O Túmulo Sob as Colinas
Capítulo 40
Havia o som de respiração e de pés, de respiração e de pés.
A charneca tornava aquilo pior ainda.
Raízes retorcidas o faziam tropeçar e se enroscavam nos seus pés, as urzes úmidas batiam no seu corpo e o tojo o chicoteava e alfinetava. A lama agarrava e fazia escorregar.
O nevoeiro era um espesso véu branco. Ou uma mortalha. Congelava as pálpebras, deslizava nariz acima e se acumulava na boca arquejante, seus dedos pesados atingindo os sentidos traziam uma lembrança de infância passada no litoral e um presságio de morte.
Mas, através de tudo aquilo, havia respiração e pés, respiração e pés.
Com um propósito.