Plano de Ataque: A História dos Voos de 11 de Setembro
Pra Dizer que Te Amo
Em seu primeiro telefonema para Deena, dado logo após o seqüestro, Tom Burnett não ficou sabendo dos ataques às Torres Gêmeas. Ela simplesmente não teve coragem de contar. Mas, na segunda ligação do marido, mesmo tendo noção de que isso pode significar o anúncio de uma sentença de morte, ela diz a ele o que aconteceu no World Trade Center.
Tom desliga e transmite a notícia para os passageiros e comissárias reunidos na parte dos fundos da classe econômica. Alguns se apressam em telefonar para seus parentes. A aeromoça Sandy Bradshaw, por exemplo, usando seu celular, liga para o marido, Phil, piloto da US Airways. Jeremy Glick, representante de vendas e ex-campeão de judô, chama, também pelo celular, sua mulher Lyz. Vários outros ligam e tomam conhecimento de mais detalhes dos atentados terroristas.
A sentença de morte vai se tornando uma convicção geral a bordo. Se não reagirem, não terão a menor chance de sobrevivência: o vôo 93 será lançado contra algum alvo no solo. Isso é óbvio.
Em Nova York, na Torre Sul do WTC, uma companhia do Corpo de Bombeiros já está no 70º andar, apenas oito abaixo da zona de impacto. Pessoas feridas, muitas delas horrivelmente queimadas, se arrastam penosamente pelas escadarias. Ao vê-las, alguns bombeiros fazem meia-volta e passam a descer com elas. Outros prosseguem subindo, entre eles o chefe de batalhão Orio Palmer.
Após ter vindo, num elevador manobrado manualmente por Tom Kelly, do térreo até o 40º andar, o maratonista Palmer, apesar dos 45 quilos em roupas e equipamentos que tem de suportar, prossegue, em passo acelerado, o caminho pelas escadas. É o primeiro bombeiro a chegar ao 78º, base do incêndio, onde a asa esquerda do UAL175 provocou enorme destruição.
— Temos numerosos 10-45, código 1 — diz Palmer, pelo rádio, para o posto de comando. Na linguagem oficial da corporação, 10-45, código 1, significa cadáver. A expressão é usada para não causar pânico em civis que, eventualmente, possam estar ouvindo a transmissão.
— Precisamos de mais homens aqui — pede Palmer.
Além dos mortos, há um grupo de sobreviventes preso em um elevador. Usando pés-de-cabra, Palmer e alguns colegas que acabam de chegar os libertam. Orio Palmer vasculha a área. Descobre uma escada rolante, parada, que dá no 79º. Através dela, o chefe vê que o incêndio no andar de cima é devastador. Assim mesmo, resolve subir para ver se há alguém vivo por lá. Com suas botas especiais, refratárias ao calor, ele pisa nos degraus de metal quase incandescentes.
Ron di Francesco, que subiu do 84º para o 91º, e regressou ao 78º, recupera-se de um início de intoxicação por fumaça. Seu corpo tem diversas queimaduras, resultado da passagem pela zona de impacto. Ele tenta ignorar a dor e desce velozmente o lance A de escadarias, em meio à água lamacenta que escorre pelos degraus, causada pela poeira e pelo esguicho dos sprinklers. Já está no 60º.
Brian Clark, o bombeiro voluntário da Euro Brokers, e Stanley Praimnath, do Banco Fuji, salvo por ele, encontram-se vinte andares abaixo de Francesco. Não fosse o enorme tráfego de pessoas, bombeiros, policiais e paramédicos subindo, sobreviventes descendo, Clark e Praimnath já poderiam estar na rua.
O único elevador das duas torres que continua funcionando é o operado por Tom Kelly, indo e vindo entre o térreo e o 40º andar. Kelly sente que, a qualquer momento, a corrente elétrica da casa de máquinas poderá ser interrompida.
Ele morre de medo de ficar preso no poço. Mas não tem como largar o posto e sair do prédio, com tantos feridos para serem retirados.
Para complicar sua situação, um tenente, José Leavey, pede-lhe para pôr em ação um elevador que possa fazer o percurso entre o 40º e o lobby intermediário do 78º.
Para sua própria surpresa, Kelly consegue fazer o segundo elevador funcionar. E volta para o seu. Só que este, numa das descidas, fica preso entre dois andares.
