Peter Pan
XV. O Ninho do Tordo
XV
O NINHO DO TORDO
Shelley era um jovem cavalheiro, tão adulto quanto queria ser. Era um poeta, e os poetas nunca são exatamente adultos. São pessoas que desprezam o dinheiro e que têm consigo apenas o necessário para o dia, e ele tinha isso e mais cinco libras de sobra. Assim, quando estava passeando no Kensington Gardens, Shelley fez um barquinho de papel com o cheque que tinha no bolso e o lançou no Serpentine.
O barquinho chegou à ilha depois do anoitecer; e o sentinela o levou para Solomon Caw, que pensou de início que se tratava da mesma coisa de sempre, uma mensagem de alguma dama, dizendo que ficaria muito grata se ele lhe mandasse um passarinho dos bons. Elas sempre pedem pelo melhor que ele tiver, e quando gosta da carta ele manda um pássaro da classe A; mas se a carta o irrita ele manda um pássaro esquisito mesmo. Às vezes ele não manda nada, mas pode acontecer de ele mandar um ninho cheio; tudo depende do humor do dia. Ele gosta de tomar todas as decisões e se você mencionar que tem um desejo especial de que ele providencie um menino dessa vez, pode ter certeza de que será enviada mais uma menina. Seja você uma dama ou apenas um menino que quer uma irmãzinha, tome o cuidado de escrever o seu endereço com muita clareza. Você não faz ideia de quantos bebês Solomon já mandou para casa erradas.
O barco de Shelley foi aberto e deixou Solomon completamente intrigado, e ele pediu o conselho de seus assistentes, os quais, tendo caminhado sobre o papel duas vezes, primeiro com os pés virados para fora, depois com os pés virados para dentro, decidiram que ele só poderia provir de alguma pessoa gananciosa que queria cinco. Chegaram a essa conclusão porque havia um cinco enorme impresso no papel.
— Que absurdo! — gritou Solomon, furioso, e deu o papel para Peter; todas as coisas inúteis que apareciam na ilha eram doadas a Peter, para que ele as usasse como brinquedos.
Mas ele não brincou com seu precioso cheque, pois identificara de imediato o que era, tendo sido um menino muito observador na semana em que fora um humano normal. Como tanto dinheiro, ele refletiu, poderia afinal dar um jeito de chegar ao Gardens? Ele considerou todas as possibilidades e optou (sabiamente, eu acho) pela melhor delas. Primeiro, porém, teve de informar aos pássaros que o barco de Shelley tinha grande valor; eles eram honestos demais para exigir o papel de volta, mas Peter viu que estavam exasperados, e eles lançaram olhares sombrios para Solomon, que se gabava tanto de sua esperteza, e Solomon se afastou voando até o outro lado da ilha e se sentou lá, deprimido, com a cabeça enterrada nas asas. Ora, Peter sabia que ninguém obtinha nada nessa ilha se não tivesse o apoio de Solomon, e então foi até ele e tentou animá-lo.
Peter fez mais do que apenas conversar com o poderoso velho. Não contei a vocês que Solomon não tinha intenção de permanecer em seu posto pelo resto da vida. Ele planejava sua aposentadoria aos poucos, queria devotar sua doce velhice a uma vida de prazer em um certo tronco de texo, no Figs, que lhe apetecia muito; desde muitos anos, vinha enchendo sua meia. Era uma meia de banhista que fora encontrada na ilha, e a essa altura ela continha 180 migalhas, 34 nozes, 16 cascas de pão, um limpador de plumagem e um cadarço de bota. Solomon calculava que, quando a meia ficasse repleta, teria fundos suficientes para uma aposentadoria tranquila. Pois Peter lhe deu uma libra. Cortou um pedaço do cheque com um graveto afiado.
Isso lhe garantiu gratidão eterna por parte de Solomon; os dois conversaram um pouco e convocaram uma reunião de tordos. Vocês saberão em breve por que motivo foram convocados apenas tordos.
