O Primeiro Homem na Lua

James R. Hansen · Capítulo 37 de 42

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O Primeiro Homem na Lua

Capítulo 28: Projetar é humano

CAPÍTULO 28

 

Projetar é humano

 

“Sou e sempre serei um engenheiro nerd, de meias brancas e

caneta no bolso da camisa. E tenho um orgulho enorme das

realizações de minha profissão.” Esse trecho fez parte do

discurso de Armstrong no National Press Club, em fevereiro de

2000, em homenagem às vinte maiores realizações da

engenharia do século XX, escolhidas pela Academia Nacional de

Engenharia (NAE), uma organização para a qual ele tinha sido

eleito em 1978. E prosseguiu, dizendo: “A ciência trata do que é;

a engenharia, do que pode ser.”

O voo espacial ficou em 12o lugar na lista da NAE. No tocante

especificamente à engenharia, entretanto, Armstrong via o voo

espacial como uma das maiores realizações do século, senão a

maior.

 

* * *

 

Armstrong nunca perdeu contato com o programa espacial

americano. Já em abril de 1970, quando ele estava se

transferindo do corpo de astronautas para o escritório de

aeronáutica, ocorreu o acidente com a Apollo 13. A meio

caminho da Lua, um tanque de oxigênio explodiu no módulo de

serviço, provocando vazamento em outro tanque. O comandante

Jim Lovell ordenou que a tripulação — Fred Haise e Jack Swigert

— passassem para o módulo lunar, no qual os três astronautas

racionaram a reserva de oxigênio e de eletricidade durante tempo

suficiente para dar uma volta à Lua e voltar para casa em

segurança. O projeto Apollo só teria autorização para prosseguir

depois que a NASA descobrisse a causa do acidente.

A NASA pediu a Armstrong que participasse de seu conselho

interno de investigação, liderado pelo dr. Edgar M. Cortright,

diretor do Centro de Pesquisa da NASA em Langley. Neil ajudou

F. B. Smith, diretor-assistente da NASA para assuntos

universitários, na determinação de uma cronologia detalhada e

precisa dos eventos pertinentes à revisão dos registros da

telemetria, das transcrições da comunicação ar-terra e das

observações da tripulação e do centro de controle, assim como

do plano de voo e das listas de controle dos tripulantes. Em 15

de junho de 1970, depois de cerca de dois meses de

investigações, o conselho emitiu seu relatório sobre a Apollo 13.

Como em muitos acidentes na área da tecnologia, o que

aconteceu à espaçonave “não decorreu de uma disfunção

ocasional no sentido estatístico, mas de uma incomum

combinação de erros com um sistema deficiente que não perdoa

falhas”, uma explicação complicada para o que Chris Kraft

chamou de “acidente estúpido e previsível”. A Beech Aircraft Co.,

fabricante do tanque, deveria ter substituído um comutador de

termostato de 28 volts para o aquecimento de oxigênio líquido

por um de 65 volts, mas não o fez. O Escritório do Programa

Apollo não teve o cuidado de verificar o cumprimento de suas

próprias ordens, e assim deixou passar a omissão.

Uma das conclusões mais discutíveis do conselho de Cortright

foi a recomendação de reprojetar todo o tanque do módulo de

serviço — a um custo de 40 milhões de dólares. Muitos dos

responsáveis pelo Programa Apollo acharam que a dispendiosa

modificação não era necessária, já que o problema da Apollo 13

não ocorreu no tanque, mas no termostato. Nas semanas

seguintes, Kraft e Cortright se digladiaram na sede da NASA.

“Depois de assumir meu novo emprego”, lembrou Armstrong, “fui

liberado da participação ativa na investigação da Apollo 13”, ou

deveria ter assumido um papel ativo de defesa da posição de

Kraft.

