O Primeiro Homem na Lua
Capítulo 30: Nos domínios do coração
CAPÍTULO 30
Nos domínios do coração
As poucas nuvens fofas que pairavam sobre as pistas de esqui
de Snowmass foram um modesto presságio da forte tempestade
que varreria os quatro picos cobertos de neve de Aspen naquele
dia de fevereiro de 1991. Aos sessenta anos, Neil estava subindo
ao topo da pista intermediária, conhecida como Upper Hal’s
Hollow, com Doris Solacoff, cujo marido, Kotcho, era um amigo
de infância de Upper Sandusky. O irmão de Neil, Dean,
recentemente divorciado, completava o quarteto de esquiadores,
que tinham acabado de almoçar. Neil havia comido uma boa
porção de chili com muita cebola.
Neil ficou tão quieto durante a subida que chamou a atenção
de Dorie, que era enfermeira. Depois de descer alguns metros,
ela viu que Neil esquiava muito devagar. “Não estou me sentindo
muito bem”, disse ele. Vendo que o rosto dele estava
acinzentado, Dorie quis buscar ajuda. “Não, espere um segundo.”
Neil hesitava, pois previa o rebuliço que se faria em torno dele.
“Estou me sentindo muito fraco. Acho que vou me sentar e
descansar aqui mesmo por alguns minutos.”
Dorie correu para buscar socorristas. “Acho que meu amigo
está tendo um infarto, e já lhes mostro onde ele está.”
Na parte de baixo da Upper Hal’s Hollow, Kotcho e Dean
tinham começado a se preocupar. Finalmente, Dorie apareceu e
gritou: “Neil teve um infarto e está sendo trazido pelos socorristas
pelo tobogã de resgate!”
O médico de plantão na enfermaria do hotel confirmou o
infarto e aplicou uma injeção endovenosa de atropina para
estabilizar a arritmia. Armstrong foi levado de ambulância até o
Hospital de Aspen Valley e ficou na unidade de terapia intensiva. Teve diversos episódios de braquicardia, ou baixa frequência
cardíaca.
Os batimentos cardíacos logo se estabilizaram, permitindo que
Armstrong fosse transferido para Denver, mas a tempestade de
neve o reteve em Aspen durante três dias. Com experiência em
proteger celebridades, o pequeno hospital da estação de esqui
manteve segredo sobre o infarto. Kotcho, que era médico, ajudou
a conseguir transporte aeromédico do Colorado até um hospital
em Cincinnati. Ali, uma equipe de cardiologistas efetuou um
cateterismo que concluiu que o infarto tinha sido causado por um
minúsculo vaso sanguíneo aberrante. Suas demais artérias
estavam livres de obstrução, e a sequela permanente no tecido
muscular cardíaco foi leve.
No dia seguinte, ele teve alta sem grandes restrições.
Tomando ao pé da letra as palavras do especialista, pegou um
avião para uma reunião de negócios. Seis meses depois, foi
aprovado no exame médico periódico a que são submetidos os
pilotos e recuperou sua licença para voar.
Nos anos seguintes, ele faria muitas outras visitas às estações
de esqui do Colorado, uma ou duas vezes com Kotcho, Dorie e
Dean.
* * *
Quando teve o infarto, Neil estava se separando de Janet. Não
se sabe que papel o estresse desempenhou na doença dele,
mas as dificuldades na vida pessoal tinham aumentado no último
ano. O pai, Stephen, morreu em 3 de fevereiro de 1990. A mãe,
Viola, pouco mais de três meses depois. Os dois tinham 83 anos
e eram casados havia sessenta. Pouco antes da morte da mãe
de Neil, Janet tinha ido embora alegando anos de distância
emocional.
Quando Neil saiu da NASA, em 1971, Janet Armstrong
esperava recomeçar a vida no subúrbio de Cincinnati. “O
emprego do meu marido estava lá, estão fomos para lá. Ele queria uma vida mais sossegada”, depois de “passar todos
aqueles anos no programa, quase sem tempo para ele mesmo.”
Lebanon era uma comunidade rural que funcionava como
dormitório de Cincinnati e Dayton. “Eu nunca tinha morado em
uma cidade pequena. Entramos na sorveteria e examinamos o
lugar. Parecia uma comunidade segura e um bom lugar para criar
os filhos.”
A casa de fazenda do século XIX teve que ser refeita. “Neil
não gostava de dívidas e não queria tomar um novo empréstimo,
estão levamos sete anos para pagar a reforma em dinheiro. A
coisa chegou a tal ponto que o construtor atendia ao telefone se
eu não estivesse em casa e pegava as crianças na escola! Ele
acabou fazendo parte da família! Foi difícil para as crianças e
para mim.
“Foi mais tranquilo para Mark do que para Rick”, mas ambos
eram motivo de zombaria por serem filhos de Neil Armstrong.
Segundo Rick, “era difícil, mas aprendi a ignorar aquilo”. Na
opinião de Rick, as coisas foram menos complicadas para Mark:
“Ele era muito mais sociável.” Rick lembra a vida na fazenda
como “um isolamento que, acho, era causado em boa medida
pelo que papai estava vivendo, e acabou sobrando para todos
nós”. Janet (e sem dúvida Neil também) não sabia que os
meninos estavam tendo essas dificuldades: “Levei alguns anos
para perceber, porque os garotos não diziam nada”, contou Janet
mais tarde.
Neil fazia algumas tarefas na propriedade de mais de cem
hectares, mas provavelmente não tantas quanto Janet gostaria.
“Começamos com a criação de algo entre setenta e noventa
cabeças de gado. Plantávamos milho, soja, feno e trigo.” Quando
perguntada se gostava de fazer o trabalho da fazenda, Janet
respondia: “Era algo que precisava ser feito. É muito difícil limpar
cocô durante o dia e sair para jantar à noite.”
Em 1981, um ano depois que Neil saiu do Universidade de
Cincinnati, a casa deles se tornou um ninho vazio. Mark foi para
a Universidade Stanford (Rick já tinha se formado pelo
Wittenberg College, em Ohio). “Acho que isso não afetou Neil
nem um pouco, mas com certeza me afetou. Pensei que tinha chegado o tempo em que realmente poderíamos fazer coisas
juntos.” Mas o que aconteceu foi que Neil, com todas as suas
novas ocupações empresariais, continuava passando tão pouco
tempo em casa quanto antes. “Os meninos tinham ido embora,
Neil passava o tempo todo fora, nossa cachorra, Wendy, havia
sido roubada. Não tínhamos um sistema de segurança. E eu
estava ali, presa ao campo. Até que me cansei de tudo aquilo e
em 1987 abri uma agência de turismo. Ela foi vendida em 1993.”
As frustrações de Janet com Neil aumentavam na mesma
medida que a insatisfação dela com a própria vida. Ela tentava
em vão ajudá-lo a ser mais organizado. “Ele tinha tantos convites
para palestras, e tanto disso e tanto daquilo, que não sabia nem
por onde começar. Tinha que tomar decisões — e tomar decisões
era particularmente difícil para ele naquela época.
“O homem precisava de apoio, e eu não conseguia ajudá-lo.
Na verdade, ele não queria a minha ajuda. Ele não queria se
zangar comigo, suponho, ou não queria que eu me zangasse
com ele. Isso provavelmente foi bem inteligente de sua parte.
Vivian White [a secretária de Neil] costumava ficar muito
estressada, mas aprendeu a dançar conforme a música.”
Janet tentou também organizar umas férias para os dois, mas
Neil não tinha tempo — sua agenda estava sempre muito cheia.
“Eu não podia continuar vivendo daquele jeito. Ele tinha que
examinar nos mínimos detalhes, e nas vezes em que
discutíamos o assunto, eu dizia: ‘Faça e pronto!’ Mas ele não
podia, ou simplesmente não fazia.
“Em novembro de 1987, pedi a ele que fôssemos esquiar, só
que mais uma vez ele não teve como encaixar a viagem em sua
agenda.” Finalmente, no fim de 1988, eles foram para as pistas
de esqui de Park City, Utah, onde Janet o convenceu de que
seria divertido ter uma casa de férias. “Ele era livre para viajar, os
meninos poderiam vir, um lugar assim viria a propósito, e todo
mundo gostava de esquiar.” No começo de 1989, eles
compraram um chalé novo na periferia de Park City, um dos
lugares onde se realizariam os Jogos Olímpicos de Inverno de
2002. Poderia ter sido um divisor de águas no casamento se o
casal tivesse escolhido ver as coisas dessa forma, o que não aconteceu. “O fato é que levávamos um ano para encaixar na
agenda dele uma viagem de fim de semana! Em certo sentido, eu
me ressentia disso. Os sinais eram claros.”
Poucos meses depois da compra da casa de férias, Neil voltou
de uma viagem de negócios e encontrou um bilhete de Janet na
mesa da cozinha de sua casa na fazenda em Lebanon. O bilhete
dizia que ela estava indo embora.
“Tivemos filhos. Tivemos netos. Foi uma decisão demorada e
difícil para mim. Não era fácil — chorei por três anos antes de ir
embora.” Janet postergou a decisão porque “os filhos ainda
estavam lá, o ninho não estava vazio, ainda havia coisas
acontecendo. Sempre esperei que nossa vida a dois melhorasse
com o tempo.
“Entendi a personalidade dele. Eu apenas não conseguia mais
viver com esse jeito de ser.”
Neil levou um baque. “Você não pode fazer alguma coisa a
respeito?”, perguntou-lhe o amigo Harry Combs. “Não,
simplesmente não dá”, respondeu Neil, “Jan desistiu de nós. Ela
não quer viver essa vida.” Combs relatou mais tarde: “Ele estava
na depressão mais profunda que eu já tinha visto. Era terrível.
Ele ficava ali sentado olhando para a mesa — nem se mexia. Eu
perguntava se alguma coisa tinha melhorado, e ele dizia: ‘Os
meninos dão apoio, mas não vejo sinal de que ela vá voltar.’
Foram dois ou três anos assim.”
Dean confirma que Neil ficou muito deprimido: “Durante muito
tempo, ele implorou a ela que voltasse.”
A separação foi tragicamente seguida da morte dos pais de
Neil; primeiro Stephen, depois Viola. Os últimos anos da vida
deles tinham sido tristes e complicados. Stephen tinha sofrido
pequenos AVCs em diversas ocasiões e achava que eles não
tinham dinheiro para viver. Os filhos instalaram os pais em um
duplex em Bisbee, Arizona, onde moravam June e o marido, Jack
Hoffman. Viola se adaptou bem, mas Stephen odiava o deserto.
No verão de 1989, Neil os instalou em uma casa de repouso em
Sidney, Ohio, ao sul de Wapakoneta.
