O Papa e Mussolini

David I. Kertzer · Capítulo 2 de 38

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O Papa e Mussolini

Lista de publicações e organizações

 

Publicações

 

L’AVVENIRE D’ITALIA Fundado no fim do século XIX em Bolonha com a bênção do papa Leão XIII, L’Avvenire d’Italia foi o único jornal nacional verdadeiramente católico durante o fascismo.

 

LA CIVILTÀ CATTOLICA Editada por uma cooperativa de jesuítas italianos, a revista foi fundada em 1850 a pedido do papa Pio IX logo que o pontífice voltou ao poder em Roma após a revolução de 1848-1849. O diretor da publicação era designado pelo papa. Antes do lançamento de cada número — duas vezes por mês —, as provas eram revisadas e aprovadas pela Secretaria de Estado da Santa Sé. No mundo católico, a revista era lida como a expressão das opiniões do papa sobre as questões do momento.

 

L’OSSERVATORE ROMANO O jornal diário do Vaticano. Foi publicado pela primeira vez em 1861 como parte dos esforços para defender os territórios papais que haviam restado do recém-formado reino da Itália. Embora a publicação fosse supervisionada de perto pelo papa, o fato de L’Osservatore Romano não ser formalmente o órgão oficial do Vaticano funcionava como um artifício para negar suas afirmações. Depois que Mussolini consolidou sua ditadura, em meados dos anos 1920, o jornal passou a ser o único da Itália não sujeito à censura fascista. Apesar disso, quando artigos que Mussolini reprovava eram publicados, exemplares vendidos fora dos muros do Vaticano eram passíveis de confisco. L’Osservatore Romano cumpria a missão de jornal semioficial do Vaticano ao noticiar os mais notáveis encontros e comentários do papa e divulgar as atividades da Igreja no mundo inteiro. Já a revista La Civiltà Cattolica combinava análises bem mais extensas das questões políticas com resenhas regulares de livros e um resumo dos principais acontecimentos italianos e internacionais de interesse da Igreja.

 

IL POPOLO D’ITALIA Benito Mussolini fundou o jornal diário em Milão logo após ser expulso do Partido Socialista, em 1914. Cinco anos depois, ele usaria Il Popolo d’Italia como veículo para lançar o movimento fascista. Quando se tornou primeiro-ministro, em 1922, Mussolini passou a direção editorial para o irmão Arnaldo. Em 1931, com a morte de Arnaldo, seu filho, Vito, tornou-se editor.

 

Organizações

 

AÇÃO CATÓLICA Criada por Pio X em 1905 como uma estrutura para organizar o laicismo católico, nos anos 1920 a organização tinha grupos separados na Itália para homens e mulheres, meninos e meninas e estudantes universitários. Com um diretor laico nacional designado pelo papa e um supervisor eclesiástico no Vaticano, a Ação Católica italiana era organizada tanto no nível das dioceses quanto no das paróquias. Mussolini via a organização com desconfiança, pois ela era o único grupo de filiação em massa no país que não estava sob seu controle. Pio XI, conhecido como o “papa da Ação Católica”, considerava-a essencial para seus esforços de cristianização da sociedade italiana.

 

PARTIDO FASCISTA Fundado em 1921, o Partito Nazionale Fascista (PNF) foi idealizado por Benito Mussolini. Quando transformou o que tinha sido um movimento político informal e uma coleção de bandos violentos em partido político, Mussolini abandonou as raízes anticlericais e antimonárquicas do movimento fascista inicial e deu uma clara guinada para a direita. Durante os primeiros anos no poder, ele lutaria para impor disciplina aos chefes fascistas locais. Em 1928, o PNF tornou-se o único partido político legal da Itália.

 

SANTO OFÍCIO Também conhecido como Inquisição Romana, teve sua origem em 1542, como a Congregação da Sacra, Romana e Universal Inquisição, fundada pelo papa Paulo III e destinada inicialmente a combater a Reforma Protestante. Em 1908, mudou de nome para Santo Ofício (Sant’Uffizio). Encabeçado pelo papa, consistia de um grupo de cardeais auxiliados por uma miscelânea de prelados. Seu secretário, um cardeal, tinha encontros regulares com o papa para discutir os casos que lhe eram apresentados. A missão do Santo Ofício era impor a ortodoxia doutrinária e erradicar a heresia.

 

OPERA NAZIONALE BALILLA A ONB, ou Organização Nacional da Juventude, foi fundada em 1926 para integrar os jovens da Itália nos termos da nova ideologia fascista. Era dividida em dois grupos etários, separados por sexo. Os meninos mais novos (8-13 anos) eram conhecidos como Balilla e os mais velhos (14-18), como Avanguardisti. Os respectivos grupos femininos eram chamados de Pequenas Italianas e Jovens Italianas. Os grupos da juventude fascista ameaçavam enfraquecer as organizações da juventude católica e, depois da criação da ONB, o governo dispersou os Escoteiros Católicos. Entretanto, foi estabelecida uma vasta rede de padres para que todos os grupos locais da juventude fascista tivessem um capelão católico, de modo a serem guiados rumo à adoração religiosa enquanto eram submetidos à doutrinação fascista e ao treinamento paramilitar.

 

PARTIDO POPULAR O Partito Popolare Italiano (PPI) foi fundado em 1919 pelo padre siciliano Luigi Sturzo, com a aprovação do papa Bento XV, como um partido político católico. Nas eleições parlamentares de 1921, o PPI elegeu mais de vinte por cento dos deputados. Era um dos principais obstáculos à imposição de uma ditadura fascista, mas ficou enfraquecido quando Pio XI deixou claro que apoiaria Mussolini. Foi disperso em novembro de 1926, embora Mussolini nunca deixasse de suspeitar que elementos do PPI estivessem tentando se reorganizar secretamente na Ação Católica.

 

PARTIDO SOCIALISTA Fundado em 1892, o Partido Socialista italiano viria a dominar a esquerda na Itália, com mais força no norte e no centro do país. Formada por uma ala reformista e outra que defendia a revolução — Benito Mussolini foi um dos líderes desta última —, a organização se dividiu em 1912, quando houve um expurgo dos reformistas. O partido teve seu ponto alto nas eleições parlamentares de 1919, obtendo quase um terço dos votos e conquistando o controle de muitas cidades, tanto grandes quanto pequenas. Em 1921, uma facção dissidente saiu e formou o Partido Comunista. No ano seguinte, o partido sofreu outro racha, quando a ala reformista formou o Partido Socialista Unido. Em 1924, seu líder, Giacomo Matteotti, foi assassinado por rufiões fascistas liderados por um ítalo-americano. Em 1926, Mussolini baniu o Partido Socialista e seus diversos rebentos.