Poemas

Júlio Dinis · Capítulo 33 de 93

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Poemas

A Vida

A alvorada foi risonha;

Ergueste-te como o dia,

Eu fiz, naquela alvorada,

Uma alegre profecia.

Inda radiava fulgente

Vénus, a saudosa estrela,

Já tu ornavas as trancas

E cantavas à janela.

E dos laranjais vizinhos

Os rouxinóis acordados

Respondiam-te com trinos Da tua voz namorados.

Dos virentes jasmineiros,

Que a Primavera enflorava,

Vinha cheio de perfumes

O vento que te beijava.

Quem dissera então ao ver-te

Nessa risonha alvorada,

Que a noite, estrela cadente,

Serias inanimada?

1870.