372. Como exemplos

do L’Osservatore Romano nessa época, há matérias sobre ataques

violentos a padres, à sede do PPI e grupos católicos: “Popolari

bastonati dai fascisti”, 29 de março de 1922, p. 4; “Un parroco e un

avvocato aggrediti dai fascisti”, 27 de abril de 1922, p. 4; “Dopo

l’aggressione fascista al sacerdote Gregori”, 6 de junho de 1922, p. 4;

“Conflitto tra fascisti e popolari”, 21 de junho de 1922, p. 4;

“Esplosione di odio”, 26 de julho de 1922, p. 4; “Circoli cattolici

devastati”, 20 de agosto de 1922, p. 4; “Le aggressioni dei fascisti

contro i Parroci”, 22 de agosto de 1922, p. 2; “Il circolo cattolico di

Milzano incendiato dai fascisti”, 2 de setembro de 1922, p. 4;

“Cattolici assaliti dai fascisti a Catania”, 12 de setembro de 1922, p. 4;

“Cattolici aggrediti dai fascisti”, 14 de setembro de 1922, p. 4; “I

fascisti contro i cattolici veronesi”, 23 de setembro de 1922, p. 4;

“Nuove aggressioni fasciste contro cattolici a Verona”, 24 de setembro

de 1922, p. 4; “La sede nel Partito Popolare di Nocera devastata dai

fascisti”, 4 de outubro de 1922, p. 4; “I fascisti diffi dano un parroco a

buttare la veste entro 48 ore”, 8 de outubro de 1922, p. 4; “Due

sacerdoti insultati dai fascisti”, 10 de outubro de 1922, p. 4;

“L’adunata fascista a Firenze s’inizia con atti ostili contro la G. CAPÍTULO 3: O ABRAÇO FATAL

Diocesana e il Partito Popolare”, 14 de outubro de 1922, p. 4; “Una

protesta della Federazione Giovanile Diocesana di Firenze”, 17 de

outubro de 1922, p. 4; “I fascisti contro le associazioni cattoliche”, 18

de outubro de 1922, p. 4.

29. Entre as muitas biografias de Farinacci estão Fornari, 1971;

Festorazzi, 2004; e Pardini, 2007. Innocenti (1992, pp. 147-50)

oferece uma imagem popular, mas bem colorida, que o retrata bem.

30. Milza, 2000, p. 326; De Felice, 1966, pp. 222-23.

31. Chiron, 2006, pp. 256-57.

32. Festorazzi (2010, pp. 69-70) faz um relato posterior sobre um

Mussolini amedrontado se escondendo com sua amante perto da

fronteira suíça. Em sua biografia autorizada de Mussolini, com quatro

volumes, De Felice (1966, pp. 373-74) o localiza no teatro em Milão

com sua esposa.

33. Cannistraro e Sullivan, 1993, p. 276; Festorazzi, 2010, p. 78.

34. Pietro Badoglio citado em Milza, 2000, p. 332.

35. Milza, 2000, pp. 332-33.

36. Lyttleton, 1987, p. 89.

37. De Felice, 1966, p. 359.

38. McCormick, 1957, pp. 7-9.

39. CC, 1922, IV, pp. 354-55.

40. Bosworth, 2002, p. 172.

41. De Felice, 1966, p. 311.

42. A conversa deles aconteceu no início de novembro de 1922.

Beyens, 1934, pp. 136-37.

43. Navarra, 2004, p. 15.

44. De Memorie politiche, de Salandra, citado por De Felice, 1966, p.

462.

45. Lamb, 1997, pp. 59-60.

46. Esse relato é de Morgan (1941, pp. 81-85), que compareceu ao

jantar.

 

Í

 

1.Tisserant, 1939, pp. 389, 397; Chiron, 2006, p. 151.

2. Beyens, 1934, p. 102.

3. Confalonieri, 1957, pp. 116-17. Sobre Pio X, ver Pollard, 1999, p.

78.

4. Citado em Rhodes, 1974, p. 19; Biffi, 1997, p. 74.

5. Aradi, 1958, pp. 65-66; Venini, 2004, p. 23.

6. Chiron, 2006, p. 126.

7. Ibid., p. 141.

8. Para os italianos, trata-se do terceiro andar.

9. Dante e Manzoni ocupavam o lugar de destaque. Confalonieri,

1957, pp. 173, 270-71.

10. Confalonieri, 1969, p. 36; Charles-Roux, 1947, p. 10.

11. Aradi, 1958, p. 138.

12. Lazzarini, 1937, p. 319.

13. Confalonieri, 1957, pp. 71-2; Chiron, 2006, pp. 141-46. Fotos do

papa durante sua caminhada pelo jardim e ao lado de sua carruagem

são encontradas em Illustrazione italiana, 8 de outubro de 1922, pp. 2-3.

14. Potter, 1925, pp. 9, 242-47, 254-55; MacKinnon, 1927, pp. 44-

45, 189-90.

