O Primeiro Homem na Lua
Capítulo 21: A dialética de uma missão na Lua
CAPÍTULO 21
A dialética de uma missão na Lua
A preocupação de Buzz Aldrin em relação a quem seria o
primeiro a sair da espaçonave não ajudou em nada no
relacionamento profissional entre os tripulantes da Apollo 11. Por
outro lado, seu ressentimento nunca atrapalhou de fato o
treinamento da equipe para essa missão histórica, porque o
temperamento impassível de Armstrong não o permitiu. Se o
comandante fosse uma pessoa dada a conflitos, como Frank
Borman ou Alan Shepard, a situação com Aldrin poderia
facilmente ter prejudicado e muito a missão.
“Neil entendia esse conflito interno como algo que estava
aquém dele”, explica Mike Collins. “Nunca ouvi dele nada de ruim
sobre Buzz. O relacionamento profissional dos dois, da maneira
como eu via, era sempre extremamente cortês, e Neil jamais o
criticava. Só Deus sabe o que Neil realmente achava de Buzz.”
O treinamento para o primeiro pouso na Lua foi intenso a
ponto de desafiar a paciência e a boa vontade não apenas da
tripulação da Apollo 11, mas de toda a equipe da NASA. Não só
os astronautas precisavam estar prontos, como também toda a
aparelhagem de solo da NASA, incluindo o Centro de Controle da
Missão, a rede de rastreamento, as instalações de quarentena
para abrigar a tripulação, que poderia trazer “micro-organismos”
lunares, sem mencionar o foguete Saturno V, o módulo de
comando 107 e o módulo lunar 5. Armstrong, Collins e Aldrin
treinaram quatorze horas por dia, seis dias por semana, durante
seis meses. Aos domingos, normalmente trabalhavam mais oito
horas.
De 15 de janeiro a 15 de julho de 1969, véspera do
lançamento, a tripulação da Apollo 11 registrou um total de 3.521 horas de treinamento. Isso totalizava 126 horas por semana, ou
42 horas por membro da tripulação, em programas e exercícios
específicos de treinamento. Outras vinte horas semanais eram
usadas para refletir sobre planos e procedimentos de missão,
conversas com colegas, viagens para unidades de treinamento e
outros trabalhos de rotina. Armstrong e Aldrin totalizaram 1.298 e
1.297 horas de treinamento, respectivamente, enquanto Collins
registrou 370 horas a menos. Metade das horas de Collins
transcorreram no simulador do módulo de serviço e comando,
onde ele trabalhou fisicamente isolado dos companheiros de
tripulação. Por outro lado, foram poucas as horas em que Neil e
Buzz não trabalharam juntos. Quase um terço de seu tempo de
treinamento foi passado dentro das acomodações apertadas do
simulador de módulo lunar.
O principal objetivo da Apollo 11 era o pouso na superfície da
Lua. O treinamento para as atividades de superfície tomou
menos de 14% do tempo dos astronautas, incluindo a preparação
de Armstrong e Aldrin para a coleta de amostras geológicas, a
configuração de todos os experimentos planejados para a
superfície lunar, assim como o tratamento que deviam dispensar
à unidade móvel extraveicular (EMU, na sigla em inglês).
Tratava-se de um equipamento essencial, dotado de uma
parafernália de proteção que funcionaria durante o trabalho na
superfície lunar. No treinamento na unidade móvel, os
astronautas “vistoriaram” todas as partes da montagem.
“Praticamos o trabalho na superfície lunar até nos sentirmos
razoavelmente confiantes em nossa capacidade de executar o
plano de superfície”, afirmou Armstrong. “Se a descida e a
aproximação final para o pouso fossem classificadas com o grau
nove em uma escala de dificuldade de dez pontos, eu daria o
grau dois ao trabalho em superfície. Não que fosse isento de
riscos, até porque eles existiam. Dependíamos totalmente da
integridade de nossos trajes pressurizados, e havia questões
relacionadas ao ambiente térmico — se teríamos ou não
problemas de superaquecimento, porque estaria bem quente na
superfície lunar, mais de 90ºC. Fizemos parte de nosso trabalho
de superfície na câmara de altitude, com simulação térmica. E essas simulações foram bem-sucedidas. Então atingimos um
nível de confiança de que tudo funcionaria muito bem. As únicas
preocupações reais envolviam fatores desconhecidos que não
podiam ser simulados justamente por serem desconhecidos. No
fim, as simulações de campo se mostraram muito boas, embora
as condições de gravidade lunar não pudessem ser replicadas.”
Desde a seleção dos New Nine em 1962, “todos nós tivemos
aulas de geologia elementar ao longo de anos. Tivemos ótimos
professores que sabiam muita coisa de astrogeologia e
selenologia, o estudo astronômico da Lua. Fomos ao Havaí e à
Islândia, lugares excelentes para o estudo de rochas vulcânicas.
Supunha-se que na Lua encontraríamos principalmente
formações tectônicas, remanescentes de fluxos de lava tectônica
e vulcânica. Fiquei muito tentado a esconder um pedaço de
calcário da Lua e trazê-lo de volta como amostra. Isso teria
causado muita confusão e chateado muita gente! Mas não
pegamos nada.”
Outra realidade da Apollo 11 era que Armstrong e Aldrin não
teriam muito tempo para passar na superfície lunar. “Isso foi
definido sobretudo porque não sabíamos por quanto tempo
durariam nossos estoques de água para resfriamento dos trajes”,
explicou Armstrong. “Nem se nosso metabolismo na gravidade
lunar seria semelhante ao da Terra. No entanto, conseguimos
ficar do lado de fora um pouco mais do que o plano estipulava.
Depois de voltar para a aeronave, drenamos os tanques de água
para ver quanto havia sobrado. Levando em conta a sobra e o
tempo que estivemos fora, conseguimos uma boa medição.”
Ainda que gostasse de geologia, Neil achava a disciplina um
pouco enigmática: “Os geólogos tinham uma teoria incrível que
chamavam de ‘princípio da mínima surpresa’. Segundo a teoria,
quando encontramos uma formação rochosa, formulamos
hipóteses sobre como ela se formou e criamos cenários para
explicar como ela chegou ali. O cenário que causar menos
surpresa é o que deve ser tomado como base para uma análise
mais profunda. Eu achava isso fascinante. Era uma abordagem
lógica que eu jamais havia experimentado na engenharia.” Ainda
assim, foi precisamente ao raciocínio sistemático de Neil, próprio da engenharia, que Harrison “Jack” Schmitt atribuiu sua
competência geológica. Segundo Jack, geólogo graduado em
Harvard e mais tarde piloto do módulo lunar da Apollo 17, além
de orientador de Neil e Buzz para a questão da coleta de rochas
lunares, Neil foi autor da “melhor coleta de amostras que alguém
já fez na Lua.”
* * *
Todo o treinamento do Programa Apollo foi importante, mas
nenhum aspecto foi mais decisivo para o sucesso da missão do
que o trabalho feito nos simuladores de voo. As duas máquinas
principais eram o simulador do módulo de comando, construído
pela North American, e o simulador do módulo lunar, construído
pela mesma empresa que projetou o módulo real, a Grumman.