Stephen viveu infeliz em um apartamento particular sem
serviços durante seis meses, e tornou a vida mais difícil para Viola. Neil estava com ele em 3 de fevereiro de 1990, quando ele
sucumbiu a outra sequência de AVCs. “Papai se endireitou na
cama, olhou para nós, deitou-se e morreu”, lembrou Neil. Poucos
dias antes, Stephen emocionou a esposa ao murmurar: “Eu te
amo.”
Depois do luto pelo marido, Viola preparou-se para tocar a
vida. No entanto, um diagnóstico de câncer de pâncreas revelou-
se, na verdade, um problema cardíaco. Infelizmente, sua saúde
era mais frágil do que qualquer um imaginava. Na segunda-feira,
21 de maio de 1990, de volta a Ohio, ela morreu de repente.
Poucos dias antes, ela surpreendeu a filha dizendo: “Não tenho
certeza se existe um Deus. Mas sou muito feliz por acreditar.” No
inverno seguinte à morte dos pais e de sua separação, Neil teve
o infarto. Sua saúde se recuperou rapidamente, mas curar sua
dor no coração levaria mais tempo.
* * *
Se a pessoa tiver sorte, das cinzas pode nascer uma nova vida.
Para Neil, o rejuvenescimento — e uma espécie de redenção
pessoal — começou quando ele conheceu Carol Held Knight.
Nascida em 1945, Carol tinha enviuvado recentemente. Seu
marido, Ralph Knight, de 49 anos, morreu na queda de um
pequeno avião na Flórida em 1989. Sozinha, Carol criou os dois
filhos adolescentes, Molly e Andrew, e tocou o negócio da família,
uma pequena construtora em Cincinnati.
O encontro de Neil e Carol, no verão de 1992, foi arranjado em
segredo por amigos dos dois, Paul e Sally Christiansen, em um
café da manhã que precedeu um torneio de golfe no clube que
eles frequentavam, no subúrbio de Cincinnati. Constrangida por
estar perto do famoso astronauta, Carol pouco falou, e foi
embora cedo para cuidar da mãe doente. Neil acompanhou-a até
o carro. “Poucas semanas depois, meu filho Andy e eu
estávamos no quintal quando ouvi o telefone tocando.
Do outro lado, uma voz disse baixinho: ‘Olá.’ Perguntei quem
era, e a voz baixinha respondeu: ‘Neil.’ Perguntei: ‘que Neil?’ E ele respondeu: ‘Neil Armstrong.’ Eu disse: ‘Ah, e o que deseja?’
Ele perguntou: ‘O que você está fazendo?’ ‘Bem, na verdade,
meu filho e eu estamos tentando derrubar uma cerejeira morta.’
“Neil ficou animado e disse: ‘Eu posso ajudar.’ ‘Bem, você
sabe onde moro’, respondi, ‘em frente à casa de Paul e Sally.’
‘Está bem, daqui a pouco estou aí.’ Trinta e cinco minutos depois,
apareceu uma caminhonete em nossa garagem. Andy abriu a
porta e lá estava Neil com uma serra elétrica na mão. Andy
voltou para a cozinha e disse: ‘Sabe quem está na porta da
nossa casa?’ Eu disse: ‘Ah, esqueci de contar.’”
Carol e Neil se casaram depois de concluído o divórcio com
Janet, em 1994. Houve duas cerimônias de casamento. Carol
relatou uma passagem enquanto planejavam o encontro de
família: “Perguntei: ‘Neil, o que você acha do dia 18 de junho?’
Ele abriu a agenda e disse, bem sério: ‘Tenho um torneio de
golfe.’ Depois olhou para mim, muito envergonhado, e disse:
‘Mas posso transferir para outro dia.’”
Como o estado da Califórnia exige um exame de sangue e um
período de espera de cinco dias para expedir uma certidão de
casamento, Carol e Neil se casaram primeiro em Ohio. O prefeito
da cidadezinha de Carol (também amigo) celebrou o casamento
no dia 12 de junho de 1994. Os Christiansens foram
testemunhas. O casamento californiano ocorreu em San Ysidro
Ranch, perto de Calabasas Canyon, área metropolitana de Los
Angeles. Estiveram com eles naquele dia apenas os quatro filhos
adultos do casal, a esposa de Mark, Wendy, e os dois filhos.
Os recém-casados decidiram construir uma casa nova no
mesmo terreno da antiga casa de Carol. A construção térrea em
estilo campestre inglês ficou pronta em 1997. “Conversamos
sobre a possibilidade de morar em algum outro lugar. Mas todos
os nossos amigos estavam aqui, e estávamos em uma fase da
vida em que as relações humanas não têm preço.”
Carol teria dado muita importância ao que significava ser a
sra. Neil Armstrong? “Tenho certeza de que a atenção sobre ele
é muito menor do que há trinta anos. Sentimos a atenção com
mais força quando saímos do país. Mas ele já não é reconhecido
tantas vezes quanto antes. Sem dúvida, impeço interferências. Explico educadamente ‘Neil não está dando mais autógrafos.’
Tentamos dar alguma coisa em vez disso: ‘Que tal uma foto?’ É
preciso respeitar os sentimentos deles também.
“Em algumas ocasiões fiquei assustada, talvez duas nos
Estados Unidos e umas poucas vezes em outros países. Lembro-
me de uma vez que chegamos a um aeroporto estrangeiro por
volta das duas da manhã. Achei que não conseguiríamos chegar
até o carro, de tanta gente que havia! Precisamos da ajuda de
meia dúzia de policiais só para ir até o carro.
“Uma vez, estávamos chegando de Londres, e nem bem
tínhamos entrado em casa e levado as malas para o quarto
quando tocou a campainha. Fui abrir, e uma mulher com sotaque
britânico disse: ‘Sou do London Times e não consegui falar com
vocês em Londres. Queria uma entrevista. Pode ser agora?’
Olhei bem para ela e disse: ‘Você só pode estar brincando!’
“Neil e eu equilibramos um ao outro, por isso temos uma boa
parceria.”
Os que conheceram Armstrong durante seu segundo
casamento acham que Carol teve um papel importante na
transformação dele em uma pessoa muito feliz.
Hoje, Janet Armstrong mora perto dos dois filhos e dos seis
netos no subúrbio de Cincinnati, depois de passar 25 anos
sozinha em Utah. Rick formou-se em biologia pelo Wittenberg
College em 1979, treinou golfinhos e leões-marinhos para uma
empresa em Gulfport, Mississippi, foi para o Havaí e depois
começou a fazer espetáculos com golfinhos no parque Kings
Island, Ohio. Atualmente está divorciado, e seus três filhos ainda
moram no subúrbio norte de Cincinnati. Toca guitarra
semiprofissionalmente e viaja pelo mundo para assistir aos
shows de sua banda favorita, o Marillion. Mark formou-se em
física em Stanford, onde também jogou na equipe de golfe e
ajudou a instalar o primeiro laboratório de informática para
alunos. Foi trabalhar para a Symantec em Santa Monica, depois
se associou a um ex-colega de quarto da universidade na startup
WebTV, que acabou sendo comprada pela Microsoft. Mark ficou
no Vale do Silício até 2004, trabalhando na Microsoft, quando se
mudou com a mulher e os três filhos para a região de Cincinnati. Foi por conta do interesse de Mark no Macintosh da Apple que
Neil começou a se tornar um aficionado por computadores.
Depois de várias horas de entrevistas para a edição original
deste livro, publicada em 2005, ficou claro que Janet ainda lutava
para entender Neil:
“Todos dão a Neil o maior crédito por não tentar tirar proveito
da fama, ao contrário de outros astronautas.”
“Sim, mas veja o que isso fez com ele por dentro. Ele se sente
culpado por concentrar todos os elogios devidos ao esforço de
milhares de pessoas. Uma pessoa como Jim Lovell tinha uma
personalidade completamente diferente! Ele simplesmente teria
ido em frente e não teria permitido que isso o incomodasse. Mas
Neil permitiu. Ele estava sempre com medo de cometer alguma
gafe, mas não tinha motivo algum para se sentir assim, porque
sempre foi um cavalheiro de bons modos.
“Ele com certeza teve uma vida interessante. Mas levou isso
muito a sério.
“Ele não gostava de se destacar, ou de sentir que as pessoas
ainda queriam tocá-lo ou ter seu autógrafo. Não deixou de dar
autógrafos durante vinte anos provavelmente por não acreditar,
no fundo do coração, que muita gente ganhava dinheiro com a
venda deles.”
“Você está dizendo que, se ele tivesse aparecido em público
mais vezes ao longo dos anos, o interesse por ele teria diminuído
— que ele mesmo se transformou em uma espécie de alvo?”
“Exato.”
* * *
Nos últimos anos de vida, Neil Armstrong parecia ser um homem
muito feliz — talvez mais feliz do que em qualquer outro
momento de sua vida. Embora tecnicamente tenha se
aposentado na primavera de 2002, continuou ocupado como
sempre: viajando pelo mundo, dando palestras, comparecendo a
eventos, visitando filhos e netos, lendo, escrevendo ensaios,
jogando golfe. Frequentava reuniões da Sociedade Filosófica Americana e participava com frequência das sessões anuais da
Academia do Reino do Marrocos, da qual era membro desde a
fundação da entidade pelo rei Hassan II, em 1980.
Quanto a sua vida de aviador, ele aproveitava oportunidades
ocasionais de pilotar alguma aeronave interessante. Em 1989,
quando se tornou presidente da AIL Systems, Inc., foi convidado
para pilotar o bombardeiro B-1. Em 1991, pilotou-o novamente
para uma série de televisão chamada First Flights. Para esse
mesmo programa, pilotou inúmeros aviões, entre os quais o
Harrier, além de helicópteros, planadores e um antigo Lockheed
Constellation.
No fim da década de 1990, Neil vendeu seu Cessna 310, mas
manteve o brevê para poder aproveitar as ocasiões de pilotar
algum avião especial. Em 2001, como diretor da RMI Titanium
Co., pilotou um Airbus 320 na sede da Airbus em Toulouse, na
França. “Tive a bênção de me envolver em muitos
acontecimentos emocionantes e de guardá-los na memória”,
escreveu Neil para um amigo. “Nesta semana estive em Toulouse
e fiz um voo de teste do Airbus 320 sobre os Pireneus. Não foi a
coisa mais emocionante do mundo, mas me diverti.” No verão de
2004, ele pilotou o novo Eurocopter, o helicóptero AStar e uma
variedade de aeronaves leves. Em 2011, apenas um ano antes
de sua morte, chegou a aceitar o convite da Qantas Airways, em
uma visita à Austrália, para pilotar o simulador do Airbus A380.