15. Potter, 1925, p. 164.

16. E. Rosa, “L’unità d’Italia e la disunione degli italiani”, CC, 1922,

IV, p. 106.

17. De Rosa, 1999.

18. Sale, 2007, p. 26. A carta de Ledóchowski para Rosa, datada de 31

de outubro de 1922, é encontrada nos arquivos da Civiltà Cattolica, aos

quais Sale, por fazer parte da organização da publicação, tem acesso.

19. Em seu relatório anual para Londres, redigido em 25 de outubro

de 1922, o enviado britânico no Vaticano escreveu: “Tudo no

Vaticano é dominado pelo medo que o papa sente do comunismo

russo.” Rhodes, 1974, p. 18.

20. Citado em Sale, 2007, p. 25.

21. Sale, que inspecionou o arquivo de Rosa na sede da Civiltà

Cattolica , concluiu que o papa parece ter sido a pessoa a instruir Rosa a

preparar um editorial mais amigável, embora ele não ofereça mais

detalhes. Ibid., p. 27.

22. E. Rosa, “Crisi di stato e crisi di autorità”, CC, 1922, IV, p. 204.

23. Essa também é a conclusão de Sale, 2007, pp. 27-28.

24. Beyens, 1934, pp. 136-39. Poucos dias antes da Marcha sobre

Roma, o secretário de Estado Gasparri explicou a um diplomata

francês que o rei havia tomado a decisão certa ao se recusar a convocar

o Exército. O fascismo, disse ele, “tornou-se uma necessidade”. Sale,

2007, p. 10.

25. As encíclicas, em geral, são mensagens com grande destaque sobre

questões que o papa considera importantes, muitas vezes direcionadas

aos bispos de determinado país ou, como neste caso, aos bispos do

mundo inteiro.

26. Ubi arcano, tradução para o inglês no site do Vaticano:

http://www.vatican.va/holy_father/pius_xi/encyclicals/documents/h

f_p-xi_enc_23121922_ubi-arcano-dei-consilio_en.html.

27. Milza, 2000, p. 343.

28. Ibid., pp. 345-46.

29. Motti, 2003; Falconi, 1967, p. 185; Sale, 2007, p. 37; Milza, 2000,

pp. 354, 401. Para a exigência da aprovação da Igreja a livros didáticos

religiosos, ver DDI, série 7, vol. 2, n. 155, 1o de agosto de 1923.

Sobre as visitas de Mussolini e o desembolso de fundos para o clero

local, ver Morgan, 1941, p. 239.

30. Citado em Molony, 1977, p. 152. O cardeal teceu os comentários

em um casamento ao qual Mussolini comparecera. Mussolini ficou tão

satisfeito com essas palavras que mandou uma cópia delas para todas as

embaixadas italianas no exterior. No dia seguinte, o embaixador

italiano na Grã-Bretanha telegrafou de volta, relatando a cobertura

sobre os comentários de Vannutelli em várias publicações britânicas. O

jornal londrino Times declarou que as observações do cardeal não eram

apenas sua opinião pessoal, mas representavam fielmente a visão da

Santa Sé. DDI, série 7, vol. 1, n. 535, 22 de fevereiro de 1923; DDI,

series 7, vol. 1, n. 544, 22 de fevereiro de 1923.

31. AESS, pos. 515, fasc. 523, ff. 8r-9r.

32. Molony, 1977, pp. 190-1; Falconi, 1967, p. 187.

33. Os relatos de Santucci e Acerbo são reproduzidos em Pirri, 1960.

34. Sale (2007, pp. 36, 54-55) aponta que vários historiadores

identificaram o encontro secreto em janeiro entre Mussolini e Gasparri

como o momento em que foi decidido que Tacchi Venturi se tornaria

o intermediário secreto entre os dois, embora não haja evidência

documental disso. Mas, no início de fevereiro, Tacchi Venturi já

atuava nesse papel.

35. Scaduto, 1956, p. 47; Maryks, 2012, pp. 302-5; Martina, 2003,

pp. 234-35; Tramontin, 1982, p. 631. Durante a guerra, Tacchi

Venturi contatou oficiais da polícia para conseguir permissão a fim de

viajar para a Suíça, onde Ledóchowski havia montado seu escritório.

Imediatamente após a guerra, ele contatou as autoridades italianas

repetidas vezes para obter permissão para que Ledóchowski e outros

jesuítas exilados retornassem a Roma. A correspondência de Tacchi

Venturi com oficiais da polícia durante e após a guerra pode ser

encontrada em ACS, MI, PS, 1919, b. 1, “Curia Generalizia della

Compagnia di Gesù”.

36. Um relatório posterior de um informante fascista no Vaticano

descreveu-o como um homem que sempre fora um reacionário, mas

cujo principal objetivo era promover os interesses dos jesuítas. ACS,

MI, DAGR, b. 1320, informatore, Città del Vaticano, 23 aprile 1930.

