O Primeiro Homem na Lua
Capítulo 28: Projetar é humano
CAPÍTULO 28
Projetar é humano
“Sou e sempre serei um engenheiro nerd, de meias brancas e
caneta no bolso da camisa. E tenho um orgulho enorme das
realizações de minha profissão.” Esse trecho fez parte do
discurso de Armstrong no National Press Club, em fevereiro de
2000, em homenagem às vinte maiores realizações da
engenharia do século XX, escolhidas pela Academia Nacional de
Engenharia (NAE), uma organização para a qual ele tinha sido
eleito em 1978. E prosseguiu, dizendo: “A ciência trata do que é;
a engenharia, do que pode ser.”
O voo espacial ficou em 12o lugar na lista da NAE. No tocante
especificamente à engenharia, entretanto, Armstrong via o voo
espacial como uma das maiores realizações do século, senão a
maior.
* * *
Armstrong nunca perdeu contato com o programa espacial
americano. Já em abril de 1970, quando ele estava se
transferindo do corpo de astronautas para o escritório de
aeronáutica, ocorreu o acidente com a Apollo 13. A meio
caminho da Lua, um tanque de oxigênio explodiu no módulo de
serviço, provocando vazamento em outro tanque. O comandante
Jim Lovell ordenou que a tripulação — Fred Haise e Jack Swigert
— passassem para o módulo lunar, no qual os três astronautas
racionaram a reserva de oxigênio e de eletricidade durante tempo
suficiente para dar uma volta à Lua e voltar para casa em
segurança. O projeto Apollo só teria autorização para prosseguir
depois que a NASA descobrisse a causa do acidente.
A NASA pediu a Armstrong que participasse de seu conselho
interno de investigação, liderado pelo dr. Edgar M. Cortright,
diretor do Centro de Pesquisa da NASA em Langley. Neil ajudou
F. B. Smith, diretor-assistente da NASA para assuntos
universitários, na determinação de uma cronologia detalhada e
precisa dos eventos pertinentes à revisão dos registros da
telemetria, das transcrições da comunicação ar-terra e das
observações da tripulação e do centro de controle, assim como
do plano de voo e das listas de controle dos tripulantes. Em 15
de junho de 1970, depois de cerca de dois meses de
investigações, o conselho emitiu seu relatório sobre a Apollo 13.
Como em muitos acidentes na área da tecnologia, o que
aconteceu à espaçonave “não decorreu de uma disfunção
ocasional no sentido estatístico, mas de uma incomum
combinação de erros com um sistema deficiente que não perdoa
falhas”, uma explicação complicada para o que Chris Kraft
chamou de “acidente estúpido e previsível”. A Beech Aircraft Co.,
fabricante do tanque, deveria ter substituído um comutador de
termostato de 28 volts para o aquecimento de oxigênio líquido
por um de 65 volts, mas não o fez. O Escritório do Programa
Apollo não teve o cuidado de verificar o cumprimento de suas
próprias ordens, e assim deixou passar a omissão.
Uma das conclusões mais discutíveis do conselho de Cortright
foi a recomendação de reprojetar todo o tanque do módulo de
serviço — a um custo de 40 milhões de dólares. Muitos dos
responsáveis pelo Programa Apollo acharam que a dispendiosa
modificação não era necessária, já que o problema da Apollo 13
não ocorreu no tanque, mas no termostato. Nas semanas
seguintes, Kraft e Cortright se digladiaram na sede da NASA.
“Depois de assumir meu novo emprego”, lembrou Armstrong, “fui
liberado da participação ativa na investigação da Apollo 13”, ou
deveria ter assumido um papel ativo de defesa da posição de
Kraft.