O plano que seria apresentado aos tordos era de autoria de Peter, na verdade, mas Solomon falou na maior parte do tempo, porque ele logo ficava irritadiço quando outras pessoas falavam. Começou por dizer que nunca deixava de se impressionar com a engenhosidade superior de que os tordos davam mostras na construção de seus ninhos, e isso os deixou de bom humor na mesma hora, e a intenção era essa; pois todas as querelas entre os pássaros derivam de discussões sobre quem constrói os melhores ninhos. Outros pássaros, disse Solomon, deixavam de forrar os ninhos com uma camada de barro, e os ninhos sem barro são incapazes de reter água. Aqui ele balançou a cabeça garbosamente, como se tivesse feito uso de um argumento incontestável; por azar, porém, uma sra. Tentilhão comparecera à reunião sem ter sido convidada, e ela guinchou:
— Nós não construímos os nossos ninhos para reter água, e sim para proteger ovos.
Os tordos ficaram amuados; Solomon ficou tão perplexo que teve que tomar vários goles d’água.
— Considerem — disse ele, por fim — o quanto o barro aquece os ninhos.
— Considerem — exclamou a sra. Tentilhão — que quando a água entra no ninho ela não sai mais, e os seus filhotes se afogam!
Com um olhar desolado, os tordos suplicaram a Solomon que proferisse uma réplica arrasadora, mas ele ficou ainda mais perplexo.
— Beba mais um pouco de água — sugeriu a Sra. Tentilhão, atrevida; o nome dela era Kate, e todas as Kates são descaradas.
Solomon bebeu mesmo mais um pouco de água, e o gole o inspirou.
— Se colocarmos um ninho de tentilhão no Serpentine — disse —, ele vai se encher de água e vai se desmanchar, mas um ninho de tordo permanecerá seco como as costas de um cisne.
Como os tordos aplaudiram! Agora eles sabiam por que é que aplicavam uma camada de barro em seus ninhos, e quando a sra. Tentilhão exclamou “Nós não colocamos os nossos ninhos no Serpentine”, eles fizeram o que deveriam ter feito no início da reunião: expulsaram a intrusa. Depois disso, tudo correu na mais perfeita ordem. Os tordos haviam sido convocados, disse Solomon, com o seguinte propósito: seu jovem amigo Peter queria muito, como todos sabiam, poder viajar até o Gardens, e ele lhes pedia auxílio para construir um barco.
Diante disso os tordos começaram a conversar baixinho, inquietos, e Peter temeu por seu plano.
Solomon se apressou em explicar que a ideia não era fazer um desses barcos enormes que os humanos usam; a proposta era construir um ninho de tordo que fosse grande o suficiente para que Peter pudesse navegar nele.
Mesmo assim, para desespero de Peter, os tordos se mantiveram ariscos.
— Somos muito atarefados — resmungaram —, e esse trabalho nos tomaria muito tempo.
— Sabemos disso — falou Solomon —, e é claro que Peter não os faria trabalhar de graça. Lembrem que ele se encontra em uma situação financeira muito confortável; vocês terão pagamentos que nunca receberam antes. Peter Pan me autoriza a dizer que vocês receberão seis centavos por dia.
Todos os tordos deram pulos de alegria, e naquele mesmo dia teve início a celebrada Construção do Barco. Os afazeres ordinários foram deixados de lado. Era a época do ano em que deviam estar acasalando, mas nenhum ninho de tordo foi construído além do grande ninho de Peter, e Solomon logo se viu desprovido de tordos para atender à demanda do continente. As crianças mais robustas e comilonas, essas que exibem ótima aparência quando estão em seus carrinhos, mas que ficam facilmente esbaforidas quando caminham, todas elas foram pequenos tordos um dia, e é muito comum que damas as encomendem. O que vocês acham que Solomon fez? Fez circular uma ordem pelos telhados, convocou o maior número possível de pardais e ordenou que botassem seus ovos nos velhos ninhos de tordo, e enviou esses filhotes de pardal para as damas e jurou que eram todos tordos! Aquele ano ficou conhecido na ilha, mais tarde, como o Ano dos Pardais; quando você encontra, porque sem dúvida deve encontrá-las vez por outra, pessoas adultas que se incham e se inflam por acharem que são maiores do que de fato são, essas pessoas muito provavelmente nasceram naquele ano. Pergunte a elas.