Collins passou a maior parte do tempo no primeiro; Armstrong e
Aldrin, no segundo. Com todos os controles e instrumentos
conectados ao banco de computadores instalado em uma sala
dos fundos assim como aos consoles do Controle da Missão, o
simulador do módulo de comando e serviço — apelidado de
“Grande Caos”, por causa da enorme variedade de caixas e
compartimentos de diferentes tamanhos — era dinâmico e
totalmente interativo. Ao olharem pelas janelas enquanto
realizavam seus “voos”, os astronautas viam representações
aproximadas da Terra, do céu, da Lua e das estrelas. “De modo
geral, as simulações eram muito boas”, lembrou Neil, mas eles
sabiam que a fidelidade à vida real era relativa. Eles “fizeram um
bom trabalho nos dando a segurança de que precisávamos”.
Durante seu treinamento para a Apollo 11, Armstrong
trabalhou 164 horas no simulador do módulo de comando e
serviço, somente um terço do tempo que Collins, o piloto do
módulo, passou. Naturalmente, uma vez que era sua principal
responsabilidade na missão, Neil passou um tempo bem maior
praticando pousos lunares: 383 horas no simulador e 34 horas no
LLTV ou no LLRF, totalizando 417 horas de simulações de pouso
lunar. Seu total em simuladores foi, portanto, de 581 horas, o equivalente a mais de 72 dias — mais de dez semanas — com
expedientes de oito horas. Aldrin acumulou dezoito horas no
simulador do módulo de comando e 28 horas no do módulo lunar
a mais do que Neil. Ao contrário do parceiro, Buzz não voou no
LLTV ou no LLRF durante a preparação de seis meses para a
Apollo 11. “Tentamos construir simuladores que fossem
exatamente iguais aos aparelhos verdadeiros, mas eles nunca
atingem um grau de realidade que os faça voar com a mesma
facilidade que a máquina real. As pessoas que não participaram
do desenvolvimento do simulador durante a carreira normalmente
tentavam só ‘ganhar’ o tempo todo. Queriam operá-los com
perfeição e evitar problemas. Eu fazia o contrário. Tentava criar
problemas com o simulador para investigá-los e aprender com
eles. Tenho certeza de que alguns dos caras estavam bem
cientes de minha posição”, principalmente depois de um
incidente que se tornaria notório envolvendo uma “manobra” de
taxiamento no simulador do módulo lunar.
Mike Collins contou a história: “Neil e Buzz estavam descendo
no simulador do módulo lunar quando foram surpreendidos por
alguma catástrofe e receberam instruções de Houston para
abortar a missão. Neil, por alguma razão, questionou o conselho
ou simplesmente foi muito lento, mas, de qualquer forma, a
impressão do computador mostrou que o módulo tinha descido
abaixo da superfície lunar antes de começar a subir de novo. Em
outras palavras, Neil tinha derrubado o módulo lunar e destruído
a máquina, a ele próprio e a Buzz.
“Naquela noite, nas acomodações da tripulação, Buzz estava
agitado e não me deixou dormir reclamando sobre aquilo. Eu não
conseguia discernir se ele estava preocupado com a segurança
no voo, no caso de Neil repetir o erro, ou se simplesmente ficou
envergonhado por terem derrubado o módulo lunar diante de
uma sala cheia de especialistas no Controle da Missão. Mas não
fazia diferença, Buzz falava a plenos pulmões, e enquanto
esvaziava uma garrafa de uísque e suas reclamações se
tornavam mais altas e mais específicas, Neil apareceu de
repente de pijama, despenteado e indignado, e se juntou à
confusão. Eu me despedi com toda a educação e fui feliz da vida para a cama, desejando não me meter naquela briga por causa
de técnica ou personalidade.
“Neil e Buzz continuaram a discutir noite adentro, mas no dia
seguinte, no café da manhã, ninguém parecia diferente,
magoado, constrangido ou irritado. Então achei que eles haviam
tido uma discussão franca e construtiva, como se diz no
Departamento de Estado. Foi a única crise em nosso ciclo de
treinamento.”
A versão de Aldrin a respeito da discussão noturna foi um
pouco diferente. “Nós três geralmente jantávamos tarde no
alojamento. Naquela noite, Mike e eu nos sentamos para tomar
um drinque e conversar, enquanto Neil foi para a cama. Mike
disse algo como: ‘E aí, como foi? O que vocês fizeram no
simulador hoje?’ Respondi: ‘Bem, perdemos o controle enquanto
abortávamos a missão.’ Realmente não me lembro do meu tom
de voz. Mas o que eu disse ficou só entre nós dois, entre mim e
Mike. Não achei necessário informar Neil sobre o que eu sentia,
porque não se tratava apenas do nosso relacionamento. No
curso normal do que fazíamos, eu não o criticava. Mas Mike me
fez uma pergunta sobre a simulação, e eu lhe disse o que havia
acontecido. Foi uma surpresa para nós dois quando Neil saiu do
quarto dele e disse: ‘Vocês estão fazendo muito barulho. Estou
tentando dormir.’” Neil não disse nenhuma palavra naquele
momento para defender o que tinha feito na simulação, por que
resolveu não abortar a missão. “Neil nunca teria agido assim”,
explicou Aldrin.
O que Aldrin estava explicando a Collins quando Neil saiu para
pedir silêncio foi que “eu achava que estávamos jogando um jogo
e deveríamos tentar fazer todo o possível para vencer e, quando
vimos que as coisas estavam ficando feias, seria melhor que nos
comportássemos como se fosse uma situação real.” Aldrin disse
a Collins que o mais importante em qualquer situação era não
cair. “Eu me peguei analisando isso, aquele sistema e o que quer
que não estivesse tendo um bom desempenho no que se refere
ao pessoal responsável pelo simulador. Se eles nos dessem uma
instrução errada, e estivéssemos perdendo o controle do módulo
lunar, seguiríamos em frente e pousaríamos no caso de um voo real? Não sei se faríamos isso. A mesma coisa se algo
incapacitasse o comandante, impossibilitasse a orientação ou
desabilitasse o radar de pouso: não pousaríamos na primeira
tentativa, abortaríamos e voltaríamos. Havia uma diferença clara
entre nós dois em relação a como reagíamos à simulação. Neil
teve suas razões para fazer o que fez. Decidir o que fazer estava
entre ele e o pessoal do simulador. Quanto a mim, eu estava lá
para apoiar o que acontecia no treinamento, quase como um
observador. Sendo assim, essa foi minha resposta à pergunta de
Mike sobre minha avaliação a respeito do que aconteceu.”
Algumas versões da história do simulador contadas nos anos
seguintes diziam que Aldrin também pediu a Armstrong que
abortasse a missão, mas Neil contestou: “Não me lembro de
Buzz ter pedido para abortar — em momento algum —, não me
lembro disso. Lembro-me, sim, da trajetória de descida que
estávamos fazendo durante a simulação e que as informações
que chegavam a nós ficaram muito deterioradas, e achei que
seria um ótimo momento para testarmos o Centro de Controle da
Missão, algo como ‘certo, pessoal, vamos ver o que vocês
podem fazer nesse caso’. Eu sabia que podia abortar a qualquer
momento — e, provavelmente, com sucesso —, mas aí
perderíamos a missão, o restante da simulação. Essa era a
chance de testar o centro de controle. Buzz considerou isso uma
mancha em nossa reputação. Achou que era uma mancha em
seu histórico de desempenho, que depunha contra nós dois e
contra nossa capacidade como tripulação. Eu discordava
totalmente. Minha opinião era completamente diferente, e ele
expressou sua preocupação naquela noite.”