Naturalmente, o público valorizava as opiniões de Armstrong
sobre exploração espacial sobre o presente e o futuro, e ele era
sempre citado sobre o assunto. Em uma época em que as
preocupações com o meio ambiente ganharam um novo sentido de urgência, Armstrong falava de maneira sensata sobre o tema,
normalmente do ponto de vista da exploração lunar: “Estar na
superfície da Lua e olhar para a Terra lá em cima causa uma
impressão que não se esquece com facilidade. Embora seja
muito bonito, nosso planeta azul é muito remoto e aparentemente
muito pequeno. Pode-se imaginar que nessa situação o
observador menospreze a Terra por sua relativa falta de
importância. No entanto, todas as pessoas que tiveram essa
oportunidade concluíram exatamente o contrário. Todos ficaram
impressionados com a similaridade de nosso planeta com um
oásis ou uma ilha. Mais importante, é a única ilha, pelo que
sabemos, que serve de moradia adequada para o homem. O
próprio sucesso da espécie humana ao longo do tempo agora
nos ameaça de extinção. A mesma força que nos levou ao
sucesso é a que agora deve ser controlada, redirecionada ou
diminuída pela expansão de uma nova ecologia mundial. Se
conseguimos encontrar pessoas capazes de alcançar a Lua,
certamente acharemos pessoas que solucionem nossos
problemas ambientais.”
A personalidade tipicamente reservada de Armstrong valeu-lhe
o apelido de “Lindbergh Lunar”, posto por jornalistas
descontentes com ele. “Armstrong evita fazer comentários sobre
o último lançamento”, queixou-se um repórter decepcionado
durante a efervescência que antecedeu o lançamento da Apollo
17, em dezembro de 1972, naquele que seria o último voo
espacial tripulado do programa. A secretária especial de
Armstrong na universidade, Ruta Bankovikis, declarou: “O sr.
Armstrong não deseja falar com os repórteres. Ele não dá
entrevistas exclusivas. Seria uma indiscrição de minha parte
dizer onde ele estará alojado no Cabo Kennedy para observar o
lançamento.”
A decidida resistência de Armstrong a desempenhar qualquer
papel público que não fosse de sua escolha foi muito frustrante
para os responsáveis pelo programa espacial americano,
inclusive outros astronautas. Jim Lovell disse: “Às vezes
repreendo Neil por ser tão parecido com Lindbergh. Digo a ele:
‘Neil, Charles Lindbergh fez um voo transatlântico com dinheiro privado, e foi um grupo particular que construiu o avião dele e
tudo o mais, então ele tinha o direito à reclusão que quisesse.
Mas você foi à Lua com dinheiro público. O contribuinte pagou
por sua viagem e lhe deu essa oportunidade, além da fama, e
certo retorno lhe é devido.’ A resposta de Neil era: ‘Eu seria
assediado o tempo todo se não fosse recluso.’ E provavelmente
tinha razão.”
Mesmo assim, Armstrong falava de vez em quando. “Dei um
grande número de entrevistas coletivas. Quando visitava outros
países, normalmente concedia entrevistas. A cada aniversário da
Apollo temos coletivas de imprensa. Não me sinto obrigado a
falar com a imprensa só para criar material de reportagem que
não vale a pena noticiar; é pura curiosidade. Acho desnecessário
e, portanto, tento evitar essas situações.
“Tive algumas experiências ruins com entrevistas exclusivas
em que o jornalista não foi sincero sobre o que procurava. Se
publicarem uma coisa errada, não se pode fazer nada eficaz para
corrigir. Por isso, há muito tempo decidi que não daria entrevistas
exclusivas. Os jornalistas devem se restringir às coletivas, porque
quando há muitos presentes ouvindo as mesmas coisas, eles
ficam muito menos propensos e dizer algo diferente daquilo que
ouviram.”
Na coluna social dos jornais de Cincinnati, as fotos de
Armstrong eram frequentes nas ocasiões em que ia a festas de
caridade ou desempenhava outras funções cívicas. Com menor
frequência, saíam artigos de colunistas ou perfis escritos
especificamente sobre ele, ou sobre ele como parte do seleto
grupo de homens que pisaram a Lua, embora raramente ele
aceitasse dar entrevista com esse fim.
Em novembro de 1978, em sua fazenda em Lebanon, Neil
decepou o dedo anelar da mão esquerda quando sua aliança
ficou presa em uma das portas quando ele saltava de um
caminhão. O ferimento e a microcirurgia de emergência realizada
com êxito por uma equipe especial do Hospital Judaico de
Louisville, Kentucky (Neil foi levado para lá de avião) provocaram
um novo surto de manchetes. Após a operação, o dedo
recuperou a funcionalidade, exceto pela articulação distal.
