O Primeiro Homem na Lua

James R. Hansen · Capítulo 28 de 42

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O Primeiro Homem na Lua

Capítulo 21: A dialética de uma missão na Lua

CAPÍTULO 21

 

 

A dialética de uma missão na Lua

 

A preocupação de Buzz Aldrin em relação a quem seria o

primeiro a sair da espaçonave não ajudou em nada no

relacionamento profissional entre os tripulantes da Apollo 11. Por

outro lado, seu ressentimento nunca atrapalhou de fato o

treinamento da equipe para essa missão histórica, porque o

temperamento impassível de Armstrong não o permitiu. Se o

comandante fosse uma pessoa dada a conflitos, como Frank

Borman ou Alan Shepard, a situação com Aldrin poderia

facilmente ter prejudicado e muito a missão.

“Neil entendia esse conflito interno como algo que estava

aquém dele”, explica Mike Collins. “Nunca ouvi dele nada de ruim

sobre Buzz. O relacionamento profissional dos dois, da maneira

como eu via, era sempre extremamente cortês, e Neil jamais o

criticava. Só Deus sabe o que Neil realmente achava de Buzz.”

O treinamento para o primeiro pouso na Lua foi intenso a

ponto de desafiar a paciência e a boa vontade não apenas da

tripulação da Apollo 11, mas de toda a equipe da NASA. Não só

os astronautas precisavam estar prontos, como também toda a

aparelhagem de solo da NASA, incluindo o Centro de Controle da

Missão, a rede de rastreamento, as instalações de quarentena

para abrigar a tripulação, que poderia trazer “micro-organismos”

lunares, sem mencionar o foguete Saturno V, o módulo de

comando 107 e o módulo lunar 5. Armstrong, Collins e Aldrin

treinaram quatorze horas por dia, seis dias por semana, durante

seis meses. Aos domingos, normalmente trabalhavam mais oito

horas.

De 15 de janeiro a 15 de julho de 1969, véspera do

lançamento, a tripulação da Apollo 11 registrou um total de 3.521 horas de treinamento. Isso totalizava 126 horas por semana, ou

42 horas por membro da tripulação, em programas e exercícios

específicos de treinamento. Outras vinte horas semanais eram

usadas para refletir sobre planos e procedimentos de missão,

conversas com colegas, viagens para unidades de treinamento e

outros trabalhos de rotina. Armstrong e Aldrin totalizaram 1.298 e

1.297 horas de treinamento, respectivamente, enquanto Collins

registrou 370 horas a menos. Metade das horas de Collins

transcorreram no simulador do módulo de serviço e comando,

onde ele trabalhou fisicamente isolado dos companheiros de

tripulação. Por outro lado, foram poucas as horas em que Neil e

Buzz não trabalharam juntos. Quase um terço de seu tempo de

treinamento foi passado dentro das acomodações apertadas do

simulador de módulo lunar.

O principal objetivo da Apollo 11 era o pouso na superfície da

Lua. O treinamento para as atividades de superfície tomou

menos de 14% do tempo dos astronautas, incluindo a preparação

de Armstrong e Aldrin para a coleta de amostras geológicas, a

configuração de todos os experimentos planejados para a

superfície lunar, assim como o tratamento que deviam dispensar

à unidade móvel extraveicular (EMU, na sigla em inglês).

Tratava-se de um equipamento essencial, dotado de uma

parafernália de proteção que funcionaria durante o trabalho na

superfície lunar. No treinamento na unidade móvel, os

astronautas “vistoriaram” todas as partes da montagem.

“Praticamos o trabalho na superfície lunar até nos sentirmos

razoavelmente confiantes em nossa capacidade de executar o

plano de superfície”, afirmou Armstrong. “Se a descida e a

aproximação final para o pouso fossem classificadas com o grau

nove em uma escala de dificuldade de dez pontos, eu daria o

grau dois ao trabalho em superfície. Não que fosse isento de

riscos, até porque eles existiam. Dependíamos totalmente da

integridade de nossos trajes pressurizados, e havia questões

relacionadas ao ambiente térmico — se teríamos ou não

problemas de superaquecimento, porque estaria bem quente na

superfície lunar, mais de 90ºC. Fizemos parte de nosso trabalho

de superfície na câmara de altitude, com simulação térmica. E essas simulações foram bem-sucedidas. Então atingimos um

nível de confiança de que tudo funcionaria muito bem. As únicas

preocupações reais envolviam fatores desconhecidos que não

podiam ser simulados justamente por serem desconhecidos. No

fim, as simulações de campo se mostraram muito boas, embora

as condições de gravidade lunar não pudessem ser replicadas.”

Desde a seleção dos New Nine em 1962, “todos nós tivemos

aulas de geologia elementar ao longo de anos. Tivemos ótimos

professores que sabiam muita coisa de astrogeologia e

selenologia, o estudo astronômico da Lua. Fomos ao Havaí e à

Islândia, lugares excelentes para o estudo de rochas vulcânicas.

Supunha-se que na Lua encontraríamos principalmente

formações tectônicas, remanescentes de fluxos de lava tectônica

e vulcânica. Fiquei muito tentado a esconder um pedaço de

calcário da Lua e trazê-lo de volta como amostra. Isso teria

causado muita confusão e chateado muita gente! Mas não

pegamos nada.”

Outra realidade da Apollo 11 era que Armstrong e Aldrin não

teriam muito tempo para passar na superfície lunar. “Isso foi

definido sobretudo porque não sabíamos por quanto tempo

durariam nossos estoques de água para resfriamento dos trajes”,

explicou Armstrong. “Nem se nosso metabolismo na gravidade

lunar seria semelhante ao da Terra. No entanto, conseguimos

ficar do lado de fora um pouco mais do que o plano estipulava.

Depois de voltar para a aeronave, drenamos os tanques de água

para ver quanto havia sobrado. Levando em conta a sobra e o

tempo que estivemos fora, conseguimos uma boa medição.”

Ainda que gostasse de geologia, Neil achava a disciplina um

pouco enigmática: “Os geólogos tinham uma teoria incrível que

chamavam de ‘princípio da mínima surpresa’. Segundo a teoria,

quando encontramos uma formação rochosa, formulamos

hipóteses sobre como ela se formou e criamos cenários para

explicar como ela chegou ali. O cenário que causar menos

surpresa é o que deve ser tomado como base para uma análise

mais profunda. Eu achava isso fascinante. Era uma abordagem

lógica que eu jamais havia experimentado na engenharia.” Ainda

assim, foi precisamente ao raciocínio sistemático de Neil, próprio da engenharia, que Harrison “Jack” Schmitt atribuiu sua

competência geológica. Segundo Jack, geólogo graduado em

Harvard e mais tarde piloto do módulo lunar da Apollo 17, além

de orientador de Neil e Buzz para a questão da coleta de rochas

lunares, Neil foi autor da “melhor coleta de amostras que alguém

já fez na Lua.”

 

* * *

 

Todo o treinamento do Programa Apollo foi importante, mas

nenhum aspecto foi mais decisivo para o sucesso da missão do

que o trabalho feito nos simuladores de voo. As duas máquinas

principais eram o simulador do módulo de comando, construído

pela North American, e o simulador do módulo lunar, construído

pela mesma empresa que projetou o módulo real, a Grumman.

