Peter Pan
XIV. Peter Pan
XIV
PETER PAN
Se você perguntar para a sua mãe se ela conheceu Peter Pan quando pequena, ela vai dizer:
“Ora, é claro que sim, meu amor”,
e se você perguntar a ela se ele costumava andar montado em uma cabra, ela vai dizer:
“Mas que pergunta tola; ele certamente andava montado em uma cabra”.
E então se você perguntar à sua avó se ela conheceu Peter Pan quando era menina, ela também vai dizer:
“Ora, é claro que sim, meu amor”,
mas se você perguntar a ela se ele costumava andar montado em uma cabra naquela época ela vai dizer que nunca ouviu falar que ele tivesse uma cabra. Talvez ela tenha esquecido, assim como às vezes ela esquece o seu nome e chama você de Mildred, que é o nome da sua mãe. Ainda assim, seria muito difícil que ela tivesse esquecido algo tão importante quanto a cabra. Podemos então dizer que não havia cabra nenhuma quando a sua avó era pequena. Isso mostra que, ao contar a história de Peter Pan, começar pela cabra (como a maioria das pessoas fazem) é tão tolo quanto vestir o paletó antes de colocar o colete.
Isso também mostra o quanto Peter é velho, é claro, mas na verdade ele tem sempre a mesma idade, de modo que isso não tem a mínima importância. Ele tem uma semana de idade; e embora tenha nascido tanto tempo atrás, jamais fez aniversário, e não existe a menor chance de que ele venha a fazer aniversário algum dia. Isso porque ele escapou de ser um humano aos sete dias de idade; fugiu pela janela e voou de volta para o Kensington Gardens.
Se você acha que ele foi o único bebê do mundo que quis fugir, isso mostra que você se esqueceu por completo de seus primeiros dias de vida. Quando David ouviu essa história pela primeira vez, teve certeza de que jamais tentara fugir, mas eu pedi a ele que tentasse se lembrar com mais esforço, apertando as têmporas com as mãos; ele apertou com força, depois com mais força ainda, e se lembrou claramente de um desejo longínquo de retornar para os topos das árvores, e com essa memória vieram outras, como a de que ele se deitara na cama, planejando sua fuga quando a mãe pegasse no sono, e a de que ela um dia o pegou dentro da chaminé, a meio caminho da saída. Todas as crianças se lembrariam dessas coisas se apertassem suas têmporas com força, pois, tendo sido pássaros antes de se tornarem humanas, elas são naturalmente um pouco selvagens durante as primeiras semanas, e sentem muita coceira nos ombros onde costumavam ficar as asas. Pelo menos é o que David me diz.
Devo mencionar aqui que nosso procedimento em relação a contar histórias é o seguinte: primeiro eu conto para ele e depois ele conta para mim, estabelecida o combinado de que a história dele deve ser bem diferente; então eu a conto de novo com os acréscimos dele, e assim prosseguimos até que não é mais possível saber se a história é dele ou minha. Nessa história sobre Peter Pan, por exemplo, a narrativa simples e a maior parte das reflexões morais são contribuições minhas, embora não todas, já que o garoto sabe ser um severo moralista, mas as partes mais interessantes, sobre os modos e os costumes dos bebês em fase de pássaro, são em sua maioria reminiscências de David, trazidas à tona pelo método de apertar as têmporas e pensar com força.
Bem, Peter Pan fugiu pela janela, que não tinha grade. De pé no parapeito, ele pôde ver árvores à distância, e eram sem dúvida as árvores do Kensington Gardens, e no momento em que as avistou ele esqueceu completamente que agora ele era um menininho de pijama, e saiu voando por cima das casas na direção do Gardens. É extraordinário que ele pudesse voar sem asas, mas seus ombros coçavam tremendamente e, talvez todos nós conseguíssemos voar se tivéssemos toda a confiança que o ousado Peter Pan sentiu naquela noite.
Ele pousou alegremente em um relvado, entre o Baby Palace e o Serpentine, e a primeira coisa que fez foi deitar-se de costas e dar chutes no ar. Ele já nem tinha mais consciência de que fora humano um dia, e pensou que era um pássaro, até mesmo na aparência, como em seus primeiros dias, e quando tentou pegar uma mosca ele não entendeu que fracassara porque tentara apanhá-la com a mão, e um pássaro jamais usa a mão, é claro. Percebeu, no entanto, que já devia ter passado o horário de fechamento dos portões, pois havia uma porção de fadas por ali, todas muito ocupadas para notar a presença dele; estavam preparando o café da manhã, tirando leite das vacas, pegando água e assim por diante, e a visão dos baldes de água lhe deu sede, e então ele voou até o Round Pond para matar a sede. Ele se inclinou e mergulho o bico na água; achou que era seu bico, mas era apenas seu nariz, é claro, e portanto não conseguiu beber quase nada de água, e o pouco que ingeriu não era refrescante como costumava ser, e por isso tentou beber em uma pequena poça, e caiu de corpo inteiro nela. Quando um pássaro de verdade cai na água, ele abre as asas e seca suas penas com o bico, mas Peter não conseguia lembrar como se fazia isso e, bastante emburrado, decidiu ir dormir na faia da Baby Walk.