Esse jato de carreira de dois andares, corpo largo e quatro
motores é o maior avião de passageiros do mundo. Até a morte,
sempre que podia, ele ainda voava em planadores, uma
atividade relaxante que apreciava desde o começo da década de
1960. “Ele sempre foi muito bom nisso”, lembra Janet. “Ele era
mesmo capaz de ouvir as térmicas. Era um alívio para ele estar
lá em cima, voando sozinho.”
* * *
Em 2002, Neil concordou com uma biografia autorizada, o que
resultou na edição original deste livro. Muita gente se perguntou por que ele finalmente teria aceitado a proposta de escreverem a
história de sua vida, depois de recusar convites de alguns dos
mais renomados escritores dos Estados Unidos, entre eles
James Michener, Herman Wouk e Stephen E. Ambrose.
Nenhuma resposta mais explícita foi dada por Neil ou sua família
além de “era o momento certo”. Seu singelo elogio ao autor foi:
“Você escreveu exatamente o livro que disse que escreveria.”
De início, Armstrong, então com 77 anos, concordou em
conceder três entrevistas para o livro, sempre deixando claro que
ele era o tema da obra, e não o autor. Muitos órgãos de imprensa
procuravam entrevistar Armstrong. No fim, ele aceitou aparecer
no programa jornalístico 60 Minutes, da CBS, e dar ali sua única
entrevista. O programa, assistido por um número recorde de
telespectadores, foi ao ar em 1o de novembro de 2005, véspera
do dia em que o livro iria para as livrarias. A CBS anunciou a
entrevista como “o primeiro perfil que o Caminhante na Lua
aceitou conceder”. A reação ao programa foi universalmente
positiva. Um dos bons amigos de Neil de Cincinnati, John G.
Smale, diretor-executivo da Procter & Gamble e mais tarde
presidente da General Motors, enviou-lhe um bilhete de próprio
punho: “A entrevista no 60 Minutes foi simplesmente ótima. Você
se mostrou exatamente como é diante de uma audiência
espalhada por todo o país.” O apresentador do programa foi Ed
Bradley; participou de parte da entrevista, gravada no Cabo
Canaveral, Walter Cronkite, o lendário âncora que narrou para a
CBS todos os lançamentos espaciais tripulados dos Estados
Unidos que foram transmitidos, do Programa Mercury ao Apollo.
As respostas sucintas, rápidas, espirituosas e ponderadas
mostraram um lado pessoal do astronauta que surpreendeu os
que assistiram à entrevista, muitos deles ainda não nascidos
quando a Eagle pousou, em julho de 1969: “Eu sabia que [o
Programa Apollo] teria uma vida limitada. Mas devo dizer que foi
um pouco mais breve do que eu imaginava. Eu esperava
sinceramente que no fim do século [XX] tivéssemos conquistado
muito mais do que na verdade conquistamos. Quando perdemos
a competitividade [fator da corrida contra os soviéticos],
perdemos a vontade pública de continuar.” Neil explicou a Ed Bradley por que não endossa a fama que ganhou depois do
divisor de águas que foi o voo da Apollo 11, ou por seu “um
pequeno passo (…) um grande salto” sobre a superfície lunar.
“Simplesmente não mereço isso [a atenção por ter sido o
primeiro homem na Lua]. Não fui escolhido para ser o primeiro.
Fui escolhido apenas para comandar aquele voo. Fui posto
nesse papel pelas circunstâncias, não foi planejado por
ninguém.” Mais adiante, explicou um dos aspectos
decepcionantes de ganhar o status de celebridade como
astronauta: “Amigos e colegas, de repente, passaram a olhar
para nós [e] a nos tratar de um modo um pouco diferente de
como faziam meses ou anos antes, quando trabalhávamos
juntos. Nunca entendi isso muito bem.” Ele comentou também o
impacto que o fato de ser astronauta da Apollo e a fama
decorrente de ter sido o primeiro homem na Lua tiveram sobre
sua vida pessoal e familiar: “A única coisa que lamento foi que
meu trabalho exigiu uma parte enorme de meu tempo e muitas
viagens, e não consegui passar todo o tempo que gostaria com
meus filhos enquanto eles cresciam.” Para um dos segmentos do
programa, a CBS organizou um voo de planador, com uma
câmera de TV a bordo, que partiu de um aeródromo nos
arredores de Orlando. O segmento terminava com uma pergunta
de Bradley: se a NASA cogitasse levar seres humanos de volta à
Lua em 2018, a viagem seria algo que Neil consideraria
empreender, agora, aos 75 anos. “Não acredito que tenha a
oportunidade”, respondeu, e, com um sorriso, acrescentou, “mas
não posso negar que estaria à disposição”.
* * *
Em 2010, Armstrong teve a chance de ficar à disposição para
duas viagens ao Oriente Médio como integrante das turnês
“Lendas do Espaço”, organizadas pela Morale Entertainment em
parceria com o órgão oficial Armed Forces Entertainment. O
objetivo das turnês era “levantar o ânimo de nossos bravos
homens e mulheres de farda”. Ia com ele toda uma tripulação, comandada por Jim Lovell e Gene Cernan, comandantes da
Apollo 13 e da Apollo 17. Na viagem de março, de dez dias de
duração, eles tiveram a companhia de Steve Ritchie, o único
piloto de caça da Força Aérea Americana considerado “ás” desde
a Guerra da Coreia, e Robert J. Gilliland, o chefe de pilotos de
testes que foi o primeiro a voar em um SR-71 Blackbird. Como
moderador das apresentações ante as tropas em ambas as
viagens estava David Hartman, um apaixonado pelas questões
aeroespaciais que durante muitos anos apresentou o programa
Good Morning America, da ABC. O itinerário era exaustivo: o
grupo voaria um total de 17.500 milhas aéreas com paradas em
seis países (Alemanha, Turquia, Kuwait, Arábia Saudita, Qatar e
Omã), visitando seis bases militares e seus hospitais, saindo de
helicóptero do USS Dwight D. Eisenhower, um porta-aviões em
guerra; e interagindo com mais de quinze mil soldados. A viagem
de outubro (de sete dias de duração) começou no Bahrein, foi até
o porta-aviões USS Harry S. Truman, que estava à frente de uma
força-tarefa de onze navios de guerra americanos no golfo
Pérsico, e terminou na Joint Base Balad, uma base da Força
Aérea no Iraque, a sessenta quilômetros de Bagdá. Depois que
os astronautas visitaram sua base, o sargento da Força Aérea
Bradley Behling, do 386o Esquadrão de Apoio da Força
Expedicionária, disse: “Essa visita foi um sonho que se tornou
realidade. Turnês como essa mostram a todos nós que não
fomos esquecidos. Quando Neil Armstrong vem do outro lado do
mundo para agradecer pessoalmente pelas coisas que estamos
fazendo, não vejo como alguém não se sinta inspirado a
continuar nossa missão até que ela seja cumprida.”
* * *
Durante a viagem de março de 2010, Armstrong, Lovell e Cernan
passaram um bom tempo juntos, discutindo a política espacial do
governo Obama. Todos os três ex-astronautas estavam
descontentes com o cancelamento do “Constellation”, o
programa de voos espaciais desenvolvido pela NASA de 2005 a 2009, cujos objetivos seriam terminar a Estação Espacial
Internacional e voltar à Lua até 2020, com um voo tripulado ao
planeta Marte como objetivo final. Em 2004, o custo do programa
foi avaliado em 230 bilhões de dólares em vinte anos. O
Constellation previa a criação do foguete de lançamento Ares, do
veículo de exploração tripulado Orion e do módulo de pouso
lunar Altair. Durante anos, Neil preferiu não falar publicamente
contra qualquer decisão política sobre o programa espacial, mas
o cancelamento do Constellation o incomodou de verdade.
Incitado por Jim e Gene, Neil concordou em participar de um
painel que daria um depoimento perante o Congresso.
Diante da Comissão de Comércio, Ciência e Transporte do
Senado, em 12 de maio de 2010, Neil se juntou aos dois outros
comandantes do Programa Apollo para criticar o cancelamento
do Constellation. Não foi a política e com certeza não foram as
questões partidárias o que o levaram a tornar públicas suas
preocupações. Se Lovell e Cernan, junto com o ex-diretor da
NASA Mike Griffin, não o tivessem pressionado tanto a
manifestar seus pensamentos sobre os erros da NASA, Neil
provavelmente não teria dito nada. Mas, uma vez que pôs na
cabeça que faria aquilo, deu seu máximo e fez a melhor e mais
clara declaração sobre a preocupação nacional que conseguiu
formular. “Acredito que até agora”, disse ele à Comissão de
Ciência, Espaço e Tecnologia da Câmara dos Representantes
em 26 de maio de 2010, “o investimento nacional em exploração
espacial e a contribuição para o resto do mundo com os
conhecimentos adquiridos se fizeram com sensatez e foram úteis
para todos nós. Os Estados Unidos são respeitados pelas
contribuições que deram ao conhecimento de como navegar
nesse novo oceano. Se deixarmos que a liderança que
conseguimos por meio de nosso investimento simplesmente
feneça, outras nações certamente ocuparão o vazio. Acredito que
isso não seria de nosso interesse.”
Em particular, Neil tinha opiniões muito mais duras sobre o
ambiente que afetava a política espacial americana. Em carta a
um amigo, coronel da reserva da Força Aérea dos Estados
Unidos e funcionário da NASA, ele escreveu, em agosto de 2010: “Não é de esperar que o presidente conheça muita coisa sobre
nosso mundo [ou seja, a comunidade aeroespacial] e esse é
apenas um pequeno detalhe em comparação com as coisas
grandes que ele tem que administrar no momento: Afeganistão,
sistema de saúde, a recuperação da economia, derramamento
de petróleo etc. Portanto, eu esperava que fosse orientado por
bons assessores. Concluí que não os tem. A camarilha que o
aconselha tem seus próprios objetivos. E achava que os
alcançaria passando a perna no Congresso, ao suprimir o
processo normal de análise da proposta de orçamento da NASA
e levá-lo a votação entre o Dia de Ação de Graças e o mês de
fevereiro. Ainda estou por encontrar um senador, representante,
diretor de projeto, oficial da Força Aérea ou da Academia
Nacional que tenha alguma ideia do que seria o plano proposto
pela NASA. Então, quando anunciou o plano, em 1o de fevereiro
[2010], o presidente enfureceu muitos parlamentares — dos dois
lados do corredor. Tenho certeza de que essa reação o pegou de
surpresa. A camarilha fez algumas emendas rápidas que foram
anunciadas no discurso de 15 de março no Centro Espacial
Johnson. Ficou claro para muita gente que tinham sido mal
elaboradas. Então fiquei perturbado com o método usado pelo
presidente. Muitas das iniciativas que ele anunciou eram
profundamente vulneráveis à supressão ou modificações por
futuros congressos ou governos. Isso sempre acontece até certo
ponto, mas a falta de uma espinha dorsal do plano indica que o
voo espacial poderia desaparecer aos poucos ao longo de alguns
anos. Continuo preocupado, mas ainda tenho esperança. Ainda
há trabalho a fazer.” Em 2011, Neil depôs mais uma vez perante
o Congresso, dessa vez para a Comissão de Ciência, Espaço e
Tecnologia. Além disso, enviou inúmeras cartas ao presidente e a
outros membros da comissão, reforçando seus argumentos.