Na Torre Norte, Abe Zelmanowitz e seu amigo tetraplégico Ed Beyea estão há uma hora no patamar das escadas no 27º andar, agora vazio. Estão aguardando uma equipe para descer com Beyea até o térreo. Eles têm a companhia de um bombeiro, Rich Billy, que interrompeu sua subida ao ver os dois homens esperando socorro. Billy sugere que Zelmanowitz vá descendo na frente, por ser muito pesado. Promete cuidar de Beyea.
Abe insiste em ficar ao lado de Ed, até que todos possam descer juntos. Os sobreviventes que passam, em sua rota de fuga, pelos três homens, dirigem-lhes palavras de encorajamento. Mas ninguém pára para ajudá-los.
Oitenta metros abaixo, Chris Young, o dançarino da Marsh & McLennan, continua preso no elevador. Consegue falar pelo interfone pela segunda vez. A pessoa que o atende diz que passageiros libertados de outro elevador falaram a respeito dele ao pessoal da Segurança. Young espera. E espera. Nada acontece. Para piorar as coisas, o interfone fica mudo.
Em Washington, o vice-presidente Dick Cheney encontra-se no abrigo subterrâneo da Casa Branca. As instalações de sua sala no local são precárias: um banco, um telefone e um aparelho de televisão. E é pela TV que Cheney fica sabendo que um terceiro avião acaba de atingir o Pentágono, a pouco mais de 3 quilômetros dali. A tela exibe imagens de uma coluna de fumaça saindo da ala oeste do prédio. Cheney pede uma ligação para Bush.
Em Sarasota, na Flórida, já a bordo do Força Aérea no 1, um Boeing 747-200B, que se movimenta pela pista de taxiamento do aeroporto, o presidente atende o vice.
— Alguém vai pagar pelo que está acontecendo — Bush desabafa.
Minutos depois, com Bush e Cheney ainda conversando, o enorme Jumbo presidencial decola do aeroporto de Sarasota/Bradenton. Destino: ninguém sabe.
Desde fevereiro de 1943, quando o presidente Franklin Delano Roosevelt, em plena Segunda Guerra Mundial, usou o primeiro Força Aérea no 1 — um hidroavião quadrimotor a pistão Boeing 314, de dois andares, num vôo entre Washington e Casablanca, na África —, é a primeira vez na história que a aeronave presidencial decola sem que ninguém, nem mesmo o piloto, saiba para onde está indo.
Bush quer ir para Washington. Mas os agentes do Serviço Secreto, o vice Cheney e diversos assessores são contra, por razões de segurança. Depois de algumas discussões, chegam a um consenso: subir. Subir simplesmente para estar nos céus, quanto mais alto e mais cedo melhor.
No Centro de Comando da FAA (Administração Federal de Aviação), em Herndon, Virgínia, as atenções se concentram em outro Boeing: o 757 que faz o vôo UAL93. Este agora se desloca sobre o leste de Ohio, no sentido contrário ao de sua rota programada, e nitidamente em direção à capital, Washington. Tudo indica que seu destino é o mesmo dos outros três: chocar-se contra um prédio-símbolo americano.
Com o Pentágono já atingido, as preocupações agora se dividem entre a Casa Branca e o Capitólio. Em Herndon, alguém pergunta se foram providenciados caças da Força Aérea para interceptar o vôo 93.
— Isso é lá em cima — um funcionário aponta para o alto, como se dissesse: “Abater um avião de passageiros, só se a ordem vier de Deus.”
Enquanto “Deus”, indeciso, volteia os céus da península da Flórida a bordo do Força Aérea no 1, sem saber para onde ir, 1.200 quilômetros ao norte, desde as 9h41 o transponder do United 93 está desligado. A aeronave agora só pode ser vista, nas telas de radar, através dos blips primários. A tarefa já não é tão complexa, como foi nos primeiros seqüestros da manhã, porque os céus dos Estados Unidos da América se esvaziam rapidamente.
— O vôo 93 está 30 minutos fora de Washington — informa um dos controladores de Herndon. — Vinte e nove, agora. Eles estão 20 milhas a noroeste de Johnstown, Pensilvânia.