Collins passou a maior parte do tempo no primeiro; Armstrong e

Aldrin, no segundo. Com todos os controles e instrumentos

conectados ao banco de computadores instalado em uma sala

dos fundos assim como aos consoles do Controle da Missão, o

simulador do módulo de comando e serviço — apelidado de

“Grande Caos”, por causa da enorme variedade de caixas e

compartimentos de diferentes tamanhos — era dinâmico e

totalmente interativo. Ao olharem pelas janelas enquanto

realizavam seus “voos”, os astronautas viam representações

aproximadas da Terra, do céu, da Lua e das estrelas. “De modo

geral, as simulações eram muito boas”, lembrou Neil, mas eles

sabiam que a fidelidade à vida real era relativa. Eles “fizeram um

bom trabalho nos dando a segurança de que precisávamos”.

Durante seu treinamento para a Apollo 11, Armstrong

trabalhou 164 horas no simulador do módulo de comando e

serviço, somente um terço do tempo que Collins, o piloto do

módulo, passou. Naturalmente, uma vez que era sua principal

responsabilidade na missão, Neil passou um tempo bem maior

praticando pousos lunares: 383 horas no simulador e 34 horas no

LLTV ou no LLRF, totalizando 417 horas de simulações de pouso

lunar. Seu total em simuladores foi, portanto, de 581 horas, o equivalente a mais de 72 dias — mais de dez semanas — com

expedientes de oito horas. Aldrin acumulou dezoito horas no

simulador do módulo de comando e 28 horas no do módulo lunar

a mais do que Neil. Ao contrário do parceiro, Buzz não voou no

LLTV ou no LLRF durante a preparação de seis meses para a

Apollo 11. “Tentamos construir simuladores que fossem

exatamente iguais aos aparelhos verdadeiros, mas eles nunca

atingem um grau de realidade que os faça voar com a mesma

facilidade que a máquina real. As pessoas que não participaram

do desenvolvimento do simulador durante a carreira normalmente

tentavam só ‘ganhar’ o tempo todo. Queriam operá-los com

perfeição e evitar problemas. Eu fazia o contrário. Tentava criar

problemas com o simulador para investigá-los e aprender com

eles. Tenho certeza de que alguns dos caras estavam bem

cientes de minha posição”, principalmente depois de um

incidente que se tornaria notório envolvendo uma “manobra” de

taxiamento no simulador do módulo lunar.

Mike Collins contou a história: “Neil e Buzz estavam descendo

no simulador do módulo lunar quando foram surpreendidos por

alguma catástrofe e receberam instruções de Houston para

abortar a missão. Neil, por alguma razão, questionou o conselho

ou simplesmente foi muito lento, mas, de qualquer forma, a

impressão do computador mostrou que o módulo tinha descido

abaixo da superfície lunar antes de começar a subir de novo. Em

outras palavras, Neil tinha derrubado o módulo lunar e destruído

a máquina, a ele próprio e a Buzz.

“Naquela noite, nas acomodações da tripulação, Buzz estava

agitado e não me deixou dormir reclamando sobre aquilo. Eu não

conseguia discernir se ele estava preocupado com a segurança

no voo, no caso de Neil repetir o erro, ou se simplesmente ficou

envergonhado por terem derrubado o módulo lunar diante de

uma sala cheia de especialistas no Controle da Missão. Mas não

fazia diferença, Buzz falava a plenos pulmões, e enquanto

esvaziava uma garrafa de uísque e suas reclamações se

tornavam mais altas e mais específicas, Neil apareceu de

repente de pijama, despenteado e indignado, e se juntou à

confusão. Eu me despedi com toda a educação e fui feliz da vida para a cama, desejando não me meter naquela briga por causa

de técnica ou personalidade.

“Neil e Buzz continuaram a discutir noite adentro, mas no dia

seguinte, no café da manhã, ninguém parecia diferente,

magoado, constrangido ou irritado. Então achei que eles haviam

tido uma discussão franca e construtiva, como se diz no

Departamento de Estado. Foi a única crise em nosso ciclo de

treinamento.”

A versão de Aldrin a respeito da discussão noturna foi um

pouco diferente. “Nós três geralmente jantávamos tarde no

alojamento. Naquela noite, Mike e eu nos sentamos para tomar

um drinque e conversar, enquanto Neil foi para a cama. Mike

disse algo como: ‘E aí, como foi? O que vocês fizeram no

simulador hoje?’ Respondi: ‘Bem, perdemos o controle enquanto

abortávamos a missão.’ Realmente não me lembro do meu tom

de voz. Mas o que eu disse ficou só entre nós dois, entre mim e

Mike. Não achei necessário informar Neil sobre o que eu sentia,

porque não se tratava apenas do nosso relacionamento. No

curso normal do que fazíamos, eu não o criticava. Mas Mike me

fez uma pergunta sobre a simulação, e eu lhe disse o que havia

acontecido. Foi uma surpresa para nós dois quando Neil saiu do

quarto dele e disse: ‘Vocês estão fazendo muito barulho. Estou

tentando dormir.’” Neil não disse nenhuma palavra naquele

momento para defender o que tinha feito na simulação, por que

resolveu não abortar a missão. “Neil nunca teria agido assim”,

explicou Aldrin.

O que Aldrin estava explicando a Collins quando Neil saiu para

pedir silêncio foi que “eu achava que estávamos jogando um jogo

e deveríamos tentar fazer todo o possível para vencer e, quando

vimos que as coisas estavam ficando feias, seria melhor que nos

comportássemos como se fosse uma situação real.” Aldrin disse

a Collins que o mais importante em qualquer situação era não

cair. “Eu me peguei analisando isso, aquele sistema e o que quer

que não estivesse tendo um bom desempenho no que se refere

ao pessoal responsável pelo simulador. Se eles nos dessem uma

instrução errada, e estivéssemos perdendo o controle do módulo

lunar, seguiríamos em frente e pousaríamos no caso de um voo real? Não sei se faríamos isso. A mesma coisa se algo

incapacitasse o comandante, impossibilitasse a orientação ou

desabilitasse o radar de pouso: não pousaríamos na primeira

tentativa, abortaríamos e voltaríamos. Havia uma diferença clara

entre nós dois em relação a como reagíamos à simulação. Neil

teve suas razões para fazer o que fez. Decidir o que fazer estava

entre ele e o pessoal do simulador. Quanto a mim, eu estava lá

para apoiar o que acontecia no treinamento, quase como um

observador. Sendo assim, essa foi minha resposta à pergunta de

Mike sobre minha avaliação a respeito do que aconteceu.”

Algumas versões da história do simulador contadas nos anos

seguintes diziam que Aldrin também pediu a Armstrong que

abortasse a missão, mas Neil contestou: “Não me lembro de

Buzz ter pedido para abortar — em momento algum —, não me

lembro disso. Lembro-me, sim, da trajetória de descida que

estávamos fazendo durante a simulação e que as informações

que chegavam a nós ficaram muito deterioradas, e achei que

seria um ótimo momento para testarmos o Centro de Controle da

Missão, algo como ‘certo, pessoal, vamos ver o que vocês

podem fazer nesse caso’. Eu sabia que podia abortar a qualquer

momento — e, provavelmente, com sucesso —, mas aí

perderíamos a missão, o restante da simulação. Essa era a

chance de testar o centro de controle. Buzz considerou isso uma

mancha em nossa reputação. Achou que era uma mancha em

seu histórico de desempenho, que depunha contra nós dois e

contra nossa capacidade como tripulação. Eu discordava

totalmente. Minha opinião era completamente diferente, e ele

expressou sua preocupação naquela noite.”

