O Primeiro Homem na Lua
Capítulo 10: A maior decisão
CAPÍTULO 10
A maior decisão
Armstrong nunca relacionou a resolução de se tornar astronauta
à morte da filha: “Foi uma decisão difícil deixar o que eu estava
fazendo e adorando para ir a Houston. Mas em 1962 o Programa
Mercury estava em andamento, os projetos futuros eram bem
planejados e a missão lunar se tornaria uma realidade. Concluí
que, se quisesse sair dos limites da atmosfera e trabalhar no
espaço, esse era o caminho a seguir.”
Em 4 de outubro de 1957, a União Soviética tinha posto em
órbita o primeiro satélite artificial do mundo, o Sputnik 1. Essa
fantástica conquista tecnológica trouxe um novo senso de
urgência à comunidade aeroespacial americana, dando ensejo à
abolição formal da NACA e o aperfeiçoamento de suas funções
pela NASA. A prioridade da NASA era levar um homem ao
espaço por meio de um programa conhecido como Mercury. De
todos os pilotos que estiveram entre os primeiros astronautas —
Gordon Cooper, Gus Grissom e Deke Slayton, da Força Aérea;
Scott Carpenter, Wally Schirra e Alan Shepard, da Marinha; e
John Glenn, dos fuzileiros navais —, o único que Neil conhecia
bem era Schirra, com quem tinha trabalhado na primeira
avaliação feita pela Marinha do McDonnell XF-4H, que mais tarde
se tornaria o F-4. Mesmo depois dos primeiros voos suborbitais
da Mercury em 1961, Armstrong achava que “estamos muito
mais envolvidos com a pesquisa de voos espaciais do que o
pessoal do Programa Mercury”.
“Sempre achei que os riscos no lado espacial do projeto talvez
fossem menores do que os que corríamos nos voos em Edwards
ou na comunidade de voos de testes em geral. A razão disso é
que explorávamos os limites, estávamos o tempo todo em situações extremas de voo. Isso não quer dizer que esperávamos
que o programa espacial fosse isento de riscos. Mas nos
sentíamos mais à vontade por ter muito mais assistência técnica
e não chegar tão perto dos limites como nos velhos tempos dos
voos de teste.”
O índice de fatalidades muito maior no mundo dos voos de
testes justificava a comparação de Armstrong. Nem um só
astronauta americano foi perdido em voos espaciais reais até a
explosão que matou os sete membros da tripulação do ônibus
espacial Challenger em 1986. Em contrapartida, só em 1948,
treze pilotos de teste de Edwards morreram. Em 1952, 62 pilotos
morreram em um intervalo de 36 semanas. Armstrong bem
poderia ter preferido ficar no mundo desafiador dos voos de
testes. Sua última operação no X-15 foi em 26 de julho de 1962,
mas ainda seriam feitos 135 voos no X-15 nos seis anos
seguintes até o fim do projeto, em outubro de 1968. Em
novembro de 1960, a NASA o nomeou membro do “grupo de
consultoria de pilotos”. Embora a Força Aérea tivesse
posteriormente complicado o programa Dyna-Soar na tentativa
de torná-lo operacional, seu objetivo original era a pesquisa. O
intuito era demonstrar a viabilidade da reentrada na atmosfera
controlada por sustentação, uma técnica que criava sustentação
aerodinâmica suficiente para dar a um veículo transatmosférico
autonomia de deslocamento para alcançar a pista de pouso,
como faria mais tarde o ônibus espacial. A reentrada por
sustentação proporcionava uma flexibilidade impossível para
cápsulas balísticas não aerodinâmicas. Por ter levado a
tecnologia tão longe e a tantas áreas, o Dyna-Soar serviu de
referência para uma ampla variedade de projetos de pesquisa e
desenvolvimento aeroespaciais voltados para o futuro.
Ainda que os engenheiros da NASA em Dryden tenham
considerado a possibilidade de lançar o X-20 do ar, tendo um B-
52 ou B-70 como nave-mãe, a NASA e a Força Aérea decidiram
colocá-lo em órbita por meio de um Titan III. Isso levantou o
problema de como resgatar o X-20 e sua tripulação em caso de
emergência, como um incêndio ou uma falha na propulsão,
ocorrido na plataforma de lançamento. (Um cenário de pesadelo como esse esteve a ponto de ocorrer no Programa Gemini,
quando, em dezembro de 1965, Wally Schirra, na Gemini VI-A,
esteve tremendamente perto de puxar a alça de ejeção do
assento que estava entre suas pernas e despachar a si mesmo e
a seu companheiro de voo, o astronauta Tom Stafford, para fora
do Titan.) Como o Dyna-Soar era um veículo com asas capaz de
voar, um piloto que estivesse dentro do X-20, depois de se livrar
de seu propulsor Titan, talvez pudesse descer com segurança
até uma pista de pouso.
Armstrong criou um jeito de testar o conceito de resgate. O
pequeno foguete de escape concebido para o Dyna-Soar lançava
o X-20 a milhares de metros de altitude, e ocorreu a Armstrong
que “talvez pudéssemos copiá-lo. Então comecei a pensar em
como seria possível e tentei uma aeronave para isso”.
O F5D Skylancer era um caça experimental fabricado pela
Douglas que a Marinha desistira de produzir. Foram construídas
apenas quatro unidades, e dois dos protótipos foram dados à
NASA no fim de 1960. Armstrong pilotou um F5D em 26 de
setembro de 1960, durante uma visita à NASA em Ames. Ele
percebeu de imediato que o F5D serviria à perfeição para o
estudo de procedimentos abortivos, porque o perfil de sua asa
combinava bem com a asa em delta e mais fina do X-20.