Primeiro ele teve certa dificuldade em se equilibrar no galho, mas logo lembrou como se fazia e pegou no sono. Acordou muito antes do nascer do sol, tremendo e dizendo para si mesmo:
— Nunca passei uma noite tão fria ao relento.
Ele já passara noites mais frias ao relento, em sua fase de pássaro; mas, claro, como todos sabem, uma noite quente para um pássaro pode ser uma noite fria para um menino de pijama. Peter também se sentiu estranhamente desconfortável, como se sua cabeça estivesse pesada; ouviu ruídos altos que o faziam olhar em volta, sobressaltado, mas eram apenas os seus próprios espirros. Havia algo que ele desejava muito, mas, mesmo sabendo que desejava, não conseguia entender o que era. O que ele tanto queria era que sua mãe lhe assoasse o nariz, mas não se deu conta disso, de modo que decidiu apelar às fadas, em busca de esclarecimento. As fadas têm fama de saber bastante coisa.
Havia duas delas passeando pela Baby Walk, uma abraçando a cintura da outra, e ele pulou na direção delas. As fadas costumam ter desavenças com os pássaros, mas geralmente dão respostas civilizadas para perguntas civilizadas, e ele ficou bastante bravo quando essas duas saíram correndo no momento em que o viram. Havia uma outra encostada em uma cadeira de jardim, lendo um selo de carta que algum humano deixara cair, e quando ouviu a voz de Peter ela se escondeu, assustada, atrás de uma tulipa.
Para seu espanto, Peter descobriu que todas as fadas que encontrava fugiam dele. Um grupo de trabalhadoras que estava serrando um cogumelo saiu correndo, deixando as ferramentas para trás. Uma ordenadora de vaca virou seu balde de cabeça para baixo e se escondeu dentro dele. Não demorou muito e o Gardens se tornou uma algazarra. Multidões de fadas corriam de um lado para o outro, perguntavam umas às outras quem estava com medo, luzes foram apagadas, portas foram lacradas, e dos jardins do palácio da rainha Mab veio um bater de tambores, indicando que a guarda real fora chamada. Um regimento de lanceiros vinha descendo a Broad Walk, armado com folhas de azevinho, com as quais cutucam seus inimigos horrivelmente quando passam por eles. Peter ouviu gritos, vindos de todos os lados, que afirmavam que havia um humano no Gardens depois do fechamento dos portões, mas não pensou, nem por um momento, que o humano pudesse ser ele. Ele estava se sentindo cada vez mais pesado, e mais e mais desejava saber o que queria que fizessem com seu nariz, mas perseguia as fadas em vão, com sua questão vital; as assustadas criaturas corriam dele, e até mesmo os lanceiros, quando Peter se aproximou deles na Hump, rapidamente tomaram um caminho alternativo, fingindo que o tinham visto ali.
Desistindo das fadas, decidiu consultar os pássaros, mas então se lembrou de algo esquisito; todos os pássaros da faia fugiram voando quando ele pousara nela, e embora o fato não o tenha perturbado na ocasião, agora ele compreendia tudo. Todos os seres vivos fugiam dele. Pobre e indefeso Peter Pan! Ele se sentou e chorou, e mesmo naquele momento não percebeu que, para um pássaro, ele havia se sentado de maneira errada. É uma benção que ele não soubesse, pois caso contrário teria perdido a confiança em sua capacidade de voar, e, quando você duvida de que consegue voar, você perde a capacidade de voar para sempre. O motivo para os pássaros conseguirem voar e nós não é simplesmente porque possuem fé, pois ter fé é ter asas.
Agora, a não ser que voe, ninguém consegue chegar à ilha no Serpentine, porque os barcos dos humanos são proibidos de atracar lá e ela é cercada de estacas, e no alto de cada estaca há um pássaro sentinela que vigia dia e noite. Foi para a ilha que Peter voou agora, para apresentar seu estranho caso ao velho Solomon Caw, e pousou nela com uma sensação de alívio, muito animado em ver que estava, por fim, em casa, já que os pássaros a chamam assim. Todos estavam dormindo, inclusive os sentinelas, todos menos Solomon, que estava totalmente desperto em um canto e ele ouviu o relato de Peter, e explicou seu significado para ele.
— Olhe para o seu pijama, se não acredita em mim — disse Solomon.
E Peter olhou seu pijama com olhos arregalados, e depois olhou para os pássaros adormecidos; nenhum deles vestia coisa alguma.