Em relação ao que de fato aconteceu durante aquela

discussão tarde da noite, Neil respondeu: “Não me lembro dos

detalhes, mas lembro que Buzz expressou seu desagrado. Ele

enxergava as simulações de outra forma. Ele nunca gostou de

colidir em uma simulação real, enquanto eu achava que seria

uma boa experiência de aprendizado para todos nós. Não

somente para a tripulação, mas também para o pessoal do centro

de controle. Estávamos todos juntos naquilo.”

Curiosamente, essa história de não querer abortar a missão

durante a simulação lembra o voo de abril de 1962 pilotado por

Neil no X-15, aquele no qual a aeronave subiu como um balão e

acabou sobrevoando perigosamente Pasadena. Nos dois casos,

Neil estava tentando promover o aprendizado tecnológico por

meio da experimentação dialética. “Se nem nós nem os

controladores de voo conseguissem encontrar uma solução,

então para mim indicava que era preciso entender melhor aquela

parte da trajetória de voo.” Na realidade, como resultado desse

acidente na superfície lunar durante aquela simulação, Neil bolou

“uma teoria de altitude versus velocidade de descida com bandas

de posição que não havia considerado antes, para poder saber

quando estivesse entrando em uma área questionável. Se

tivesse abortado quando todos queriam, provavelmente não teria

feito isso.” Ao mesmo tempo, a simulação “atrapalhada” fez com

que o diretor de voo e seus funcionários reavaliassem sua

análise da situação. “Tenho certeza de que eles também

melhoraram sua abordagem para entender aquilo, para saber

quando estavam entrando em área perigosa”, disse Armstrong.

“Então, isso acabou tendo um propósito válido. Fiquei um pouco

decepcionado por não termos entendido a tempo, mas aprende-

se durante o processo. Foram as simulações mais exigentes de

que já participei — e precisava ser assim. O pouso na Lua era

um projeto maior, de maior alcance e com mais pessoas

envolvidas do que qualquer um que tivéssemos experimentado.”

 

* * *

 

Depois de quatro meses de treinamento, a Apollo 10 voou até a

Lua. Lançada em 18 de maio de 1969, com uma tripulação

composta de três veteranos das missões de aproximação da

Gemini — o comandante Tom Stafford, o piloto do módulo de

comando John Young e o piloto do módulo lunar Gene Cernan

—, a missão de oito dias foi um ensaio geral muito bem-sucedido

do pouso lunar. A Apollo 10 realizou várias proezas pioneiras no

espaço: foram as primeiras operações do módulo de comando e serviço-módulo lunar em ambiente lunar e cislunar; a primeira

acoplagem módulo de comando e serviço-módulo lunar em uma

trajetória translunar; a primeira desacoplagem do módulo lunar

em órbita lunar; a primeira separação de estágio do módulo lunar

em órbita lunar; e a primeira acoplagem tripulada do módulo

lunar ao módulo de comando e serviço em órbita lunar. A única

coisa que a Apollo 10 não conseguiu fazer foi o pouso lunar

propriamente dito, embora seu módulo lunar — apelidado de

Snoopy — tivesse chegado a apenas quinze mil metros do local

de pouso proposto para a Apollo 11 antes de voltar à órbita e

reacoplar com Charlie Brown, o módulo de comando.

A Apollo 10 auxiliou na preparação para a Apollo 11 em

diversos aspectos. Primeiro, como explicou Armstrong, “havia a

questão das qualidades operacionais, a capacidade de resposta

e as operações de motor do módulo lunar. Queríamos saber

quais eram as diferenças entre voar no simulador, no LLTV e em

um módulo lunar de verdade”.

Também havia a questão do ambiente lunar, sobretudo os

efeitos gravitacionais possivelmente mais significativos do que os

exercidos por “mascons” sobre as trajetórias de voo. “Mascons”

são áreas que ficam abaixo da superfície da Lua, em geral no

núcleo, que devido à alta densidade de certas rochas exerce uma

força gravitacional um pouco maior. Depois dos voos das cinco

espaçonaves não tripuladas do Programa Lunar Orbiter entre

1966 e 1967, os dados telemétricos indicaram que a atração

gravitacional na Lua não era uniforme. As perturbações,

provavelmente causadas pelos “mascons”, causavam leves

declives no caminho dos Lunar Orbiters. A Apollo 10 documentou

a influência dessas maiores concentrações de massa

precisamente na trajetória da Apollo 11.

“Como resultado de todas as fotografias da Apollo 10, Buzz e

eu ganhamos muita confiança em nossa capacidade de

reconhecer nossa rota de voo e os principais pontos de

referência no caminho. No momento do lançamento, em julho,

sabíamos de cor todos os principais pontos de referência em

nossa trajetória de descida e, igualmente importante, em nosso

caminho até o momento em que deveríamos ativar os motores de descida. Era importante, para cruzar informações, sermos

capazes de determinar que estávamos, de fato, sobre o local

exato que queríamos — e o mais próximo possível do tempo

estipulado no plano de voo.”

Por fim, o sucesso da Apollo 10 determinou que a Apollo 11

certamente seria a primeira missão de pouso. A única incerteza

era quanto à data do lançamento. Algumas semanas depois da

Apollo 10, Deke Slayton perguntou a Armstrong se ele estava

pronto. Armstrong respondeu: “Bem, Deke, seria bom ter mais

um mês de treinamento, mas sinceramente não posso afirmar

que devemos esperar mais um mês. Acho que estamos prontos

para aproveitar uma janela de lançamento em julho.” Em 11 de

junho de 1969, a NASA anunciou que os astronautas da Apollo

11 tinham sinal verde para a tentativa de pouso. O lançamento

seria feito em 16 de julho, com o pouso histórico agendado para

um domingo à tarde, dia 20 de julho.

 

* * *

 

A maneira conscienciosa, altamente profissional e enérgica com

que Armstrong, Collins e Aldrin se dedicaram a cada item da

agenda de treinamento durante seis meses deu à NASA uma

grande confiança em sua tripulação. Porém, a missão da Apollo

11 estaria cheia de mistérios, incertezas e riscos inexplorados —

alguns tecnológicos, outros humanos. Como os astronautas se

sairiam individualmente durante uma crise? Em relação ao

comandante Neil Armstrong, os gerentes da NASA assumiram

um risco calculado pelo qual, para executar o pouso, ele poderia

forçar um pouco os limites, contando com a sorte e a

competência.

