Peter Pan

J. M. Barrie · Capítulo 32 de 48

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Peter Pan

II. A Sombra

II

 

A SOMBRA

A Sra. Darling gritou e, como se em resposta a um chamado, a porta se abriu e Naná entrou, voltando de sua noite de folga. Ela rugiu e pulou no menino, que fugiu com agilidade pela janela. De novo a Sra. Darling gritou, dessa vez preocupada com ele, pois pensou que ele tinha morrido, e correu até a rua para procurar por seu corpinho, mas não havia nada lá. Ela então olhou para cima e, na noite escura, não conseguiu enxergar nada além do que ela pensou ser uma estrela cadente.

Voltou para o quarto das crianças e encontrou Naná com alguma coisa na boca, o que descobriu ser a sombra do garoto. Quando ele saiu pela janela Naná fechou-a rapidamente, tarde demais para pegá-lo, mas sua sombra não teve tempo de escapar; a janela se fechou com um golpe e deixou a sombra para dentro.

Pode ter certeza de que a Sra. Darling examinou a sombra com cuidado, mas ela era bastante comum.

Naná não teve dúvidas sobre o que era a melhor coisa a se fazer com a sombra. Ela a pendurou na janela querendo dizer “ele certamente voltará atrás dela; vamos deixá-la em um lugar onde ele possa pegá-la com facilidade, sem incomodar as crianças”.

Mas infelizmente a Sra. Darling não podia deixar a sombra pendurada na janela; ela se parecia demais com roupa pendurada no varal e deixava a casa com um tom deselegante. Ela pensou em mostrar a sombra para o Sr. Darling, mas ele estava fazendo contas para calcular quanto gastaria comprando casacos de inverno para John e Michael e tinha uma toalha molhada enrolada em volta da cabeça para deixar sua mente fresca. Parecia uma bobagem incomodá-lo com aquilo. Além disso, ela sabia exatamente o que ele diria: “é isso o que dá ter uma cachorra como babá”.

Ela decidiu dobrar a sombra e guardá-la com cuidado dentro de uma gaveta, até que surgisse uma oportunidade para que ela a mostrasse para o marido. Meu Deus!

A oportunidade surgiu uma semana depois, naquela sexta-feira que jamais será esquecida. É claro que era uma sexta-feira.

— Eu preciso tomar um cuidado especial às sextas-feiras — ela costumava dizer depois para o marido, talvez com Naná ao seu lado, segurando sua mão.

— Não, não — sempre dizia o Sr. Darling —, sou responsável por tudo isso. Eu, George Darling, causei isso. Mea culpa, mea culpa. — Ele tivera uma educação formal.

Eles ficavam sentados assim, noite após noite, lembrando daquela sexta-feira fatal, até que todos os detalhes daquele dia ficassem impressos em suas mentes e até aparecerem do outro lado, como acontece com as moedas mal cunhadas.

— Se eu não tivesse aceitado o convite para jantar na casa de número 7… — disse a Sra. Darling.

— Se eu não tivesse derramado meu remédio na tigela da Naná — disse o Sr. Darling.

“Se eu tivesse fingido gostar de remédio”, era o que os olhos molhados de Naná diziam.

— Essa história de eu gostar de festas, George.

— O meu talento fatal para o bom humor, minha querida.

“Minha mania de implicar com trivialidades, queridos senhor e senhora”.

Então, um deles ou mais do que um, caíam juntos no choro. Naná pensava “é verdade, é verdade, eles não deviam ter deixado uma cachorra de babá”. Muitas vezes foi o Sr. Darling quem limpou os olhos de Naná com o lenço.

— Aquele demônio! — exclamava o Sr. Darling.

Naná latia concordando com ele, mas a Sra. Darling nunca xingava Peter; havia algo no cantinho direito de sua boca que não queria que ela o xingasse.

Eles ficavam sentados lá no quarto de crianças vazio, lembrando-se com carinho de cada pequeno detalhe daquela terrível noite. Havia começado de maneira tão rotineira, tão precisamente como uma centena de outras noites, com Naná preparando a água para o banho de Michael e carregando-o em suas costas.

— Não vou para a cama — gritou ele, como alguém que ainda acreditava que tinha a última palavra no assunto. — Não vou, não vou. Naná, ainda não são seis horas. Ah, querida, querida, assim não vou mais amar você, Naná. Estou dizendo que não vou tomar banho, não vou e não vou!

Então a Sra. Darling entrou, usando seu vestido de noite branco. Ela havia se arrumado mais cedo porque Wendy adorava vê-la usando aquele vestido, com o cordão que George havia lhe dado. Ela usava o bracelete de Wendy em um braço; ela o pedira emprestado. Wendy adorava emprestar seu bracelete para a mãe.