Armstrong sabia que precisava de um avião como o F5D, cujo
trem de pouso podia ser totalmente baixado em segurança e em
alta velocidade, mais de trezentos nós (555 quilômetros por
hora). Ele então começou testes de voo com o F5D em julho de
1961, pouco depois que a doença de Karen foi diagnosticada.
Enquanto ele e Janet enfrentavam a que seria a primeira rodada
de radioterapia da menina, Neil ocupava a cabeça pensando em
que tipo de separação da trajetória de voo e que tipo de
aproximação seriam melhores para descer em segurança com o
X-20. Entre 7 de julho e 1o de novembro de 1961, Armstrong fez
nada menos que dez voos de teste no F5D. No começo de
outubro, já tinha aperfeiçoado uma manobra abortiva eficiente.
Neil simulou o ato de ser disparado pelo foguete de escape em
uma subida vertical a dois mil metros. Nesse ponto, ele puxou a
manche até que o X-20 ficasse no dorso. Rolando a aeronave até que saísse do dorso, ele deu início à lenta aproximação em L/D.
O pouso se deu em uma área especialmente demarcada no
Rogers Dry Lake, em uma faixa que simulava a pista de três mil
metros do Cabo Canaveral.
Ainda no verão de 1961, a NASA instalou uma câmera
Cinerama no nariz do F5D para filmar o procedimento. Em 3 de
outubro, Armstrong demonstrou o resgate do Dyna-Soar durante
uma visita especial do vice-presidente Lyndon B. Johnson a
Edwards. Muitos desses voos ocorreram durante os tempos
difíceis após o diagnóstico do tumor de Karen.
Seis semanas depois da morte da menina, em 15 de março de
1962, a Força Aérea e a NASA, em conjunto, selecionaram
Armstrong para ser um dos seis “pilotos-engenheiros” do Dyna-
Soar. O único piloto da NASA nomeado além dele foi Milt
Thompson, de forma que a escolha foi uma honra e tanto. Os
outros quatro pilotos foram designados pela Força Aérea. Aos 31
anos, Armstrong era o mais jovem do grupo. Se de fato fosse
construída uma pequena frota de X-20s, os integrantes do
sexteto seriam os mais cotados para pilotá-los caso as
aeronaves entrassem em linha, o que estava programado para
1964.
Olhando para seu futuro profissional após a morte da filha,
Armstrong vislumbrava três possibilidades: “Poderia continuar
pilotando o X-15. Estava também trabalhando no Dyna-Soar. O
projeto da aeronave ainda estava no papel, mas era uma
possibilidade. E depois havia o outro projeto em Houston, o
Apollo (…) O Apollo era tão mais atrativo que decidi desistir das
outras duas possibilidades e escolher esse caminho, mesmo
sabendo que ele talvez nunca se tornasse realidade.”
Armstrong reconheceu que a atração cada vez maior exercida
pelo Programa Mercury pode ter tido alguma coisa a ver com
essa decisão. Em 20 de fevereiro de 1962, três semanas depois
do funeral de Karen, o astronauta da Mercury John H. Glenn
chegou à órbita da Terra três vezes na Friendship 7. Nenhuma
celebração, desde a que se fez em 1927 para Charles A.
Lindbergh, herói de Armstrong, equiparou-se aos festejos
nacionais em honra de Glenn. Se houve algum dia uma ocasião que induzisse um piloto a sair de sua aeronave e subir para uma
espaçonave, foi aquela. “O astronauta Glenn” saiu inúmeras
vezes na primeira página dos jornais e na capa de revistas entre
o inverno e a primavera de 1962, inclusive na Life. Armstrong
pensou cerca de cinco meses a respeito da decisão de se
inscrever para a seleção de astronautas. Enquanto isso,
continuava de luto pela filha — e continuava a voar.
Ele afirmou que o ocorrido com Karen não influenciou seu
trabalho em Edwards, mas, nos meses seguintes à morte dela,
teve alguns incidentes de voo. Durante a doença de Karen,
Armstrong pilotou duas vezes o avião-foguete X-15, o terceiro e o
quarto de um total de sete voos. Ambos transcorreram sem
contratempos, pelo menos no que se refere ao desempenho do
piloto.
A preparação para um voo do X-15 exige participação intensa
de todos os envolvidos, mas ninguém sente tanto a pressão
quanto o piloto. Além disso, o voo do X-15 com Armstrong no
comando seria o primeiro da aeronave número três. O X-15-3 —
ou, mais precisamente, o novo motor a foguete do avião, o
potente XLR-99 — tinha uma história marcada por percalços, até
mesmo uma explosão na plataforma de testes em junho de 1960.
A investigação determinou que um regulador congelado, uma
válvula de alívio defeituosa e uma rápida formação de
contrapressão fizeram com que a estrutura central do tanque de
amônia do X-15 atingisse até destruir a esfera de peróxido de
hidrogênio do sistema de controle. Enquanto os sistemas de
pressurização e de vazão de pressão não fossem
minuciosamente analisados, projetados de novo e testados,
nenhum outro piloto subiu à cabine de comando do X-15.
Quando Armstrong entrou no avião, o primeiro voo do X-15-3
tinha sido atrasado em dezesseis meses, a um custo de 4
milhões de dólares.
Depois de uma nova bateria de testes no motor em terra, Neil
tinha motivos de sobra para crer que os problemas do X-15-3
tinham sido resolvidos.
