O Túmulo Sob as Colinas
Capítulo 25
Quando a fogosa esposa de Sean Ellis desatou em lágrimas, ele ficou chocado e depois envergonhado com a explosão emocional. Não gostava de mostrar emoções em público. Até mesmo quando o juiz o sentenciou a um mínimo de 16 anos, ele mantivera a compostura e se virara, dando uma piscadela de conforto para a esposa ao descer de volta para as celas.
Agora, enquanto ela chorava, seu primeiro olhar foi ao redor, para seus colegas de prisão, a fim de avaliar suas reações. Quando viu que os outros demonstravam pouco interesse no incidente, voltou novamente a atenção para a esposa, Hilary.
— Hilly — disse ele, a voz baixa —, o que foi, meu amor?
Hilary Ellis chorou ainda mais alto, os punhos fechados, o rosto ficando quente de emoção, a maquiagem escorrendo pelas bochechas.
— Você não me quer mais.
— O quê?
— Você não me quer mais!
Sean Ellis ficou confuso. Ele adorava a esposa. Sentia tanta falta dela que às vezes esse sentimento doía. Ele a queria, sempre a quisera, e nunca desejara outra mulher depois que a conhecera. A tortura de estar preso não era o confinamento, mas o medo de que ela iria gradualmente se afastar dele, que espaçaria as visitas cada vez mais e que um dia ele receberia não a visita da belíssima esposa, mas os papéis do divórcio entregues por um frio advogado. A expectativa desse rompimento mantivera Sean Ellis acordado durante as noites por dois longos anos, de uma maneira que os rostos dos surpresos caixas bancários nunca poderiam imaginar. O terror de perdê-la o levara a denunciar o traficante companheiro de cela; traição que concedera uma redução de dois anos na sua pena e uma rápida transferência para a Unidade de Prisioneiros Vulneráveis, onde ele teria a chance de completar sua sentença em liberdade.
E ali estava ela, chorando porque ele não a queria mais!
Sean Ellis ficou tão confuso quanto é possível para um homem ficar, o que é muita coisa.
— Meu amor, como você pode dizer uma coisa dessas? — Ele agarrou as mãos dela e olhou com amor e espanto para o rosto da esposa, vermelho, inchado e manchado de negro por causa da maquiagem. — Eu amo você! Eu quero ficar com você! É claro que quero! Você ficou maluca! Quem não iria querer uma mulher como você?
— Mas as fotos! — gemeu ela. — Você não gosta das fotos! Você nunca disse nada sobre elas! Você acha que sou uma prostituta!
Convenientemente entreouvindo a conversa, o guarda Ryan Finlay fez as chaves tilintarem nervosamente. Que merda.
Ellis afastou o cabelo molhado de lágrimas do rosto de sua mulher e tomou-lhe o queixo nas mãos.
— Que fotos, meu amor?
Ele ouviu a descrição que ela fez das fotos que vinha mandando toda semana para ele desde seu encarceramento, uma descrição aos arrancos, entrecortada, repleta de soluços, e ele sentiu sua confusão transformar-se dolorosamente em uma fúria glacial.