No ano seguinte, suas declarações públicas de certa forma
tiveram o efeito inverso ao pretendido. Em 25 de março de 2012,
cinco meses antes de sua morte, Armstrong ficou preocupado
com uma matéria do programa 60 Minutes, de Scott Pelley,
transmitido pela CBS, com Elon Musk, da SpaceX, falando do
progresso que estava sendo feito no sentido de “comercializar o espaço”. Mostrando um vídeo com um depoimento de Neil,
Pelley afirmou: “Há heróis americanos que não gostam da ideia.
Neil Armstrong e Gene Cernan se declararam contrários ao voo
espacial comercial da forma como está sendo desenvolvido (…)
que a decisão do governo Obama de comercializar o espaço
poderia comprometer a segurança e em algum momento onerar
o contribuinte (…) Eu queria saber o que o senhor pensa a
respeito.” Um Elon Musk visivelmente emocionado, de olhos
marejados, respondeu: “Fico muito triste com isso. Esses caras
são meus heróis, então é mesmo muito difícil. Eu gostaria que
eles viessem nos visitar [e] vissem o trabalho sério que estamos
fazendo aqui. Acho que mudariam de ideia.”
Armstrong sempre levou a verdade muito a sério, e exigiu,
nesse caso, que ela fosse literal. Escreveu para o 60 Minutes
corrigindo a gravação: “Fico imaginando onde o senhor obteve
essa informação (…) Vasculhei [todo o meu depoimento no
Congresso] e não encontrei nada que confirmasse suas
afirmações (…) Em geral, refiro-me às opiniões de outras
pessoas e não às minhas. Para mim, é impossível conciliar suas
afirmações com meu depoimento. É verdade que as comissões
demonstraram ceticismo quanto aos planos e projetos da NASA
nas áreas de Carga Comercial e Tripulação Comercial, e fizeram
reuniões para tratar especificamente desses temas. Com certeza
existem depoimentos que o senhor pode usar para sustentar o
que afirma. Mas acho surpreendente que tenha preferido criar
uma ‘antiposição’ para mim (…) Peço que me explique com
clareza diante de seus telespectadores como chegou às
afirmações falsas que fez.” Foram anexados à carta dirigida à
CBS excertos de seu depoimento à comissão do Senado, que
Neil chamou de “os únicos comentários de meu depoimento
relacionados aos chamados ‘empreendimentos do espaço
comercial’.”
Em nome da CBS News, Scott Pelley respondeu a Armstrong,
mas só em 12 de junho. Aparentemente, a carta de Neil tinha
sido “extraviada no nosso lado”, causando a demora de dez
semanas para que houvesse uma resposta. Pelley pediu
desculpas, mas explicou por que o 60 Minutes tinha achado justa a conclusão a que chegara sobre a posição de Neil sobre a
comercialização do espaço: “Como justificativa, citamos seu
testemunho perante o Congresso no ponto em que o senhor
levanta dúvidas sobre o programa do governo Obama. O
depoimento diz o seguinte:
Fico muito preocupado porque o novo plano, da forma como o entendo, pode
proibir o acesso humano a órbitas baixas da Terra em nossos próprios foguetes e
espaçonaves até que a indústria aeroespacial privada seja capaz de levar seu
material em desenvolvimento ao ponto de permitir o uso humano. Apoio o
incentivo a recém-chegados em seu objetivo de acesso de baixo custo ao espaço.
Só que depois de mais de cinquenta anos lidando com foguetes, não estou
confiante. Os engenheiros de foguetes mais experientes com quem conversei
acreditam que isso levará muitos anos e exigirá grande investimento para chegar
ao nível necessário de segurança e confiabilidade.
Qualquer pessoa que ouça ou leia a declaração poderia
concluir, com razão, como fez Pelley, que Neil não era favorável
a transferir o projeto e a operação dos voos espaciais ao setor
privado, nem no curto prazo nem por muitos anos,
possivelmente. Ainda assim, Pelley reconheceu que houve uma
falta de precisão naquilo que foi ao ar: “Deveríamos ter
explicitado em nossa matéria que, embora não estivesse
‘confiante’ na capacidade dos recém-chegados de atingir
objetivos de segurança e baixo custo em pouco tempo, o senhor
gostaria de incentivá-los. Também deveríamos ter deixado mais
claro que suas preocupações estavam dirigidas a ‘recém-
chegados’ em geral e não à Space X em particular.” Pelly
convidou Neil a escrever uma declaração “que publicaremos na
íntegra”, mas Neil preferiu aceitar a transmissão de uma
declaração corrigida escrita por Pelley em nome do 60 Minutes.
* * *
Muito mais do que ao depor no Congresso, em seus últimos anos
de vida Armstrong aproveitou seu casamento com Carol; sua
casa tranquila e a reservada vida social no subúrbio de
Cincinnati; e sua casa de férias na estação de esqui de Telluride, Colorado, nas Montanhas Rochosas. Ele também gostava de
estar mais perto de Rick e Mark — muitas vezes no campo de
golfe, o que a família inteira adorava — e das viagens quase
anuais à Escócia e à Irlanda com um dos filhos ou com os dois.
Além disso, ele se aproximou bastante dos dois enteados (os
filhos adultos de Carol), Andy (Knight) e Molly (Knight van
Wagenen), e se afeiçoou muito a sua “Família Sol-La-Si-Dó” de
onze netos. Ainda viajava bastante, principalmente para destinos
remotos, muitas vezes com Carol e de vez em quando sozinho.
Em julho de 2007, eles estiveram em Israel, com um passeio à
antiga fortaleza de Massada e uma parada no Yad Vashem, o
memorial dos mártires e heróis do Holocausto. Neil fez palestras
em Haifa e Tel Aviv e uma sessão de perguntas e respostas com
cinquenta crianças no Museu de Ciência de Haifa. Em 2008, ele
e Carol fizeram um cruzeiro na Escandinávia com um grupo da
Universidade Purdue. Em 2009, foram ao Atlântico sul, às ilhas
Malvinas e à Antártica, em uma expedição de 26 dias da National
Geographic Explorer. Quase todos os anos, no fim do verão, Neil
ia ao “encontro campestre” dos Conquistadores del Cielo, a
exclusiva fraternidade de altos executivos da aviação e grandes
pilotos, que se reuniam em locais mantidos em sigilo. Esses
encontros eram meramente recreativos, com atividades
esportivas como saque rápido, pesca com mosca, lançamento de
ferraduras, lançamento de facas, tiro ao prato e shuffleboard, um
jogo parecido com a bocha.
Armstrong fez sua última viagem internacional em agosto de
2011, à Austrália. Muita gente achou o motivo da viagem bem
pouco comum: ele não só aceitou fazer uma palestra na reunião
comemorativa do 125o aniversário da CPAA, uma associação
profissional de contadores, mas também dar uma entrevista
pessoal frente a frente, gravada, a Alex Malley, chefe-executivo
da CPAA, que durante uma viagem de negócios a Ohio no ano
anterior tinha convencido Neil a comparecer ao improvável
evento. “Sei uma coisa sobre Neil Armstrong que pouca gente
sabe — o pai dele era auditor”, disse Malley a seus
correligionários e à imprensa australiana. Neil concordou em comparecer à assembleia de contadores australianos em
homenagem ao pai, disse Malley. 7
Mas o evento acabou sendo uma nova traição à confiança de
Neil. A entrevista de cinquenta minutos que deu a Malley foi
postada no site da CPAA em quatro partes, com acesso
supostamente restrito a membros da associação. O material, no
entanto, viralizou. Um amigo australiano, Len Halprin, escreveu a
Neil semanas depois: “Devo lhe dizer que a série de entrevistas
em vídeo que você concedeu a Alex Malley, da CPA Australia, no
ano passado, explodiu nos meios de comunicação daqui nas
últimas 48 horas, e está se espalhando como um incêndio.
Órgãos de imprensa de toda a Austrália e do mundo estão atrás
de Alex para entrevistá-lo e para saber como foi que ele
conseguiu essa exclusiva mundial com você. Uma emissora local
de Melbourne está falando sem parar da entrevista há uma hora
e foi atrás de Alex no Vietnã para entrevistá-lo. Espero que a
imprensa respeite sua privacidade e que você não seja
incomodado de forma alguma.” Neil respondeu: “Sim, a
publicação dessas entrevistas foi uma surpresa, já que foram
produzidas só para uso interno da CPAA. Estou recebendo
comentários do mundo inteiro.” Neil não ficou nada satisfeito, e
seus advogados escreveram a Malley acusando-o de quebra de
acordo. Mais tarde, a imprensa australiana informou que Malley
— além de se vangloriar do fato de sua entrevista com Armstrong
ter sido vista por um bilhão de pessoas — propôs sua venda para
o programa 60 Minutes da Nine Network e para a Australian
Broadcasting Corporation. Os representantes da CPA Australia
sustentaram que a organização tinha cumprido plenamente o
acordo, mas, em 2017, a oposição a Malley dentro da
organização, impulsionada até certo ponto pelo escândalo
Armstrong, levou ao encerramento de seu contrato. Enquanto
isso, Malley continuava tentando rapinar o nome de Neil
Armstrong.
* * *
A última apresentação pública de Armstrong foi no discurso de
abertura em um evento do Observatório Lowell, em Flagstaff,
Arizona, para 730 convidados. A festa celebrava a inauguração
do telescópio Discovery Channel (DCT, na sigla em inglês)
depois de uma década dedicada à sua construção. O ponto alto
da fala de Armstrong foi a descrição detalhada do que ele viu
enquanto descia da órbita lunar rumo ao pouso no mar da
Tranquilidade em 20 de julho de 1969 (ele contou isso pela
primeira vez na palestra da CPA Australia em agosto de 2011).