Naturalmente, o público valorizava as opiniões de Armstrong

sobre exploração espacial sobre o presente e o futuro, e ele era

sempre citado sobre o assunto. Em uma época em que as

preocupações com o meio ambiente ganharam um novo sentido de urgência, Armstrong falava de maneira sensata sobre o tema,

normalmente do ponto de vista da exploração lunar: “Estar na

superfície da Lua e olhar para a Terra lá em cima causa uma

impressão que não se esquece com facilidade. Embora seja

muito bonito, nosso planeta azul é muito remoto e aparentemente

muito pequeno. Pode-se imaginar que nessa situação o

observador menospreze a Terra por sua relativa falta de

importância. No entanto, todas as pessoas que tiveram essa

oportunidade concluíram exatamente o contrário. Todos ficaram

impressionados com a similaridade de nosso planeta com um

oásis ou uma ilha. Mais importante, é a única ilha, pelo que

sabemos, que serve de moradia adequada para o homem. O

próprio sucesso da espécie humana ao longo do tempo agora

nos ameaça de extinção. A mesma força que nos levou ao

sucesso é a que agora deve ser controlada, redirecionada ou

diminuída pela expansão de uma nova ecologia mundial. Se

conseguimos encontrar pessoas capazes de alcançar a Lua,

certamente acharemos pessoas que solucionem nossos

problemas ambientais.”

A personalidade tipicamente reservada de Armstrong valeu-lhe

o apelido de “Lindbergh Lunar”, posto por jornalistas

descontentes com ele. “Armstrong evita fazer comentários sobre

o último lançamento”, queixou-se um repórter decepcionado

durante a efervescência que antecedeu o lançamento da Apollo

17, em dezembro de 1972, naquele que seria o último voo

espacial tripulado do programa. A secretária especial de

Armstrong na universidade, Ruta Bankovikis, declarou: “O sr.

Armstrong não deseja falar com os repórteres. Ele não dá

entrevistas exclusivas. Seria uma indiscrição de minha parte

dizer onde ele estará alojado no Cabo Kennedy para observar o

lançamento.”

A decidida resistência de Armstrong a desempenhar qualquer

papel público que não fosse de sua escolha foi muito frustrante

para os responsáveis pelo programa espacial americano,

inclusive outros astronautas. Jim Lovell disse: “Às vezes

repreendo Neil por ser tão parecido com Lindbergh. Digo a ele:

‘Neil, Charles Lindbergh fez um voo transatlântico com dinheiro privado, e foi um grupo particular que construiu o avião dele e

tudo o mais, então ele tinha o direito à reclusão que quisesse.

Mas você foi à Lua com dinheiro público. O contribuinte pagou

por sua viagem e lhe deu essa oportunidade, além da fama, e

certo retorno lhe é devido.’ A resposta de Neil era: ‘Eu seria

assediado o tempo todo se não fosse recluso.’ E provavelmente

tinha razão.”

Mesmo assim, Armstrong falava de vez em quando. “Dei um

grande número de entrevistas coletivas. Quando visitava outros

países, normalmente concedia entrevistas. A cada aniversário da

Apollo temos coletivas de imprensa. Não me sinto obrigado a

falar com a imprensa só para criar material de reportagem que

não vale a pena noticiar; é pura curiosidade. Acho desnecessário

e, portanto, tento evitar essas situações.

“Tive algumas experiências ruins com entrevistas exclusivas

em que o jornalista não foi sincero sobre o que procurava. Se

publicarem uma coisa errada, não se pode fazer nada eficaz para

corrigir. Por isso, há muito tempo decidi que não daria entrevistas

exclusivas. Os jornalistas devem se restringir às coletivas, porque

quando há muitos presentes ouvindo as mesmas coisas, eles

ficam muito menos propensos e dizer algo diferente daquilo que

ouviram.”

Na coluna social dos jornais de Cincinnati, as fotos de

Armstrong eram frequentes nas ocasiões em que ia a festas de

caridade ou desempenhava outras funções cívicas. Com menor

frequência, saíam artigos de colunistas ou perfis escritos

especificamente sobre ele, ou sobre ele como parte do seleto

grupo de homens que pisaram a Lua, embora raramente ele

aceitasse dar entrevista com esse fim.