Reconstruir a aeronave deu à North American a oportunidade
de atualizar o equipamento de pesquisa do novo X-15 e dotá-lo com a “caixa preta” MH-96 que Armstrong tinha ajudado
Minneapolis-Honeywell a desenvolver. Testar no ar o inovador
sistema de controle adaptativo se tornou o principal objetivo do
voo de Neil em dezembro de 1961.
O voo tinha sido marcado para 19 de dezembro, mas foi
adiado para o dia seguinte porque os instrumentos instalados no
nariz arredondado do X-15 não estavam sendo lidos
corretamente. Ainda assim, o voo não esteve livre de problemas.
Assim que o X-15 foi lançado de um B-52 sobre Silver Lake, os
três eixos do novo sistema de controle de estabilidade MH-96
desengataram e “ocorreu uma grave rolagem para a direita, com
as consequentes guinada e arfagem”.
Armstrong lembra que o problema não o preocupou muito:
“Um dos aspectos do MH-96 era a confiabilidade. Era um sistema
projetado para funcionar 76 mil horas sem falhas. Era um voo a
média velocidade”, explicou Neil. “No entanto, acho que foi meu
voo mais rápido até então”, a uma velocidade Mach 3,76, ou
5.900 quilômetros por hora.
Armstrong pousou suavemente o X-15-3 sobre o Rogers Dry
Lake depois de menos de dez minutos e meio de voo, tendo
percorrido uma distância de 243 quilômetros. A maior altitude que
alcançou foi de 24.700 metros. Seu voo seguinte com o X-15 foi
em 17 de janeiro de 1962, onze dias antes da morte de Karen. O
objetivo do voo era mais uma vez avaliar o sistema MH-96. Foi a
primeira vez que Armstrong ultrapassou a velocidade Mach 5 e
chegou a mais de trinta mil metros de altitude. Na verdade, suas
marcas foram Mach 5,51 e 40.700 metros. Lançado por um B-52,
o X-15-3 percorreu uma distância de 360 quilômetros em pouco
menos de onze minutos antes de pousar em segurança.
Depois do voo com o X-15 em 17 de janeiro, Armstrong só
voltaria a pilotar um avião em 6 de fevereiro, uma semana após o
enterro de Karen. Foi um F5D que sobrevoou Edwards para uma
aproximação com baixa razão de planeio. Durante todo o mês de
fevereiro, Neil voou apenas mais três vezes, nos dias 12, 13 e
16. Trabalhou no Dyna-Soar em Seattle de 26 de fevereiro a 20
de março.
Assim que retornou ao trabalho em Edwards, na segunda-
feira, dia 23 de março, Armstrong começou a se preparar para
seu próximo voo no X-15. Grande parte de seus voos consistiram
em pousos de “toque e arremetida” em um F-104,
complementares à prática de pouso no X-15. Por causa de
diversos problemas com os aviões, Neil só realizou o voo em 5
de abril. Nesse dia, quando ele estava sendo lançado, acima do
Death Valley, o motor a foguete não ligou. Em um X-15, só havia
tempo para mais uma tentativa de ligar o motor. O resto do tempo
até o ponto de toque seria usado para alijar o propelente. Se
tentassem um religamento, o X-15 ainda teria propelente nos
tanques ao pousar, o que, nas palavras de Armstrong, “não era o
desejável”. Ele lembra que “com certeza parecia ter transcorrido
um longo tempo até o motor ‘pegar’ na segunda tentativa”.
Acelerando à velocidade Mach 4,12, Neil subiu com estrondo
a 55 mil metros. Foi a primeira vez que ele chegou a uma altitude
suficiente para fazer funcionar plenamente os sistemas de
controle de reação do MH-96. O voo de teste cobriu 292
quilômetros em pouco mais de onze minutos. O avião ainda não
tinha voado até o ponto necessário para se testar o sistema de
limite do MH-96, ou “limitador g”, parcialmente projetado por
Armstrong, que evitava que o piloto excedesse 5 g, “e me senti
na obrigação de testar cada componente e cada aspecto do MH-
96”.
Foi esse propósito que levou Armstrong a cometer o que
alguns chegaram a considerar o maior erro do piloto no programa
X-15.
O voo 3-4-8 ocorreu em 20 de abril. Armstrong lembrou: “Foi a
maior altitude a que eu tinha chegado” — 63.200 metros, recorde
que manteve até a Gemini VIII. “As perspectivas eram
espetaculares. O sistema funcionou muito bem lá em cima. Os
sistemas de controle de reação trabalhavam de modo satisfatório
‘no teto’. Mantinha-se uma boa referência de atitude. Tudo ia
bem. Eu estava muito além da atmosfera, de modo que voava
completamente em controle de reação. Os controles
aerodinâmicos eram totalmente inoperantes, como se voássemos
no vácuo.” Ao descer da altitude máxima, o plano de voo previa checar o limitador g. “Achei que estava com g bastante elevado,
mas a coisa não funcionava. Era minha função verificar aquele
sistema”, explicou.
Armstrong ergueu um pouquinho o nariz do X-15, o que o fez
subir a uma altitude adequada — cerca de 42 mil metros — na
qual “a aeronave retomou o ângulo de rolagem quase sem
desvios. A um ângulo de ataque de quinze ou dezesseis graus e
quatro g, preferi deixar o ângulo de ataque como estava,
esperando que pudesse ver o limitador g em ação. Tínhamos
visto o limitador g no simulador em níveis de aproximadamente
quatro g, então o deixei nesse nível por um bom tempo,
esperando que o limitador se manifestasse. Nada aconteceu, e
pelo visto foi por isso que entramos em situação balonar.”
