Poemas

Júlio Dinis · Capítulo 10 de 93

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Poemas

Metamorfose

Repara: — a imóvel crisálida

Já se agitou inquieta,

Cedo, rasgando a mortalha,

Ressurgirá borboleta.

Que misteriosa influência

A metamorfose opera!

Um raio de Sol, um sopro

Ao passar, a vida gera.

Assim minha alma, ainda ontem

Crisálida entorpecida,

Já hoje treme, e amanhã

Voará cheia de vida.

Tu olhaste — e do letargo

Mago influxo me desperta;

Surjo ao amor, surjo à vida,

À luz de uma aurora incerta.

1 de Maio de 1860.