A NASA estabeleceu as “regras de missão” como um sistema

de verificações preventivas. A gênese do conceito se deu no

começo do Programa Mercury, a partir dos engenheiros

veteranos do Grupo de Trabalho do Espaço da NASA. Logo de

início, decidiram que deveriam registrar mais formalmente todos

as reflexões e observações importantes sobre a cápsula Mercury, o foguete que a lançaria, cada sistema de controle de voo, bem

como todas as possíveis situações de voo. Como relata Chris

Kraft, “registramos um grande número de possibilidades,

juntamente com o que faríamos no caso de cada uma delas

ocorrer. Imprimimos tudo, compusemos um livreto e passamos a

chamá-lo de ‘regras de missão’”. Na preparação para a Apollo 11,

as equipes de planejadores de missão, diretores de voo,

especialistas em simulação, engenheiros e astronautas levaram

muitos meses debatendo, revisando, redesenhando e finalizando

as regras do que seria o pouso pioneiro na Lua. O primeiro

conjunto completo de regras para a Apollo 11 só foi publicado em

16 de maio de 1969, dois meses antes do lançamento. As regras

passaram a ser atualizadas semanalmente, à medida que as

simulações expunham mudanças que se faziam necessárias.

Ainda que a terceira revisão, ou revisão C, de 330 páginas, tenha

saído cinco dias antes do lançamento, as retificações não

pararam por aí. No dia do lançamento, sete modificações foram

incorporadas. Uma das mudanças de última hora, desconhecida

da tripulação da Apollo 11, dizia que não havia necessidade de

abortar o pouso se o computador de bordo do módulo lunar

emitisse uma determinada série de alarmes de programa.

O livro trazia uma longa seção sobre “Regras de Operações

de Voo”, relacionadas à política geral de conduta da missão, ao

gerenciamento de risco em suas fases e à gestão de

redundâncias. Trazia regras para o lançamento, a trajetória e a

orientação, comunicações, combustão de motor, acoplagem,

atividade extraveicular, sistemas elétricos e emergências

aeromédicas. As regras cobriam todos os problemas e

emergências possíveis. Em cada seção, havia um resumo de

todas as situações “Go/NoGo” (ou “Stay/NoStay”, para a decisão

de permanecer na superfície lunar ou abortar depois do pouso).

Essa foi a terminologia usada pelo diretor de voo em uma

verificação final de sistemas para garantir que os controladores

estivessem seguros para avançar até a fase seguinte da missão.

Outra regra crucial — que se tornou questão de grave

urgência durante a descida de Armstrong e Aldrin na superfície

lunar — dizia que, se a luz de alerta se acendesse no módulo lunar, indicando um nível baixo de combustível para a descida, os

astronautas teriam um minuto para decidir seguir com o pouso ou

abortar.

Foram escritas tantas regras de missão para a Apollo 11 e

para as missões subsequentes do programa que foi preciso

organizá-las de acordo com um código numérico. Era impossível

se lembrar de todas as regras, seria como memorizar o

dicionário. Durante um voo espacial, os controladores de voo

tinham que manter suas cópias do regulamento à mão.

Para muitas regras havia uma margem definida, alguma

tolerância. Ainda assim, até que todos os requisitos da missão

fossem cumpridos a contento do diretor de voo, nenhuma

decisão ou ação vital poderia ser tomada. Algumas regras

podiam dar a impressão de deixar a decisão final nas mãos dos

astronautas, mas esse tipo de avaliação independente e imediata

não era incentivado pelos gerentes da NASA.

Segundo Gene Kranz, um dos diretores de voo do Controle da

Missão, “Buzz era o membro da tripulação que mais se envolvia

na discussão das regras de missão, demonstrando seu

conhecimento sobre uma variedade de assuntos e geralmente

tomando a frente dos astronautas na conversa. Neil parecia mais

observador do que participante, mas dava para ver em seus

olhos que ele era o comandante e que tinha todas as peças

montadas na cabeça. Acho que nunca o vi levantar a voz. Ele

simplesmente poupava energia para quando fosse necessário.

Ouvia nossas discussões e, caso houvesse alguma controvérsia,

ele e Aldrin testavam nossas ideias nos simuladores e depois

davam retorno aos controladores por intermédio de Charles Duke

[o astronauta Duke atuaria como um dos CapComs para a Apollo

11]. Mike Collins usava uma tática diferente. Trabalhava

diretamente com a trincheira e com o pessoal de sistemas.”

(“Trincheira” era o apelido do grupo de funcionários do Controle

da Missão que trabalhavam na equipe de dinâmica de voo,

liderados pelo oficial de dinâmica de voo, ou FIDO.)

Armstrong em geral aceitava a descrição de Kranz: “É

verdade, Buzz era conversador e se envolvia muito nas discussões, e eu provavelmente era mais reservado. Acho que

era nosso modo de ser.”

Quase todas as regras de missão foram escritas e

formalmente aceitas; apenas algumas não foram para o papel.

As regras informais mais importantes para a Apollo 11 eram

relacionadas ao pouso.

“Para que todos entrassem em sintonia a respeito das regras

informais de pouso”, relembrou Kranz, “eu tinha uma sessão

estratégica final antes do início da simulação com Neil, Buzz,

Mike e Charlie Duke. E era nessa sessão que eu definia a

estratégia de pouso. Tínhamos apenas duas órbitas consecutivas

para tentar pousar na Lua. Se tivéssemos problemas na primeira

órbita, atrasaríamos a segunda. Se ainda tivéssemos problemas,

começaríamos a descida lunar para economizar cinco minutos e

resolver o problema. Se não conseguíssemos encontrar uma

solução, abortaríamos o pouso e começaríamos a aproximação

para recuperar o módulo lunar, descartá-lo e voltar para casa. Se

surgissem problemas de mais de cinco minutos, tentaríamos

pousar e depois decolaríamos da superfície após uma breve

permanência. Tentaríamos o pouso mesmo que só

conseguíssemos tocar na Lua e levantar voo duas horas depois,

quando o módulo de comando e serviço passasse sobre nós em

órbita lunar com as condições apropriadas para o encontro.

“Sei que Armstrong nunca foi de falar muito”, continuou Kranz,

“mas eu esperava que ele fosse mais participativo em relação à

estratégia das regras de missão. Não foi o caso. Daquela vez ele

ficou em silêncio. Levou um tempo até nos acostumarmos ao

silêncio dele. Enquanto revisávamos as regras, Neil geralmente

sorria e/ou assentia com a cabeça. Acredito que ele tinha regras

próprias para o pouso, e eu só queria saber quais eram. Meu

instinto dizia que ele insistiria e aceitaria qualquer risco, contanto

que houvesse uma chance remota de pousar. Acho que

estávamos em sincronia, já que eu tinha regras semelhantes. Eu

deixaria que a tripulação continuasse enquanto houvesse uma

chance.”

Armstrong relembrou: “Eu tinha muito respeito pelas regras da

missão e pela forma como elas eram desenvolvidas (...) Mas admito que se tudo parecesse estar indo bem e se houvesse

uma regra de missão que nos interrompesse e dissesse que

teríamos que fazer isto e aquilo, eu estaria disposto a usar a

prerrogativa de comandante e rejeitar a regra da missão, se eu

achasse que aquela seria a rota mais segura. Afinal, abortagens

de missão não eram um fenômeno muito bem compreendido —

ninguém teve que abortar uma missão até aquele momento.

Seria preciso desligar os motores, ativar os dispositivos

pirotécnicos de separação, ligar outros motores no meio do voo.