Em relação ao que de fato aconteceu durante aquela
discussão tarde da noite, Neil respondeu: “Não me lembro dos
detalhes, mas lembro que Buzz expressou seu desagrado. Ele
enxergava as simulações de outra forma. Ele nunca gostou de
colidir em uma simulação real, enquanto eu achava que seria
uma boa experiência de aprendizado para todos nós. Não
somente para a tripulação, mas também para o pessoal do centro
de controle. Estávamos todos juntos naquilo.”
Curiosamente, essa história de não querer abortar a missão
durante a simulação lembra o voo de abril de 1962 pilotado por
Neil no X-15, aquele no qual a aeronave subiu como um balão e
acabou sobrevoando perigosamente Pasadena. Nos dois casos,
Neil estava tentando promover o aprendizado tecnológico por
meio da experimentação dialética. “Se nem nós nem os
controladores de voo conseguissem encontrar uma solução,
então para mim indicava que era preciso entender melhor aquela
parte da trajetória de voo.” Na realidade, como resultado desse
acidente na superfície lunar durante aquela simulação, Neil bolou
“uma teoria de altitude versus velocidade de descida com bandas
de posição que não havia considerado antes, para poder saber
quando estivesse entrando em uma área questionável. Se
tivesse abortado quando todos queriam, provavelmente não teria
feito isso.” Ao mesmo tempo, a simulação “atrapalhada” fez com
que o diretor de voo e seus funcionários reavaliassem sua
análise da situação. “Tenho certeza de que eles também
melhoraram sua abordagem para entender aquilo, para saber
quando estavam entrando em área perigosa”, disse Armstrong.
“Então, isso acabou tendo um propósito válido. Fiquei um pouco
decepcionado por não termos entendido a tempo, mas aprende-
se durante o processo. Foram as simulações mais exigentes de
que já participei — e precisava ser assim. O pouso na Lua era
um projeto maior, de maior alcance e com mais pessoas
envolvidas do que qualquer um que tivéssemos experimentado.”
* * *
Depois de quatro meses de treinamento, a Apollo 10 voou até a
Lua. Lançada em 18 de maio de 1969, com uma tripulação
composta de três veteranos das missões de aproximação da
Gemini — o comandante Tom Stafford, o piloto do módulo de
comando John Young e o piloto do módulo lunar Gene Cernan
—, a missão de oito dias foi um ensaio geral muito bem-sucedido
do pouso lunar. A Apollo 10 realizou várias proezas pioneiras no
espaço: foram as primeiras operações do módulo de comando e serviço-módulo lunar em ambiente lunar e cislunar; a primeira
acoplagem módulo de comando e serviço-módulo lunar em uma
trajetória translunar; a primeira desacoplagem do módulo lunar
em órbita lunar; a primeira separação de estágio do módulo lunar
em órbita lunar; e a primeira acoplagem tripulada do módulo
lunar ao módulo de comando e serviço em órbita lunar. A única
coisa que a Apollo 10 não conseguiu fazer foi o pouso lunar
propriamente dito, embora seu módulo lunar — apelidado de
Snoopy — tivesse chegado a apenas quinze mil metros do local
de pouso proposto para a Apollo 11 antes de voltar à órbita e
reacoplar com Charlie Brown, o módulo de comando.
A Apollo 10 auxiliou na preparação para a Apollo 11 em
diversos aspectos. Primeiro, como explicou Armstrong, “havia a
questão das qualidades operacionais, a capacidade de resposta
e as operações de motor do módulo lunar. Queríamos saber
quais eram as diferenças entre voar no simulador, no LLTV e em
um módulo lunar de verdade”.
Também havia a questão do ambiente lunar, sobretudo os
efeitos gravitacionais possivelmente mais significativos do que os
exercidos por “mascons” sobre as trajetórias de voo. “Mascons”
são áreas que ficam abaixo da superfície da Lua, em geral no
núcleo, que devido à alta densidade de certas rochas exerce uma
força gravitacional um pouco maior. Depois dos voos das cinco
espaçonaves não tripuladas do Programa Lunar Orbiter entre
1966 e 1967, os dados telemétricos indicaram que a atração
gravitacional na Lua não era uniforme. As perturbações,
provavelmente causadas pelos “mascons”, causavam leves
declives no caminho dos Lunar Orbiters. A Apollo 10 documentou
a influência dessas maiores concentrações de massa
precisamente na trajetória da Apollo 11.
“Como resultado de todas as fotografias da Apollo 10, Buzz e
eu ganhamos muita confiança em nossa capacidade de
reconhecer nossa rota de voo e os principais pontos de
referência no caminho. No momento do lançamento, em julho,
sabíamos de cor todos os principais pontos de referência em
nossa trajetória de descida e, igualmente importante, em nosso
caminho até o momento em que deveríamos ativar os motores de descida. Era importante, para cruzar informações, sermos
capazes de determinar que estávamos, de fato, sobre o local
exato que queríamos — e o mais próximo possível do tempo
estipulado no plano de voo.”
Por fim, o sucesso da Apollo 10 determinou que a Apollo 11
certamente seria a primeira missão de pouso. A única incerteza
era quanto à data do lançamento. Algumas semanas depois da
Apollo 10, Deke Slayton perguntou a Armstrong se ele estava
pronto. Armstrong respondeu: “Bem, Deke, seria bom ter mais
um mês de treinamento, mas sinceramente não posso afirmar
que devemos esperar mais um mês. Acho que estamos prontos
para aproveitar uma janela de lançamento em julho.” Em 11 de
junho de 1969, a NASA anunciou que os astronautas da Apollo
11 tinham sinal verde para a tentativa de pouso. O lançamento
seria feito em 16 de julho, com o pouso histórico agendado para
um domingo à tarde, dia 20 de julho.
* * *
A maneira conscienciosa, altamente profissional e enérgica com
que Armstrong, Collins e Aldrin se dedicaram a cada item da
agenda de treinamento durante seis meses deu à NASA uma
grande confiança em sua tripulação. Porém, a missão da Apollo
11 estaria cheia de mistérios, incertezas e riscos inexplorados —
alguns tecnológicos, outros humanos. Como os astronautas se
sairiam individualmente durante uma crise? Em relação ao
comandante Neil Armstrong, os gerentes da NASA assumiram
um risco calculado pelo qual, para executar o pouso, ele poderia
forçar um pouco os limites, contando com a sorte e a
competência.