37. Em meio à imensa pilha de materiais e documentos deixados por

Tacchi Venturi depois de sua morte, está um pequeno cartão-postal.

De um lado, a figura da Madona e do menino Jesus. Do outro, escrito

a caneta, a data de 28 de outubro de 1919, e uma pequena nota de

Ratti, então em Varsóvia, agradecendo as felicitações que ele lhe

enviara por sua ascensão a bispo. ARSI, TV, b. 29. Para o encontro de

1899, ver Maryks, 2012, p. 305.

38. A esposa de Arnaldo, segundo Mussolini, fora até Tacchi Venturi

para se confessar. De Begnac, 1990, p. 591.

39. Tisserant, 1939, pp. 398-99; Martina, 2003, p. 236.

40. “Comunicazione del Vescovo di Vicenza sulle violenze al clero”,

OR, 21 novembre 1922, p. 4. Parece que fascista algum jamais foi

excomungado nesses anos por violência contra a Igreja.

41. “Contro un sacerdote giornalista”. OR, 24 novembre 1922, p. 4.

42. “Partiti e fazioni — Circolo cattolico devastato ad Aosta”, OR, 13

dicembre 1922, p. 4.

43. “Violenze contro giovani cattolici”, OR, 15 dicembre 1922, p. 4.

44. “Le violenze contro il clero nel Vicentino”, OR, 20 dicembre

1922, p. 4.

45. Alguns exemplos: “Violenze fasciste a Fabriano”, OR, 10 aprile

1923, p. 4; “Festa missionaria di Piacentino turbata dai fascisti”, OR,

19 aprile 1923, p. 2; “Protesta della Giunta Diocesana di Piacenza”,

OR, 20 aprile 1923, p. 2; “Minaccie fasciste contro un Congresso

eucaristico”, OR, 16 maggio 1923, p. 4; “I fascisti di Secondigliano

distruggono un Circolo cattolico”, OR, 26 maggio 1923, p. 4. Na

análise de Perin (2011, p. 183) sobre o semanário da impressa

diocesana em Vêneto, ela descobre que os documentos não

responsabilizam Mussolini pela violência. Seguindo a legitimação por

parte do Vaticano de Mussolini após sua ascensão ao poder, esse

padrão cresceria com mais evidência.

46. Sale, 2007, pp. 92-94; Pollard, 1985, p. 24.

47. Poggi, 1967, p. 21; Casella, 1996, pp. 606-7, 620. As observações

do papa foram feitas em setembro de 1922. O novo presidente

nacional da Ação Católica, Luigi Colombo, foi claro sobre seu

trabalho: “Não segui meu ponto de vista”, recordou mais tarde, “mas

obedeci [...] às ilustres ordens oficiais do Santo Padre”; Zambarbieri,

1982b, p. 114.

 

CAPÍTULO 4: NASCIDO PARA COMANDAR

 

1.OR, 17 de março de 1923, citado em Coppa, 1999, p. 89;

“Liberalismo in pena”, CC, 1923, II, pp. 209-18.

2. “Liberalismo in pena”, CC, 1923, II, pp. 209-18. A evidência de

que L’Osservatore Romano agiu apenas de acordo com os desejos do papa

é indireta, mas, no contexto da dramática mudança de posição do

Vaticano, qualquer outra explicação parece implausível.

3. Embora o Vaticano negue publicamente que o prelado em questão,

o monsenhor Enrico Pucci, falava em nome de qualquer um além de

si próprio, um relatório secreto posterior para a polícia fascista

informou que Pucci, na época, estava “seguindo ordens explícitas da

Secretaria de Estado” ao publicar o apelo. ACS, MI, FP “Pucci”, f.

19, n.d. Para a negação semioficial de que o Vaticano teve qualquer

envolvimento na renúncia de Sturzo, ver CC, 1923, III, p. 184.

4. O papa enviou seu novo pedido por meio de Gasparri, cuja carta de

5 de julho para Tacchi Venturi começava com: “Por razões que não

precisam ser enumeradas, o Santo Padre permitiu que Dom Sturzo

adiasse sua resposta (...) Agora, depois de ponderar bastante diante de

Deus, o Santo Padre acredita que na atual circunstância da Itália um

padre não pode permanecer na diretoria de um partido sem causar

grande dano à Igreja — de fato comandando a oposição de todos os

partidos contra o governo — para o deleite da maçonaria, como todos

sabem.” ASV, AESI, pos. 617, fasc. 50, f. 5, Gasparri a Tacchi

Venturi, 5 de julho de 1923. Esses documentos foram bastante

discutidos e citados em Sale, 2007, pp. 80-84.

5. Citado em Sale, 2007, p. 82.

6. Ao receber as ordens do papa, Sturzo convocou uma reunião de

emergência com a diretoria do partido, marcada para 10 de julho, e

não queria nem uma palavra sobre sua decisão de sair antes que

pudesse informar aos membros.