Fazer tudo isso tão perto da superfície lunar não era um

expediente em que eu confiasse muito. Então, o que Gene disse

tem sua verdade, mas preciso dizer que, enquanto houvesse

uma boa chance de pouso, eu prosseguiria.”

Como Kranz, um Chris Kraft muito nervoso também estava

incomodado por não ter certeza do que Armstrong poderia fazer

quanto a ignorar as regras de missão e forçar um pouso lunar.

“No último mês, recebemos Neil no Controle da Missão para

explicar as regras de descida, pouso, operações de superfície e

decolagem lunar”, explicou Kraft. “As regras de missão poderiam

deixar a decisão final nas mãos dos astronautas, mas era uma

postura que não estimulávamos. Eu queria ter a certeza de que

todos nós entendíamos exatamente onde estávamos. Tratamos

dos mínimos detalhes — desempenho do motor de descida, bugs

de computador que conhecíamos, pontos de referência na

superfície lunar. Chegamos a falar sobre os mais improváveis

acontecimentos que conseguíamos imaginar durante o pouso.

“O computador e o radar de pouso receberam atenção

especial. Enviaríamos atualizações de última hora para o

computador sobre a trajetória do módulo lunar, o desempenho de

seu motor e sua localização na Lua. Até que a Eagle estivesse a

três mil metros da Lua, sua altitude se basearia nos radares da

Terra, e seu sistema de orientação poderia ter uma margem de

erro de dezenas ou até centenas de metros. Então, o próprio

radar de pouso do módulo lunar assumiria para dar leituras mais

precisas. Isso levou a uma discussão calorosa. Neil temia que

um controlador de voo cuidadoso demais pudesse abortar uma

boa descida, com base em informações equivocadas. ‘Vou estar em posição melhor para saber o que está acontecendo do que as

pessoas em Houston’, repetia Neil. ‘Não vou tolerar riscos

desnecessários’, rebatia Kraft. ‘É por isso que temos regras de

missão.’”

Na discussão sobre as especificidades do radar de pouso,

Kraft insistiu que, se o dispositivo falhasse, a missão deveria ser

obrigatoriamente abortada: “Eu não confiava na capacidade de

um astronauta estimar com precisão sua altitude sobre a

superfície de uma cratera lunar, nem mesmo um astronauta tão

experimentado quanto Armstrong. Era um terreno estranho, e

ninguém sabia o tamanho exato dos pontos de referência que

seriam usados.” Por fim, Kraft e Armstrong entraram em um

acordo. “A regra de missão permaneceu como foi escrita”,

relembrou Kraft. “Mas eu sabia, ao olhar para a testa franzida de

Neil, que ele não estava convencido. E fiquei me perguntando se

ele poderia ignorar todo mundo quando estivesse em órbita lunar

e tentaria pousar sem um sistema de radar. Essas conversas

voltaram a minha mente quando estive com Neil alguns dias

antes do lançamento”, relatou Kraft. Perguntei a ele: ‘Será que

nos esquecemos de alguma coisa?’ ‘Não, Chris, estamos

prontos. Está tudo pronto, exceto a contagem regressiva.’ Ele

estava certo. Se havia algo ainda a ser feito, nenhum de nós

sabia o que era. Tínhamos chegado ao ponto final, e, por um

momento, senti as pernas tremerem.”

Como também ele temia que a tripulação assumisse riscos

desnecessários para realizar o pouso, até o dr. Thomas Paine,

diretor da NASA, entrou na história. Na semana anterior ao

lançamento, ele conversou com Armstrong. Segundo Neil, Paine

disse a ele que “se não tivéssemos chance de pousar e voltar,

ele nos daria a oportunidade de tentar de novo logo no próximo

voo. Acredito que ele dizia a verdade naquele momento”. A

verdade era a seguinte: Paine disse exatamente a mesma coisa

para todas as tripulações da Apollo que vieram depois. Era sua

maneira de dissuadir as tripulações de tentar alguma coisa

estúpida, achando que seria sua única chance. Se o pouso da

Apollo 11 fosse abortado, Armstrong estaria pronto para cobrar a

oferta do diretor.

* * *

 

A tripulação se mudou para o alojamento dos astronautas no

Cabo em 26 de junho. A partir do primeiro minuto do dia

seguinte, eles participaram de uma contagem regressiva de teste

que durou uma semana. O lançamento simulado começou na

manhã de 3 de julho, precisamente às 9h32, o horário exato

programado para o lançamento real. Antes do início do ensaio,

os três homens entrariam em uma quarentena física rigorosa que

deveria se estender pelas duas semanas anteriores e mais três

semanas após o voo. A quarentena foi convocada para limitar a

exposição dos astronautas a organismos infecciosos. O dr.

Charles E. Berry, médico-chefe dos astronautas, submeteu os

três a um check-up minucioso no dia em que a contagem

regressiva simulada começou.

Em 5 de julho, a tripulação da Apollo 11 voltou a Houston para

um dia dedicado à imprensa. Primeiro, houve uma entrevista

coletiva. Depois, vieram as sessões com os serviços de

transmissão a cabo, um grupo de correspondentes de revistas, e

as três redes de TV para a transmissão daquela noite. O trio de

astronautas passou por uma maratona de quatorze horas

respondendo a perguntas de centenas de repórteres

internacionais. Armstrong, Collins e Aldrin chegaram à coletiva de

imprensa de manhã usando máscaras de gás. Sabendo que

estavam ridículos, os homens deram um sorriso amarelo ao subir

ao palco. Neil, Mike e Buzz ficaram dentro de uma caixa de

plástico de três lados e quatro metros de largura. Para eliminar

as possibilidades de contágio a partir dos jornalistas que

respiravam o mesmo ar que os astronautas, ventiladores

localizados na parte de trás da cabine de plástico jogavam o ar

em direção à plateia. Uma vez em segurança em sua caixa

higiênica, os astronautas tiraram as máscaras e se sentaram em

cadeiras confortáveis em frente a uma mesa com uma gravura da

emblemática “almôndega” da NASA e o selo da Apollo 11: uma

águia, o símbolo dos Estados Unidos, pousando na superfície

lunar, com um ramo de oliveira, símbolo da paz, nas garras. A

atmosfera no teatro era sem dúvida estranha. Uma reunião para falar sobre uma viagem à Lua ainda parecia uma coisa fantástica.

Naturalmente, os astronautas também estavam um pouco

nervosos.

Como comandante da missão, Armstrong falou primeiro. O

escritor Norman Mailer, na plateia como correspondente especial

da revista Life, sentiu que Neil estava “pouco à vontade”. O que

Mailer talvez não soubesse era que Armstrong geralmente fazia

pausas durante conversas formais, procurando as palavras

certas.

“Estamos aqui hoje para falar um pouco sobre o próximo voo,

o da Apollo 11, a culminância do objetivo nacional do Programa

Apollo, assim esperamos. Se estamos aqui falando dessa

tentativa, foi devido ao sucesso dos quatro voos pilotados

anteriores do programa e de vários outros voos não tripulados.