A NASA estabeleceu as “regras de missão” como um sistema
de verificações preventivas. A gênese do conceito se deu no
começo do Programa Mercury, a partir dos engenheiros
veteranos do Grupo de Trabalho do Espaço da NASA. Logo de
início, decidiram que deveriam registrar mais formalmente todos
as reflexões e observações importantes sobre a cápsula Mercury, o foguete que a lançaria, cada sistema de controle de voo, bem
como todas as possíveis situações de voo. Como relata Chris
Kraft, “registramos um grande número de possibilidades,
juntamente com o que faríamos no caso de cada uma delas
ocorrer. Imprimimos tudo, compusemos um livreto e passamos a
chamá-lo de ‘regras de missão’”. Na preparação para a Apollo 11,
as equipes de planejadores de missão, diretores de voo,
especialistas em simulação, engenheiros e astronautas levaram
muitos meses debatendo, revisando, redesenhando e finalizando
as regras do que seria o pouso pioneiro na Lua. O primeiro
conjunto completo de regras para a Apollo 11 só foi publicado em
16 de maio de 1969, dois meses antes do lançamento. As regras
passaram a ser atualizadas semanalmente, à medida que as
simulações expunham mudanças que se faziam necessárias.
Ainda que a terceira revisão, ou revisão C, de 330 páginas, tenha
saído cinco dias antes do lançamento, as retificações não
pararam por aí. No dia do lançamento, sete modificações foram
incorporadas. Uma das mudanças de última hora, desconhecida
da tripulação da Apollo 11, dizia que não havia necessidade de
abortar o pouso se o computador de bordo do módulo lunar
emitisse uma determinada série de alarmes de programa.
O livro trazia uma longa seção sobre “Regras de Operações
de Voo”, relacionadas à política geral de conduta da missão, ao
gerenciamento de risco em suas fases e à gestão de
redundâncias. Trazia regras para o lançamento, a trajetória e a
orientação, comunicações, combustão de motor, acoplagem,
atividade extraveicular, sistemas elétricos e emergências
aeromédicas. As regras cobriam todos os problemas e
emergências possíveis. Em cada seção, havia um resumo de
todas as situações “Go/NoGo” (ou “Stay/NoStay”, para a decisão
de permanecer na superfície lunar ou abortar depois do pouso).
Essa foi a terminologia usada pelo diretor de voo em uma
verificação final de sistemas para garantir que os controladores
estivessem seguros para avançar até a fase seguinte da missão.
Outra regra crucial — que se tornou questão de grave
urgência durante a descida de Armstrong e Aldrin na superfície
lunar — dizia que, se a luz de alerta se acendesse no módulo lunar, indicando um nível baixo de combustível para a descida, os
astronautas teriam um minuto para decidir seguir com o pouso ou
abortar.
Foram escritas tantas regras de missão para a Apollo 11 e
para as missões subsequentes do programa que foi preciso
organizá-las de acordo com um código numérico. Era impossível
se lembrar de todas as regras, seria como memorizar o
dicionário. Durante um voo espacial, os controladores de voo
tinham que manter suas cópias do regulamento à mão.
Para muitas regras havia uma margem definida, alguma
tolerância. Ainda assim, até que todos os requisitos da missão
fossem cumpridos a contento do diretor de voo, nenhuma
decisão ou ação vital poderia ser tomada. Algumas regras
podiam dar a impressão de deixar a decisão final nas mãos dos
astronautas, mas esse tipo de avaliação independente e imediata
não era incentivado pelos gerentes da NASA.
Segundo Gene Kranz, um dos diretores de voo do Controle da
Missão, “Buzz era o membro da tripulação que mais se envolvia
na discussão das regras de missão, demonstrando seu
conhecimento sobre uma variedade de assuntos e geralmente
tomando a frente dos astronautas na conversa. Neil parecia mais
observador do que participante, mas dava para ver em seus
olhos que ele era o comandante e que tinha todas as peças
montadas na cabeça. Acho que nunca o vi levantar a voz. Ele
simplesmente poupava energia para quando fosse necessário.
Ouvia nossas discussões e, caso houvesse alguma controvérsia,
ele e Aldrin testavam nossas ideias nos simuladores e depois
davam retorno aos controladores por intermédio de Charles Duke
[o astronauta Duke atuaria como um dos CapComs para a Apollo
11]. Mike Collins usava uma tática diferente. Trabalhava
diretamente com a trincheira e com o pessoal de sistemas.”
(“Trincheira” era o apelido do grupo de funcionários do Controle
da Missão que trabalhavam na equipe de dinâmica de voo,
liderados pelo oficial de dinâmica de voo, ou FIDO.)
Armstrong em geral aceitava a descrição de Kranz: “É
verdade, Buzz era conversador e se envolvia muito nas discussões, e eu provavelmente era mais reservado. Acho que
era nosso modo de ser.”
Quase todas as regras de missão foram escritas e
formalmente aceitas; apenas algumas não foram para o papel.
As regras informais mais importantes para a Apollo 11 eram
relacionadas ao pouso.
“Para que todos entrassem em sintonia a respeito das regras
informais de pouso”, relembrou Kranz, “eu tinha uma sessão
estratégica final antes do início da simulação com Neil, Buzz,
Mike e Charlie Duke. E era nessa sessão que eu definia a
estratégia de pouso. Tínhamos apenas duas órbitas consecutivas
para tentar pousar na Lua. Se tivéssemos problemas na primeira
órbita, atrasaríamos a segunda. Se ainda tivéssemos problemas,
começaríamos a descida lunar para economizar cinco minutos e
resolver o problema. Se não conseguíssemos encontrar uma
solução, abortaríamos o pouso e começaríamos a aproximação
para recuperar o módulo lunar, descartá-lo e voltar para casa. Se
surgissem problemas de mais de cinco minutos, tentaríamos
pousar e depois decolaríamos da superfície após uma breve
permanência. Tentaríamos o pouso mesmo que só
conseguíssemos tocar na Lua e levantar voo duas horas depois,
quando o módulo de comando e serviço passasse sobre nós em
órbita lunar com as condições apropriadas para o encontro.
“Sei que Armstrong nunca foi de falar muito”, continuou Kranz,
“mas eu esperava que ele fosse mais participativo em relação à
estratégia das regras de missão. Não foi o caso. Daquela vez ele
ficou em silêncio. Levou um tempo até nos acostumarmos ao
silêncio dele. Enquanto revisávamos as regras, Neil geralmente
sorria e/ou assentia com a cabeça. Acredito que ele tinha regras
próprias para o pouso, e eu só queria saber quais eram. Meu
instinto dizia que ele insistiria e aceitaria qualquer risco, contanto
que houvesse uma chance remota de pousar. Acho que
estávamos em sincronia, já que eu tinha regras semelhantes. Eu
deixaria que a tripulação continuasse enquanto houvesse uma
chance.”
Armstrong relembrou: “Eu tinha muito respeito pelas regras da
missão e pela forma como elas eram desenvolvidas (...) Mas admito que se tudo parecesse estar indo bem e se houvesse
uma regra de missão que nos interrompesse e dissesse que
teríamos que fazer isto e aquilo, eu estaria disposto a usar a
prerrogativa de comandante e rejeitar a regra da missão, se eu
achasse que aquela seria a rota mais segura. Afinal, abortagens
de missão não eram um fenômeno muito bem compreendido —
ninguém teve que abortar uma missão até aquele momento.
Seria preciso desligar os motores, ativar os dispositivos
pirotécnicos de separação, ligar outros motores no meio do voo.