Pelo rádio, “NASA 1” disse a Neil com firmeza: “Vemos você
ascendendo, não virando. Vire bem para a esquerda, Neil!” “Mas
é óbvio que estou tentando virar”, explicou Neil, “só que nada
acontece. Simplesmente estou em trajetória balística e entrei em
um ângulo de inclinação bem vertical tentando descer para a
atmosfera. Mas a aerodinâmica não está funcionando. O avião
vai chegar aonde tem que chegar, está em trajetória balística. Fiz
a rolagem e tentei cair até a atmosfera, mas o avião não desceu
porque não houve ar. Eu não tinha motivos para desconfiar que a
balonagem fosse causar problemas, porque já tinha lidado com
ela muitas vezes no simulador e nunca, nunca tive um problema
como aquele.”
O X-15 por fim caiu para a atmosfera, onde Armstrong pôde
começar a fazer a volta. Mas naquele momento, lembrou Neil, o
avião tinha “velejado alegremente pelo campo” — a uma
velocidade Mach 3! Neil fez a rolagem, inclinou a aeronave,
acertou o ângulo de ataque e começou a voltar no sentido
nordeste em direção a Edwards, achando que estava se
aproximando de Pasadena. O folclore de Edwards conta que ele
foi tão ao sul que chegou a sobrevoar o estádio Rose Bowl, mas
Neil estava a oitenta quilômetros ao sul de Edwards e ainda
acima de trinta mil metros. A visibilidade de cima para baixo era
muito reduzida, então ele não sabia quão ao sul estava, mas de
modo algum chegou perto do Rose Bowl.
“Quando fiz a volta, ainda não estava claro se conseguiria
voltar a Edwards. Não fiquei tão preocupado porque havia a
disponibilidade de pousar em outros leitos de lagos secos. Minha
opção mais fácil seria pousar em um lago seco chamado El
Mirage, ao qual eu poderia chegar sem dificuldades. A única
alternativa a isso, no momento, teria sido o aeroporto municipal
de Palmdale, mas eu não queria entrar em seu circuito de
tráfego.” Então Armstrong decidiu tentar Edwards: “Depois que
entrei na (…) rota norte para Edwards, vi claramente que daria
para chegar lá. Ia ter que fazer um pouso direto.”
O voo de Armstrong no X-15 em 20 de abril de 1962 bateu o
recorde de duração (doze minutos, 28 segundos e sete
centésimos) e distância (562 quilômetros de rota no solo). Em
Edwards, diziam que Neil desceu direto em meio às árvores-de-
josué para fazer o pouso na extremidade sul do Rogers Dry Lake;
na verdade, a piada era que as árvores-de-josué estavam
passando por cima de Neil. Bruce Peterson, também piloto de
testes da NASA, esperava, no outro lado do leito seco, para
enviar sinais luminosos. “Esperava-se que Neil pousasse na pista
18, no norte do leito”, conta Peterson. “Então ouvi pelo rádio que
ele estava indo para o sul. Peguei meu veículo e devo ter corrido
a 160 quilômetros por hora na tentativa de descer o lago até a
extremidade sul e lançar alguns sinais luminosos. Vi que ele
estava chegando, e bem perto do limite do lago.”
Gente que nem sequer estava em Edwards em 20 de abril
acabou acreditando que Armstrong conseguiu voltar por um fio.
Bill Dana, piloto da NASA que voaria dezesseis vezes no X-15,
tinha levado naquele dia um F-104 a Albuquerque, estado do
Novo México, “mas claro que eu fiquei sabendo quando
cheguei!”. Pete Knight, piloto da Força Aérea, também não viu
nada, mas “ouvi falar quando outros pilotos começaram a
sacanear Neil por seu ‘recorde de voo transdistrital’. Na época,
achamos engraçado ser arrastado para cima e chegar ao ar
rarefeito de onde não se consegue voltar. Não foi lá muito
brilhante”. O major Bob White, que estava em busca de
Armstrong em um F-100, admitiu que havia “zombado um pouco
daquilo” e “nunca discuti o erro de cálculo com Neil porque teria sido um pouco constrangedor”. Quando o relatório do voo chegou
a Washington, o que Neil tinha feito foi considerado uma “grande
mancada” pelos oficiais da NASA que leram o documento, entre
os quais Brainerd Holmes, diretor do Escritório de Voo Espacial
Tripulado. “Só achei que isso aconteceu porque Holmes na
verdade não entendeu”, disse Neil. “Ele não tinha qualquer
conhecimento técnico do problema em discussão.”
Mais tarde, Armstrong explicaria: “Teria sido um bom conselho
para mim mesmo: ‘Bem, se o limitador g não funciona, não vou
forçá-lo. Vou deixar isso para o próximo voo e tentar de novo.’”
Como era típico dele, Armstrong viu sua infausta “passada de
ponto até Pasadena” como “um aprendizado”.
* * *
Apenas quatro dias depois do problema com o X-15, Armstrong
envolveu-se em um segundo incidente, o que indica que a morte
de Karen pode ter afetado temporariamente seu desempenho no
trabalho. Foi em 24 de abril, quando Armstrong e Chuck Yeager
fizeram o único voo conjunto da vida deles.
O plano de voo do X-15 precisava contemplar pontos para
pouso de emergência ao longo de toda a sua trajetória. Um
desses pontos mais remotos era o Smith Ranch Dry Lake, 610
quilômetros ao norte de Edwards.