Cada um deles contribuiu muito para o voo da Apollo 11. Cada

um deles cumpriu grande número de novos objetivos e grandes

desafios e nos deixou com umas poucas tarefas complementares

— entre as quais a de descer à superfície lunar. Somos muito

gratos a todo o esforço do pessoal aqui do Centro de

Espaçonaves Tripuladas e de todo o país, que foram

responsáveis pelo sucesso desses primeiros voos e permitiram

que estivéssemos sentados aqui hoje para discutir a Apollo 11

com vocês. Primeiro, vou pedir a Mike que fale sobre as

diferenças que vocês poderão observar nas atividades do módulo

de comando durante o voo.”

Neil, como sempre, foi breve. Collins falou um pouco mais,

destacando que ficaria sozinho no módulo de comando durante

mais tempo que qualquer outro piloto e que pela primeira vez

seria feito um encontro entre um módulo lunar estacionário, na

superfície lunar, e um módulo de comando “zunindo em volta da

Lua”. Por último veio Aldrin, que foi o que mais falou. Buzz fez

um resumo completo da descida e do pouso lunares, elementos

fundamentais da Apollo 11 que envolviam tantas coisas novas

que ele levou bastante tempo para falar de todas.

No total, a tripulação respondeu a 37 perguntas, 27 das quais

ficaram a cargo de Armstrong. Nove jornalistas se dirigiram

especificamente a ele. Em duas ocasiões, Neil recebeu diretamente a pergunta, mas pediu a Buzz que respondesse; em

duas outras, Buzz acrescentou de maneira espontânea alguma

coisa aos comentários de Neil. Collins, assim como Aldrin,

respondeu somente a três perguntas dirigidas a ele. Algumas

questões demandavam a participação dos três astronautas.

Aquilo se tornaria um padrão que duraria muito mais que o

Programa Apollo. As pessoas queriam ouvir o comandante, o

primeiro homem que pisaria na Lua.

Durante a coletiva, Armstrong anunciou pela primeira vez os

apelidos dados ao módulo lunar e ao de comando da Apollo:

“Sim, pretendemos usar identificadores além daqueles que vocês

já podem ter ouvido durante a simulação. O identificador para o

módulo lunar será Eagle. O identificador para o módulo de

comando será ‘Columbia’ (...) Columbia é um símbolo nacional,

está no topo de nosso Capitólio e, como todos vocês sabem, foi o

nome da espaçonave de Júlio Verne que chegou à Lua em seu

romance escrito cem anos atrás.”

Como era de esperar, a imprensa quis saber o que Armstrong

diria quando pisasse na Lua pela primeira vez. Um repórter

perguntou a ele sobre isso. Nem as poucas pessoas que

conheciam bem Armstrong ou que tinham autoridade sobre o

programa espacial tripulado foram capazes de fazer com que Neil

revelasse seus pensamentos em relação às primeiras palavras

históricas que diria na superfície lunar. A certa altura, a pressão

interna da NASA levou Julian Scheer, chefe do gabinete de

relações públicas da NASA, a escrever um memorando interno

perguntando se acaso o rei Fernando e a rainha Isabel da

Espanha tinham orientado Cristóvão Colombo sobre o que ele

deveria dizer quando chegasse no Novo Mundo. Em resposta à

pergunta do repórter, Armstrong simplesmente respondeu: “Ainda

não escolhi.” E, por mais difícil que fosse acreditar, era verdade.

“A parte mais importante do voo na minha cabeça era o pouso”,

explicou Armstrong mais tarde. “Eu achava que, se houvesse

qualquer declaração que devesse ter importância, seria qualquer

coisa que acontecesse logo após o pouso, quando o motor

parasse. Eu tinha pensado um pouco naquilo que chamávamos

de local de pouso. Também tinha pensado no que diria no momento em que tocássemos o solo lunar; achava que era isso

que ficaria para a história. Mas nem me demorei muito nessa

reflexão, porque, tirando as estatísticas, meu instinto me dizia

que, mesmo com 90% de chance de voltar à Terra em

segurança, tínhamos apenas 50% de chance de realizar o

pouso.”

Na verdade, Neil já tinha batizado de base da Tranquilidade o

local onde ele e Aldrin pousariam, no mar de mesmo nome. Ele

tinha contado isso a Charlie Duke em particular, já que Duke

serviria como CapCom durante o pouso e Neil não queria que ele

fosse pego desprevenido se os astronautas usassem esse nome

imediatamente após tocarem o solo. Ninguém além de Duke

sabia sobre a base da Tranquilidade até a Eagle pousar.

Uma comissão governamental de alto escalão decidiu que

Armstrong e Aldrin deveriam deixar três objetos na superfície

lunar, como símbolos da chegada do homem à Lua. O primeiro

item seria uma placa presa a uma das pernas do módulo lunar

que segurava a escada pela qual os astronautas desceriam.

Essa placa mostrava os dois hemisférios da Terra e continha as

seguintes frases: AQUI HOMENS DO PLANETA TERRA PISARAM NA LUA,

JULHO DE 1969 D.C. VIEMOS EM MISSÃO DE PAZ POR TODA A HUMANIDADE.

O segundo objeto era um pequeno disco, com menos de três

centímetros de diâmetro, no qual haviam sido gravadas

eletronicamente fotos em miniatura de cartas escritas por

diversos chefes de Estado do mundo. O terceiro era a bandeira

americana. “Houve quem achasse que não deveria haver uma

bandeira dos Estados Unidos lá”, Armstrong explicou anos

depois, “e quem achasse que deveria haver bandeiras de

diversas nações. No fim, o Congresso concluiu que era um

projeto americano. Não estávamos fazendo nenhuma

reivindicação territorial, mas devíamos informar que estivemos ali

e fincar uma bandeira dos Estados Unidos.”

Os repórteres tentaram de tudo — e quase sempre em vão —

para fazer com que Armstrong filosofasse a respeito do

significado histórico do pouso na Lua. “O que de mais importante

vocês veem na ida à Lua, para vocês mesmos, como seres

humanos, para seu país e para a humanidade como um todo?”

“Você acha que a Lua vai acabar se tornando parte do mundo

civilizado, assim como a Antártica agora, que também já foi

considerada um lugar remoto e inóspito no passado?”

“Em primeiro lugar, deixe-me repetir algo que vocês todos já

ouviram, mas que provavelmente responde à pergunta”, disse

Armstrong. “É o seguinte: o objetivo deste voo é precisamente

levar o homem à Lua, fazer um pouso lá e depois voltar. Esse é o

objetivo. Há inúmeros objetivos secundários, periféricos, entre os

quais alguns que você mencionou em sua pergunta, e que

esperamos muito concluir com êxito. Mas o objetivo principal é a

capacidade de demonstrar que o homem pode realizar esse

trabalho. Como vamos usar essas informações nos próximos

séculos, só a história poderá dizer. Espero que tenhamos a

sabedoria de usar da melhor maneira possível as informações

que obtivermos nesses voos iniciais, e acho que, à luz de nossa

experiência na última década, podemos, de fato, esperar um

resultado assim.”

Os jornalistas também não tiveram sorte ao incitar Armstrong

a fornecer algo a mais do que apenas informações sem emoção

e concentradas na engenharia quanto aos graves riscos do voo.

“Em sua opinião, qual será a fase mais perigosa do voo da Apollo

11?” “Bem, assim como em qualquer voo, as coisas com as quais

mais me preocupo são as que nunca foram feitas, coisas novas.