Em novembro de 1978, em sua fazenda em Lebanon, Neil

decepou o dedo anelar da mão esquerda quando sua aliança

ficou presa em uma das portas quando ele saltava de um

caminhão. O ferimento e a microcirurgia de emergência realizada

com êxito por uma equipe especial do Hospital Judaico de

Louisville, Kentucky (Neil foi levado para lá de avião) provocaram

um novo surto de manchetes. Após a operação, o dedo

recuperou a funcionalidade, exceto pela articulação distal.

Uma atividade impressionante que Neil manteve longe da

imprensa foi sua viagem ao polo Norte em abril de 1985, sob a

direção de Michael Chalmer Dunn, expedicionário profissional e

aventureiro da Califórnia, e em companhia do montanhista

mundialmente famoso Sir Edmund Hilary, que escalou o Everest;

do filho dele, Peter; e Pat Morrow, o primeiro canadense a

alcançar o pico da montanha mais alta do mundo. “Achei a

viagem ao polo Norte interessantíssima”, lembrou Armstrong,

“sobretudo porque foi diferente de tudo o que se vê normalmente

na vida diária. É tão diferente lá em cima! As dificuldades da

viagem valem a pena.”

Um mês antes da viagem ao polo com a expedição de Hilary,

Neil se tornou um dos quatorze membros da comissão nomeada

pelo presidente Ronald Reagan para “traçar um agressivo

programa espacial civil para levar os Estados Unidos ao século

XXI”. Presidida por um ex-administrador da NASA, o dr. Thomas

O. Paine, a comissão contava também com a embaixadora dos

Estados Unidos nas Nações Unidas, Jeanne J. Kirkpatrick; a

astronauta dra. Katherine Sullivan e o pioneiro da pesquisa

aeroespacial dr. Gerard K. O’Neill. Segundo Neil, “trabalhamos

intermitentemente durante meses, reunimos muita informação de

inúmeros tipos de fonte, fizemos encontros e apresentações, e

tentamos elaborar um plano de longo prazo para o futuro da

nação no espaço”.

No entanto, as recomendações da comissão foram em grande

medida ignoradas por conta do trágico acontecimento de 28 de

janeiro de 1986, quando o ônibus espacial Challenger se

desintegrou, matando o comandante Dick Scobee, o piloto Mike

Smith, o engenheiro de voo Ellison Onizuka, primeiro americano

de ascendência asiática e viajar ao espaço, o físico Ron McNair,

o segundo negro americano no espaço, e a engenheira elétrica

Judy Resnik, a segunda mulher americana no espaço.

Completando o grupo, estavam também Gregory Jarvis,

especialista em carga, e Christa McAuliffe, professora secundária

de ciências sociais em Concord, New Hampshire, selecionada de

uma lista de mais de onze mil candidatos a ser o primeiro

professor no espaço. Com a morte dos sete da Challenger, como eles passaram a ser chamados, representando um microcosmo

da sociedade americana, o programa espacial do país entrou em

um prolongado período de crise e depressão.

A pedido de Reagan, Armstrong entrou para a Comissão

Presidencial sobre o Acidente do Ônibus Espacial Challenger.

Reagan e o ex-secretário de Estado William P. Rogers, que

aceitou presidir a comissão, queriam Neil como vice-presidente.

“Na manhã seguinte ao acidente, fui informado de que a Casa

Branca estava tentando entrar em contato comigo. Liguei para lá,

falei com um assessor do presidente e fui posto na linha

diretamente com o sr. Reagan. É muito difícil rejeitar algo

proposto por um presidente. Nossa tarefa era levar o relatório até

ele em quatro meses — 120 dias — a partir do momento em que

assumíssemos o trabalho.”

O juramento dos treze membros da comissão ocorreu em

Washington em 6 de fevereiro. No começo, Armstrong temia que

a investigação fosse dirigida por um órgão externo à NASA,

como tinha acontecido com o incêndio da Apollo 1 e o acidente

da Apollo 13. “Com efeito, os verdadeiros investigadores

estariam fora dali fazendo seu trabalho, sem serem

sobrecarregados pela necessidade de lidar com audiências

públicas e outros assuntos que assoberbavam a comissão.

Assim, talvez o fato de serem públicas não afetasse muito o

cronograma das investigações a longo prazo.”