Fazer tudo isso tão perto da superfície lunar não era um
expediente em que eu confiasse muito. Então, o que Gene disse
tem sua verdade, mas preciso dizer que, enquanto houvesse
uma boa chance de pouso, eu prosseguiria.”
Como Kranz, um Chris Kraft muito nervoso também estava
incomodado por não ter certeza do que Armstrong poderia fazer
quanto a ignorar as regras de missão e forçar um pouso lunar.
“No último mês, recebemos Neil no Controle da Missão para
explicar as regras de descida, pouso, operações de superfície e
decolagem lunar”, explicou Kraft. “As regras de missão poderiam
deixar a decisão final nas mãos dos astronautas, mas era uma
postura que não estimulávamos. Eu queria ter a certeza de que
todos nós entendíamos exatamente onde estávamos. Tratamos
dos mínimos detalhes — desempenho do motor de descida, bugs
de computador que conhecíamos, pontos de referência na
superfície lunar. Chegamos a falar sobre os mais improváveis
acontecimentos que conseguíamos imaginar durante o pouso.
“O computador e o radar de pouso receberam atenção
especial. Enviaríamos atualizações de última hora para o
computador sobre a trajetória do módulo lunar, o desempenho de
seu motor e sua localização na Lua. Até que a Eagle estivesse a
três mil metros da Lua, sua altitude se basearia nos radares da
Terra, e seu sistema de orientação poderia ter uma margem de
erro de dezenas ou até centenas de metros. Então, o próprio
radar de pouso do módulo lunar assumiria para dar leituras mais
precisas. Isso levou a uma discussão calorosa. Neil temia que
um controlador de voo cuidadoso demais pudesse abortar uma
boa descida, com base em informações equivocadas. ‘Vou estar em posição melhor para saber o que está acontecendo do que as
pessoas em Houston’, repetia Neil. ‘Não vou tolerar riscos
desnecessários’, rebatia Kraft. ‘É por isso que temos regras de
missão.’”
Na discussão sobre as especificidades do radar de pouso,
Kraft insistiu que, se o dispositivo falhasse, a missão deveria ser
obrigatoriamente abortada: “Eu não confiava na capacidade de
um astronauta estimar com precisão sua altitude sobre a
superfície de uma cratera lunar, nem mesmo um astronauta tão
experimentado quanto Armstrong. Era um terreno estranho, e
ninguém sabia o tamanho exato dos pontos de referência que
seriam usados.” Por fim, Kraft e Armstrong entraram em um
acordo. “A regra de missão permaneceu como foi escrita”,
relembrou Kraft. “Mas eu sabia, ao olhar para a testa franzida de
Neil, que ele não estava convencido. E fiquei me perguntando se
ele poderia ignorar todo mundo quando estivesse em órbita lunar
e tentaria pousar sem um sistema de radar. Essas conversas
voltaram a minha mente quando estive com Neil alguns dias
antes do lançamento”, relatou Kraft. Perguntei a ele: ‘Será que
nos esquecemos de alguma coisa?’ ‘Não, Chris, estamos
prontos. Está tudo pronto, exceto a contagem regressiva.’ Ele
estava certo. Se havia algo ainda a ser feito, nenhum de nós
sabia o que era. Tínhamos chegado ao ponto final, e, por um
momento, senti as pernas tremerem.”
Como também ele temia que a tripulação assumisse riscos
desnecessários para realizar o pouso, até o dr. Thomas Paine,
diretor da NASA, entrou na história. Na semana anterior ao
lançamento, ele conversou com Armstrong. Segundo Neil, Paine
disse a ele que “se não tivéssemos chance de pousar e voltar,
ele nos daria a oportunidade de tentar de novo logo no próximo
voo. Acredito que ele dizia a verdade naquele momento”. A
verdade era a seguinte: Paine disse exatamente a mesma coisa
para todas as tripulações da Apollo que vieram depois. Era sua
maneira de dissuadir as tripulações de tentar alguma coisa
estúpida, achando que seria sua única chance. Se o pouso da
Apollo 11 fosse abortado, Armstrong estaria pronto para cobrar a
oferta do diretor.
* * *
A tripulação se mudou para o alojamento dos astronautas no
Cabo em 26 de junho. A partir do primeiro minuto do dia
seguinte, eles participaram de uma contagem regressiva de teste
que durou uma semana. O lançamento simulado começou na
manhã de 3 de julho, precisamente às 9h32, o horário exato
programado para o lançamento real. Antes do início do ensaio,
os três homens entrariam em uma quarentena física rigorosa que
deveria se estender pelas duas semanas anteriores e mais três
semanas após o voo. A quarentena foi convocada para limitar a
exposição dos astronautas a organismos infecciosos. O dr.
Charles E. Berry, médico-chefe dos astronautas, submeteu os
três a um check-up minucioso no dia em que a contagem
regressiva simulada começou.
Em 5 de julho, a tripulação da Apollo 11 voltou a Houston para
um dia dedicado à imprensa. Primeiro, houve uma entrevista
coletiva. Depois, vieram as sessões com os serviços de
transmissão a cabo, um grupo de correspondentes de revistas, e
as três redes de TV para a transmissão daquela noite. O trio de
astronautas passou por uma maratona de quatorze horas
respondendo a perguntas de centenas de repórteres
internacionais. Armstrong, Collins e Aldrin chegaram à coletiva de
imprensa de manhã usando máscaras de gás. Sabendo que
estavam ridículos, os homens deram um sorriso amarelo ao subir
ao palco. Neil, Mike e Buzz ficaram dentro de uma caixa de
plástico de três lados e quatro metros de largura. Para eliminar
as possibilidades de contágio a partir dos jornalistas que
respiravam o mesmo ar que os astronautas, ventiladores
localizados na parte de trás da cabine de plástico jogavam o ar
em direção à plateia. Uma vez em segurança em sua caixa
higiênica, os astronautas tiraram as máscaras e se sentaram em
cadeiras confortáveis em frente a uma mesa com uma gravura da
emblemática “almôndega” da NASA e o selo da Apollo 11: uma
águia, o símbolo dos Estados Unidos, pousando na superfície
lunar, com um ramo de oliveira, símbolo da paz, nas garras. A
atmosfera no teatro era sem dúvida estranha. Uma reunião para falar sobre uma viagem à Lua ainda parecia uma coisa fantástica.
Naturalmente, os astronautas também estavam um pouco
nervosos.
Como comandante da missão, Armstrong falou primeiro. O
escritor Norman Mailer, na plateia como correspondente especial
da revista Life, sentiu que Neil estava “pouco à vontade”. O que
Mailer talvez não soubesse era que Armstrong geralmente fazia
pausas durante conversas formais, procurando as palavras
certas.
“Estamos aqui hoje para falar um pouco sobre o próximo voo,
o da Apollo 11, a culminância do objetivo nacional do Programa
Apollo, assim esperamos. Se estamos aqui falando dessa
tentativa, foi devido ao sucesso dos quatro voos pilotados
anteriores do programa e de vários outros voos não tripulados.