Encontrou suas duas outras crianças brincando de ser ela e o pai na ocasião do nascimento de Wendy, e John dizia:

— Tenho o prazer de informá-la, Sra. Darling, que agora a senhora é mãe — e falava isso num tom bastante parecido ao que o Sr. Darling teria usado na ocasião verdadeira.

Wendy dançara com alegria, assim como a verdadeira Sra. Darling teria feito.

Então John nasceu, com a pompa extra que ele imaginava ser necessária devido ao nascimento de um menino. Michael saiu de seu banho e pediu para nascer também, mas John respondeu brutalmente que não queria mais brincar.

Michael quase chorou.

— Ninguém me quer — disse ele, e é claro que a dama que usava o vestido de noite não podia suportar aquilo.

— Eu quero — disse ela. — Eu quero muito uma terceira criança.

— Menino ou menina? — perguntou Michael, sem muita esperança.

— Menino.

Então ele se atirou nos braços dela. Um pequeno detalhe para que o Sr., a Sra. Darling e Naná se lembrassem agora, mas não tão pequeno se aquela fosse ser a última noite de Michael no quarto das crianças.

Eles continuavam com suas recordações.

— Foi então que entrei correndo como um furacão, não foi? — dizia o Sr. Darling, sentindo desprezo por si mesmo, e sim, ele realmente tinha entrado como um furacão.

Talvez houvesse alguma desculpa para ele. Ele, também, havia se vestido para a festa e tudo estava bem com ele até chegar à gravata. É algo impressionante a se dizer, mas este homem, embora soubesse tudo sobre fundos de investimentos e ações, não tinha domínio sobre sua gravata. Às vezes ela se rendia a ele sem protestar, mas havia ocasiões quando teria sido melhor para os moradores da casa se ele engolisse seu orgulho e usasse uma gravata daquelas que já vêm com o nó pronto.

Esta foi uma daquelas ocasiões. Ele entrou correndo no quarto das crianças com a maldita gravata toda embolada em sua mão.

— Ora, qual é o problema, papai?

— Problema! — gritou ele; ele realmente gritava. — Essa gravata, ela se recusa a me deixar dar o nó.

Ele ficou perigosamente sarcástico.

— Não consigo dar o nó em volta do meu pescoço! Só em volta do da coluna da cama! Ah, sim, dei nó vinte vezes em volta da coluna da cama, mas em volta do meu pescoço, não! Ah, não! Essa gravata não toma jeito!

Ele achou que a Sra. Darling não estava suficientemente impressionada e continuou, em um tom bastante sério:

— Estou avisando, querida, que se essa gravata não ficar direitinho em volta do meu pescoço não vamos sair para jantar nesta noite, e se eu não sair para jantar nesta noite eu nunca mais vou voltar para o escritório novamente, e se eu não voltar mais para o escritório, você e eu morreremos de fome, e nossas crianças vão ser jogadas nos olhos da rua.

Mesmo então a Sra. Darling continuou tranquila:

— Deixe-me tentar, querido — disse ela, e realmente era isso o que ele tinha vindo pedir para que ela fizesse.

Com suas mãos gentis e calmas ela deu o nó na gravata para ele, enquanto as crianças ficaram ao redor esperando para ver como seus destinos eram decididos. Alguns homens ficariam ressentidos por ela conseguir fazer aquilo com tanta facilidade, mas o Sr. Darling tinha a natureza refinada demais para se sentir assim. Ele a agradeceu sem muito entusiasmo, logo esqueceu sua raiva e em um outro momento já estava dançando pelo quarto com Michael pendurado em suas costas.

— Como dançamos! — disse a Sra. Darling agora, lembrando-se disso.

— Nossa última dança! — soltou o Sr. Darling.

— Ah, George, você se lembra do que Michael de repente me perguntou? “Como foi que você me conheceu, mamãe?”.

— Eu me lembro!

— Eles eram muito doces, você não acha, George?

— E eram nossos, nossos, e agora desapareceram.

A dança terminou com o aparecimento de Naná e, por uma grande infelicidade, o Sr. Darling trombou nela, o que deixou suas calças cheias de pelos. Não eram apenas calças novas, mas eram as primeiras com galão que ele tinha, e precisou morder seus lábios para evitar que lágrimas fossem derramadas. É claro que o Sr. Darling as limpou, mas começou novamente a falar sobre ser um erro ter uma cachorra como babá.

— George, a Naná é um tesouro.

— Sem dúvida, mas me incomoda pensar que às vezes ela trata as crianças como se elas fossem cachorrinhos.

— Ah, não, meu querido, tenho certeza de que ela sabe que eles têm almas.

— Será? — disse o Sr. Darling, pensativo. — Fico me perguntando isso.

Aí estava a oportunidade que sua esposa procurava para contar a ele sobre o garoto. Primeiro ele disse que a história era uma bobagem, mas ficou pensativo quando ela lhe mostrou a sombra.