Espero que em nossa declaração inicial tenhamos dado uma

ideia de quais são as novidades deste voo. Há também outros

fatores que sempre nos preocupam bastante, a saber, as

situações para as quais não há método alternativo para fazer o

serviço, só há um método. Em um voo transatlântico, é preciso

que a asa permaneça na fuselagem; sem ela, você não poderia

fazer a viagem, certo? Tivemos, nos últimos voos, algumas

situações assim. Em nossos voos lunares anteriores, o motor do

foguete do módulo de serviço deveria funcionar para retornarmos

da Lua. Não havia alternativa. Da mesma forma, neste voo,

temos diversas situações desse tipo. O motor do módulo lunar

deve funcionar para nos acelerar a partir da superfície da Lua até

a órbita lunar, e o motor do módulo de serviço, é claro, deve

funcionar novamente para retornarmos à Terra. À medida que nos aprofundamos cada vez mais em voos espaciais, haverá

cada vez mais sistemas de solução única a operar. A propósito,

temos alto grau de confiança nesses sistemas.”

“Quais seriam seus planos no caso extremamente improvável

de o módulo lunar não conseguir sair da superfície da Lua?”

“Bem”, respondeu Neil, de maneira sucinta, “é uma coisa

desagradável a se pensar e preferimos não pensar até o

momento. Achamos que essa situação não é provável. Ela é

apenas possível, mas, no momento, estamos sem recursos para

o caso de ocorrer.”

Repórter: “Qual é o período mais longo que se pode esperar

entre o não funcionamento e o momento em que Collins deve

voltar, o tempo que vocês teriam para consertar o módulo lunar

ou tentar resolver os problemas?” Neil: “Não tenho essa resposta

em números. Provavelmente seria uma questão de dois dias.”

Essas respostas aparentemente desapaixonadas a perguntas

sobre a dimensão humana em um voo espacial e sobre o

significado histórico e existencial de ir para a Lua espicaçaram a

percepção afiada de Norman Mailer para atitudes desdenhosas.

Assim como outros repórteres, o ganhador do Prêmio Pulitzer e

autor de Os nus e os mortos e Os exércitos da noite queria mais

de Armstrong. Mailer chegou a escrever que Armstrong “soltava

palavras com a mesma facilidade que um cão deixaria puxarem

um pedaço de carne de sua boca”; que Armstrong “respondia

com sua característica mistura de modéstia e arrogância técnica,

uma mistura de pedido de desculpas e discreta superioridade”;

que Armstrong tinha “a privacidade dissimulada de um homem

cujos pensamentos nunca poderiam ser lidos”; que Armstrong,

como um animal preso, parecia procurar “uma forma de se livrar

de uma sala como aquela, onde ele se via preso com

devoradores de pensamentos e na obrigação de responder a

perguntas que já foram ouvidas centenas de vezes”. Ao mesmo

tempo, Armstrong era “um profissional” que havia “aprendido a

argumentar de maneira prática e com a linguagem adequada”,

sempre escolhendo palavras e frases que “o protegiam”.

Mailer ficava intrigado (em seu livro de 1970 sobre a Apollo 11,

Moonfire: A épica jornada da Apollo 11, o autor se autodenominou Aquarius, em referência ao espírito esperançoso

da futura Era de Aquário) por Armstrong exalar uma

superioridade “extraordinariamente remota”, quase mística, que

fazia com que ele parecesse diferente de outros homens. “Ele

era uma presença na sala”, notou Mailer, “quase como se fosse

um espírito em vez de um homem. Era difícil saber se ele era o

espírito das altas correntes térmicas ou o espírito de neutralidade

que surge em situações burocráticas, ou ambos (...) De fato, as

contradições repousavam sutilmente sobre ele — não era

diferente de observar uma pilha de folhas: algumas caíram no

outono, algumas eram verdes, do início da primavera.” De todos

os astronautas, Armstrong parecia ser “o homem mais próximo

de um santo”. Como palestrante, Neil estava “longe de ser

frouxo”. Com tudo isso, a impressão geral que Armstrong deixou

em Mailer não foi banal. “Certamente, saber que era um

astronauta restaurou sua reputação”, percebeu Mailer, “e, mesmo

que ele fosse um jovem executivo recebendo um prêmio, ainda

teria demonstrado sua qualidade surpreendente (...) Na verdade,

ele teria sido mais extraordinário se fosse somente um vendedor

fazendo um pequeno discurso inepto e bobo. Dessa forma,

seríamos forçados a nos perguntar como ele havia conseguido

aquele trabalho, como ele conseguia vender qualquer coisa,

como ele se levantara da cama de manhã. Havia algo

particularmente inocente ou sutilmente sinistro naquele ar gentil e

distante. Se ele fosse um jovem vendedor de assinaturas de

porta em porta, uma avó poderia alertar a neta a nunca deixá-lo

entrar em casa; já outra avó comentaria: ‘Esse menino ainda vai

longe.’”

Mailer persistiu em sua busca para entender o quebra-cabeça

que era Armstrong na coletiva de imprensa exclusiva para os

correspondentes de revistas no estúdio onde a NBC filmava sua

entrevista com os astronautas. Os jornalistas continuavam

pressionando a tripulação da Apollo 11 a revelar seus

sentimentos e emoções, e Mailer via e ouvia Armstrong

entrincheirando-se cada vez mais fundo no manto protetor da

engenharia, a armadura de um “cavaleiro da tecnologia”.

Armstrong respondeu com uma “voz mansa e sincera” a uma pergunta sobre o papel da intuição em seus voos, comentando

que a intuição “nunca foi meu forte” e assentindo, como um

positivista lógico — como notou Mailer —, que a melhor

abordagem para qualquer problema era “interpretá-lo direito e

depois enfrentá-lo”.

Armstrong havia se tornado um mestre em “tecnologês”. Em

vez de dizer “demonstramos”, preferia uma linguagem rebuscada

e dizia “um exercício conjunto demonstrou...”. Em vez de dizer

“outras escolhas”, ele se referia a “objetivos secundários

periféricos”. Em vez de “estamos fazendo o melhor”, era

“estamos obtendo o máximo de vantagem possível”. “Ligar” e

“desligar” se tornaram “habilitar” e “desabilitar”. Mailer, que tinha

repulsa pela própria formação de engenheiro, viu no vernáculo de

Neil a prova de que não só “as formas mais naturais do inglês

não tinham sido feitas para o computador”, mas que Armstrong

representava “o fim dos velhos ou o início dos novos homens”.

“Se não for eu, será outro”, disse Neil, o que Mailer considerou

as “grandes reações e grandes ideias” existentes por trás das

comparações feitas pela imprensa de sua própria viagem como

comandante da Apollo 11 e a aventura de Cristóvão Colombo em

1492. A preocupação de Armstrong estava “voltada

principalmente para a execução do trabalho”, um serviço que

poderia ser feito por pelo menos dez outros astronautas. E

centenas de pessoas em Houston, no Cabo e nos outros centros

da NASA atuavam em conjunto pela tripulação. Dezenas de

milhares de pessoas estiveram trabalhando em indústrias pelo

país inteiro para permitir que a Apollo seguisse seu curso. “É

mais um sucesso deles do que nosso”, disse Neil humildemente

à imprensa.