— Quantos dedos dos seus pés são polegares? — perguntou Solomon, com certa crueldade.
E Peter viu, consternado, que seus dedos menores não eram polegares. O choque foi tão grande que ele parou de sentir frio.
— Tente sacudir a sua plumagem — disse o velho sombrio.
E Peter tentou sacudir sua plumagem com muito empenho e desespero, mas não possuía plumagem. Então se levantou, tremendo; e pela primeira vez, desde que ficara em pé no parapeito da janela, lembrou-se de uma mulher que gostava muito dele.
— Acho que devo voltar para a minha mãe — disse ele, timidamente.
— Adeus — retrucou Solomon Caw, com um olhar esquisito.
Mas Peter hesitou.
— Por que não vai logo? — perguntou o velho, polidamente.
— Não sei — disse Peter, com voz rouca —, será que ainda consigo voar?
Vejam só, ele perdera sua fé.
— Pobre de você, meio menino, meio pássaro! — falou Solomon, que tinha um pouco de bondade no fundo do coração. — Você nunca mais vai conseguir voar, nem mesmo em dias de vento. Você vai ter que viver aqui na ilha para sempre.
— E nunca mais voltar para o Kensington Gardens? — perguntou Peter, tragicamente.
— Como você conseguiria chegar até lá? — respondeu Solomon.
O velho prometeu, gentilmente, contudo, que ensinaria a Peter todos os costumes dos pássaros que um ser de formato tão bizarro tivesse condições de aprender.
— Não vou ser exatamente um humano, então? — perguntou Peter.
— Não.
— E não vou ser exatamente um pássaro?
— Não.
— Vou ser o que, então?
— Você será um nem-isso-nem-aquilo — disse Solomon, e ele era certamente um velho que sabia das coisas, pois foi exatamente isso o que aconteceu.
Os pássaros da ilha nunca se acostumaram com Peter. As estranhezas dele os divertiam todos os dias, como se fossem grandes novidades, quando na verdade as novidades eram os próprios pássaros. Eles saíam dos ovos diariamente e riam de Peter assim que o viam, e logo voavam embora para se tornarem humanos, e outros pássaros saíam de outros ovos, e assim o ciclo seguia para sempre. As ardilosas mães-pássaro, quando se cansavam de ficar sentadas sobre seus ovos, faziam com que os passarinhos quebrassem suas cascas de modo prematuro, com um dia de antecedência, sussurrando que agora era a chance deles de ver Peter tomando banho ou bebendo ou comendo. Milhares de passarinhos se aglomeravam em volta dele diariamente para vê-lo fazer essas coisas, como quem observa um pavão, e ele gritavam de satisfação quando Peter pegava com as mãos as cascas de pão que lhe atiravam, e não com a boca, como os pássaros costumam fazer. Toda a comida dele era trazida do Gardens por pássaros, por ordem de Solomon. Peter não comia vermes ou insetos (o que era absurdo, na opinião de todos), então os pássaros traziam pão em seus bicos. Por isso, quando você for gritar “Esfomeado, esfomeado!” para o pássaro que apanhar a maior das migalhas de pão, pense duas vezes antes de xingá-lo, já que agora você sabe que ele provavelmente está levando comida para Peter Pan.
Peter não usava mais pijama. É que os pássaros ficavam lhe pedindo pedaços dele para construírem seus ninhos e, bom menino que era, não conseguia recusar; então, Solomon o aconselhou a esconder o que restara dele. Peter estava bem nu agora, mas não pensem que ele sentia frio ou tristeza. Ele estava geralmente muito feliz e alegre, porque Solomon mantivera sua promessa e lhe ensinara muitos dos costumes dos pássaros. Peter aprendeu, por exemplo, a ficar satisfeito com pequenas coisas, e a estar sempre fazendo alguma coisa, e a pensar que tudo o que fizesse tinha uma importância enorme. Peter adquiriu grande destreza auxiliando os pássaros em construções de ninhos; em pouco tempo ele já construía melhor do que um pombo torcaz, e quase tão bem quanto um melro, embora nunca tenha conseguido satisfazer os tentilhões; e instalava ótimas gamelinhas de água perto dos ninhos e escavava minhocas para os pequeninos com seus dedos. Tornou-se erudito na ciência dos pássaros, e distinguia um vento leste de um vento oeste apenas pelo cheiro, e era capaz de ver a grama crescendo e de ouvir os insetos caminhando dentro dos troncos das árvores. Mas a melhor coisa que Solomon lhe ensinou foi a capacidade de ter um coração sempre alegre. Todos os pássaros têm corações alegres, a não ser que você lhes roube o ninho e como este era o único tipo de coração que Solomon conhecia, foi fácil para ele ensinar Peter a ter um.