— Não é ninguém que eu conheça — disse ele, examinando com cuidado a sombra — mas realmente parece de um safado.

— Ainda estávamos conversando sobre isso, você se lembra? — perguntou o Sr. Darling. — Foi quando Naná entrou com o remédio do Michael. Você nunca mais vai carregar um frasco de remédio na boca de novo, Naná, e é tudo culpa minha.

Embora fosse um homem forte, não havia dúvida de que ele se comportara de maneira bem tola sobre o remédio. Se ele tinha uma fraqueza, era achar que havia passado a vida inteira tomando remédio sem reclamar; e por isso agora, quando Michael fugiu da colher que Naná trazia na boca, ele disse de maneira reprovadora:

— Seja homem, Michael.

— Não vou tomar, não vou — gritou Michael.

A Sra. Darling saiu do quarto para pegar um chocolate para ele, e o Sr. Darling pensou que isso era falta de firmeza.

— Querida, não mime o menino assim — gritou ele para ela. — Michael, quando eu tinha a sua idade eu tomava remédio sem um resmungo. Eu dizia “obrigado, queridos papai e mamãe, por me dar esse remédio e fazer com que eu me sinta bem”.

Ele realmente achava que isso era verdade, e Wendy, que já estava de camisola, também acreditava nisso, e disse, para encorajar Michael:

— Aquele remédio que você toma às vezes, papai, é muito pior, não é?

— Muito pior — disse o Sr. Darling bravamente. — E eu o tomaria agora para te mostrar, Michael, se não tivesse perdido o frasco.

Ele não havia exatamente perdido o frasco; ele subira, na calada da noite, até o alto do armário e o escondera lá. O que ele não sabia é que a fiel Liza o havia encontrado e o colocara de volta em cima da pia.

— Eu sei onde ele está, papai — gritou Wendy, sempre feliz em ajudar. — Vou buscar — e saiu antes que ele a pudesse deter. Imediatamente ele sentiu um estranho desânimo.

— John — disse ele, estremecendo —, o remédio é terrível. É daquele jeito doce, grudento, nojento.

— Vai acabar logo, papai — disse John tentando animá-lo, e então Wendy entrou correndo com o remédio dentro de um copo.

— Voltei o mais rápido que consegui — disse ela, ofegante.

— Você veio maravilhosamente rápido — respondeu o pai, com um sarcasmo vingativo que passou despercebido por ela. — Michael primeiro — disse ele, teimoso.

— Papai primeiro — disse Michael, que tinha um espírito desconfiado.

— Eu vou passar mal, sabia? — disse o Sr. Darling, em tom ameaçador.

— Vamos lá, papai — disse John.

— Fique quieto, John — repreendeu o pai.

Wendy estava bastante intrigada.

— Achei que o senhor o tomasse sem problemas, papai.

— Essa não é a questão — respondeu ele. — A questão é que há mais remédio no meu copo do que na colher de Michael. — Seu coração orgulhoso estava quase explodindo. — E não é justo; eu repetiria isso mesmo que este fosse o meu último suspiro; isso não é justo.

— Papai, estou esperando — disse Michael, friamente.

— Tudo bem você estar esperando; eu também estou esperando.

— Papai é um medroso.

— Você também é um medroso.

— Eu não estou com medo.

— Eu também não estou com medo.

— Então tome o remédio.

— Tome você.

Wendy teve uma ideia esplêndida.

— Por que vocês dois não tomam o remédio ao mesmo tempo?

— Certamente — concordou o Sr. Darling. — Você está pronto, Michael?

Wendy contou “um, dois, três” e Michael tomou seu remédio, mas o Sr. Darling jogou o líquido do copo para trás.

Michael soltou um grito de raiva e Wendy exclamou:

— Ah, papai!

— O que você quer dizer com “Ah, papai”? — perguntou o Sr. Darling. — Parece com esse barulho, Michael. Eu ia tomar o meu remédio, mas errei a mira.

A maneira como os três olhavam para ele era terrível, parecia que eles não o admiravam.

— Olhem aqui, todos vocês — disse ele, em um tom suplicante assim que Naná entrou no banheiro —, acabei de pensar em uma brincadeira maravilhosa. Vou colocar o meu remédio na tigela da Naná e ela vai beber, pensando que é leite!

Era da cor do leite, mas as crianças não tinham o senso de humor do pai, e olharam para ele com tom reprovador enquanto ele derramava o remédio na tigela de Naná.

— Que divertido — disse ele hesitante, e eles não se atreveram a contar o que ele havia feito quando a Sra. Darling e Naná voltaram para o quarto.

— Naná, boa cachorra — disse ele, acariciando-a —, coloquei leite na sua tigela, Naná.