A decisão de Rogers de orientar a comissão para uma ação

pública convenceu até mesmo Armstrong. “No início, William

falou com todos nós sobre suas expectativas e sobre algumas

coisas que ele considerava mais importantes. Ele achava

essencial, por exemplo, que os integrantes da comissão

estivessem bem a par de como a opinião pública estava sendo

retratada pela imprensa. Recomendou a todos que lessem o The

Washington Post e o The New York Times todos os dias, algo

que eu não teria pensado nem recomendado. Ele entendia esse

lado da equação.

“Ele estava convencido — e com isso eu certamente

concordava — de que deveria haver uma investigação, e que

tínhamos que encontrar meios de apaziguar outros grupos que gostariam de fazer nosso trabalho — ou gostariam, pelo menos,

de atrair para si algum holofote por isso. Então, William ficou bem

ocupado desde o começo procurando os presidentes de

comissões da Câmara e do Senado para conversar.

“Assim, assumimos o compromisso de informar

periodicamente o Congresso. Subiríamos ao Capitólio para

prestar contas dos progressos da investigação, falar sobre suas

dificuldades, sobre quais pontos apresentavam avanços e qual

era o panorama geral naquele momento. Assim, uma parte da

atenção da imprensa seria atraída para os parlamentares e para

o que eles estavam pensando e fazendo no Congresso, sem

afetar o que de fato estava acontecendo na investigação.

“Das investigações de acidente de que participei, aquela foi a

que teve mais audiências públicas. Então aquilo era uma coisa

nova para mim. O fato de a atividade da comissão ser de

conhecimento público tinha prós e contras. Por um lado, nos

dava a oportunidade de apresentar ao público em geral um

relatório do estado da investigação; por outro, era também uma

oportunidade para que certas pessoas atuassem para as

câmeras.”

Como vice-presidente da comissão, Armstrong participava

necessariamente de todas as subcomissões. “Procurei dedicar a

maior parte do tempo ao acidente propriamente dito, porque

sentia que, se não tivéssemos o acidente esclarecido com

precisão, todo o resto não daria em nada. Então, eu queria ficar o

mais perto possível daquilo.” Cada presidente de subcomissão

decidia o que examinaria, e cada um definia o próprio

cronograma de audiências e apresentações, bem como as visitas

a lugares onde examinariam material para entender como as

coisas aconteceram. “Pegamos emprestado do Departamento de

Justiça um sistema para acompanhar todos os dados e

documentos e arquivá-los de forma a recuperar qualquer coisa

que quiséssemos a qualquer momento. Assim, tudo era escrito e

informatizado, o que era bom, porque a investigação deu origem

a quase 6.300 documentos com um total de 122 mil páginas,

assim como quase doze mil páginas de material investigativo e

2.800 de transcrição de audiências”, disse Neil. Ele investigou um pouco por conta própria, procurando informações ou ideias com

alguns dos contatos pessoais que fizera ao longo de trinta anos

na NASA e na indústria aeroespacial. “De vez em quando, eu

conversava em particular com algumas pessoas. Nosso

presidente não nos proibiu de fazer isso, portanto não hesitei.

“Acho que teríamos chegado praticamente às mesmas

conclusões sem as audiências públicas. Tampouco acredito que

sem elas as investigações pudessem ter sido concluídas mais

rápido, porque as provas de nossa hipótese (a de que “a causa

do acidente da Challenger foi o rompimento do anel de vedação

do tanque externo de combustível sólido do propulsor a foguete

direito, devido a um projeto com uma sensibilidade inaceitável a

numerosos fatores, inclusive às baixas temperaturas’) só

apareceram quando finalmente resgatamos o último pedaço dos

escombros do fundo do mar, de modo que o resultado final não

poderia ter sido antecipado.”

Armstrong ficou satisfeito com as conclusões e

recomendações finais. “Acho que as conclusões e os achados

estavam certos, e que nossa versão sobre como o acidente

ocorreu ficou bem próxima do que aconteceu de fato. Houve

poucas opiniões ou hipóteses contrárias, mas nenhuma delas

resistiu à prova do tempo.” Neil desempenhou um papel

preponderante ao definir a base do modo de pensar que

transparecia no relatório final da comissão. “Defendi junto aos

demais integrantes da comissão que a eficiência de nossas

recomendações seria inversamente proporcional a seu número.