As condições de uma pista situada no leito de um lago seco
precisam ser verificadas com rigor, sobretudo durante a estação
mais úmida. Os inspetores percorrem o leito, deixando cair bolas
de chumbo de quinze centímetros de diâmetro de uma altura de
um metro e meio. Ao medirem o diâmetro das depressões
causadas pelas bolas e compararem essas medidas a outras,
tomadas em um leito seco firme e em condições de uso, os
inspetores determinam se o chão vai suportar as quinze
toneladas do X-15.
O inverno de 1962 tinha sido especialmente úmido na região
do deserto ocidental. Muitas estradas que levavam a Edwards
precisaram ser fechadas, e pouquíssimos voos foram realizados.
Na segunda-feira, dia 23 de abril, Joe Walker, da NASA, levou
um F-104 para Smith Ranch Dry Lake a fim de verificar se estava
em condições de ser usado em uma eventual emergência do X-
15-1, que Walker deveria pilotar saindo de Mud Lake. O R4D
Gooneybird da NASA, pilotado por Jack McKay e Bruce
Peterson, informou naquele dia que Smith Ranch deveria estar
seco o bastante para receber um pouso.
Paul Bikle, chefe do FRC, queria ter certeza absoluta das
condições de Smith Ranch Dry Lake para o voo de Walker. No
dia 24, depois que o voo do X-15-2 de White foi cancelado por
causa do tempo nublado, Bikle ligou para o coronel Chuck
Yeager, o novo comandante da Escola de Pilotos de Pesquisa
Aeroespacial de Edwards — que por acaso tinha sido copiloto no
lançamento do B-52 naquela manhã. Segundo Yeager, ele disse
a Bikle que o leito do lago estava úmido demais, mas que ele
tentaria um pouso se Armstrong se dispusesse a pilotar e desde
que ele não fosse responsabilizado pelo que acontecesse.
Armstrong se sentou na frente do T-33 e Yeager atrás. Naquela
tarde ensolarada e quente, ambos usavam apenas traje de voo e
luvas.
“Fomos para lá e olhamos tudo”, recordou Armstrong, “e nos
pareceu que o lado oeste estava úmido, mas o outro estava bem
seco. Então falei para Chuck: ‘Vamos fazer um toque e
arremetida para ver como vai ser.’” O toque e arremetida
ocorreram sem problemas. Neil pousou, fez as rodas
percorrerem a superfície, aumentou a potência e decolou. O
problema ocorreu depois, quando Yeager lhe disse: “Vamos
voltar e tentar de novo, reduzindo um pouco mais a velocidade.”
“Tudo bem, vamos fazer isso”, respondeu Neil. “Então
pousamos pela segunda vez, reduzimos a potência e a
velocidade, e comecei a sentir que o piso sob as rodas estava
amolecendo. Acionei o manete de potência, o terreno amoleceu
mais, e o acionei outra vez. Por fim, ficamos totalmente parados,
o manete acionado a toda, e começamos a afundar.” Armstrong
continuou: “Chuck começou a dar risadinhas. Aos poucos, estava
às gargalhadas. Quando paramos por completo, ele não se
aguentava de tanto rir.”
Armstrong e Yeager saíram do T-33, e um caminhão da Força
Aérea foi até eles imediatamente. “O motorista saiu com uma
corrente na mão”, relembrava Armstrong. “A corrente foi
amarrada no trem de pouso dianteiro, levada até o caminhão, e
tentamos sem sucesso tirar o avião da lama. Não conseguíamos
fazer aquilo, então ficamos ali sentados na asa.” Com uma
filmadora precária, Neil fez um filme em oito milímetros do avião
encalhado. O incidente ocorreu por volta das três e meia da
tarde. Quando o sol começou a se pôr atrás das montanhas, a
temperatura baixou rapidamente. Para homens que estavam
usando apenas trajes leves de voo, aquilo virou um gelo de uma
hora para outra. “Alguma ideia?”, Yeager perguntou a Armstrong,
que balançou a cabeça desanimado. Em algum momento depois
das quatro, eles ouviram o ruído do Gooneybird da NASA se
aproximando. Como Edwards não tinha notícias do T-33, a NASA
instruiu McKay e Dana pelo rádio a sobrevoar Smith Ranch e dar
uma olhada. Bill Dana se lembra da gozação que Yeager fez de
Neil e que Neil “não entrou na onda”. Ficou claro para Dana e
McKay, como certamente para Armstrong, que “Yeager estava se
divertindo com o constrangimento de Neil”.
Em entrevistas e em sua autobiografia, Yeager manifestava
desaprovação em relação a Armstrong, o que culminou na
seguinte fala: “Neil Armstrong pode ter sido o primeiro homem na
Lua, mas seria o último cara em Edwards a acatar conselhos de
um piloto militar.” Ao saber disso, Neil respondeu secamente:
“Naquela ocasião, em Smith Ranch, a única coisa que eu fiz foi
acatar o conselho dele!”
De volta à Estação de Voos de Alta Velocidade, Armstrong
parecia estar passando por uma fase de má sorte. Na segunda-
feira, dia 21 de maio, ele voltou ao trabalho depois das férias em
família em Ohio.
Joe Vensel disse a Armstrong que subisse para inspecionar o
Delamar Lake, a cerca de 145 quilômetros ao norte de Las
Vegas. Depois de um voo de meia hora em um F-104, Neil
empreendeu uma aproximação que lhe permitiria praticar seus
pousos com motor desligado. “Só fiz o que sempre fazíamos”,
recordou ele. “Realizamos o arredondamento e descemos bem na vertical, como fazíamos com o X-15, simulando baixar o trem
de pouso no meio do arredondamento, chegando ao ponto de
toque, depois aumentando a potência e decolando. Na ocasião,
eu estava fazendo isso, mas o sol de frente atrapalhou minha
visão das balizas.”