Naná balançou o rabo, correu até o remédio e começou a lambê-lo. Então lançou um olhar para o Sr. Darling, não era um olhar bravo. Ela mostrou a ele aquela imensa lágrima vermelha que nos faz sentir pena de um animal tão nobre, e se encolheu dentro de sua casinha.

O Sr. Darling ficou terrivelmente envergonhado de seu gesto, mas não deu o braço a torcer. Em um silêncio horroroso a Sra. Darling cheirou a tigela.

— Ah, George — disse ela —, é o seu remédio!

— Era só uma brincadeira — respondeu ele, enquanto ela consolava os meninos e Wendy abraçava Naná.

— Muito bem — disse ele, amargamente. — Eu aqui tentando ser o engraçado desta casa.

Wendy ainda abraçava Naná.

— Tudo bem — gritou ele. — Mimem a cachorra! Ninguém me mima. Ah, não! Eu sou apenas aquele que ganha o pão, para que me mimar, para quê, para quê, para quê!

— George — implorou a Sra. Darling —, não fale tão alto; a criadagem vai ouvir você.

Em algum momento eles haviam se acostumado a chamar Liza de criadagem.

— Que ouça — respondeu ele, com ousadia. — Chamem o mundo todo. Mas eu me recuso a permitir que essa cachorra cuide de meus filhos por mais um minuto.

As crianças choraram e Naná correu até o Sr. Darling, implorando, mas ele a afastou. Ele se sentiu um homem forte de novo.

— Tudo em vão! — gritou ele. — O seu lugar é no quintal, e é lá que você vai ficar amarrada.

— George, George — sussurrou a Sra. Darling —, lembre-se do que lhe contei sobre o garoto.

Mas ele não ouviu. Estava determinado a mostrar quem era o chefe da casa, e quando suas ordens não fizeram Naná sair de sua casinha, ele a atraiu para fora dizendo palavras carinhosas e agarrando-a com força, arrastando-a para fora do quarto das crianças. Ele estava com vergonha de si mesmo, mas ainda assim o fez. Era tudo por causa de seu temperamento afetuoso, que fazia com que ele buscasse por admiração. Depois de prendê-la o infeliz, sentou-se no saguão e limpou os olhos com os dedos.

Enquanto isso a Sra. Darling havia colocado as crianças na cama em um silêncio extraordinário e acendeu suas luzinhas. Eles podiam ouvir Naná latindo, e John resmungou:

— É porque ele a está prendendo no quintal.

Mas Wendy foi mais sábia.

— Esse não é o latido de tristeza da Naná — disse ela, sem imaginar o que estava prestes a acontecer. — Esse é o latido de quando ela sente o cheiro do perigo.

— Perigo!

— Você tem certeza, Wendy?

— Tenho sim.

A Sra. Darling estremeceu e foi até a janela. Estava bem fechada. Ela olhou para fora e a noite estava repleta de estrelas. Elas estavam amontoadas em volta da casa, como se estivessem curiosas para ver o que ia acontecer ali, mas ela não percebeu isso, nem que uma ou duas estrelas menores piscavam para ela. Ainda assim, um medo indefinido apertou seu coração e a fez chorar.

— Ah, como eu queria não ter uma festa para ir hoje!

Até mesmo Michael, já meio dormindo, sabia que ela estava incomodada, e perguntou:

— Alguma coisa pode acontecer com a gente, mamãe, depois que as luzinhas são acesas?

— Nada, meu anjo — disse ela. — As luzinhas são os olhos que a mãe deixa para trás para vigiar seus filhos.

Ela foi de cama em cama cantando encantamentos para cada um deles, e o pequeno Michael jogou os braços em volta dela.

— Mamãe — disse ele — sou feliz por ter você.

E essas foram as últimas palavras que ela o ouviu dizer durante um longo tempo.

O número 27 ficava a apenas alguns metros de distância, mas havia caído um pouco de neve e Papai e Mamãe Darling tiveram que desviar das poças para não molhar seus sapatos. Eles eram as únicas pessoas na rua e todas as estrelas estavam observando-os. Estrelas são lindas, mas não podem ser parte ativa em nada, precisam sempre ficar só olhando. É uma punição que recebem por algo que fizeram há tanto tempo que nenhuma estrela agora sabe o que foi. Por isso, as mais velhas ficam com os olhos vidrados e raramente falam (piscar é a língua das estrelas), mas as pequenas ainda se perguntam o porquê. Elas não são verdadeiras amigas de Peter, que tem um jeito levado de se aproximar de mansinho delas e tentar assoprá-las para ver se apagam; mas elas gostam tanto de diversão que estavam do lado dele nesta noite, ansiosas para tirar os adultos do caminho. Então, assim que a porta do número 27 se fechou depois que o Sr. e a Sra. Darling entraram, houve uma comoção no firmamento e a menor das estrelas da Via Láctea gritou:

— Agora, Peter!

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