Peter foi um patrão justo e pagou seus trabalhadores todas as noites. Eles formavam filas nos galhos e aguardavam educadamente enquanto ele cortava pedacinhos de seis centavos de seu cheque, e em seguida ele chamava o grupo, e então os pássaros voavam até o chão um por um, à medida que seus nomes iam sendo mencionados, e ganhavam seis centavos. Deve ter sido uma coisa bonita de se ver.
Por fim, depois de meses de labuta, o barco ficou pronto. Ah, a conduta de Peter no acompanhamento dos trabalhos, com o ninho de tordo ficando cada vez maior e mais sólido! Ele dormiu ao lado do ninho desde o primeiro dia da construção, e muitas vezes acordava, no meio da noite, e dizia coisas carinhosas para ele e, quando ele foi forrado com barro e o barro secou, Peter passou a dormir dentro dele. Peter dorme no ninho até hoje, e é fascinante observar como ele se enrosca ali dentro, porque o ninho é grande o suficiente para que ele se acomode bem quando se enrosca como um gatinho. O ninho é marrom no lado de dentro, é claro, mas por fora é principalmente verde, já que sua parede externa é entretecida com grama e gravetos, e quando um graveto murcha ou se quebra a parede é reforçada com alguma cobertura. Aqui e ali também podem ser vistas algumas penas, que caíram dos corpos dos tordos durante a construção.
Os outros pássaros sentiram muita inveja e disseram que o barco não se sustentaria na água, mas ele se mostrou maravilhosamente estável; disseram que entraria água nele, mas não entrou nenhuma água nele. A seguir disseram que Peter não tinha remos, e isso fez com que os tordos olhassem uns para os outros em um grande desânimo, mas Peter afirmou que não precisava de remos, pois dispunha de uma vela: transbordante de alegria e orgulho, apresentou uma vela que confeccionara com seu pijama, e era uma vela graciosa, mesmo que não deixasse de parecer um pijama. E naquela noite, com lua cheia e com os pássaros todos dormindo, ele entrou no seu batel (como Francis Pretty teria dito) e foi embora da ilha. De início, sem saber por que, olhou para cima, com as mãos entrelaçadas, e desse momento em diante seus olhos se fixaram no oeste.
Peter prometera aos tordos que começaria fazendo viagens curtas, tendo-os como guias, mas na longínqua distância, por baixo da ponte, ele viu o Kensington Gardens; o parque o atraía como uma espécie de feitiço, e ele não pôde esperar. Seu rosto estava afogueado, mas ele não olhou para trás; uma exultação em seu peito afastava todo o medo. Seria Peter o último dos galantes navegadores ingleses, rumando para o oeste, na direção do desconhecido?
O barco girou em falso no começo e voltou para o ponto de partida; Peter encurtou o pano de sua vela, removendo uma das mangas, e dessa vez foi arrastado para trás, por um vento contrário, correndo um efetivo perigo de naufrágio. Recolheu toda a vela, e em consequência foi levado à deriva para uma praia distante, na qual vagavam sombras negras cujo perigo ele não conhecia, mas suspeitava, e assim ele içou de novo seu pijama e virou de bordo, para não ver as sombras, até que afinal pegou um vento favorável que o levou na direção oeste, mas a uma velocidade tão estonteante que poderia acabar se esborrachando contra a ponte. Evitando o choque, Peter passou por baixo dela e, em supremo regozijo, contemplou a paisagem ampla do delicioso Gardens. Quando tentou, porém, lançar âncora, que era uma pedra amarrada na ponta de um pedaço do barbante da pipa, não conseguiu alcançar o fundo do rio, e se viu obrigado a flutuar às cegas, em busca de um ponto de atracação, e bateu contra um recife submerso; a violência do choque lançou Peter na água, e ele por pouco não se afogou, mas conseguiu, a muito custo, subir de volta no barco. Estourou uma forte tempestade, acompanhada de águas furiosas que emitiam rugidos que ele jamais ouvira, e o barco foi jogado de um lado para o outro, e as mãos de Peter ficaram tão entorpecidas de frio que ele não conseguia mais fechá-las. Tendo escapado do inacreditável perigo, o menino foi levado piedosamente até uma pequena baía, pela qual seu barco deslizou em paz.
