O Túmulo Sob as Colinas
Capítulo 6
Steven estava deitado sobre a vegetação, escondido de qualquer olhar, a não ser dos pássaros que passavam. A pá estava ao seu lado, mas não havia marca de solo fresco nela. O presente inusitado de um sol de fevereiro aquecia suas pálpebras e fazia com que a respiração, que saía tranquila de suas narinas, parecesse incomumente fria.
Debaixo de suas pálpebras, os olhos mexiam-se constantemente, como se ele estivesse tendo um sonho...
Nele, o ambiente era quente e abafado, e ele mal conseguia se mover. Os braços estavam presos ao lado do corpo e uma escuridão macia pressionava seu rosto; uma ligeira sensação de que alguém o estava puxando pela cabeça...
De algum lugar, ele sentiu a mãozinha de Davey tocar a sua, procurando conforto. Apertou a mão do irmão, mas foi o único movimento que conseguiu. Podia sentir o medo passando através de Davey, os dedos pequenos e quentes se introduzindo entre os dele, o corpo do garoto comprimido contra suas pernas...
Steven sabia que eles deviam estar enrolados na pesada cortina verde da sala; o tecido com cheiro de bolor embrulhava sua cabeça e espiralava para cima, na direção do bandô, levando consigo um tufo de cabelo. Em seguida, a respiração de Davey ficou entrecortada, ele parou de respirar e, de repente, tudo que conseguia ouvir era o som do próprio coração martelando nos ouvidos, e então percebeu que o tio Jude entrara na sala. Steven não se moveu, não podia se mover, mas sentia a tensão de Davey encostado nele, suas mãos entrelaçadas se apertando tanto que chegava a doer.
O tio Jude não era aquela coisa de meter medo que fazia ho, ho, ho. Não estava lhes dando qualquer aviso. Mas Steven e Davey podiam ouvir as tábuas do assoalho rangerem debaixo de seus pés enormes, cada vez mais perto, e Steven, de repente, foi tomado pela terrível percepção de que o que estava vindo para pegá-los não era o tio Jude, de forma alguma, e que uma velha cortina verde era sua única proteção contra a coisa maléfica que agora se movia na direção deles... Então Davey começou a gritar: “Eu sou amigo do Frankenstein!”, afastando a cortina e revelando o esconderijo, mas Steven não sentiu alívio, apenas o terror de que dessa vez a brincadeira não iria terminar. Dessa vez, ela estava apenas começando.
Ele acordou sobressaltado, com um gemido.
Já sabia o que precisava fazer.