O coração de Peter era tão alegre que ele sentia que precisava cantar o dia inteiro, assim como os pássaros cantam em júbilo, mas, sendo em parte humano, ele precisava de um instrumento, e recolheu juncos para fazer uma flauta, e costumava sentar-se na praia, à noite, estudando o sussurro do vento e o murmurar da água, e pegava alguns punhados de luar e os colocava em sua flauta, e tocava tão maravilhosamente que até os pássaros à vezes se confundiam e perguntavam uns aos outros:
— Isso que eu ouvi foi um peixe pulando na água ou Peter tocando “peixe que pula” com sua flauta?
Às vezes ele tocava quando um pássaro nascia, e então as mães se reviravam em seus ninhos para ver se tinham botado um ovo. Se você frequenta o Gardens deve conhecer o castanheiro que fica perto da ponte e que é o primeiro de todos os castanheiros a florescer, mas talvez você não saiba por que essa árvore é sempre a primeira. É porque Peter quer que chegue logo o verão e toca a sua chegada, e o castanheiro, estando tão perto dele, ouve a música e é enganado.
Porém, às vezes, sentado na praia e dedilhando divinamente sua flauta, Peter sucumbia e tinha pensamentos tristes, e sua música se entristecia também, e a origem de toda essa tristeza era o fato de que ele não tinha como voltar ao Gardens, embora pudesse vê-lo, além do arco da ponte. Sabia que nunca mais poderia ser um humano de verdade, e nem tinha interesse nisso; ah, mas como queria poder brincar como as outras crianças brincam, e não há lugar mais adorável para brincar, é claro, do que o Gardens. Os pássaros lhe contavam detalhes de como meninos e meninas brincavam, e lágrimas de melancolia cobriam os olhos de Peter.
Talvez você pense que ele pudesse simplesmente ir nadando até o parque. O problema é que ele não sabia nadar. Ele queria saber nadar, mas ninguém na ilha possuía esse conhecimento exceto os patos, e eles são muito burros. Eles tinham muita vontade de ensinar Peter, mas só o que conseguiam dizer era:
— Você se senta em cima da água assim, e depois começa a mexer as pernas assim.
Peter tentava várias vezes, mas sempre afundava antes de começar a mexer as pernas. O que ele precisava saber era: como você se senta na água sem afundar? E os patos diziam que era impossível explicar uma coisa tão simples. Ocasionalmente alguns cisnes passavam pela ilha, e Peter dava para eles toda a sua comida do dia e então lhes perguntava como era possível se sentar na água, mas quando a pouca comida acabava as detestáveis criaturas zombavam dele e iam navegando embora.
Houve uma vez em que ele realmente achou que descobrira um meio de chegar ao Gardens. Uma maravilhosa coisa branca, como um jornal fugitivo, apareceu voando alto no céu da ilha e então despencou, girando no ar como um pássaro de asa quebrada. Peter ficou tão assustado que se escondeu, mas os pássaros lhe disseram que aquilo não passava de uma pipa, e lhe explicaram o que era; seu barbante tinha se soltado das mãos de um menino em um repuxão, provavelmente, e ela voara embora. E os pássaros riram de Peter por ele ter se apegado tanto à pipa; ele a adorava tanto que até mesmo dormia com uma mão em cima dela, e eu acho que isso era ao mesmo tempo patético e bonito: ele adorava aquela coisa branca porque ela pertencera a um menino real.
Tal adoração era ridícula para os pássaros, mas as aves mais velhas sentiam-se muito devedoras dele, a essa altura, porque ele cuidara de vários bebês recém-emplumados que tiveram rubéola, e se dispuseram a lhe mostrar como os pássaros brincavam de pipa. Seis pássaros seguraram a extremidade do barbante em seus bicos e saíram voando; para espanto do menino, a pipa saiu voando atrás dos pássaros e chegou a voar mais alto do que eles.
Peter gritou:
— Façam de novo!
Dispostas a agradar, as aves repetiram a operação diversas vezes, e por diversas vezes, em vez de agradecer, ele gritou “Façam de novo!”, o que demonstra que mesmo agora, passado tanto tempo, ele ainda não esquecera o que é ser um menino.
Por fim, com um desígnio ardente em seu valoroso coração, Peter pediu aos pássaros que repetissem a brincadeira uma última vez, e se agarrou, antes, na cauda da pipa; cem aves saíram voando com o barbante e Peter seguiu atrás delas, na cauda, com a intenção de se soltar quando passasse por cima do Gardens. Mas a pipa se desfez em pedaços no ar, e ele teria se afogado no Serpentine se não tivesse pegado carona com dois cisnes que, indignados, levaram-no até a ilha. Depois disso os pássaros afirmaram que não voltariam a ajudá-lo em sua louca empreitada.
Mas Peter conseguiu chegar ao Gardens, por fim, com a ajuda do barco de Shelley, como contarei a seguir.
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