Peter ainda não se encontrava em segurança, contudo: tentando desembarcar, topou com uma multidão de pessoas pequeninas que haviam se aglomerado na praia para contestar a chegada do estranho e que gritavam e vociferavam contra ele com estridência, exigindo que fosse embora, pois já se passara a hora do fechamento dos portões. Brandiam suas folhas de azevinho, e um pequeno batalhão carregava uma flecha que algum menino esquecera no parque, e os guerreiros estavam dispostos a usar a flecha como um esporão.
Sabendo que estava diante de fadas, Peter proclamou que não era um humano comum, que não era seu interesse contrariar quem quer que fosse e que queria ser amigo de todos; tendo encontrado um porto seguro, porém, não estava inclinado a se retirar dali. Fez uma advertência às criaturas: se elas o atacassem e ferissem, sofreriam revide, arcariam com as consequências.
Dito isso, pulou com audácia na areia, e as fadas o cercaram com a intenção de trucidá-lo, mas irrompeu então um grito agudo entre as mulheres: elas tinham reparado que a vela de Peter era um pijama de bebê. A partir deste momento, as fadas caíram de amores por ele e lamentaram que seus colos fossem tão pequenos, e não posso explicar o comportamento delas, só posso dizer que é assim que são as mulheres. Quanto aos homens-fada, recolheram suas armas depois da capitulação amorosa de suas mulheres, pois sabiam que elas eram superiores em inteligência, e civilizadamente conduziram o menino até a rainha, que conferiu a ele o direito de estar no Gardens depois do fechamento dos portões, e dali em diante Peter podia ir aonde bem entendesse, e as fadas tinham ordens de lhe providenciar todo o conforto.
Assim aconteceu a primeira viagem de Peter ao Gardens, e vocês podem perceber, pela antiguidade da linguagem, que a viagem se deu muitíssimo tempo atrás. Mas Peter não envelhece, e se pudéssemos estar embaixo da ponte neste exato instante, observando-o (mas é claro que não podemos), arrisco dizer que o veríamos içando seu pijama e velejando ou remando na nossa direção, no ninho do tordo. Quando veleja, ele se senta, e quando rema ele se põe de pé. Vou contar a vocês em breve como é que ele arranjou um remo.
Muito antes da abertura dos portões ele já toma o caminho da ilha, em silêncio, porque as pessoas não podem vê-lo (já que ele não é de todo humano), mas sempre lhe sobram horas para brincar, e ele brinca como brincam todas as crianças. Pelo menos é o que ele pensa, e uma das coisas mais patéticas a respeito dele é o fato de que brinca errado.
Vejam, não havia ninguém para lhe dizer como é que as crianças realmente brincam, porque as fadas ficavam mais ou menos escondidas até o crepúsculo e portanto não sabiam nada; os pássaros afirmavam conhecer muitas brincadeiras, mas quando foram falar delas a Peter viu-se que não sabiam de praticamente coisa nenhuma. Eles lhe explicaram o funcionamento real do esconde-esconde, e ele muitas vezes brinca de esconde-esconde sozinho; mas nem mesmo os patos do Round Pond conseguiram lhe dizer o que é que torna o lago tão fascinante para meninos. Todas as noites os patos se esquecem dos acontecimentos do dia, menos do número de pedaços de bolo que lhes atiraram. São criaturas melancólicas, e dizem que o bolo já não é mais a delícia que foi nos velhos tempos.