Cada um deles contribuiu muito para o voo da Apollo 11. Cada
um deles cumpriu grande número de novos objetivos e grandes
desafios e nos deixou com umas poucas tarefas complementares
— entre as quais a de descer à superfície lunar. Somos muito
gratos a todo o esforço do pessoal aqui do Centro de
Espaçonaves Tripuladas e de todo o país, que foram
responsáveis pelo sucesso desses primeiros voos e permitiram
que estivéssemos sentados aqui hoje para discutir a Apollo 11
com vocês. Primeiro, vou pedir a Mike que fale sobre as
diferenças que vocês poderão observar nas atividades do módulo
de comando durante o voo.”
Neil, como sempre, foi breve. Collins falou um pouco mais,
destacando que ficaria sozinho no módulo de comando durante
mais tempo que qualquer outro piloto e que pela primeira vez
seria feito um encontro entre um módulo lunar estacionário, na
superfície lunar, e um módulo de comando “zunindo em volta da
Lua”. Por último veio Aldrin, que foi o que mais falou. Buzz fez
um resumo completo da descida e do pouso lunares, elementos
fundamentais da Apollo 11 que envolviam tantas coisas novas
que ele levou bastante tempo para falar de todas.
No total, a tripulação respondeu a 37 perguntas, 27 das quais
ficaram a cargo de Armstrong. Nove jornalistas se dirigiram
especificamente a ele. Em duas ocasiões, Neil recebeu diretamente a pergunta, mas pediu a Buzz que respondesse; em
duas outras, Buzz acrescentou de maneira espontânea alguma
coisa aos comentários de Neil. Collins, assim como Aldrin,
respondeu somente a três perguntas dirigidas a ele. Algumas
questões demandavam a participação dos três astronautas.
Aquilo se tornaria um padrão que duraria muito mais que o
Programa Apollo. As pessoas queriam ouvir o comandante, o
primeiro homem que pisaria na Lua.
Durante a coletiva, Armstrong anunciou pela primeira vez os
apelidos dados ao módulo lunar e ao de comando da Apollo:
“Sim, pretendemos usar identificadores além daqueles que vocês
já podem ter ouvido durante a simulação. O identificador para o
módulo lunar será Eagle. O identificador para o módulo de
comando será ‘Columbia’ (...) Columbia é um símbolo nacional,
está no topo de nosso Capitólio e, como todos vocês sabem, foi o
nome da espaçonave de Júlio Verne que chegou à Lua em seu
romance escrito cem anos atrás.”
Como era de esperar, a imprensa quis saber o que Armstrong
diria quando pisasse na Lua pela primeira vez. Um repórter
perguntou a ele sobre isso. Nem as poucas pessoas que
conheciam bem Armstrong ou que tinham autoridade sobre o
programa espacial tripulado foram capazes de fazer com que Neil
revelasse seus pensamentos em relação às primeiras palavras
históricas que diria na superfície lunar. A certa altura, a pressão
interna da NASA levou Julian Scheer, chefe do gabinete de
relações públicas da NASA, a escrever um memorando interno
perguntando se acaso o rei Fernando e a rainha Isabel da
Espanha tinham orientado Cristóvão Colombo sobre o que ele
deveria dizer quando chegasse no Novo Mundo. Em resposta à
pergunta do repórter, Armstrong simplesmente respondeu: “Ainda
não escolhi.” E, por mais difícil que fosse acreditar, era verdade.
“A parte mais importante do voo na minha cabeça era o pouso”,
explicou Armstrong mais tarde. “Eu achava que, se houvesse
qualquer declaração que devesse ter importância, seria qualquer
coisa que acontecesse logo após o pouso, quando o motor
parasse. Eu tinha pensado um pouco naquilo que chamávamos
de local de pouso. Também tinha pensado no que diria no momento em que tocássemos o solo lunar; achava que era isso
que ficaria para a história. Mas nem me demorei muito nessa
reflexão, porque, tirando as estatísticas, meu instinto me dizia
que, mesmo com 90% de chance de voltar à Terra em
segurança, tínhamos apenas 50% de chance de realizar o
pouso.”
Na verdade, Neil já tinha batizado de base da Tranquilidade o
local onde ele e Aldrin pousariam, no mar de mesmo nome. Ele
tinha contado isso a Charlie Duke em particular, já que Duke
serviria como CapCom durante o pouso e Neil não queria que ele
fosse pego desprevenido se os astronautas usassem esse nome
imediatamente após tocarem o solo. Ninguém além de Duke
sabia sobre a base da Tranquilidade até a Eagle pousar.
Uma comissão governamental de alto escalão decidiu que
Armstrong e Aldrin deveriam deixar três objetos na superfície
lunar, como símbolos da chegada do homem à Lua. O primeiro
item seria uma placa presa a uma das pernas do módulo lunar
que segurava a escada pela qual os astronautas desceriam.
Essa placa mostrava os dois hemisférios da Terra e continha as
seguintes frases: AQUI HOMENS DO PLANETA TERRA PISARAM NA LUA,
JULHO DE 1969 D.C. VIEMOS EM MISSÃO DE PAZ POR TODA A HUMANIDADE.
O segundo objeto era um pequeno disco, com menos de três
centímetros de diâmetro, no qual haviam sido gravadas
eletronicamente fotos em miniatura de cartas escritas por
diversos chefes de Estado do mundo. O terceiro era a bandeira
americana. “Houve quem achasse que não deveria haver uma
bandeira dos Estados Unidos lá”, Armstrong explicou anos
depois, “e quem achasse que deveria haver bandeiras de
diversas nações. No fim, o Congresso concluiu que era um
projeto americano. Não estávamos fazendo nenhuma
reivindicação territorial, mas devíamos informar que estivemos ali
e fincar uma bandeira dos Estados Unidos.”
Os repórteres tentaram de tudo — e quase sempre em vão —
para fazer com que Armstrong filosofasse a respeito do
significado histórico do pouso na Lua. “O que de mais importante
vocês veem na ida à Lua, para vocês mesmos, como seres
humanos, para seu país e para a humanidade como um todo?”
“Você acha que a Lua vai acabar se tornando parte do mundo
civilizado, assim como a Antártica agora, que também já foi
considerada um lugar remoto e inóspito no passado?”
“Em primeiro lugar, deixe-me repetir algo que vocês todos já
ouviram, mas que provavelmente responde à pergunta”, disse
Armstrong. “É o seguinte: o objetivo deste voo é precisamente
levar o homem à Lua, fazer um pouso lá e depois voltar. Esse é o
objetivo. Há inúmeros objetivos secundários, periféricos, entre os
quais alguns que você mencionou em sua pergunta, e que
esperamos muito concluir com êxito. Mas o objetivo principal é a
capacidade de demonstrar que o homem pode realizar esse
trabalho. Como vamos usar essas informações nos próximos
séculos, só a história poderá dizer. Espero que tenhamos a
sabedoria de usar da melhor maneira possível as informações
que obtivermos nesses voos iniciais, e acho que, à luz de nossa
experiência na última década, podemos, de fato, esperar um
resultado assim.”
Os jornalistas também não tiveram sorte ao incitar Armstrong
a fornecer algo a mais do que apenas informações sem emoção
e concentradas na engenharia quanto aos graves riscos do voo.
“Em sua opinião, qual será a fase mais perigosa do voo da Apollo
11?” “Bem, assim como em qualquer voo, as coisas com as quais
mais me preocupo são as que nunca foram feitas, coisas novas.