7. Em referência ao exato momento em que as notícias sobre a

renúncia de Sturzo se tornariam públicas. ASV, AESI, pos. 617, fasc.

50, ff. 14-15. Tacchi Venturi também estava ansioso para conseguir

uma promessa de Mussolini de que não Dom Sturzo não seria

prejudicado.

8. Sale, 2007, pp. 69-70.

9. Molony, 1977, pp. 172-73; Bedeschi, 1973.

10. Sale, 2007, pp. 74-75.

11. Beyens, 1934, pp. 167-69.

12. Navarra, 2004, p. 42.

13. Baima Bollone, 2007, pp. 24-26.

14. E. Mussolini, 1957, p. 121.

15. R. Mussolini, 1974, p. 96.

16. Ibid.

17. Milza, 2000, pp. 354-55.

18. Festorazzi, 2010, pp. 74-77.

19. Cannistraro e Sullivan, 1993, pp. 273-74; E. Mussolini, 1957, p.

32; Navarra, 2004, p. 48.

20. Citado em De Felice, 1966, pp. 472-73.

21. Monelli (1953, p. 102) descreve o comício de Cremona. Gentile

(1993, pp. 160-72; 2001) é o estudioso mais influente a examinar o

uso do símbolo, da cerimônia e do mito pelo regime fascista. Para

saber mais sobre como e por que a cerimônia é tão importante em

movimentos políticos, ver Kertzer, 1988.

22. Gentile, 1993, pp. 281-82.

23. Beyens, 1934, p. 245.

24. o DDI, série 7, vol. 2, n. 155, Mussolini a Gentile, 1 de agosto de

1923; Talbot, 2007, p. 27; Sale, 2007, pp. 37, 96; Gentile, 2010, p.

107; Milza, 2000, p. 432.

25. ASV, AESI, pos. 573, fasc. 22, 15, 25 de setembro de 1923, citado

em Sale, 2007, pp. 320-22.

26. CC, 1924, I, p. 175, que também contém o trecho extraído de Il

Popolo d’Italia.

27. Sale, 2007, p. 333; CC 1924 I, p. 80.

28. Incluindo o aumento dos pagamentos anuais do governo aos

bispos, de seis mil para doze mil liras por ano, e aumento nos

pagamentos dos párocos de mil e quinhentas para duas mil e

quinhentas liras. CC, 1924, II, p. 82.

29. Ebner, 2011, p. 38.

30. Citado em Sale, 2007, p. 130.

31. Ibid., pp. 134-37. A circular impressa é encontrada em ASV,

AESI, pos. 617, fasc. 50, ff. 30r, 30v; a anotação escrita à mão de não

enviar está na f. 47r.

32. Chiron, 2006, p. 152; Confalonieri, 1957, p. 172.

33. Lazzarini, 1937, pp. 309-10. Lazzarini não informa a data da visita

de Carrère, mas diz que foi logo depois da publicação de Le Pape, em

1924.

34. Confalonieri, 1957, p. 172; Charles-Roux, 1947, p. 14.

35. Chiron, 2006, p. 151.

36. Durand, 2010. O comentário de Merry del Val, em 1972, foi

reportado ao papa, que o convocou para passar-lhe um sermão

humilhante. “O papa”, escreveu em seu relato sobre o encontro, “me

tratou como se eu fosse um garotinho.” Durand, 2010, pp. 48-49.

 

CAPÍTULO 5: LEVANTAR-SE DO TÚMULO

 

1.Giacomo Matteotti, “Discorso alla Camera dei Deputati di denuncia

di brogli elettorali” (1924), http://it.wikisource.org/wiki/Italia_-

30_maggio_1924,_Discorso_alla_Camera_dei_Deputati_di_denuncia_

di_brogli_elettorali.

2. Milza, 2000, pp. 365-7; De Felice, 1966, p. 620. Para um exame

mais completo sobre o assassinato de Matteotti e suas consequências,

ver Canali, 2004b.

3. Milza, 2000, p. 370; CC, 1924, III, pp. 80-89.

4. De Felice, 1966, p. 630.

5. Milza, 2000, p. 378.

6. De Felice, 1966, p. 644. Mais tarde, pensando nas semanas que se

seguiram ao assassinato, Mussolini recordou: “Durante aqueles dias,

tive a sensação de isolamento, pois os salões do palácio Chigi, em geral

cheios de gente, estavam desertos como se um vento forte, uma

tempestade tivesse passado por ali.”

7. Navarra, 2004, pp. 25-27.

8. Cannistraro e Sullivan, 1993, p. 295.

9. CC, 1924, III, pp. 85-87.

10. ASMAE, Gab., b. 32, Tacchi-Venturi a Mussolini, 27 de junho de

1924.