Em San Ramon, Califórnia, Deena Burnett, após ter falado por duas vezes, ao telefone, com seu marido Tom, assiste à CNN.
A tela mostra imagens de Washington, com uma coluna de fumaça se erguendo de algum lugar, ao fundo da cena. Ouve-se a voz, em off, de uma apresentadora:
— Um terceiro avião acaba de colidir com o Pentágono.
Como não dão o número do vôo, Deena pensa, não sem uma boa dose de lógica, que é o de Tom. Sofre um ataque histérico, para grande aflição das meninas, Halley, Madison e Anna Claire, que correm para junto da mãe.
O telefone volta a tocar. É Tom de novo. Deena pensa, agora sem nenhuma lógica, que o marido sobreviveu à queda. Sente enorme alívio.
— Deena, nós continuamos no ar — a felicidade dela dura pouco.
— Você está bem?
— Não, não estou.
— Tom, eles agora atacaram o Pentágono.
Tom Burnett fica alguns segundos em silêncio, processando a informação.
— Devem ser missões suicidas. Nós vamos ter que agir — ele diz.
— Volto a chamar você daqui a pouco.
— Posso fazer alguma coisa?
— Reze, Deena, reze!
Também passageiro do vôo 93, Edward Felt, 41, casado, pai de duas crianças, com medo de ser surpreendido pelos seqüestradores, entra num dos banheiros da econômica, para fazer uso do celular. Disca 911, dos Serviços de Emergência.
— Meu nome é Edward Felt.
— Felt? Pode soletrar, senhor?
— F-E-L-T. Estou no vôo 93. O avião foi seqüestrado.
— Por gentileza, preciso de mais dados.
— United Airlines, vôo 93, de Newark para São Francisco. Nós estamos...
De repente, Felt sente a inutilidade de tudo aquilo. Não há ninguém no mundo que possa ajudá-los. Edward Felt olha tristemente para o aparelho em suas mãos e usa o polegar esquerdo para teclar “END”.
Mark Bingham, o empresário e jogador de rúgbi que foi expulso, pelos seqüestradores, da cabine de primeira classe junto com Tom Burnett, usa seu cartão de crédito para falar, através do airphone, com sua mãe, Alice Hoglan, de 51 anos.
Alice é uma mulher de fibra que já foi de tudo um pouco na vida, inclusive comissária de bordo e coelhinha de um dos clubes Playboy. Ela está na casa de um irmão, em Saratoga, Califórnia, ajudando sua cunhada, Katie, a tomar conta de trigêmeos recém-nascidos. São 6h44 da manhã, hora local, e Alice cuida de um dos bebês. Pela pressa com que a chamam ao telefone, ela desconfia de algo sério. Corre para atender a ligação.
— Mamãe, aqui é Mark Bingham — ele jamais se identificou, à própria mãe, usando nome e sobrenome. Se segundos antes desconfiou, Alice Hoglan agora tem certeza de que seu filho está com algum problema sério.
— Só quero dizer que te amo — Bingham prossegue. — Estou num vôo para São Francisco, tem uns caras a bordo. Eles seqüestraram o avião e estão ameaçando a gente com uma bomba.
No UAL93, há um airphone em cada grupo de três assentos. Mas o sistema só permite oito chamadas simultâneas. Com muitos passageiros querendo telefonar ao mesmo tempo, a ligação de Mark Bingham para sua mãe é uma das que cai.
Alice liga a televisão, para saber se estão falando a respeito do avião do filho. Só então, a família, até este momento toda envolvida com a rotina cansativa dos trigêmeos, fica sabendo dos ataques ao World Trade Center. Alice Hoglan descobre que o problema de Mark é apenas parte de um contexto muito maior.
Jeremy Glick, que deveria ter voado na véspera, mas desistiu, usa o celular para ligar para a casa de seus sogros, nas montanhas Catskill, onde está sua mulher, Lyz, e a filha de três meses do casal, Emmy.
JoAnne Makely, sogra de Jeremy, que assiste, pela CNN, junto com toda a família, aos acontecimentos em Nova York, atende o telefone.
— Jeremy — JoAnne respira aliviada —, graças a Deus é você. Nós estávamos tão preocu…
— Tenho más notícias — ele a interrompe. — Pode chamar a Lyz?
Glick conta, para a mulher, tudo que aconteceu no vôo.