As imagens sensacionais vinham das câmeras de bordo do
orbitador de reconhecimento lunar (LRO, na sigla em inglês) da
NASA, que em julho de 2009 começou a captar imagens dos seis
locais de pouso das naves Apollo. Ao longo dos anos, desde o
primeiro pouso na Lua, inúmeras pessoas pediram a Neil que
contasse os detalhes do pouso, quase sempre em vão. Agora,
com a nova tecnologia side-by-side — o lado esquerdo da tela
mostrando o filme original de 1969, feito pela Apollo 11 através
da janela do módulo lunar, e o lado direito com a animação em
alta definição com imagens da câmera do LRO —, Neil
aproveitou com prazer a nova oportunidade de explicar como
ocorreu o histórico pouso:
A descida real motorizada do módulo lunar durou doze minutos e 32 segundos, e
isto mostra apenas os três minutos finais, a parte mais interessante, que é
quando se chega perto da superfície da Lua (…) Isto aqui à esquerda aconteceu
há 42 anos, e as imagens da direita foram feitas nos dois últimos anos. Vocês vão
ouvir a tripulação conversando. Podem ouvir meu copiloto dando as altitudes
descendentes, e vão ouvir vozes no fundo das pessoas falando no Controle da
Missão na Terra. Começamos a descer a cerca de dois mil metros, agora estamos
a menos de mil metros de altitude. Meu computador informa que está nos levando
para o pouso exatamente do lado direito daquela grande cratera, no canto
superior esquerdo. As encostas são íngremes e as rochas parecem muito
grandes, do tamanho de automóveis, com certeza não é o lugar onde eu gostaria
de pousar. Então interrompi o comando por computador — o piloto automático —
e conduzi o módulo manualmente na direção oeste, tentando encontrar um ponto
mais suave e nivelado para o pouso. De vez em quando o computador reclama;
você pode ouvi-lo dar alarmes — o 1202 e o 1201 — que nos dizem que o
computador está um pouco preocupado com seu funcionamento. Mas tudo
parece estar indo bem, e o pessoal do Controle da Missão diz que podemos
continuar. Agora estamos a cerca de cem metros, olhando para a superfície onde
está essa cratera de trinta metros de diâmetro e cerca de oito de profundidade.
Parece um verdadeiro tesouro geológico; quero fazer a volta e dar uma olhada
nisso se tiver a oportunidade quando estiver por conta própria, a pé. Estamos
procurando um ponto nivelado além daquela cratera, e vejo um ponto liso bem ali
na parte superior da tela. Parece um bom lugar, e estou ficando com pouco
combustível; tenho menos de dois minutos de combustível. Estamos abaixo de
setenta metros agora (…) cinquenta metros, ainda tudo bem (…) Do lado
esquerdo, você vê no filme antigo que o motor a foguete está começando a
levantar alguma poeira da superfície. Recebemos o aviso de que só temos trinta
segundos de combustível precisamos levá-lo para baixo aqui mesmo e já, antes
de ficarmos sem nada. A imagem da esquerda é mais exata, embora mostre mais
poeira. Ali dá para ver a sombra da perna de pouso do módulo lunar que vai
descer para a superfície, em meio à poeira. Estamos muito perto agora.
Quando Neil terminou a apresentação, ao som da famosa
gravação da voz de Buzz (“Seis metros, a meia altura.
Avançando um pouquinho. Bom. Ok. Luz de contato… Apagar.”)
e de Neil (“Ok. Motor parado… Houston, base da Tranquilidade
aqui. A águia pousou.”), o auditório em Flagstaff se pôs de pé e
prorrompeu em aplausos. As palmas nunca teriam cessado se
eles soubessem que o grande astronauta morreria poucas
semanas depois.
* * *
Neil Armstrong morreu no sábado 25 de agosto de 2012, em um
hospital do subúrbio de Cincinnati, de complicações decorrentes
da cirurgia de implantação de quatro pontes coronarianas a que
se submetera dezenove dias antes. Na véspera da operação, dia
5 de agosto, ele tinha festejado seu 82o aniversário. Pouco
depois da morte, a família emitiu o seguinte comunicado:
Com muita tristeza, comunicamos que Neil Armstrong faleceu por complicações
de procedimentos cardiovasculares. Neil era nosso querido marido, pai, avô,
irmão e amigo. Neil Armstrong foi também um relutante herói americano que
sempre acreditou que estava apenas fazendo seu trabalho. Serviu com orgulho à
nação como piloto de guerra da Marinha, piloto de testes e astronauta. De volta
ao estado natal de Ohio, teve êxito também nos negócios e na vida acadêmica, e
se tornou um líder comunitário em Cincinnati. Continuou sendo um defensor da
aviação e da exploração durante toda a vida, e nunca perdeu o encantamento
que sentia na infância por esses anseios. Embora tendo muito apreço por sua
privacidade, Neil sempre estimou as manifestações de boa vontade vindas de
gente do mundo inteiro e de todas as condições sociais. Ao mesmo tempo que
choramos a morte de um homem muito bom, celebramos sua vida esplendorosa e
esperamos que sirva de exemplo aos jovens do mundo inteiro para que trabalhem
com afinco para transformar seus sonhos em realidade, para que se disponham a
explorar e ultrapassar limites e servir com generosidade a uma causa maior que
eles mesmos. Para quem gostaria de saber o que fazer em homenagem a Neil,
nosso pedido é simples: honre seu exemplo de serviço, realizações e humildade,
e, da próxima vez que sair a caminhar em uma noite clara e vir a Lua sorrindo
para você, pense em Neil Armstrong e dê uma piscada para ele.
A notícia de sua morte surpreendeu o mundo inteiro, virou
manchete na primeira página de praticamente todos os jornais do
planeta e causou uma avalanche de expressões de sentimentos
profundos sobre a grandeza de Neil Armstrong; não só como
astronauta, piloto de testes, aviador naval e engenheiro, mas
como homem ilibado. Charles Bolden, diretor da NASA e ex-
astronauta, comentou: “Enquanto existirem livros de história, Neil
Armstrong estará neles.” O presidente Barack Obama disse: “Neil
Armstrong foi um herói, não só de seu tempo mas de todos os
tempos.” O astrônomo britânico Sir Patrick Moore disse: “Como
primeiro homem na Lua, ele quebrou todos os recordes. Foi um
homem que teve toda a coragem do mundo.” O dr. Neil deGrasse
Tyson, astrofísico da Universidade Harvard, comentou: “Nenhum
outro ato de exploração humana colocou uma placa com os
dizeres ‘viemos em paz por toda a humanidade.’” Buzz Aldrin
disse que estava “profundamente sentido com a morte de Neil.
Sei que estou acompanhado de milhões de pessoas a lamentar a
morte de um verdadeiro herói americano e o melhor piloto que já
conheci. Esperava que em 20 de julho de 2019, Neil, Mike e eu
estivéssemos juntos para comemorar o quinquagésimo
aniversário de nosso pouso na Lua. Lamentavelmente, isso não
vai acontecer”. Michael Collins disse a respeito de Neil: “Ele era o
melhor, e vou sentir demais a falta dele.”
Neil poderia ter morrido em muitas ocasiões durante sua
extraordinária vida no ar e no espaço — em combate nos céus
da Coreia do Norte; ao testar perigosos aeroplanos nunca antes
pilotados; em lançamentos flamejantes propelidos por foguetes
que podiam explodir; durante o giro atordoante, quase a ponto de
perder consciência, de uma espaçonave descontrolada depois do
encontro e acoplamento em órbita ao redor da Terra; tentando
ejetar de um veículo de pesquisa de pouso lunar uma fração de segundo antes que a perversa máquina explodisse; voando na
Eagle quase sem combustível rumo ao pouso em uma região
lunar cheia de crateras e rochas. Parece inadequado e injusto
que um homem que escapou da morte ou de ferimentos graves
em tantas ocasiões durante sua extraordinária carreira tenha
morrido em uma cama de hospital por causa de complicações
cirúrgicas.
O que aconteceu exatamente com o estado de saúde de Neil
e o levou à morte, em 25 de agosto de 2012, talvez nunca
chegue ao conhecimento de qualquer pessoa fora da família ou
da equipe médica que o assistiu. São poucas as informações
publicamente conhecidas sobre sua morte. Eis o pouco que se
sabe:
Neil internou-se em 6 de agosto, um dia depois de seu 82o
aniversário. O autor deste livro sabe, por um e-mail enviado por
Neil às 15h53 de 11 de agosto, que ele estava com um “problema
aparentemente de refluxo” e foi aconselhado pelo cardiologista a
ir imediatamente para o hospital, e que o médico fez “uma
cintilografia cardíaca, que levou a uma angiografia e a uma ponte
quádrupla”. Em resumo, os exames que Neil fez no dia 6 de
agosto levaram a uma cirurgia para o implante de quatro pontes
na artéria coronariana, realizada na manhã do dia seguinte.
Neil foi operado no Hospital de Misericórdia de Fairfield, com
293 leitos, situado no condado de Butler, subúrbio de Cincinnati,
Ohio.
No e-mail de 11 de agosto, Neil afirma que “a recuperação vai
bem, só que o golfe vai ficar de molho por algum tempo. Espero
ser expulso do hospital em mais um dia ou dois”. Em outras
palavras, Neil esperava ter alta em 12 ou 13 de agosto para se
recuperar em casa.
Neil nunca foi para casa; morreu no hospital em 25 de agosto,
duas semanas depois do e-mail esperançoso que enviou ao
autor deste livro.
E, por último, toda a família disse que ele “morreu de
complicações resultantes de uma cirurgia cardiovascular”.
Fica bem claro que alguma coisa ruim aconteceu durante
essas duas semanas. Qualquer cirurgia cardíaca é séria — muita coisa pode dar errado, sobretudo se o paciente tiver 82 anos.
Mas pode-se pensar que a mensagem otimista que Neil enviou
ao autor deste livro cinco dias após a cirurgia, dizendo que
esperava ir para casa em um ou dois dias, indica que ele tinha
vencido os principais riscos pós-cirúrgicos. Não deve ter sido
apenas algo ruim, mas também inesperado, o que levou Neil à
morte. Talvez algum dia o mundo saiba o que foi. Se o mundo
merece saber, e se Neil ia querer que soubesse, são duas
questões com as quais este biógrafo vem lutando com força
durante os últimos anos. Por enquanto, a história deve respeitar
o direito da família à privacidade, sejam quais forem seus
motivos.