11. Baima Bollone, 2007, p. 96.

12. Sale, 2007, p. 162.

13. Ibid., pp. 162-68.

14. No fim de junho, falando em nome da oposição, um deputado do

Partido Popular solicitou ao rei que nomeasse um primeiro-ministro

para restaurar as liberdades democráticas e pôr fim a grupos armados

particulares. CC, 1924, III, pp. 179-80. Em meados de julho, os

líderes provinciais do partido se encontraram em Roma, onde

chegaram a um acordo sobre um plano. A alternativa para os fascistas,

insistiam eles, não eram a paralisia e o caos que haviam sido tão

traumáticos no governo de 1922, como os partidários de Mussolini

argumentavam, mas uma coalizão sólida do popolari, liberais desleais e

socialistas democratas. Ver Ferrari, 1957, p. 70; Sale, 2007, pp. 169-

71.

15. ASMAE, Gab., b. 32, Tacchi Venturi a Mussolini, 20 de julho de

1924; ibid., Paulucci de’ Calboli a Tacchi Venturi, 22 de julho de

1924. A mensagem de Mussolini escrita à mão foi rabiscada por cima

da carta de apresentação de Tacchi Venturi a seu secretário, Baron

Paulucci de’ Calboli. Ibid., Tacchi Venturi a Paulucci de’ Calboli, 20

de julho de 1924.

16. O relato detalhado e incomum do controle rigoroso que o papa

exercia é encontrado em um documento em Felice Rinaldi, S.J.,

“Resoconto della stesura dell’articolo ‘La parte dei cattolici nelle

presenti lotte dei partiti politici in Italia’”, 11 de agosto de 1924, nos

arquivos da Civiltà cattolica, publicado em Sale 2007, pp. 477-78. Ver

também o debate de Sale nas pp. 172-82.

17. “La parte dei cattolici nelle presenti lotte dei partiti politici in

Italia”, CC, 1924, III, pp. 297-306.

18. Gasparri deu o rosário às mulheres e mais tarde confidenciou ao

embaixador belga que não tinha ideia do que elas haviam feito com o

objeto. Beyens, 1934, pp. 235-36.

19. Citado em Sale, 2007, p. 182-83. Os comentários do papa

enfureceram os antifascistas na Itália e no exterior. Alguns afirmam

que, ao opinar sobre assuntos políticos, ele não falou com a

infalibilidade de um pontífice, mas apenas como um homem dando

sua opinião. Uma semana depois, L’Osservatore Romano contra-atacou.

As palavras do papa, informou o jornal do Vaticano a seus eleitores,

constituíam uma “diretiva categórica”. Aqueles que alegavam que os

católicos eram livres para seguir sua consciência no que dizia respeito a

esse assunto estavam gravemente enganados; citado em Sale, 2007, p.

184.

20. Na verdade, as lições eram conduzidas em um mosteiro

camaldulense — do outro lado da fronteira da Toscana, perto da casa

de veraneio de Mussolini na Romanha —, onde o idoso cardeal

Vannutelli passava suas férias de verão. Em pouco tempo, Mussolini

chegou com a família para uma visita e procurou Vannutelli. Logo

depois da primeira comunhão dos filhos, administrada pelo monge

superior, Mussolini perguntou ao cardeal se ele os orientaria na crisma.

E, em 8 de setembro, os filhos de Mussolini fizeram a primeira

comunhão pela manhã e o cardeal conduziu a crisma perto do fim da

tarde. A carta de Vannutelli, pertencente aos Arquivos Secretos do

Vaticano, é reproduzida em Sale, 2007, pp. 345-46.

21. Curiosamente, em vez de comunicar a decisão direto a Sturzo, em

16 de setembro Gasparri escreveu para o irmão dele, um bispo na

Sicília, dizendo qual era “o desejo, não a ordem do Santo Padre” e

pedindo a ele que passasse a Dom Sturzo a decisão do papa.

Indignado, o irmão se recusou a fazer isso, deixando a cargo de

Gasparri encontrar outra maneira de passar a informação ao ex-chefe

do PPI.

22. Os arquivos da Secretaria de Estado do Vaticano guardam um

recibo escrito à mão em 17 de outubro, em que o advogado de Sturzo

acusa o recebimento das dez mil liras que o monsenhor Pizzardo lhe

dera para cobrir as despesas da viagem ao exterior feita por Sturzo.

Embora grato pelo montante, Sturzo achava que seria mais útil ter o

valor em libras. Uma segunda nota escrita à mão por Sturzo em 20 de

outubro informava a Pizzardo que, no dia seguinte, ele mandaria de

volta o mesmo valor enviado para trocar a moeda. ASV, AESI, pos.

617, fasc. 50, ff. 26r, 27r; Molony, 1977, p. 192.

23. Cannistraro e Sullivan, 1993, p. 296; Monelli, 1953, p. 109; De

Felice, 1966, p. 716.

