Poemas

Júlio Dinis · Capítulo 20 de 93

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Poemas

O Destino da Lira

Cantar o amor é destino

Quando o seio pulsa ardente,

Quando no nosso horizonte

Surge a imagem resplendente

De um sol que a aridez da vida

Transforma em jardim florente.

Mas quando a chama se extingue,

Que no peito nos ardia,

A lira não canta amores,

Nem os sonha a fantasia;

Então natureza e pátria

Só nos inspiram poesia.

Depois, os anos declinam

Como o Sol no azul dos céus;

E quando a noite da vida

Já nos estende seus véus,

Todos os cantos da lira

São consagrados a Deus!

12 de Agosto de 1860.