Poucos leitos de lago seco de tamanho médio contavam com
faixas pintadas e outras marcações, como acontecia com as
pistas regulares dos grandes lagos de pouso perto de Edwards.
De leito para leito, a textura da superfície podia variar
acentuadamente, bem como as fissuras na crosta de argila. Todo
piloto de deserto experiente sabia que pousar em um lago seco
era como tentar avaliar a altura acima da água vítrea. Dois
fatores contribuíram para o “acidente”. Armstrong não avaliou sua
altura com exatidão; e não percebeu que, ao baixar o trem de
pouso durante o arredondamento, o dispositivo não saiu por
completo e travou, fazendo com que a fuselagem “beijasse” o
leito do lago. “Então perdi pressão hidráulica”, explicou
Armstrong. “Eu queria deixar o trem de pouso abaixado e, de
qualquer forma, não ia conseguir recolhê-lo. Com o combustível
que tinha, não dava para voltar a Edwards. Decidi ir à Base
Aérea Nellis, nos arredores de Las Vegas, que ficava bem mais
perto.”
Sem a antena do rádio, Armstrong não conseguia se
comunicar: “Então tive que fazer uma aproximação sem rádio, na
qual o piloto sobrevoa o campo de pouso e balança as asas.
Espera-se que o pessoal da torre de controle veja o que você
está fazendo e entenda que se trata de uma aproximação sem
rádio.”
O que Armstrong não sabia era que a perda de pressão
hidráulica tinha provocado a liberação de seu gancho de parada.
Se soubesse que o dispositivo tinha baixado, seu pouso na Base
Aérea Nellis teria sido concluído sem problemas, afinal, ele era
um aviador naval com muita experiência no uso do gancho de
parada em seus pousos. O mecanismo de desaceleração da
Nellis consistia em um cabo de aço ligado a uma longa corrente
de âncora de navio cujos elos pesavam uns quinze quilos.
“Houve um solavanco quando enganchei”, contou Armstrong,
“o que foi completamente inesperado, já que nem pensei que o
gancho podia estar abaixado porque não conseguia ver qual era
exatamente a minha situação.” Pela pista, ao longo de centenas
de metros, elos pesadíssimos que de alguma forma se soltaram
da corrente corriam como folhas secas ao vento, em pleno
deserto. O F-104 parou de maneira repentina.
Foram necessários trinta minutos para que a Força Aérea
desobstruísse a pista e bem mais tempo para improvisar um
cabo de desaceleração substituto. Levado ao edifício onde
estava o oficial de operações da base, Armstrong lhe mostrou o
trem de pouso, explicou o que tinha acontecido e reuniu forças
para ligar para a NASA e relatar o acidente. A essa altura, todos
na NASA já temiam o pior, pois a torre de controle de Edwards
não tinha informações. Poucos minutos depois, ela informava
que Neil tivera um problema mas pousara em segurança em
Nellis. Milt Thompson, piloto de testes da NASA, foi buscá-lo na
única aeronave de dois lugares disponível, um F-104B. Mas um
forte vento cruzado pegou o avião, obrigando Thompson a um
pouso tão brusco que o pneu principal da esquerda estourou. Um
carro de bombeiros e um veículo da base correram para onde
pousara o avião danificado de Thompson, enquanto ele
estacionava diante da pista de taxiamento central. A única
pessoa que se sentia pior que Thompson era Armstrong, ao ver o
oficial de operações fechar a pista pela segunda vez naquela
tarde.
A NASA tinha agora dois pilotos em apuros. Não havia
escolha, era preciso mandar um terceiro avião a Nellis.
Infelizmente, o único disponível era um T-33, outro modelo de
dois lugares. Quando Bill Dana avançou, parecia que ele ia
ultrapassar a pista. “Ah, não, de novo não!”, lamentou o oficial de
operações, enquanto Neil escondia a cabeça no braço e
Thompson observava “paralisado”. Felizmente, Dana parou o
avião a tempo. “Por favor, não mandem outro avião da NASA!”,
implorou o oficial da Força Aérea. “Eu mesmo vou encontrar um
para enviá-los a Edwards.”
Fiel a sua palavra, o oficial de operações agilizou o
abastecimento de um C-47 da Força Aérea que passava por
Nellis a caminho de Los Angeles para mandar Thompson de
volta. Durante anos, o oficial de operações da base contou “a
história dos três pilotos de teste geniais da NASA” que tinham
arruinado suas pistas.
No dia seguinte ao fiasco em Nevada, Armstrong viajou para
uma estada de duas semanas em Seattle, voltando em 4 de
junho. Fez seu primeiro voo depois do Caso Nellis em 7 de junho,
no comando de um F-104, em companhia de Bill Dana.
Nessa época, Armstrong já tinha decidido se candidatar à
seleção de astronautas. A NASA anunciou formalmente que
abriria as inscrições para um novo grupo de astronautas em 18
de abril de 1962, dois dias antes do incidente de Armstrong com
o X-15. É bem possível que Neil só tenha sabido a respeito do
anúncio da NASA a partir de 27 de abril. Nesse dia, o boletim
interno do FRC trazia uma matéria intitulada “NASA seleciona
mais astronautas”, abrindo de cinco a dez novas vagas. Os
novos pilotos participariam de operações de apoio do Programa
Mercury, e depois se juntariam aos astronautas da Mercury para
pilotar a espaçonave Gemini para duas pessoas.