24. Aqui tomei como ponto de partida as interpretações de Felice

(1966, p. 717; 1968, pp. 50-51).

 

CAPÍTULO 6: A DITADURA

1.Os números exatos de membros da milícia fascista, conhecida como

Milizia Volontaria per la Sicurezza Nazionale (Milícia Voluntária pela

Segurança Nacional, ou MVSN), não estão disponíveis, dadas as

diferenças entre aqueles que constituíam de fato a milícia e aqueles

alistados no papel. No entanto, ao que parece, havia bem mais de cem

mil membros efetivos, talvez duas ou três vezes esse número.

2. Milza, 2000, pp. 386-87.

3. Fornari, 1971, pp. 101-11.

4. O rascunho da carta de Tacchi Venturi para Mussolini, datado de

18 de setembro de 1925, é encontrado em uma série de documentos

que não estão em inventário nos arquivos da CC. Ele foi publicado

em Sale, 2007, pp. 364-65. Não encontrei o original ou qualquer

cópia dessa carta nos arquivos pessoais de Mussolini no Arquivo

Central do Estado, então, que eu saiba, não há provas do que foi

enviado. Franzinelli (1998, p. 45) relata a data do casamento. Milza

(2000, p. 401) conta sobre a falta de entusiasmo de Rachele Mussolini

ao ser tardiamente batizada. O relato sobre o casamento é de R.

Mussolini, 1974, pp. 123-24.

5. Seu discurso em 21 de junho de 1925 para o congresso nacional do

PNF foi típico: “Aqueles que têm a responsabilidade de liderar uma

revolução são como generais responsáveis por conduzir uma guerra”;

Discorsi di Benito Mussolini, “Discorso del 21 giugno 1925”,

http://www.dittatori.it/discorso21giugno1925.htm.

6. Citado em Baima Bollone, 2007, p. 28.

7. Ficou claro que o poderoso Duce não tinha intimidado Farinacci

pela réplica do ras no dia seguinte. “Esta manhã seu mensageiro me

trouxe um de seus costumeiros ‘furores epistolares’”, escreveu

Farinacci. “Eu cumpri meus compromissos feitos em Roma, e o

senhor me impressiona ao dizer que eu não mantive minhas promessas

(...) O julgamento se tornou político? Mas já se sabia disso há muito;

do contrário, eu não estaria em Chieti.”

8. Fornari, 1971, pp. 119-25, 135. Os arquivos do Departamento de

Estado dos Estados Unidos no Arquivo Nacional contêm diversos

documentos intrigantes de 1934 que oferecem um epílogo curioso

para o julgamento dos assassinos de Matteotti. Amerigo Dumini, o

cabeça do atentado, enviara um pacote lacrado para um advogado de

San Antonio dizendo que sua vida estava em perigo por conta de

certos inimigos. Entre eles, estava o principal, chamado Arturo

Bocchini, chefe nacional da polícia italiana. Dumini disse que a

habilidade de levar a conhecimento geral que os documentos no

pacote seriam abertos caso ele morresse poderia evitar que fosse

assassinado. O advogado, sem saber quem Dumini era, pediu a um

amigo, um senador do Texas, que descobrisse. Em resposta ao pedido

do senador, o cônsul americano em Florença enviou um relatório do

Departamento de Estado informando sobre o papel de Dumini no

assassinato de Matteotti. O Departamento de Estado considerou a

carta do cônsul um material muito sensível para repassá-la ao

advogado no Texas. Em vez disso, fez um resumo para o senador no

relatório e fez com que ele colocasse o advogado discretamente a par

da situação com a qual estava lidando. NARA, M1423, rolo 1, Arnold

Cozey, San Antonio, a Joseph Haven, cônsul americano em Florença,

1o de março de 1934; et seq.

9. Urso (2003, pp. 160-65) debate o papel de Sarfatti em introduzir o

tema da romanità e elaborar o culto ao Duce. O livro foi publicado pela

primeira vez fora da Itália no ano anterior, com um título diferente.

10. A pronúncia de Duce é “Du-tche”.

11. Citado em Falasca-Zamponi, 1997, pp. 64-65.

12. Citado em Baima Bollone, 2007, p. 78.

13. O. Russell, Annual Report 1925, 21 de abril de 1926, C

5004/5004/22, em Hachey, 1972, pp. 74, 77-78, seções 3, 14-18;

Chaline, 1996, p. 162; Agostino, 1991, pp. 44-45; Morgan, 1939, p.

205.

14. ACS, MI, DAGRA, b. 129, Vice Questore, Borgo, al Signor

Questore, 21 gennaio 1925; Venini, 2004, pp. 24-25.

15. “Você não é cristão por inteiro”, declarou o papa em 21 de abril,

no aniversário de Roma, “a menos que seja católico, e você não é

católico por inteiro a menos que seja romano.” Ver Baxa, 2006, p.

116.