Espero que em nossa declaração inicial tenhamos dado uma
ideia de quais são as novidades deste voo. Há também outros
fatores que sempre nos preocupam bastante, a saber, as
situações para as quais não há método alternativo para fazer o
serviço, só há um método. Em um voo transatlântico, é preciso
que a asa permaneça na fuselagem; sem ela, você não poderia
fazer a viagem, certo? Tivemos, nos últimos voos, algumas
situações assim. Em nossos voos lunares anteriores, o motor do
foguete do módulo de serviço deveria funcionar para retornarmos
da Lua. Não havia alternativa. Da mesma forma, neste voo,
temos diversas situações desse tipo. O motor do módulo lunar
deve funcionar para nos acelerar a partir da superfície da Lua até
a órbita lunar, e o motor do módulo de serviço, é claro, deve
funcionar novamente para retornarmos à Terra. À medida que nos aprofundamos cada vez mais em voos espaciais, haverá
cada vez mais sistemas de solução única a operar. A propósito,
temos alto grau de confiança nesses sistemas.”
“Quais seriam seus planos no caso extremamente improvável
de o módulo lunar não conseguir sair da superfície da Lua?”
“Bem”, respondeu Neil, de maneira sucinta, “é uma coisa
desagradável a se pensar e preferimos não pensar até o
momento. Achamos que essa situação não é provável. Ela é
apenas possível, mas, no momento, estamos sem recursos para
o caso de ocorrer.”
Repórter: “Qual é o período mais longo que se pode esperar
entre o não funcionamento e o momento em que Collins deve
voltar, o tempo que vocês teriam para consertar o módulo lunar
ou tentar resolver os problemas?” Neil: “Não tenho essa resposta
em números. Provavelmente seria uma questão de dois dias.”
Essas respostas aparentemente desapaixonadas a perguntas
sobre a dimensão humana em um voo espacial e sobre o
significado histórico e existencial de ir para a Lua espicaçaram a
percepção afiada de Norman Mailer para atitudes desdenhosas.
Assim como outros repórteres, o ganhador do Prêmio Pulitzer e
autor de Os nus e os mortos e Os exércitos da noite queria mais
de Armstrong. Mailer chegou a escrever que Armstrong “soltava
palavras com a mesma facilidade que um cão deixaria puxarem
um pedaço de carne de sua boca”; que Armstrong “respondia
com sua característica mistura de modéstia e arrogância técnica,
uma mistura de pedido de desculpas e discreta superioridade”;
que Armstrong tinha “a privacidade dissimulada de um homem
cujos pensamentos nunca poderiam ser lidos”; que Armstrong,
como um animal preso, parecia procurar “uma forma de se livrar
de uma sala como aquela, onde ele se via preso com
devoradores de pensamentos e na obrigação de responder a
perguntas que já foram ouvidas centenas de vezes”. Ao mesmo
tempo, Armstrong era “um profissional” que havia “aprendido a
argumentar de maneira prática e com a linguagem adequada”,
sempre escolhendo palavras e frases que “o protegiam”.
Mailer ficava intrigado (em seu livro de 1970 sobre a Apollo 11,
Moonfire: A épica jornada da Apollo 11, o autor se autodenominou Aquarius, em referência ao espírito esperançoso
da futura Era de Aquário) por Armstrong exalar uma
superioridade “extraordinariamente remota”, quase mística, que
fazia com que ele parecesse diferente de outros homens. “Ele
era uma presença na sala”, notou Mailer, “quase como se fosse
um espírito em vez de um homem. Era difícil saber se ele era o
espírito das altas correntes térmicas ou o espírito de neutralidade
que surge em situações burocráticas, ou ambos (...) De fato, as
contradições repousavam sutilmente sobre ele — não era
diferente de observar uma pilha de folhas: algumas caíram no
outono, algumas eram verdes, do início da primavera.” De todos
os astronautas, Armstrong parecia ser “o homem mais próximo
de um santo”. Como palestrante, Neil estava “longe de ser
frouxo”. Com tudo isso, a impressão geral que Armstrong deixou
em Mailer não foi banal. “Certamente, saber que era um
astronauta restaurou sua reputação”, percebeu Mailer, “e, mesmo
que ele fosse um jovem executivo recebendo um prêmio, ainda
teria demonstrado sua qualidade surpreendente (...) Na verdade,
ele teria sido mais extraordinário se fosse somente um vendedor
fazendo um pequeno discurso inepto e bobo. Dessa forma,
seríamos forçados a nos perguntar como ele havia conseguido
aquele trabalho, como ele conseguia vender qualquer coisa,
como ele se levantara da cama de manhã. Havia algo
particularmente inocente ou sutilmente sinistro naquele ar gentil e
distante. Se ele fosse um jovem vendedor de assinaturas de
porta em porta, uma avó poderia alertar a neta a nunca deixá-lo
entrar em casa; já outra avó comentaria: ‘Esse menino ainda vai
longe.’”
Mailer persistiu em sua busca para entender o quebra-cabeça
que era Armstrong na coletiva de imprensa exclusiva para os
correspondentes de revistas no estúdio onde a NBC filmava sua
entrevista com os astronautas. Os jornalistas continuavam
pressionando a tripulação da Apollo 11 a revelar seus
sentimentos e emoções, e Mailer via e ouvia Armstrong
entrincheirando-se cada vez mais fundo no manto protetor da
engenharia, a armadura de um “cavaleiro da tecnologia”.
Armstrong respondeu com uma “voz mansa e sincera” a uma pergunta sobre o papel da intuição em seus voos, comentando
que a intuição “nunca foi meu forte” e assentindo, como um
positivista lógico — como notou Mailer —, que a melhor
abordagem para qualquer problema era “interpretá-lo direito e
depois enfrentá-lo”.
Armstrong havia se tornado um mestre em “tecnologês”. Em
vez de dizer “demonstramos”, preferia uma linguagem rebuscada
e dizia “um exercício conjunto demonstrou...”. Em vez de dizer
“outras escolhas”, ele se referia a “objetivos secundários
periféricos”. Em vez de “estamos fazendo o melhor”, era
“estamos obtendo o máximo de vantagem possível”. “Ligar” e
“desligar” se tornaram “habilitar” e “desabilitar”. Mailer, que tinha
repulsa pela própria formação de engenheiro, viu no vernáculo de
Neil a prova de que não só “as formas mais naturais do inglês
não tinham sido feitas para o computador”, mas que Armstrong
representava “o fim dos velhos ou o início dos novos homens”.
“Se não for eu, será outro”, disse Neil, o que Mailer considerou
as “grandes reações e grandes ideias” existentes por trás das
comparações feitas pela imprensa de sua própria viagem como
comandante da Apollo 11 e a aventura de Cristóvão Colombo em
1492. A preocupação de Armstrong estava “voltada
principalmente para a execução do trabalho”, um serviço que
poderia ser feito por pelo menos dez outros astronautas. E
centenas de pessoas em Houston, no Cabo e nos outros centros
da NASA atuavam em conjunto pela tripulação. Dezenas de
milhares de pessoas estiveram trabalhando em indústrias pelo
país inteiro para permitir que a Apollo seguisse seu curso. “É
mais um sucesso deles do que nosso”, disse Neil humildemente
à imprensa.