De modo que Peter teve que descobrir várias coisas por conta própria. Ele muitas vezes lançava navios no Round Pond, mas o navio era apenas uma argola que ele encontrara na grama. Ele nunca tinha visto uma argola, é claro, e não sabia como era possível brincar com argolas, e decidiu que se brincava fingindo que elas eram barcos. A argola afundava imediatamente, sempre, mas ele entrava um pouco na água para resgatá-la, e às vezes a arrastava jovialmente pela beira da água, dando voltas no lago, e sentia muito orgulho por ter descoberto o que os meninos faziam com esse brinquedo.
Em outra ocasião, quando encontrou um balde de areia de criança, achou que a função do objeto era servir de assento, e sentou-se dentro dele com tanta convicção que depois teve dificuldade para se libertar. Também encontrou um balão. O balão estava pulando para lá e para cá na Hump, como se estivesse brincando sozinho, e Peter o pegou depois de uma perseguição emocionante. Mas pensou que se tratava de uma bola, e Jenny Carriça lhe dissera que meninos chutam bolas, e Peter chutou o balão; depois do chute, não conseguiu mais encontrá-lo em nenhum lugar.
O objeto mais surpreendente que Peter encontrou foi, talvez, um carrinho de bebê. Estava embaixo de uma tília, perto da entrada do Palácio de Inverno da rainha das fadas (que fica dentro do círculo dos sete castanheiros espanhóis), e Peter se aproximou com cuidado, porque os pássaros nunca tinham dito nada a respeito de tais objetos. Temendo que estivesse vivo, Peter lhe dirigiu a palavra educadamente, e então, visto que não houve resposta, chegou ainda mais perto e o tocou com a ponta dos dedos. Em seguida o empurrou, e o carrinho se afastou dele, o que lhe provou que a coisa estava mesmo viva e que, tendo se afastado, não se sentira ameaçada. Então Peter esticou o braço para puxar a coisa até ele, mas dessa vez ela avançou com firmeza em sua direção, e ele ficou tão assustado que pulou a grade e disparou correndo até seu barco. Não pensem, contudo, que Peter fosse um covarde, pois ele voltou na noite seguinte, com uma casca de pão em uma mão e um galho na outra, mas o carrinho desaparecera, e ele nunca mais viu nenhum outro. E eu prometi falar sobre o remo. Era uma pazinha de criança que Peter encontrara perto do St. Govor’s Well, e para ele aquilo era um remo.
Você sente pena de Peter Pan por causa de todos esses enganos? Se sente, é tolice sua. O que estou dizendo é que não há como não sentir pena dele vez por outra, é claro, mas ter pena dele o tempo inteiro seria uma impertinência. Ele achava que tinha experiências esplêndidas e inesgotáveis no Gardens, e achar é quase tão bom quanto realmente ter. Peter brincava sem parar, enquanto você perde tempo fazendo papel de cachorro louco ou de Mary Ann. Ele não podia fazer esses papéis, pois nunca tinha ouvido falar deles; você acha que isso seria motivo para nos compadecermos dele?
Ah, ele era feliz. Ele era muito mais feliz do que você, por exemplo, assim como você é mais feliz do que o seu pai. Às vezes ele caía no chão, como um pião que parou de rodar, de pura felicidade. Você decerto já viu um galgo pulando as cercas do Gardens. É assim que Peter as pula.
E pense na flauta melodiosa. Certos cavalheiros que vão para casa a pé, de noite, escrevem aos jornais, informando que ouviram um rouxinol no Gardens, mas o que eles ouvem é a flauta de Peter, na verdade. Bem, é claro, ele não tinha mãe… Mas que diferença lhe faria ter uma mãe? Você pode se compadecer dele por isso, mas não se compadeça muito, porque a próxima coisa que eu quero contar é a história de como ela a reencontrou. Ele reencontrou a mãe graças às fadas.
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