Na sexta-feira, dia 31 de agosto, realizou-se um velório para a
família e amigos próximos no Camargo Golf Club, de que os
Armstrongs eram sócios havia muito tempo. O clube fica em
Indian Hill, o bairro de Cincinnati em que moraram desde o
casamento, em 1994. Estavam presentes cerca de duzentas
pessoas, entre parentes de Neil e amigos. Havia uma guarda de
cerimônia da Marinha e um músico tocando a gaita de foles, além
de um forte esquema de segurança para manter longe a
imprensa e pessoas não convidadas. Mike e Buzz estavam
presentes, assim como John Glenn, Jim Lovell e diversos outros
astronautas, funcionários do programa espacial e pessoas
ilustres do aeroespaço, no passado e no presente. Discursaram o
parlamentar de Ohio Rob Portman, amigo da família, e Charles
Mecham, velho amigo de Neil e ex-presidente da Taft
Broadcasting. Rick e Mark Armstrong falaram um pouco sobre o
pai, contando casos pessoais — e algumas das anedotas
preferidas de Neil — que ajudaram a levantar os ânimos. O filho
de Carol, Andrew Knight, leu um trecho de I Coríntios, e a neta
dela, Piper van Wagenen, leu o salmo 23. A meio-soprano
Jennifer Johnson Cano, do Metropolitan Opera House, cantou
“September Song”, uma das músicas preferidas de Neil. Ao fim
da cerimônia, todos saíram para ver o sobrevoo dos jatos de
caça F-18 na formação missing man, ou sobrevoo do
desaparecido.
Neil Armstrong era tão querido que muitos americanos,
liderados pelo parlamentar Bill Johnson, pediram ao presidente
Obama um funeral de chefe de Estado, evento formal escorado
na tradição e normalmente reservado a ex-presidentes. A
proposta foi apresentada à família, mas Carol recusou (na
segunda-feira, 27 de agosto, Obama decretara o hasteamento a
meio mastro da bandeira americana em todo o país, assim como
em “todas as embaixadas americanas, legações, consulados e
outras entidades no exterior, inclusive todas as instalações
militares, barcos da Marinha e estações”). Celebrou-se um
grande serviço fúnebre público em 13 de setembro, na Catedral
Nacional de Washington, no quadrante noroeste da capital. Com
sua estrutura gótica imponente, a catedral foi um lugar adequado
para abrigar a homenagem a Armstrong, já que sua “Janela do
espaço” representa a missão da Apollo 11 e guarda uma lasca de
rocha lunar entre seus vitrais. Diante da multidão que lotava a
catedral, Mike Collins iniciou uma oração. O discurso fúnebre foi
feito por seu velho amigo e colega de Purdue Gene Cernan,
comandante da Apollo 17 e último homem a pisar na Lua, além
de Charles Bolden, diretor da NASA. Também falaram o ex-
secretário da Marinha John H. Dalton, e John W. Snow, também
de Ohio, ex-CEO da CSX Corporation que foi secretário do
Tesouro de George W. Bush. Uma das cantoras preferidas de
Neil, Diana Krall, cantou “Fly Me to the Moon”. Embora
acreditasse em Deus, Neil não era religioso praticante. Assim, a
reverenda Gina Gilland Campbell leu uma passagem do Livro de
Mateus, e a reverenda Mariann Edgar Budde fez uma homilia.
No dia seguinte, 14 de setembro, as cinzas de Armstrong
foram espalhadas no oceano Atlântico ao largo de Jacksonville,
Flórida, em uma cerimônia de sepultamento no mar a bordo do
USS Philippine Sea, da Estação Naval de Mayport. Estavam a
bordo a viúva, Carol; o filho Rick e a filha dele, Kali; o filho Mark e
sua esposa, Wendy; a irmã, June, e seu marido, Jack Hoffman; o
irmão, Dean, e sua esposa, Kathryn; a enteada Molly van
Wagenen e seu marido, Brodie; e o enteado Andrew Knight e sua
esposa, Cristina. Um pelotão da Marinha dos Estados Unidos
disparou uma salva de tiros em honra de Neil, seguida de um toque de silêncio. Portanto, Neil continuou sendo um homem da
Marinha até o fim — muita gente achava que por isso ele preferiu
ser sepultado no mar. Ou talvez tenha sido porque Neil, tão
modesto e reservado, não quisesse a atenção e a romaria que
uma sepultura tradicional atrairia.
Como disse o secretário da Marinha Raymond E. Mabus no
dia do sepultamento: “Neil Armstrong nunca quis ser um
memorial vivo, contudo, para muitas gerações e no mundo
inteiro, sua coragem épica e sua humildade serão o melhor dos
exemplos.”
* * *
Nos últimos anos de vida, Neil Armstrong recebeu muitos
prêmios nacionais e internacionais, que sempre aceitou com a
humildade e a modéstia de que só os mais raros dos “eleitos da
vida real” são capazes. Ao longo dos anos, a partir da Apollo 11,
ele ganhou inúmeros prêmios (Medalha Presidencial da
Liberdade com Distinção, 1969; Troféu Memorial Dr. Robert H.
Goddard, com Mike Collins e Buzz Aldrin, do Clube Espacial
Nacional, 1970; Prêmio Sylvanus Thayer, da Academia Militar,
1970; Medalha de Honra do Espaço do Congresso, 1978; Hall da
Fama da Aviação Nacional, 1979; Hall da Fama dos Astronautas
dos Estados Unidos, 1993; Medalha de Ouro Langley, do Instituto
Smithsoniano, 1999), mas os que recebeu no ocaso da vida
pelas conquistas em sua carreira foram realmente especiais.
Em 2006, Armstrong recebeu da NASA o Prêmio Embaixador
da Exploração, em uma cerimônia realizada no Museu do Centro
de Cincinnati no Union Terminal. O prêmio era representado por
uma amostra lunar em um belo estojo de cristal, parte dos 382
quilos de solo e rocha trazidos por seis expedições lunares de
1969 a 1972. O prêmio daquele ano foi concedido aos 38
astronautas e outros eméritos participantes (ou membros
sobreviventes de suas famílias) dos programas Mercury, Gemini
e Apollo. O ex-senador John Glenn declarou durante a cerimônia:
“Não são muitos aqueles que invejo. Mas no caso de Neil, abro uma grande exceção.” Armstrong, que sempre quis proporcionar
alguma coisa educativa aos que o ouviam, foi além do muito
obrigado e ofereceu o que ele chamava de “uma fina fatia de
história natural”. Tendo ao lado o fragmento de rocha lunar que
acabava de ganhar, Neil enfatizou o desenvolvimento geológico
da Lua referindo-se à rocha-mãe, a que ele dera o apelido de
“Bok”. Neil disse: “Fui eu a estranha criatura que sequestrou
Bok.” Em seguida, referiu-se à amostra lunar de seu prêmio
como “um pedacinho da velha Bok”. A inscrição do prêmio dizia
que a rocha lunar de Neil era “um símbolo da unidade do esforço
humano e da esperança da humanidade de um futuro de paz e
harmonia.”
Na segunda-feira, 20 de julho de 2009, por ocasião do
quadragésimo aniversário do primeiro pouso na Lua, Armstrong,
Collins e Aldrin foram recebidos pelo presidente Obama na Casa
Branca. Obama elogiou os três homens, chamando-os de
“genuínos heróis americanos” e dizendo que “o marco da
excelência na exploração e na descoberta do espaço sempre
será representado pelos homens da Apollo 11”. Neil sempre
achou uma grande honra receber um aperto de mão do
presidente dos Estados Unidos, assim como nessa ocasião, mas
nos meses seguintes ele e outros destacados defensores da
exploração espacial se tornariam cada vez mais críticos da
política espacial do governo Obama.
Na noite da véspera, Neil e os parceiros deram a Palestra
John H. Glenn sobre história espacial no Museu Nacional do Ar e
do Espaço (NASM), o principal evento anual de debate sobre o
papel do espaço, da ciência e da tecnologia na vida americana
moderna. Um dia antes, o pessoal do museu coordenou uma
grande celebração para a NASA, que decidira comemorar com
uma única cerimônia conjunta o aniversário de todas as missões
do Programa Apollo. Durante dois fins de semana, vinte
astronautas das missões Mercury, Gemini e Apollo
compareceram ou, no caso dos falecidos, foram representados
por membros da família. Além deles, compareceu como
convidada a tripulação completa da STS-125, que em maio acabara de cumprir a missão final de instalação do telescópio
espacial Hubble.
A dra. Margaret Weitekamp estava em seu primeiro ano na
coordenação da Palestra Glenn para o Departamento de História
Espacial do NASM. Aquele se provou um batismo de fogo, não
só por ter que lidar com a logística de três oradores (Neil, Buzz e
Mike, de personalidades muito diferentes entre si), mas também
por ajudar no planejamento da noite, desde a recepção de
abertura, passando pela palestra propriamente dita e terminando
com a volta dos oradores ao hotel. A segurança para Neil era
sempre uma preocupação especial, e a noite da festa da NASA
não foi diferente. Como recorda Margaret, “em dado momento da
recepção e da programação da NASA, a direção do evento pediu
que o sr. Armstrong fosse levado da sala de espera próxima ao
teatro do museu até o palco que tinha sido construído no outro
extremo do imenso corredor central Marcos do Voo. Mas o lugar
estava cheio de gente, em fileiras e mais fileiras de cadeiras, e
era apenas um espaço extra.”
Enquanto Margaret passava com Neil, “vinham admiradores
de todos os lados para cumprimentá-lo, dar-lhe tapinhas nos
ombros, chamar-lhe a atenção e tentar apertar a mão dele”. A
curadora da NASA ficou “cada vez mais preocupada com a
passagem tão estreita que tinha sido deixada e com a quantidade
de cabos presos com fita-crepe que cruzavam o piso para ligar
aparelhos audiovisuais e microfones. Éramos apenas três para
lhe dar proteção.” Ela “tomou-o pelo braço e o guiou com cuidado
em meio à multidão”. Mas a curta caminhada deu-lhe “um
vislumbre de como seria estar sujeito a tanta atenção sufocante,
ainda que bem-intencionada”.
De início, Neil relutou em falar sobre o pouso da Apollo 11;
com efeito, quando foi convidado a dar sua Palestra Glenn como
único orador em 2006, ele preferiu falar sobre seu trabalho de
engenharia no X-15. No fim, ao dar a palestra do quadragésimo
aniversário do pouso, “ele ficou meio engraçado com seu estilo
professoral de falar”. Neil apresentou a palestra pelo nome
“Goddard, governança e geofísica”, título que “parecia tão
acadêmico que a plateia riu alto”. Neil fez uma pausa, sorriu, ergueu um dedo e disse: “Primeira parte, Goddard.” A plateia
entendeu que ele estava falando sério. Ele tinha arquitetado uma
boa palestra sobre a pesquisa que apoiara o pouso lunar da
Apollo 11. A plateia, segundo Margaret Weitekamp, “ouvia em
profundo silêncio em suas cadeiras”. Antes da fala oficial de Neil,
Mike Collins fez umas observações breves, informais e
espirituosas, brincando consigo mesmo de um modo que cativou
a plateia do teatro IMAX do NASM. Buzz falou em seguida,
auxiliado por um teleprompter, como faria um presidente dos
Estados Unidos, proclamando sua visão do futuro do país no
espaço e usando uma série de elaborados slides. Nada poderia
ilustrar melhor as enormes diferenças de personalidade entre os
três tripulantes da Apollo 11 do que o modo como eles
transmitiram o que tinham a dizer à plateia do Instituto
Smithsoniano naquela noite.