Uma atividade impressionante que Neil manteve longe da
imprensa foi sua viagem ao polo Norte em abril de 1985, sob a
direção de Michael Chalmer Dunn, expedicionário profissional e
aventureiro da Califórnia, e em companhia do montanhista
mundialmente famoso Sir Edmund Hilary, que escalou o Everest;
do filho dele, Peter; e Pat Morrow, o primeiro canadense a
alcançar o pico da montanha mais alta do mundo. “Achei a
viagem ao polo Norte interessantíssima”, lembrou Armstrong,
“sobretudo porque foi diferente de tudo o que se vê normalmente
na vida diária. É tão diferente lá em cima! As dificuldades da
viagem valem a pena.”
Um mês antes da viagem ao polo com a expedição de Hilary,
Neil se tornou um dos quatorze membros da comissão nomeada
pelo presidente Ronald Reagan para “traçar um agressivo
programa espacial civil para levar os Estados Unidos ao século
XXI”. Presidida por um ex-administrador da NASA, o dr. Thomas
O. Paine, a comissão contava também com a embaixadora dos
Estados Unidos nas Nações Unidas, Jeanne J. Kirkpatrick; a
astronauta dra. Katherine Sullivan e o pioneiro da pesquisa
aeroespacial dr. Gerard K. O’Neill. Segundo Neil, “trabalhamos
intermitentemente durante meses, reunimos muita informação de
inúmeros tipos de fonte, fizemos encontros e apresentações, e
tentamos elaborar um plano de longo prazo para o futuro da
nação no espaço”.
No entanto, as recomendações da comissão foram em grande
medida ignoradas por conta do trágico acontecimento de 28 de
janeiro de 1986, quando o ônibus espacial Challenger se
desintegrou, matando o comandante Dick Scobee, o piloto Mike
Smith, o engenheiro de voo Ellison Onizuka, primeiro americano
de ascendência asiática e viajar ao espaço, o físico Ron McNair,
o segundo negro americano no espaço, e a engenheira elétrica
Judy Resnik, a segunda mulher americana no espaço.
Completando o grupo, estavam também Gregory Jarvis,
especialista em carga, e Christa McAuliffe, professora secundária
de ciências sociais em Concord, New Hampshire, selecionada de
uma lista de mais de onze mil candidatos a ser o primeiro
professor no espaço. Com a morte dos sete da Challenger, como eles passaram a ser chamados, representando um microcosmo
da sociedade americana, o programa espacial do país entrou em
um prolongado período de crise e depressão.
A pedido de Reagan, Armstrong entrou para a Comissão
Presidencial sobre o Acidente do Ônibus Espacial Challenger.
Reagan e o ex-secretário de Estado William P. Rogers, que
aceitou presidir a comissão, queriam Neil como vice-presidente.
“Na manhã seguinte ao acidente, fui informado de que a Casa
Branca estava tentando entrar em contato comigo. Liguei para lá,
falei com um assessor do presidente e fui posto na linha
diretamente com o sr. Reagan. É muito difícil rejeitar algo
proposto por um presidente. Nossa tarefa era levar o relatório até
ele em quatro meses — 120 dias — a partir do momento em que
assumíssemos o trabalho.”
O juramento dos treze membros da comissão ocorreu em
Washington em 6 de fevereiro. No começo, Armstrong temia que
a investigação fosse dirigida por um órgão externo à NASA,
como tinha acontecido com o incêndio da Apollo 1 e o acidente
da Apollo 13. “Com efeito, os verdadeiros investigadores
estariam fora dali fazendo seu trabalho, sem serem
sobrecarregados pela necessidade de lidar com audiências
públicas e outros assuntos que assoberbavam a comissão.
Assim, talvez o fato de serem públicas não afetasse muito o
cronograma das investigações a longo prazo.”