— Acho que os seqüestradores são do Oriente Médio — ele prossegue. — Iranianos, uma coisa assim. Estão com faixas vermelhas na testa. Mandaram todo mundo para a traseira do avião. Eles… eles têm uma caixa, amarrada com um fio vermelho. Disseram que é uma bomba.
— Vai ficar tudo bem — no início, Lyz Glick consegue controlar o pânico.
— Um passageiro aqui está dizendo que dois aviões bateram no World Trade Center — Jeremy Glick se refere a Tom Burnett. — É verdade?
Nenhuma resposta. Jeremy ouve apenas a respiração descompassada de Lyz.
— É verdade? — ele insiste na pergunta.
— É — finalmente ela responde.
— Você acha que o nosso também está indo para lá?
Lyz Glick dá uma risadinha nervosa e totalmente extemporânea.
— Não — ela diz. — Vocês devem estar indo para outro lugar. O World Trade Center não precisa mais. Já foi destruído.
Lauren Grandcolas, da revista Good Housekeeping, grávida de três meses, já ligou uma vez, pelo celular, do aeroporto de Newark, para o marido Jack, em San Rafael, na Califórnia, avisando-o de que iria pegar um avião mais cedo. Deixou recado na secretária eletrônica. Agora ela o chama novamente.
São 6h45 da manhã na Costa Oeste. Jack continua dormindo, sem ter a menor idéia dos ataques ao país.
— Jack, atende, Jack — Lauren tenta acordá-lo. — Atende. Preciso falar com você, sobre um negócio que aconteceu aqui no avião.
Como Jack não acorda, ela prefere não assustá-lo. Nada diz sobre o seqüestro e desliga. Liz Wainio, do Discovery Channel, sentada na poltrona ao lado, pede emprestado o celular de Lauren.
— Claro, querida, claro. Ligue também para a sua família.
Liz consegue falar com a madrasta, Esther Heymann, a quem chama de mãe, e que está em casa, na cidade de Baltimore.
— Oi, mãe, nós fomos seqüestrados. Estou telefonando para dizer adeus e também para dizer que amo vocês.
Esther fica um tempão engolindo em seco. Finalmente, reúne forças para responder:
— Nós também amamos você, querida. Meus braços estão ao seu redor.
As duas emudecem, ouvindo cada qual os soluços contidos da outra.
Não há desespero. Apenas uma profunda melancolia, de parte a parte.
— Não sei como isso vai terminar — Liz quebra o silêncio. — Mas, do lado de fora da janela, o céu está lindo.
Usando um dos airphones, a comissária Sandy Bradshaw fala primeiro com um dos escritórios da United Airlines, em São Francisco. Diz que o vôo foi seqüestrado e que a chefe de equipe Debbie Welsh foi morta pelos seqüestradores, que alegam ter uma bomba. Em seguida, Sandy liga para o marido, Phil, em Greensboro, na Carolina do Norte.
Phil Bradshaw, que acompanha, pela televisão, os incêndios nas Torres Gêmeas, procura se controlar. Pede à mulher informações mais precisas, para que ele, como aviador, possa avaliar melhor as coisas.
— Quem está pilotando o avião? — ele pergunta.
— Não sei.
— Onde vocês estão? — Phil mantém a voz pausada.
— Não sei.
— Tem algum rio aí embaixo? Vocês estão voando em que direção?
— Não sei, Phil. Não sei — ela começa a ficar nervosa.
— Calma, Sandy. Olhe pela janela. Onde está o sol?
— Bem na nossa frente.
— Então vocês estão indo para leste.
Sandy Bradshaw, que perdia as esperanças de sair viva da situação, não quer mais falar da parte prática.
— Eu amo você, Phil.
— Eu também, Sandy, mas…
Ela o atropela:
— Cuide das crianças. Cuide da educação delas.
— Não fale isso, Sandy. Nós vamos criá-las juntos — a voz de Phil Bradshaw não revela a menor convicção. Apenas a enorme angústia que sente.
CeeCee Lyles, colega de Sandy Bradshaw na classe econômica, tenta, mas não consegue, falar com o marido, o policial Lorne Lyles, em Fort Myers, na Flórida. Ele chegou do turno da noite às 7h30 da manhã e despencou na cama. A ligação de CeeCee cai na secretária eletrônica.