16. Em meados do Ano Santo, receoso de que Pio XI estivesse sendo

infectado pelos milhares de peregrinos que tiveram o privilégio de

beijar sua mão, o cardeal Merry del Val supostamente propôs, e o papa

concordou, que o pontífice usasse luvas no futuro. A.C. Jacobson,

M.D., “To Guard the Hands that Pious Pilgrims Kiss”, WP, 15 de

novembro de 1925, p. SM8.

17. Os gendarmes papais consistiam em cem homens, sendo cinco

deles oficiais, que, junto com a Guarda Suíça, patrulhavam o Vaticano.

18. Bosworth, 2011, p. 180.

19. O padre Martina (1978, pp. 226-27), um dos principais

historiadores da Igreja, caracteriza a visão que o papa expressa em Quas

primas como anacrônica. Ver também Bouthillon, 1996; Verucci,

1988, pp. 35-37; Chiron, 2006, pp. 233-34.

20. Quas primas, tradução oficial para o inglês disponível em

http://www.vatican.va/holy_father/pius_xi/encyclicals/documents/h

f_p-xi_enc_11121925_quas-primas_en.html [não há tradução oficial

para o português]. A citação é do parágrafo 33. (Ao todo, são trinta e

quatro parágrafos.)

21. “Luteranos contra o decreto de festividade papal”, NYT, 21 de

março de 1926, p. 12.

22. Seldes (1934, p. 128) relata isso como um fato, embora

reconhecidamente tenha um tom apócrifo.

23. Beatrice Baskerville, “Como o papa passa suas vinte e quatro

horas”, BG, 1o de novembro de 1925, p. C5.

24. Esse episódio é relatado pelo “célebre informante do Vaticano”,

que acrescentou que o papa era um “egoísta insensível”. ACS,

MCPG, b. 155, 20 marzo 1926. Em contraste, o autor reporta em um

perfil de admirador no Boston Globe que “o prelado designado por

Bento XV acha Pio um tanto frio”. Baskerville, “Como o papa passa

suas 24 horas”, p. C5.

25. Esses relatos, escritos pelos informantes de Mussolini, são

encontrados no Arquivo Central do Estado em Roma. Os informantes

não tinham problemas em espalhar fofocas não confirmadas ou tentar

manchar a reputação daqueles de quem não gostavam. Mas, como

resultado da rede fascista de informantes que eles formavam, temos um

quadro de embates pelo poder, traições, conflitos de personalidade e

escândalos no Vaticano que é mais rico do que em qualquer outro

período da história. Entre as novas agências policiais que foram

acrescentadas, a mais temida era a Organização para Vigilância e

Repressão Antifascista (OVRA), uma espécie de elite da força de

espionagem política. Fiorentino, 1999; Canali, 2004a. Para mais

informações sobre medidas de repressão adotadas em 1925-26, ver,

entre outras diversas fontes, Milza, 2000, pp. 394-96; Gentile, 2002, p.

153-54; CC, 1926, IV, pp. 459-65, 560.

26. ACS, MCPG, b. 155, n.d. [1926]. O “célebre informante do

Vaticano” encheu seus relatórios com a narrativa das reclamações dos

prelados sobre a personalidade imperiosa do papa e o tratamento rude

que Pio dava a eles. Um relato típico é o de 28 de outubro de 1927:

“Um monsenhor que com frequência tinha a oportunidade de falar

com o papa me disse que, com o passar do tempo, o pontífice foi

ficando cada vez mais assustador e autoritário, e por isso sentiam medo

de falar com ele.” ACS, MCPG, b. 156.

27. Embaixador Eugène Beyens, 10 de fevereiro de 1925, citado em

Ruysschaert, 1996, pp. 252-53; Beyens, 1934, pp. 286-87.

28. Cesare Pasini, “Il bibliotecario con la pistola”, OR, 19-20

novembre 2007, p. 5.

29. De Felice, 1968, pp. 200-1; Cannistraro e Sullivan, 1993, pp. 326-

27. Gibson aparentemente pretendia matar o papa depois de atirar em

Mussolini.

30. Baima Bollone, 2007, p. 53.

31. “Mussolini si è salvato per un vero miracolo!” Il Regime fascista, 9

aprile 1926, p. 1.

32. Poucas horas depois do ataque, Tacchi Venturi estava no palácio

Chigi, levando a expressão de gratidão pessoal do papa. ARSI, TV, b.

7, fasc. 431, Tacchi Venturi ao monsenhor Pizzardo, 11 settembre

1926; De Felice, 1968, p. 202.

33. De Felice, 1968, pp. 204-8.

34. A mensagem foi entregue por meio de Tacchi Venturi. DDI, série

1, vol. 4, n. 473, Grandi, Roma, a Mussolini, a Forlì, 1 novembre

1926.