A decisão de Rogers de orientar a comissão para uma ação
pública convenceu até mesmo Armstrong. “No início, William
falou com todos nós sobre suas expectativas e sobre algumas
coisas que ele considerava mais importantes. Ele achava
essencial, por exemplo, que os integrantes da comissão
estivessem bem a par de como a opinião pública estava sendo
retratada pela imprensa. Recomendou a todos que lessem o The
Washington Post e o The New York Times todos os dias, algo
que eu não teria pensado nem recomendado. Ele entendia esse
lado da equação.
“Ele estava convencido — e com isso eu certamente
concordava — de que deveria haver uma investigação, e que
tínhamos que encontrar meios de apaziguar outros grupos que gostariam de fazer nosso trabalho — ou gostariam, pelo menos,
de atrair para si algum holofote por isso. Então, William ficou bem
ocupado desde o começo procurando os presidentes de
comissões da Câmara e do Senado para conversar.
“Assim, assumimos o compromisso de informar
periodicamente o Congresso. Subiríamos ao Capitólio para
prestar contas dos progressos da investigação, falar sobre suas
dificuldades, sobre quais pontos apresentavam avanços e qual
era o panorama geral naquele momento. Assim, uma parte da
atenção da imprensa seria atraída para os parlamentares e para
o que eles estavam pensando e fazendo no Congresso, sem
afetar o que de fato estava acontecendo na investigação.
“Das investigações de acidente de que participei, aquela foi a
que teve mais audiências públicas. Então aquilo era uma coisa
nova para mim. O fato de a atividade da comissão ser de
conhecimento público tinha prós e contras. Por um lado, nos
dava a oportunidade de apresentar ao público em geral um
relatório do estado da investigação; por outro, era também uma
oportunidade para que certas pessoas atuassem para as
câmeras.”
Como vice-presidente da comissão, Armstrong participava
necessariamente de todas as subcomissões. “Procurei dedicar a
maior parte do tempo ao acidente propriamente dito, porque
sentia que, se não tivéssemos o acidente esclarecido com
precisão, todo o resto não daria em nada. Então, eu queria ficar o
mais perto possível daquilo.” Cada presidente de subcomissão
decidia o que examinaria, e cada um definia o próprio
cronograma de audiências e apresentações, bem como as visitas
a lugares onde examinariam material para entender como as
coisas aconteceram. “Pegamos emprestado do Departamento de
Justiça um sistema para acompanhar todos os dados e
documentos e arquivá-los de forma a recuperar qualquer coisa
que quiséssemos a qualquer momento. Assim, tudo era escrito e
informatizado, o que era bom, porque a investigação deu origem
a quase 6.300 documentos com um total de 122 mil páginas,
assim como quase doze mil páginas de material investigativo e
2.800 de transcrição de audiências”, disse Neil. Ele investigou um pouco por conta própria, procurando informações ou ideias com
alguns dos contatos pessoais que fizera ao longo de trinta anos
na NASA e na indústria aeroespacial. “De vez em quando, eu
conversava em particular com algumas pessoas. Nosso
presidente não nos proibiu de fazer isso, portanto não hesitei.
“Acho que teríamos chegado praticamente às mesmas
conclusões sem as audiências públicas. Tampouco acredito que
sem elas as investigações pudessem ter sido concluídas mais
rápido, porque as provas de nossa hipótese (a de que “a causa
do acidente da Challenger foi o rompimento do anel de vedação
do tanque externo de combustível sólido do propulsor a foguete
direito, devido a um projeto com uma sensibilidade inaceitável a
numerosos fatores, inclusive às baixas temperaturas’) só
apareceram quando finalmente resgatamos o último pedaço dos
escombros do fundo do mar, de modo que o resultado final não
poderia ter sido antecipado.”
Armstrong ficou satisfeito com as conclusões e
recomendações finais. “Acho que as conclusões e os achados
estavam certos, e que nossa versão sobre como o acidente
ocorreu ficou bem próxima do que aconteceu de fato. Houve
poucas opiniões ou hipóteses contrárias, mas nenhuma delas
resistiu à prova do tempo.” Neil desempenhou um papel
preponderante ao definir a base do modo de pensar que
transparecia no relatório final da comissão. “Defendi junto aos
demais integrantes da comissão que a eficiência de nossas
recomendações seria inversamente proporcional a seu número.