Os pré-requisitos não poderiam ser mais perfeitos para
Armstrong, se o processo de seleção tivesse sido destinado
especialmente para ele. O candidato tinha que ser um piloto de
jatos experiente — estar de preferência trabalhando, pilotando
aeronaves de alto desempenho. Deveria ter adquirido sua
experiência em voos experimentais no serviço militar, na indústria
aeronáutica ou na NASA. Precisava ser graduado em ciências
físicas ou biológicas, ou em engenharia. Tinha que ser cidadão
americano, ter menos de 35 anos e no máximo 1,80 metro de
altura. Sua organização de origem, no caso dele o Centro de
Pesquisa de Voo da NASA, deveria recomendá-lo para o cargo.
O diretor do Centro de Espaçonaves Tripuladas em Houston,
Robert R. Gilruth, aceitaria inscrições até 1o de junho de 1962.
Os pilotos que preenchessem os requisitos seriam entrevistados
no mês seguinte. Os aprovados em uma bateria de testes sobre
seus conhecimentos em engenharia ou ciência passariam por um rigoroso exame médico efetuado por um grupo de especialistas.
O programa de treinamento dos novos astronautas incluiria o
trabalho com engenheiros de projeto e desenvolvimento,
simulador de voo, treino em centrífuga, treinamento científico
complementar e voos em aeronaves de alto desempenho.
Praticamente todo o escopo de treinamento envolvia atividades já
praticadas por Armstrong.
De 9 a 11 de maio de 1962, Armstrong esteve em Seattle para
a Segunda Conferência Anual sobre Usos Pacíficos do Espaço,
evento apoiado pela NASA e por diversas outras organizações
aeroespaciais para explorar as possíveis aplicações
internacionais da ciência e da tecnologia do espaço. Armstrong,
Joe Walker, Forrest Petersen e Bob White, todos eles membros
do “clube dos trinta mil metros”, fizeram uma apresentação do
Programa de Voo X-15. Entre outros oradores estavam presentes
o administrador da NASA, James E. Webb; o vice-presidente
Lyndon B. Johnson e outros notáveis. O fato de ter comparecido
a essa conferência e à Feira Mundial de Seattle, que aconteceu
na mesma época, não podia deixar de impressionar Armstrong.
O astro do segundo dia da feira foi o astronauta John Glenn, que
acabava de voltar de seu voo orbital do Programa Mercury.
“Multidões de admiradores maravilhados” enchiam as ruas da
cidade para poder vê-lo de relance.
Um dos membros do conselho da seleção do novo grupo de
astronautas era Dick Day, especialista em simulação de voo no
Centro de Pesquisa de Voo com quem Armstrong trabalhara lado
a lado; em fevereiro de 1962, Day tinha sido transferido de
Edwards para Houston para ser diretor-assistente da Divisão de
Operações da Tripulação de Voo do Centro de Espaçonaves
Tripuladas. Day supervisionava todos os programas de
treinamento de astronautas e atuava como secretário do
conselho de seleção. Segundo Day, a inscrição de Armstrong
para a seleção foi feita depois de expirado o prazo de 1o de
junho. “Havia muita gente de Edwards que tinha ido para
Houston. Um deles era um antigo chefe de Neil, Walt Williams.
Walt tinha ido para ser diretor de operações para o Grupo de
Trabalho do Espaço. Ele queria que Neil se inscrevesse, assim como eu. O pedido de inscrição dele chegou com uma semana
de atraso, mas em Edwards ele tinha feito tantas coisas, e tão
bem! Era de longe o mais qualificado, certamente mais que
qualquer outro, podendo ser comparado ao primeiro grupo de
astronautas. Queríamos que ele viesse.”
Quando a solicitação chegou, Day a inseriu na pilha de
inscrições antes da primeira reunião do conselho de seleção.
Praticamente todo mundo em Edwards achava que Armstrong
seria uma ótima opção para uma vaga de astronauta,
principalmente quando foi anunciado, no começo de junho de
1962, que ele receberia o prestigiado prêmio Octave Chanute,
concedido pelo Instituto de Ciências Aeroespaciais (IAS) ao piloto
que, de acordo com o instituto, mais tivesse contribuído para as
ciências aeroespaciais no ano anterior. Segundo Dick Day, Paul
Bikle, seu ex-chefe e diretor do Centro de Pesquisa de Voo em
Edward, não tinha um julgamento tão favorável assim. Bikle
escolheu não recomendar Neil para a seleção de astronautas
porque, para ele, o histórico recente do candidato no ar levantava
algumas preocupações sérias sobre seu desempenho. No fim de
maio de 1962, Bikle chegara a suspender o voo de teste que Neil
faria no Reino Unido com o novo HP-115, aeronave supersônica
da empresa Handley-Page. Dick Day também estava ciente
disso.
Outra pessoa fundamental do Centro de Espaçonaves
Tripuladas em Houston era Christopher Columbus Kraft Jr., o
primeiro diretor de operações de voos espaciais pilotados no
Centro de Controle de Missão. Depois de se formar em
engenharia aeronáutica pelo Instituto Politécnico e Universidade
Estadual da Virgínia (Virginia Tech) em 1944, Kraft foi para o
Setor de Estabilidade e Controle da Divisão de Pesquisa de Voo
da NACA em Langley, onde trabalhou ombro a ombro com
talentosos engenheiros de teste de voo como Bob Gilruth,
Charles Donlan e Walt Williams, os homens que no verão de
1958, depois do Sputnik, levaram Kraft consigo para o Grupo de
Trabalho do Espaço, que planejou e administrou o Programa
Mercury. Ninguém entendia melhor a cabeça dos pilotos de
testes ou astronautas do que esses quatro homens. Embora não estivesse no grupo que selecionaria o segundo grupo de
astronautas, Kraft desempenhou um papel de destaque na
definição dos critérios de seleção. “Charles Donlan era o
encarregado daquilo”, lembrou Kraft, “e conversou comigo
porque tinham em grande conta a relação que eu mantinha com
os sete primeiros astronautas. Deixei claro que deveríamos falar
com as pessoas que conheciam os candidatos, seu caráter e sua
capacidade. Pessoas como Gilruth, Williams e eu estavam
procurando pilotos de teste de qualidade.”