Quanto menos melhor. Em segundo lugar, teríamos que nos

assegurar de não pedir à NASA algo que ela não pudesse fazer.”

A comissão apresentou mais ou menos sessenta

recomendações, que foram reduzidas a nove.

Sobre o famoso “relatório minoritário” que Richard Feynman

escreveu a respeito do acidente com a Challenger, ao contrário

do que aconteceu com outras versões sobre o caso que a

comissão fez de tudo para impedir que fossem publicadas

(porque seriam supostamente “anti-NASA”), Armstrong não se

opôs à manifestação da opinião singular do brilhante físico sobre

o assunto, e que esta fosse acrescentada como apêndice ao relatório final da comissão, desde que o presidente Rogers

concordasse. Vivendo e respirando aquilo desde que alçou voo

em um aeroplano pela primeira vez, quarenta anos antes,

Armstrong sabia que era verdade o que Richard Feynman

escreveu no fim de seu “relatório minoritário”: “Para que uma

tecnologia tenha sucesso, a realidade deve ter precedência sobre

as relações públicas, já que a natureza não pode ser enganada.”

 

* * *

 

Na manhã do dia 1o de fevereiro de 2003, um sábado, avisado

pelo telefone por um amigo, Armstrong ligou a televisão de seu

gabinete. Outro ônibus espacial perdido. Minutos antes do pouso

no Cabo Canaveral, a Columbia STS-107 espatifou-se no céu do

Texas, na alta atmosfera da Terra, encerrando uma missão de

dezesseis dias.

Assim que ouviu informações sobre o achado de destroços,

Neil disse: “Soube naquele momento que o veículo estava

perdido. Não havia chance.” Outra perda trágica de uma

tripulação de astronautas: Rick Husband, comandante; Willie

McCool, piloto; e os cinco especialistas, Kalpana Chawla, Laurel

Clark, Mike Anderson, David Brown e Ilan Ramon.

O Columbia despedaçou-se a uma altitude de pouco mais de

sessenta quilômetros. Neil não pôde deixar de pensar na ironia: o

ônibus espacial explodiu praticamente à mesma altitude que o

seu recorde ao pilotar o X-15 — 63 quilômetros. Dessa vez, a

investigação seria feita de forma bem distinta: internamente, pela

NASA. A Casa Branca de George W. Bush ligou para Neil e sua

segunda esposa, Carol, convidando-os para a cerimônia fúnebre,

sem os corpos, que seria realizada na segunda-feira, dia 3 de

fevereiro, no Centro Espacial Johnson em Houston. Após

concordar prontamente, Neil deu uma declaração à imprensa: “O

desastre com o Columbia entristeceu a todos e nos lembra que

não existe progresso sem riscos. Nossa tarefa é maximizar o

primeiro e minimizar os demais. Enquanto os seres humanos tiverem uma mentalidade independente, criativa e curiosa,

continuaremos a desafiar as fronteiras.”

 

* * *

 

Em janeiro de 2004, George W. Bush anunciou uma “nova

concepção” para o programa espacial americano. O presidente

propôs o compromisso com um programa humano e robotizado

de longo prazo para a exploração do sistema solar, a começar

por um retorno à Lua, o que, na opinião da Casa Branca,

“possibilitará a futura exploração de Marte e outros destinos”.

Dois meses depois, Armstrong, que estava em Houston para

receber o Prêmio Nacional Rotary para a Conquista do Espaço,

manifestou seu apoio ao plano de Bush. A iniciativa, no entanto,

recebeu muitas críticas, dentro e fora da comunidade espacial.

Por sua vez, a filosofia de Neil era favorecer qualquer coisa que

fizesse avançar a tecnologia.

Neil Armstrong nunca se considerou essencialmente um

explorador: “Dediquei-me ao desenvolvimento gradual das

máquinas que voam. A exploração veio totalmente como

subproduto disso. Fui à Lua não tanto para estar lá, mas como

parte de um sistema de desenvolvimento que permitiu que isso

acontecesse.”