Armstrong não era um herói comum, como percebeu Mailer.

“Se eles insistissem em torná-lo um herói”, observou, “ele seria

um herói nos termos que só ficariam claros para ele mesmo.”

De Collins e Aldrin, os repórteres conseguiram extrair alguns

comentários sobre a vida pessoal e a família (Buzz mencionou a

joia de família que estava levando consigo para a Lua). Nada

desse tipo foi dito por Armstrong.

“Vai levar lembranças pessoais para a Lua, Neil?”

“Se pudesse escolher, levaria mais combustível.”

“Vai guardar um pedaço da Lua?”

“Até o momento não tenho planos”, veio a resposta ríspida.

“Vai perder sua privacidade depois desta conquista?”

“Acho que a manutenção da privacidade é algo possível

dentro do contexto desta conquista.”

Depois de um comentário de Neil sobre as vantagens

econômicas do programa espacial, um dos entrevistadores

perguntou:

“Então, estamos indo para a Lua somente por razões

econômicas, só para sair de um buraco caro em nossa economia

letárgica? O senhor não vê nenhuma razão filosófica por trás da

ida à Lua?”

“Acho que estamos indo à Lua”, comentou Armstrong,

hesitante “porque é natural do ser humano enfrentar desafios.

Isso está nas profundezas da alma humana. Somos levados a

fazer essas coisas, assim como o salmão nada contra a corrente

no rio.”

O que exatamente habitava em sua alma em relação ao pouso

lunar, ou a qualquer outra coisa que acontecesse em sua vida —

seus verdadeiros sentimentos em relação ao pai, suas crenças

religiosas, as consequências da morte de Muffie —, quase nunca

era exposto em uma observação ou em qualquer outra

declaração verbal que alguma vez ele tivesse feito.

Simplesmente não era sua maneira de ser. Talvez sua reserva

tão prudente tivesse sido resultado de uma estratégia de escape

inculcada a fundo que ele desenvolvera na infância. Ou talvez

tenha surgido, como chegou a insinuar sua primeira esposa,

Janet, de um medo de inferioridade social baseado em seu

histórico familiar humilde na área rural de Ohio.

O que Armstrong, na véspera de se tornar o Primeiro Homem,

não definiu nem explicou sobre si mesmo outros agora buscavam

de maneira quase desesperada definir e explicar por ele. Todos

os significados humanísticos e cósmicos que ele não preenchia

os outros se sentiam compelidos a preencher por ele. Na véspera

da grande aventura da humanidade de pôr os pés em outro corpo

celeste, Armstrong se tornara uma espécie de oráculo dos tempos antigos, um médium, um sábio, um profeta misterioso,

por meio de quem se dizia a sorte e o azar, as divindades eram

consultadas e as orações, atendidas.

Até construir seu próprio mito sobre Armstrong, a mente

criativa de Norman Mailer não sossegou. Não importava que

nunca o tivesse conhecido, nunca tivesse falado com ele

diretamente, nunca tivesse feito a ele uma única pergunta. Mailer

também havia se sentado perante o oráculo, “o mais santo dentre

os astronautas”, alguém que “simplesmente não era como os

outros homens”, que aparentava estar “em comunhão com outra

corda no universo que os outros nem cogitavam tocar”. Era uma

missão de Mailer, de Aquarius, decodificar Armstrong.

Como Mailer, deveríamos ser os autores de nosso próprio

pouso lunar.

Mailer evocou sua própria versão de Armstrong ao assistir à

entrevista concedida por ele a Frank McGee, correspondente da

NBC, na noite de 5 de julho. Na entrevista, McGee referiu-se à

matéria da revista Life escrita por Dodie Hamblin na qual

Armstrong contava um sonho recorrente de infância no qual ele

flutuava sobre o chão. Mailer tinha lido a matéria de Dodie na

época em que saiu, mas não lhe dera a importância devida até

ouvir Armstrong, após um dia cheio de discursos sobre

engenharia, confirmar que, de fato, sonhava com isso quando

criança. Mailer ficou enlevado com a beleza do sonho: “Foi lindo

porque, em breve, aquele sonho se mostraria profético, porque

era profundo e misterioso, porque era apropriado ao homem que

pousaria na Lua.” Para Mailer, foi uma espécie de epifania, a que

ele usou para criar “The Psychology of Astronauts” (A psicologia

dos astronautas) e interpretar toda a era espacial: “Era, portanto,

um sonho no qual se pode encontrar uma nova teoria dos

sonhos, porque qualquer teoria incapaz de explicar esse visitante

noturno seria inadequada, a menos que estivesse pronta para

declarar que a levitação, a respiração e a Lua não eram áreas

adequadas do sonho.”

A ideia de que um homem tão pouco lúdico como Armstrong

tinha sonhos em que levitava “intoxicou” Mailer, “porque isso

dramatizou o quão conflitantes podiam ser os extremos na personalidade de Armstrong”. Por um lado, conscientemente,

Armstrong, o arquétipo do astronauta-engenheiro, se baseava no

“convencional”, no “prático”, no “técnico”, e no “trabalho árduo”.

Ele residia bem no “centro da classe média suburbana”. Por

outro, o que Armstrong e os outros astronautas estavam fazendo

no espaço era um “empreendimento além dos limites da

imaginação”. Sua obstinação e sua ambição simplesmente

tinham que ter um elemento subconsciente.

Foi nessa união de opostos, na fusão impenetrável do

consciente e do inconsciente, que se encontrava, na era da

tecnologia moderna, “uma nova constituição psicológica do

homem”. Mais que a de qualquer outro astronauta, a

personalidade de Neil se originava no núcleo daquela “força

humana magnética chamada americanismo, protestantismo ou

Waspitude”. Ele era o Lancelote da maioria silenciosa, “o Wasp

[sigla para “branco, anglo-saxão e protestante”] que surgia na

história humana para nos levar até as estrelas”. Não importava

que Mailer não soubesse quase nada sobre o histórico familiar, a

história pessoal, a vida conjugal, as crenças religiosas, os amigos

ou o estado psicológico verdadeiro de Armstrong. O objetivo de

Aquarius não era compreendê-lo; era entender as idas e vindas

da humanidade no século XX, um século que procurou “dominar

a natureza como ela nunca tinha sido dominada”, “criar morte,

devastação e poluição como nunca antes” e, ainda assim,

“enfrentar as ideias de guerra, pobreza e catástrofes naturais

como nunca havia feito”. Também foi um século “ligado à ideia de

que o homem deve levar sua concepção de vida até as estrelas”.

Não havia como negar a genialidade na exposição de Mailer,

ainda que o autor realmente não se importasse com Armstrong

no âmbito pessoal, mas somente como um recipiente no qual ele

poderia depositar a própria energia mental e profundidade. O que

Mailer escreveu em seu capítulo “The Psychology of Astronauts”

é uma crítica social altamente provocadora e perspicaz, mas

como história, biografia ou a psicologia reais, causava

controvérsia antes de tudo.

A mitologização e a iconografia só estavam começando.

Quinze dias depois da coletiva de imprensa, Armstrong pisaria na Lua. Ele não seria mais apenas um homem para nenhum de nós.

Ele seria o Primeiro Homem.