35. A censura tinha começado antes disso, mas muito menos

repressora. Em 15 de julho de 1923, a lei deu à polícia autoridade para

despedir editores de jornais e confiscar cópias de periódicos que

publicassem qualquer coisa que as autoridades julgassem injuriosa à

reputação da Itália ou ofensiva ao rei, ao papa ou à Igreja Católica.

Ver Talbot, 2007, p. 27.

36. La Civiltà Cattolica manifestou sua aprovação. O diário do Vaticano

noticiou, sem mais comentários, o discurso do ministro da Justiça para

o parlamento, inclusive suas palavras confirmando o apoio da Igreja

Católica à medida. CC, 1926, IV, pp. 459-62; Rogari, 1977, p. 174.

 

CAPÍTULO 7: ASSASSINOS, PEDERASTAS E ESPIÕES

 

1.Um dos pedidos mais notáveis veio em julho de 1928. Alcide De

Gasperi — que substituíra Dom Sturzo como chefe do PPI e se

tornaria o próximo primeiro-ministro italiano logo depois da Segunda

Guerra Mundial — foi detido em 1927 por tentar deixar o país sem

permissão. Liberado por anistia no ano seguinte, foi alertado a não sair

de Roma. Ansioso para se juntar à esposa e aos filhos no lar de sua

família no nordeste da Itália, preparou um apelo a Mussolini. Como

De Gasperi era um conhecido antifascista, seus amigos o convenceram

de que Mussolini rejeitaria seu pedido, a menos que ele conseguisse

que Tacchi Venturi o entregasse pessoalmente. Relutante, De Gasperi

pediu a ajuda do jesuíta, mas o emissário do papa se recusou a auxiliá-

lo. De Gasperi explicou em uma nota escrita à mão na margem de seu

apelo datilografado ao Duce: “Recusado pelo padre Tacchi por não

conter um agradecimento pela anistia e pela falta de palavras de

reverência!” Ver De Gasperi, 2004, p. 94.

2. ACS, MI, DAGR, b. 1320, informatore n. 204, Roma, 28 ottobre

1928.

3. Maryks, 2012, p. 308.

4. Junto da ameaça do que ele chamou de “desintegração interna”.

5. ARSI, TV, b. 7, fasc. 430a, sem data.

6. O livreto era de Filippo Maria Tinti, Sionismo e Cattolicismo (Bari,

1926). ASMAE, Gab., b. 32, Tacchi Venturi a Marchese Giacomo

Balucci, capo di gabinetto, 6 settembre 1926. Balucci respondeu que

Mussolini gostou de tê-lo recebido. ASMAE, Gab., b. 32. Tacchi

Venturi viu uma conexão entre o perigo que os judeus e seus vários

conspiradores apresentavam e a dificuldade que a Igreja estava tendo

em fazer cumprir as normas de moralidade. Em um memorando para

Gasparri em 1o de dezembro, ele recomendava maneiras de lidar com

o que chamava de ameaça representada pela campanha “antirreligiosa”

na Itália. Todo católico, disse ele a Gasparri, se regozijava ao ver o

governo fascista trabalhar mais arduamente em prol dos interesses da

Igreja Católica, unindo com mais firmeza Igreja e Estado. Mas os

esforços de Mussolini encontravam resistência nas províncias, onde

oficiais ignoravam com frequência suas ordens. No meio do caminho

do renascimento do sentimento religioso, alertou o jesuíta, estavam

“os judeus, os protestantes, os maçons e os bolcheviques, todos

constante e poderosamente aliados contra a religião, contra a Igreja e

contra o próprio governo nacional”. Aqui, mais uma vez, Tacchi

Venturi identifica que o alvo da conspiração não é apenas o Vaticano,

mas também Mussolini e o governo fascista. Consciente da

sensibilidade do Duce em relação ao poder britânico, ele acrescentou

que os judeus e seus aliados, em sua busca impiedosa por enfraquecer a

Igreja Católica, estavam trabalhando em prol da “hegemonia anglo-

saxônica”. Isso, avisou ele, “implementa um vasto plano de conquista

da Itália que hoje é religioso, mas amanhã será político”. ARSI, TV,

b. 8, fasc. 446, Tacchi Venturi a Gasparri, 1 dicembre 1926, lettera

con allegati.

7. O informante disse que não poderia garantir em primeira mão a

exatidão do verso, ou até mesmo se a história toda não fora inventada,

mas informou que ela estava se espalhando. Na verdade, outras versões

da história surgiram em outros lugares, cada uma com a letra do verso

ligeiramente diferente. ACS, MI, DAGRA, b. 1320, 1927.

8. “Agente jesuíta esfaqueado em questão do Vaticano”, NYT, 29 de

fevereiro de 1928.

9. “Conspiração anti-Mussolini considerada no esfaqueamento em

Roma”, WP, 1o de março de 1928, p. 3.

10. “O padre Tacchi Venturi”, lia-se em um relato de um informante

policial, “está convencido de que a agressão que sofreu está

Continuar: parte 2 de 7