Armstrong não era um herói comum, como percebeu Mailer.
“Se eles insistissem em torná-lo um herói”, observou, “ele seria
um herói nos termos que só ficariam claros para ele mesmo.”
De Collins e Aldrin, os repórteres conseguiram extrair alguns
comentários sobre a vida pessoal e a família (Buzz mencionou a
joia de família que estava levando consigo para a Lua). Nada
desse tipo foi dito por Armstrong.
“Vai levar lembranças pessoais para a Lua, Neil?”
“Se pudesse escolher, levaria mais combustível.”
“Vai guardar um pedaço da Lua?”
“Até o momento não tenho planos”, veio a resposta ríspida.
“Vai perder sua privacidade depois desta conquista?”
“Acho que a manutenção da privacidade é algo possível
dentro do contexto desta conquista.”
Depois de um comentário de Neil sobre as vantagens
econômicas do programa espacial, um dos entrevistadores
perguntou:
“Então, estamos indo para a Lua somente por razões
econômicas, só para sair de um buraco caro em nossa economia
letárgica? O senhor não vê nenhuma razão filosófica por trás da
ida à Lua?”
“Acho que estamos indo à Lua”, comentou Armstrong,
hesitante “porque é natural do ser humano enfrentar desafios.
Isso está nas profundezas da alma humana. Somos levados a
fazer essas coisas, assim como o salmão nada contra a corrente
no rio.”
O que exatamente habitava em sua alma em relação ao pouso
lunar, ou a qualquer outra coisa que acontecesse em sua vida —
seus verdadeiros sentimentos em relação ao pai, suas crenças
religiosas, as consequências da morte de Muffie —, quase nunca
era exposto em uma observação ou em qualquer outra
declaração verbal que alguma vez ele tivesse feito.
Simplesmente não era sua maneira de ser. Talvez sua reserva
tão prudente tivesse sido resultado de uma estratégia de escape
inculcada a fundo que ele desenvolvera na infância. Ou talvez
tenha surgido, como chegou a insinuar sua primeira esposa,
Janet, de um medo de inferioridade social baseado em seu
histórico familiar humilde na área rural de Ohio.
O que Armstrong, na véspera de se tornar o Primeiro Homem,
não definiu nem explicou sobre si mesmo outros agora buscavam
de maneira quase desesperada definir e explicar por ele. Todos
os significados humanísticos e cósmicos que ele não preenchia
os outros se sentiam compelidos a preencher por ele. Na véspera
da grande aventura da humanidade de pôr os pés em outro corpo
celeste, Armstrong se tornara uma espécie de oráculo dos tempos antigos, um médium, um sábio, um profeta misterioso,
por meio de quem se dizia a sorte e o azar, as divindades eram
consultadas e as orações, atendidas.
Até construir seu próprio mito sobre Armstrong, a mente
criativa de Norman Mailer não sossegou. Não importava que
nunca o tivesse conhecido, nunca tivesse falado com ele
diretamente, nunca tivesse feito a ele uma única pergunta. Mailer
também havia se sentado perante o oráculo, “o mais santo dentre
os astronautas”, alguém que “simplesmente não era como os
outros homens”, que aparentava estar “em comunhão com outra
corda no universo que os outros nem cogitavam tocar”. Era uma
missão de Mailer, de Aquarius, decodificar Armstrong.
Como Mailer, deveríamos ser os autores de nosso próprio
pouso lunar.
Mailer evocou sua própria versão de Armstrong ao assistir à
entrevista concedida por ele a Frank McGee, correspondente da
NBC, na noite de 5 de julho. Na entrevista, McGee referiu-se à
matéria da revista Life escrita por Dodie Hamblin na qual
Armstrong contava um sonho recorrente de infância no qual ele
flutuava sobre o chão. Mailer tinha lido a matéria de Dodie na
época em que saiu, mas não lhe dera a importância devida até
ouvir Armstrong, após um dia cheio de discursos sobre
engenharia, confirmar que, de fato, sonhava com isso quando
criança. Mailer ficou enlevado com a beleza do sonho: “Foi lindo
porque, em breve, aquele sonho se mostraria profético, porque
era profundo e misterioso, porque era apropriado ao homem que
pousaria na Lua.” Para Mailer, foi uma espécie de epifania, a que
ele usou para criar “The Psychology of Astronauts” (A psicologia
dos astronautas) e interpretar toda a era espacial: “Era, portanto,
um sonho no qual se pode encontrar uma nova teoria dos
sonhos, porque qualquer teoria incapaz de explicar esse visitante
noturno seria inadequada, a menos que estivesse pronta para
declarar que a levitação, a respiração e a Lua não eram áreas
adequadas do sonho.”
A ideia de que um homem tão pouco lúdico como Armstrong
tinha sonhos em que levitava “intoxicou” Mailer, “porque isso
dramatizou o quão conflitantes podiam ser os extremos na personalidade de Armstrong”. Por um lado, conscientemente,
Armstrong, o arquétipo do astronauta-engenheiro, se baseava no
“convencional”, no “prático”, no “técnico”, e no “trabalho árduo”.
Ele residia bem no “centro da classe média suburbana”. Por
outro, o que Armstrong e os outros astronautas estavam fazendo
no espaço era um “empreendimento além dos limites da
imaginação”. Sua obstinação e sua ambição simplesmente
tinham que ter um elemento subconsciente.
Foi nessa união de opostos, na fusão impenetrável do
consciente e do inconsciente, que se encontrava, na era da
tecnologia moderna, “uma nova constituição psicológica do
homem”. Mais que a de qualquer outro astronauta, a
personalidade de Neil se originava no núcleo daquela “força
humana magnética chamada americanismo, protestantismo ou
Waspitude”. Ele era o Lancelote da maioria silenciosa, “o Wasp
[sigla para “branco, anglo-saxão e protestante”] que surgia na
história humana para nos levar até as estrelas”. Não importava
que Mailer não soubesse quase nada sobre o histórico familiar, a
história pessoal, a vida conjugal, as crenças religiosas, os amigos
ou o estado psicológico verdadeiro de Armstrong. O objetivo de
Aquarius não era compreendê-lo; era entender as idas e vindas
da humanidade no século XX, um século que procurou “dominar
a natureza como ela nunca tinha sido dominada”, “criar morte,
devastação e poluição como nunca antes” e, ainda assim,
“enfrentar as ideias de guerra, pobreza e catástrofes naturais
como nunca havia feito”. Também foi um século “ligado à ideia de
que o homem deve levar sua concepção de vida até as estrelas”.
Não havia como negar a genialidade na exposição de Mailer,
ainda que o autor realmente não se importasse com Armstrong
no âmbito pessoal, mas somente como um recipiente no qual ele
poderia depositar a própria energia mental e profundidade. O que
Mailer escreveu em seu capítulo “The Psychology of Astronauts”
é uma crítica social altamente provocadora e perspicaz, mas
como história, biografia ou a psicologia reais, causava
controvérsia antes de tudo.
A mitologização e a iconografia só estavam começando.
Quinze dias depois da coletiva de imprensa, Armstrong pisaria na Lua. Ele não seria mais apenas um homem para nenhum de nós.
Ele seria o Primeiro Homem.