Em 2010, Neil recebeu o que ele considerava uma das
maiores honrarias de sua carreira, ao ser incluído no Hall da
Honra da Aviação Naval em Pensacola, Flórida, onde tinha se
preparado para tornar-se aviador naval sessenta anos antes.
Situada no Museu Nacional da Aviação Naval, o galardão se
destinava a pessoas “que por seus atos ou realizações deram
contribuições destacadas à aviação naval”.
Em 2011, ele ganhou a Medalha de Ouro concedida pelo
Congresso a pessoas “responsáveis por realizações de impacto
para a história e a cultura americanas, que possam ser
reconhecidas como grandes conquistas na área de atuação do
contemplado muito depois de sua consumação”. Na mesma
cerimônia, que ocorreu na rotunda do Capitólio, Mike Collins,
Buzz Aldrin e John Glenn também receberam as medalhas de
ouro, a primeira das quais tinha sido concedida a George
Washington em 1776.
Em 2013, Neil foi contemplado postumamente com o Prêmio
James E. Hill, a maior honraria concedida pela Fundação do
Espaço, uma ONG com sede no Colorado cuja missão é “levar
empreendimentos relacionados ao espaço a inspirar, capacitar e
impulsionar a humanidade”.
Inúmeras coisas, e dos mais diferentes tipos, foram nomeadas
em homenagem a Armstrong. Em todos os Estados Unidos, mais
de uma dezena de escolas de ensino fundamental e ensino
médio receberam seu nome, além de ruas, edifícios e escolas em
outros lugares, no mundo inteiro.
Em 1969, o cantor folk John Stewart gravou “Armstrong”, um
tributo a Neil e a seus primeiros passos na Lua. Em outubro de
2004, a Universidade Purdue, onde Neil se formou, anunciou que
seu novo prédio para a engenharia se chamaria “Pavilhão de
Engenharia Neil Armstrong”. A um custo de 53,2 milhões de
dólares, o edifício foi inaugurado em 27 de outubro de 2007 com
uma cerimônia que contou com a presença de Neil e mais doze
astronautas da universidade, a saber Gene Cernan, John Blaha,
Roy Bridges, Mark Brown, Richard Covey, Guy Gardner, Gregory
Harbaugh, Gary Payton, Mark Polansky, Jerry Ross, Loren
Shriver e Charles Walker.
Bem a propósito, uma cratera lunar recebeu o nome de Neil,
por decisão da União Astronômica Internacional, anos antes da
morte dele. A cratera fica a cinquenta quilômetros do ponto onde
pousou a Apollo 11, na parte meridional do mar da Tranquilidade.
Collins e Aldrin também tiveram crateras batizadas com seus
nomes — as três formam um cordão situado a pouca distância da
brilhante cratera Moltke. Elas são relativamente pequenas, sendo
a de Neil a maior das três, com 4,5 quilômetros de diâmetro,
seguida da que leva o nome de Buzz, de 3,4 quilômetros, e da
cratera de Mike, de apenas 2,4 quilômetros. Os livros de
astronomia dizem que com um telescópio de seis polegadas e
tempo firme, é possível ver as três crateras pouco antes do
quarto crescente. A de Neil é a mais fácil de ver.
Há também um corpo celeste chamado pelo nome de Neil. O
6469 Armstrong é um asteroide rochoso de aproximadamente
três quilômetros de diâmetro, situado na região interna do
cinturão de asteroides Flora. Foi descoberto pelo astrônomo
tcheco Antonín Mrkos no Observatório Klet em agosto de 1982.
Em setembro de 2012, pouco depois da morte de Neil, a
Marinha dos Estados Unidos anunciou que seu primeiro “navio
da classe Armstrong” seria chamado R/V Neil Armstrong. Batizado em 28 de março de 2014, o navio de pesquisa foi
lançado ao mar no dia seguinte, passou pela fase de testes no
mar em 7 de agosto de 2015 e foi entregue à Marinha em 23 de
setembro do mesmo ano. O xará de Neil é uma plataforma de
pesquisa muito avançada capaz de servir de base para uma
grande variedade de pesquisas oceanográficas. A cargo do
Instituto Oceanográfico de Woods Hole, em Massachusetts, o
R/V Neil Armstrong pode ser usado em pesquisas em oceanos
tropicais e temperados do mundo inteiro, e atende
especificamente à necessidade da comunidade acadêmica de
um navio de uso geral baseado na Costa Leste dos Estados
Unidos. O navio de Neil já vem desempenhando papel
fundamental no estudo da influência dos ecossistemas do
Atlântico norte e do oceano Ártico sobre as mudanças climáticas.
Armstrong jamais fez campanha para que coisa alguma
recebesse seu nome — na verdade, fez o contrário em muitas
ocasiões. Foi o que aconteceu no caso daquele que em 2014 se
tornou o Centro de Pesquisa Armstrong da NASA, antigo Centro
de Pesquisa Dryden (e Pesquisa de Voo da NACA/NASA), onde
Neil trabalhou como piloto de pesquisa de 1956 a 1962. Neil
respeitava profundamente as descobertas do cientista dr. Hugh L.
Dryden, pioneiro da pesquisa aeronáutica que foi diretor de
pesquisa da NACA a partir de 1946 e o primeiro vice-diretor da
NASA, logo após sua fundação, em 1958, e não queria que seu
nome fosse retirado daquela histórica instituição no deserto. Mas
a bancada parlamentar do sul da Califórnia estava convencida de
que o centro de pesquisa de voo aeroespacial do governo
precisava de uma “repaginada”, e o nome de Neil Armstrong
poderia ajudar. Além disso, as realizações de Armstrong como
piloto de testes e astronauta faziam jus à troca. Em janeiro de
2014, o presidente Obama assinou a resolução parlamentar HR
667, mudando o nome da instituição para “Centro de Pesquisa de
Voo Neil A. Armstrong”. A nova lei homenageava Dryden
também, dando à área circundante o nome de “Área de Testes
Aeronáuticos Hugh L. Dryden”. Essa foi no mínimo a terceira vez
a partir de 2007 que o Congresso tentou dar à entidade o nome
de Neil Armstrong. Se ele ainda estivesse vivo, sem dúvida dedicaria todo o seu discurso na cerimônia de renomeação a
detalhar a carreira ilustre do dr. Dryden.
Não é de estranhar que, nas pesquisas feitas pela Fundação
do Espaço, Neil sempre fique em primeiro lugar como o mais
popular herói do espaço; ou que, em 2013, a revista Flying o
tenha classificado em primeiro lugar entre os “51 maiores heróis
da aviação”.
Um último legado de Neil Armstrong é o traje espacial usado
por ele na Apollo 11. O traje foi transferido pela NASA para o
Museu Nacional do Ar e do Espaço em 1971, cinco anos antes
que este fosse aberto ao público, no National Mall em
Washington, D.C. Quando a NASA encomendou o traje, explicou
o escritor Kevin Dupzyk na revista Popular Mechanics em
outubro de 2015, “estava preocupada apenas com uma coisa:
levar os astronautas à Lua e trazê-los de volta”. Os designers do
traje — a International Latex Corporation (ILC), de Dover,
Delaware, uma divisão da empresa que produzia sutiãs e cintas
— “nem cogitaram a ideia de ele fosse exposto em museus, e
escolheram uma mistura de borracha natural e sintética que
duraria seis meses”. Na verdade, a ILC Dover não podia fazer os
trajes com muita antecedência, para que não se degradassem
antes de começada a missão.
Nas quatro décadas e meia que se passaram depois da Apollo
11, as condições do traje espacial de Neil se deterioraram
bastante. A borracha ficou quebradiça. O alumínio — usado
principalmente nos botões vermelhos e azuis e para prender o
braço — foi tomado pela corrosão. Era preciso fazer alguma
coisa e salvá-lo para a posteridade — especificamente, para
exibi-lo na “Destination Moon”, uma nova mostra permanente que
o NASM pretendia abrir em 2019, à época do quinquagésimo
aniversário da Apollo 11. Em vez de levantar os 500 mil dólares
necessários para essa iniciativa da maneira tradicional, a
diretoria do museu preferiu tentar uma campanha de
financiamento coletivo — a primeira que faria — em que aceitaria
doações feitas pela internet. A meta estabelecida pelo Instituto
Smithsoniano na campanha “Vamos Reiniciar o Traje” foi batida
em apenas cinco dias, e no fim do período tinham sido arrecadados 719.779 dólares de mais de 9.400 doadores. Com o
dinheiro, os peritos do Instituto Smithsoniano começaram de
imediato a recuperar o traje, removendo inclusive as partículas
de poeira lunar aderidas a sua superfície para que o mundo
inteiro pudesse vê-lo durante o jubileu de ouro do primeiro pouso
na Lua.
* * *
Emily Perry tinha cinco anos quando conheceu o Primeiro
Homem na Lua. Era o verão de 2001, e o comandante da Apollo
11 estava com 71 anos. Já tinham se passado quase quarenta
anos desde que sua querida filha Karen, de dois anos e dez
meses, tinha morrido de um câncer cerebral em janeiro de 1962.
Emily era neta de um de seus melhores amigos, Kotcho Solacoff.
A amizade deles datava do início da década de 1940, quando
ainda eram meninos em Upper Sandusky. Durante seus
melhores anos, os dois amigos passaram juntos muitos
momentos agradáveis: indo a jogos de futebol na faculdade,
deslizando em pistas de esqui e jogando golfe. Ninguém de fora
da família conhecia Neil tão bem quanto Kotcho.
Emily deparou com o Primeiro Homem na Lua sem saber
quem era, em um dia em que ele visitava os avós dela na casa
de Kathy, filha dos Solacoffs, e seu marido, Chris Perry. A menina
era a mais nova dos três filhos dos Perrys e muito arteira. Neil
gostou de Emily imediatamente, e Emily dele. Ela pegou Neil pela
mão e o levou em uma expedição pela casa. “Vou mostrar um
segredo, mas não conte para ninguém. Ninguém sabe dele.”
Chegando ao sótão, Emily disse a Neil: “Levante o colchão e olhe
embaixo dele.” Lá estava ele — um grande inseto morto. “Mas
não conte para ninguém”, sussurrou ela. “Pode deixar, não vou
contar”, respondeu ele, também em um sussurro.