Kraft “mal conhecia” Armstrong fora de Edwards. “Eu não
sabia da morte de sua filha. Sabia que ele tinha passado por uns
poucos acidentes, e que piloto não tinha? Mas eu nunca associei
esses acontecimentos com qualquer questão emocional. O que
eu sabia era que Walt Williams considerava Armstrong um
profissional de primeira. Quando o conhecemos, Gilruth, eu, todo
mundo pensou a mesma coisa.”
“Ele daria um ótimo astronauta.”
(Acima) Willis Armstrong, avô paterno de Armstrong; (abaixo) “Vó Laura”
Koening. (Fotos de June Armstrong Hoffmann)
Martin August Engel foi pranteado por sua filha única, Viola. (Foto de June
Armstrong Hoffmann)
Caroline Katter Engel Korspeter. (Foto de June Armstrong Hoffmann)
Viola Engel Armstrong, em sua primeira comunhão aos seis anos e na
adolescência. (Fotos de June Armstrong Hoffmann)
Foto do casamento de Stephen (à esquerda) e Viola (sentada). A irmã mais
nova de Stephen, Mary Barbara, foi a madrinha; Guy Briggs, o padrinho. 8 de
outubro de 1929. (Foto de June Armstrong Hoffmann)
Viola com Neil, com seis semanas de vida, em Warren, Ohio, setembro de
1930. (Foto de June Armstrong Hoffmann)
Dean, Neil e June Armstrong, 1936. (Foto de June Armstrong Hoffmann)
Primeiro aniversário de Neil, 5 de agosto de 1931. (Foto de June Armstrong
Hoffmann)
A Patrulha do Lobo de Upper Sandusky (Escoteiros da Tropa 25 de Ohio Boy
Scout). Na fileira de cima, da esquerda para a direita: Jim Kraus, Gene Blue,
Dick Tucker, Jack Stecher, Neil Armstrong. Na fileira de baixo: Kotcho Solacoff
e Jack Strasser. Outubro de 1943. (Foto de K. K. Solacoff)
Os Mississippi Moonshiners (da esquerda para direita): Jerre Maxson,
trombone; Neil Armstrong, barítono; Bob Gustafson, trombone; e Jim Mougey,
clarineta. (Foto de June Armstrong Hoffmann)
(Acima) Armstrong, aspirante a oficial da Marinha da segunda turma, com a avó Caroline Korspeter, de licença em Ohio, na primavera de 1950; (abaixo)
Neil Armstrong, aos vinte anos como segundo-tenente, sobe em um jato Panther para uma missão na Coreia do Norte. (Fotos de June Armstrong
Hoffmann)
Armstrong com sua jaqueta de aviador de couro com o símbolo do Esquadrão
de Caça 51, os “Screaming Eagle”. (Foto de June Armstrong Hoffmann)
Durante o cruzeiro do Essex, Armstrong (na fileira da frente, terceiro a partir
da esquerda) encontrava-se entre os quatorze pilotos do VF-51 que tinham
realizado cem ou mais pousos no porta-aviões: Bill Bowers, Bob Kaps, Neil,
Wiley Scott, Bill Mackey, Danny Marshall, Bob Rostine; (fileira de trás) Tom
Hayward, Skipper Ernie Beauchamp, Benny Sevilla, Don McNaught, Ernie
Russell, Frank Jones e Herschel Gott. (Foto de William A. Mackey)
Na sala de preparação do Essex, Neil, “Wam” Mackey e Ken “K.C.” Kramer
preparam-se para o lançamento com o comandante do grupo aéreo Marshall
Beebe (segundo a partir da esquerda). (Foto de William A. Mackey)
(Acima) Armstrong aproveita um momento de diversão com seu companheiro
do VF-51, o aviador Hersh Gott; (abaixo) Armstrong estava trabalhando no
deque inferior quando um jato Banshee chocou-se fatalmente com aviões
abastecidos a bordo do Essex, no domingo à noite, 16 de setembro de 1951.
(Fotos de William A. Mackey)
Na Estação de Voos de Alta Velocidade, Armstrong monta em um simulador
de voo inovador chamado de “Iron Cross”. (Foto de NASA)
Armstrong pilotou todas as quatro aeronaves “Century Series”: o North
American F-100 Super Sabre (no centro, abaixo), o McDonnell F-101 Voodoo
(no centro, acima), o Convair F-102 Voodoo (direita) e o Lockheed F-104
Starfighter (esquerda). (Foto de NASA)
O lançamento do X-15 de uma aeronave B-52 a 13.700 metros. (Foto de
NASA)
Armstrong na cabine do X-15-1, dezembro de 1961. (Foto de NASA)
Janet Shearon Armstrong, aos 27 anos, em sua cozinha do chalé, Juniper
Hills, Califórnia, 1961. (Foto de June Armstrong Hoffmann)
(Esquerda) Neil segura Karen, “Muffie,” em um passeio em família, em 1959;
(direita) Karen, Natal de 1961, semanas antes de sua morte. (Fotos de June
Armstrong Hoffmann)