— Oi, meu amor. Presta atenção. Meu vôo foi seqüestrado. Estou falando do avião. Pra dizer que te amo. Por favor, diga pras minhas crianças que eu as amo muito e que lamento tudo isso. Eu… eu não sei mais o que dizer. Estou tentando manter a calma. Nós todos estamos tentando manter a calma. Um passageiro disse que jogaram aviões no World Trade Center. Tomara que eu possa ver… ver seu rosto de novo, meu amor — a guerreira começa a chorar. — Adeus.
Na véspera, Todd Beamer chegou de Roma com sua mulher, Lisa. Agora, sentado na 10a fila da classe econômica, com um aparelho de airphone à frente, ao saber que dois aviões se chocaram contra o WTC, resolve ligar para casa. Usa o cartão de crédito para tirar o telefone do encaixe. Disca.
Em Cranbury, Nova Jersey, Lisa ouve a campainha soar apenas uma vez e parar. Não chega a pegar o aparelho. Logo depois, o telefone toca de novo. Também uma vez apenas. Lisa quase tem o marido ao alcance, sem saber que é ele.
Com as linhas do airphone estranguladas, a terceira tentativa de Todd Beamer é transferida automaticamente para o Centro de Atendimento de Clientes da Verizon Airphone, em Oakbrook, Illinois, subúrbio de Chicago, onde uma operadora da Estação 15 a pega.
Assim que Beamer dá as primeiras explicações, a moça, que já sabe o que está acontecendo na Costa Leste, sente o peso da responsabilidade.
— Tenho uma pessoa na linha que está em mais um avião seqüestrado. É o vôo 93, da United Airlines — diz ela à sua supervisora, Lisa Jefferson, uma veterana com 18 anos de empresa.
Mais do que depressa, Lisa Jefferson assume a ligação.
— Meu nome é Jefferson. Então seu avião foi seqüestrado. O senhor poderia dar mais detalhes? — Lisa, que confirma na tela de seu computador que a chamada vem de um vôo da United, lembra-se das instruções de seu manual de conduta em casos de emergência.
— Preciso saber o número de pessoas a bordo, quantos seqüestradores são, quais as suas armas — ela continua.
— O número exato, eu não sei — responde Beamer. — Mas o avião está bem vazio. Eles… os seqüestradores… eles já mataram algumas pessoas lá na frente… Estão armados de facas e canivetes.
Beamer também acha que tudo que está acontecendo é parte de um mesmo complô e que suas chances de morrer são enormes. Não quer partir sem deixar uma mensagem final para sua mulher, Lisa, para David, 3 anos, para Andrew, 1 ano e meio, e para a menininha que vai nascer em janeiro.
E, assim, Todd Beamer passa a contar para uma desconhecida, outra Lisa, Lisa Jefferson, sua própria história e a narrar a história do vôo 93, pelo menos a daquela manhã, pois a história completa começou na Alemanha, em 1996, quando um estudante libanês, moderno e liberal, chamado Ziad Jarrah, então com 21 anos, após ter passado a maior parte de sua vida no Oriente Médio, sem ser influenciado por fundamentalistas islâmicos, foi finalmente dobrado pelos extremistas da mesquita Quds, em Hamburgo.
Agora, cinco anos depois, no cockpit do UAL93, Ziad Jarrah, noivo da turca Aysel Senguen, acaba de sintonizar, no VOR (sistema onidirecional de radionavegação), a freqüência de auxílio do Aeroporto Nacional Reagan, em Washington. Ato contínuo, basta reprogramar o piloto automático, inserindo o curso determinado pelo VOR. Isso levará o Boeing até a capital do país, onde Jarrah pretende lançá-lo sobre a colina do Capitólio.
Dez minutos mais tarde, os moradores de diversos condados do sul da Pensilvânia ouvem um estrondo, captado também pelos sismógrafos da região. Um caça F-16, da Base Aérea de Langley, Virgínia, rompe a barreira do som voando ao encontro do United 93.
À esquerda: o bombeiro Tom Kelly, que transportou bombeiros e feridos num elevador entre o térreo e o quadragésimo andar durante a operação de resgate na Torre Sul.
À direita: o chefe de bombeiros Orio Palmer, um exímio corredor de maratona.