Quanto menos melhor. Em segundo lugar, teríamos que nos
assegurar de não pedir à NASA algo que ela não pudesse fazer.”
A comissão apresentou mais ou menos sessenta
recomendações, que foram reduzidas a nove.
Sobre o famoso “relatório minoritário” que Richard Feynman
escreveu a respeito do acidente com a Challenger, ao contrário
do que aconteceu com outras versões sobre o caso que a
comissão fez de tudo para impedir que fossem publicadas
(porque seriam supostamente “anti-NASA”), Armstrong não se
opôs à manifestação da opinião singular do brilhante físico sobre
o assunto, e que esta fosse acrescentada como apêndice ao relatório final da comissão, desde que o presidente Rogers
concordasse. Vivendo e respirando aquilo desde que alçou voo
em um aeroplano pela primeira vez, quarenta anos antes,
Armstrong sabia que era verdade o que Richard Feynman
escreveu no fim de seu “relatório minoritário”: “Para que uma
tecnologia tenha sucesso, a realidade deve ter precedência sobre
as relações públicas, já que a natureza não pode ser enganada.”
* * *
Na manhã do dia 1o de fevereiro de 2003, um sábado, avisado
pelo telefone por um amigo, Armstrong ligou a televisão de seu
gabinete. Outro ônibus espacial perdido. Minutos antes do pouso
no Cabo Canaveral, a Columbia STS-107 espatifou-se no céu do
Texas, na alta atmosfera da Terra, encerrando uma missão de
dezesseis dias.
Assim que ouviu informações sobre o achado de destroços,
Neil disse: “Soube naquele momento que o veículo estava
perdido. Não havia chance.” Outra perda trágica de uma
tripulação de astronautas: Rick Husband, comandante; Willie
McCool, piloto; e os cinco especialistas, Kalpana Chawla, Laurel
Clark, Mike Anderson, David Brown e Ilan Ramon.
O Columbia despedaçou-se a uma altitude de pouco mais de
sessenta quilômetros. Neil não pôde deixar de pensar na ironia: o
ônibus espacial explodiu praticamente à mesma altitude que o
seu recorde ao pilotar o X-15 — 63 quilômetros. Dessa vez, a
investigação seria feita de forma bem distinta: internamente, pela
NASA. A Casa Branca de George W. Bush ligou para Neil e sua
segunda esposa, Carol, convidando-os para a cerimônia fúnebre,
sem os corpos, que seria realizada na segunda-feira, dia 3 de
fevereiro, no Centro Espacial Johnson em Houston. Após
concordar prontamente, Neil deu uma declaração à imprensa: “O
desastre com o Columbia entristeceu a todos e nos lembra que
não existe progresso sem riscos. Nossa tarefa é maximizar o
primeiro e minimizar os demais. Enquanto os seres humanos tiverem uma mentalidade independente, criativa e curiosa,
continuaremos a desafiar as fronteiras.”
* * *
Em janeiro de 2004, George W. Bush anunciou uma “nova
concepção” para o programa espacial americano. O presidente
propôs o compromisso com um programa humano e robotizado
de longo prazo para a exploração do sistema solar, a começar
por um retorno à Lua, o que, na opinião da Casa Branca,
“possibilitará a futura exploração de Marte e outros destinos”.
Dois meses depois, Armstrong, que estava em Houston para
receber o Prêmio Nacional Rotary para a Conquista do Espaço,
manifestou seu apoio ao plano de Bush. A iniciativa, no entanto,
recebeu muitas críticas, dentro e fora da comunidade espacial.
Por sua vez, a filosofia de Neil era favorecer qualquer coisa que
fizesse avançar a tecnologia.
Neil Armstrong nunca se considerou essencialmente um
explorador: “Dediquei-me ao desenvolvimento gradual das
máquinas que voam. A exploração veio totalmente como
subproduto disso. Fui à Lua não tanto para estar lá, mas como
parte de um sistema de desenvolvimento que permitiu que isso
acontecesse.”