A seguir, Emily o levou a seu quarto. “Este é meu relógio, este
é meu abajur, este é meu espelho e estes são alguns dos meus
livros. Este é sobre o Ursinho Pooh, este é da Bela Adormecida,
e este é da Cinderela. Ah, ali está o livro do Neil Armstrong. Foi o primeiro homem a ir à Lua.” Ela parou, hesitou um pouco, olhou
para o velhinho legal que tinha vindo visitá-la e disse: “Ah! O seu
nome é Neil Armstrong também, não é? Você gostaria que eu
lesse esse livro para você?” Neil lhe deu um grande sorriso e se
sentou na beira da cama dela. “Eu gostaria muito de ouvir você
lendo um livro, Emily. Mas não precisa ser o livro do Neil
Armstrong; pode ser o do Ursinho Pooh, ou o da Cinderela, ou da
Bela Adormecida. Gostaria de qualquer um deles.” “Não, eu
queria ler para você o livro do Neil Armstrong, porque esse é o
seu nome. Não é muito grande e é muito legal. Você vai ver.”
A menina abriu o livro e começou a ler. Estava visivelmente
orgulhosa por ser a primeira a contar para esse senhor, tão
amigo de seu avô, a história do Primeiro Homem na Lua.
7 Enquanto esteve em Sydney, Armstrong reuniu-se também com estudantes universitários e líderes empresariais, além de fazer um cruzeiro em torno do porto de Sydney em um vapor de 1903 pilotado pelo comandante Richard Champion de Crespigny, o piloto da Qantas Airways que salvou seu Airbus A380 — o primeiro de sua espécie para a grande empresa aérea — do desastre depois de uma falha irreversível no motor, em novembro de 2010, que exigiu um extraordinário pouso de emergência no aeroporto Changi, de Cingapura. Durante a visita, o comandante Crespigny ofereceu a Neil um passeio no simulador do Airbus A380, o que levou a uma longa discussão entre os dois grandes pilotos sobre as diferenças entre as abordagens europeia e americana da tecnologia fly-by-wire.
Neil visitou Nelson Mandela em Johanesburgo, África do Sul, em 2004, depois
de uma viagem a Botswana. (Foto de Carol H. Armstrong)
O biógrafo James R. Hansen com Neil do lado de fora de sua casa em Indian
Hill, no dia em que os dois terminaram as revisões do manuscrito de Hansen
de O primeiro homem, junho de 2004. (Foto de James Hansen)
Neil concordou originalmente em conceder três entrevistas vinculadas à
publicação de O primeiro homem em novembro de 2005. Quando o 60
minutes, da CBS, solicitou uma entrevista, Neil aceitou sob a condição de que
seria a única relacionada à apresentação do livro. A entrevista foi conduzia por
Ed Bradley (à esquerda) no Centro Espacial Kennedy da NASA, Flórida, em
meados de outubro de 2005. O lendário Walter Cronkite (à direita), da CBS —
cuja cobertura do programa espacial dos Estados Unidos e da missão Apollo
11 em particular estão na memória de milhões de americanos —, deixou de
lado a aposentadoria para se juntar à entrevista. (Foto de Carol H. Armstrong)
A NASA presenteou Neil com sua própria amostra de uma pedra lunar em
abril de 2006, parte do programa da agência espacial Embaixador da
Exploração. Neil, em troca, doou a amostra para exposição pública ao Museu
de História Natural de Cincinnati, que sediou o evento. (Foto de Bill Ingalls,
NASA)
Neil visitou a neta Piper Van Wagenen e sua turma do jardim da infância na Ox
Ridge Elementary School, em Darien, Connecticut, em dezembro de 2007.
Para Piper (a menina loura de suéter atrás do menino com a blusa de Yale),
filha de Brodie Van Wagenen e sua esposa, Molly (filha do primeiro casamento
de Carol Knight Armstrong), Neil era o “Pop Pop”. Além de Piper, Neil era avô
de dez: mais duas crianças de Brodie e Molly, três de cada um dos filhos de Neil, e duas de Andrew Van Wagenen e sua esposa (Andy era outro filho do
primeiro casamento de Carol, com Ralph Knight). (Foto de Molly van
Wagenen)
Esta foto é para os que não acreditam que Neil é capaz de se soltar e curtir
um bom momento. Casamento de seu genro Andrew Van Wagenen no Brasil,
em 2008. (Foto de Carol H. Armstrong)
O presidente Barack Obama posa com os astronautas da Apollo 11 no Salão
Oval da Casa Branca na segunda-feira, dia 20 de julho de 2009, para a
ocasião do aniversário de quarenta anos do primeiro pouso na Lua. (Foto de
Bill Ingalls, NASA)
Na celebração do aniversário de quarenta anos do pouso na Lua da Apollo 11,
sediado no Museu Nacional do Ar e do Espaço do Instituto Smithsoniano, em
Washington, D.C., Neil fez um discurso sobre “Goddard, governança e
geofísica”, um tema “que parecia tão acadêmico que a plateia riu alto”. (Foto
de Bill Ingalls, NASA)
Festa surpresa para Neil em seu aniversário de oitenta anos, 5 de agosto de 2010. Da esquerda para direita: Dave Scott (Gemini VIII, Apollo 9, Apollo 15), Jim Lovell (Gemini VII, Gemini XII, Apollo 8, Apollo 13), Ken Mattingly (Apollo
16), Carol Armstrong, Neil, Bill Anders (Apollo 8) e Gene Cernan (Gemini IXA,
Apollo 10, Apollo 17). (Foto de Carol H. Armstrong)
Em sua festa, convenceram Neil a tocar piano e cantar “September Song”.
(Foto de Carol H. Armstrong)
Neil em 2010, jogando golfe em seu campo, o Camargo Club, em Indian Hill, Ohio, um subúrbio ao norte de Cincinnati, com os filhos, Rick (à esquerda) e
Mark (à direita). (Foto de Rick Armstrong)
Em 2010 e mais uma vez em 2011, Neil deu seu testemunho diante dos
comitês do Congresso sobre a situação do programa de voo espacial tripulado
dos Estados Unidos, durante os quais se juntou aos companheiros
comandantes da Apollo, Jim Lovell e Gene Cernan (na foto falando com Neil),
discursando contra o cancelamento do programa Constellation da NASA.
(Foto de NASA)
Neil e Carol aproveitaram muitas viagens de férias durante os últimos anos de
vida dele, incluindo incursões pela Antártica. (Foto de Carol H. Armstrong)
Em agosto de 2011, durante uma visita a Sydney, Austrália, Neil (à esquerda) aceitou um convite especial de pilotar o simulador do Airbus A380 da Qantas
Airways. Seu anfitrião (no centro) foi o comandante Richard Champion de
Crespigny, o piloto da Qantas que em novembro de 2010 salvou seu Airbus
380 de um desastre por causa de uma falha incontrolável no motor, logo após deixar o aeroporto Singapore Changi. Também na foto (à direita) está o pai do
comandante de Crespigny, Peter. (Foto de Richard de Crespigny)
Os amigos John Glenn (esquerda) e Neil Armstrong (direita) olham em direção
ao céu enquanto participam de um jantar em Columbus, Ohio, em 20 de
fevereiro de 2012, na celebração do aniversário de cinquenta anos do primeiro
e histórico voo orbital de Glenn a bordo da Friendship 7. (Foto de Bill Ingalls,
NASA)
A entrega da bandeira na cerimônia fúnebre particular realizada para Neil
Armstrong no Camargo Club, na mesma rua da casa de Neil em Indian Hill,
Ohio, em 31 de agosto de 2012. A esposa de Neil, Carol, está na primeira
fileira, a terceira à direita, com a neta ao lado. Os filhos de Neil estão na
primeira fileira do outro lado, com a mãe, Janet Armstrong (primeira esposa de
Neil), entre eles. Muitas pessoas importantes compareceram ao enterro,
incluindo a maioria dos astronautas sobreviventes da Apollo; não é possível
nomear todos, mas um olhar mais atento na foto mostrará John Glenn e a
esposa, Annie (segunda fileira à esquerda); Jim Lovell e as esposa, Marilyn
(terceira fileira à esquerda); Buzz Aldrin (terceira fileira à esquerda); Bill
Anders (terceira fileira à esquerda); Mike Collins (quarta fileira à esquerda); o
ex-diretor da NASA Mike Griffin; o astrofísico Neil de Grasse Tyson (quinta
fileira à esquerda); e Harrison “Jack” Schmitt (sexta fileira à esquerda). O
biógrafo de Neil, James R. Hansen, encontra-se logo atrás do ombro do dr.
Tyson.(Foto de Bill Ingalls, NASA)
Flores e uma homenagem enviada pelo Instituto Smithsoniano ficaram à
entrada da cerimônia. (Foto de Bill Ingalls, NASA)
Um programa memorial, “Em celebração a Neil A. Armstrong”, foi oferecido a
todos que compareceram. (Foto de Bill Ingalls, NASA)
Cerimônia em homenagem a Armstrong na Catedral Nacional de Washington,
D.C., na quinta-feira, dia 13 de setembro de 2012. Do lado esquerdo, logo no
corredor, na primeira fileira (da direita para a esquerda) encontram-se Rick
Armstrong, Carol H. Armstrong e a filha de Carol, Molly Van Wagenen. Mark
Armstrong e a esposa, Wendy (e família), encontram-se na segunda fileira logo atrás do irmão. Entre as pessoas notáveis sentadas na primeira fileira
mais perto do corredor estava o então diretor da NASA Charles Bolden. O homem de cabelo branco no meio da fileira é o comandante da Apollo 17,
Eugene Cernan, um grande amigo de Neil. (Foto de Bill Ingalls, NASA)
O serviço de sepultamento no mar de Neil Armstrong foi realizado no oceano Atlântico a bordo do USS Philippine Sea (CG 58), perto da Estação Naval de
Mayport, a curta distância de Jacksonville, em 14 de setembro de 2012.
Acima: o capitão da Marinha dos Estados Unidos Steve Shinego, comandante
do navio, entrega a bandeira do país a Carol Armstrong. De seu lado
esquerdo, encontram-se o filho de Neil, Rick Armstrong; a irmã, June Hoffman;
o irmão, Dean Armstrong; e o filho Mark Armstrong. À sua direita, encontra-se Paul Nagy, tenente-comandante da Marinha dos Estados Unidos. (Foto de Bill
Ingalls, NASA)
O comandante Nagy e Carol Armstrong jogam as cinzas de Neil Armstrong no
mar. (Foto de Bill Ingalls, NASA)