Poemas
Dispersas
As riquezas deste mundo
Para mim não têm valor;
Eu sou rica nos teus braços,
Sou rica do teu amor.
De: Uma Família Inglesa.
Dorme, filho, que eu vigio,
E enquanto dormes, sorri;
Que a tua porção de lágrimas
Eu as chorarei por ti.
De: Uma Família Inglesa.
Aquele que tanto amei
Esqueceu meu pensamento
Como o rio esquece as rosas
Que retratou um momento.
De: Justiça da sua Majestade.
O amor que me juraste
Bem cedo o vi acabar,
Foi fumo de labareda
Que já se desfez no ar.
De: Justiça da sua Majestade.
O teu amor era falso,
Teve pouca duração.
Mas deixou mágoas eternas
No meu pobre coração.
De: Justiça da sua Majestade.
Flor dos campos, flor singela,
Pra quem guardas tuas cores?
Deus criou-te entre verdores
Só para os campos enfeitar?
Desconhecem-te a beleza
Outras flores que ta invejam
E as brisas, se te bafejam,
Não o sabem revelar.
Há tanto que corro os prados
Por sobre viçosas relvas!
Tantas flores pelas selvas,
Tantas no monte encontrei!
Há tanto! e porque só hoje,
Alva cecém da campina,
Quis a minha ingrata sina
Que te encontrasse? Não sei.
Não sei. O peito agitado
Os seus segredos não revela.
Se ao ver-te foi minha estrela,
Se é sorte pensar em ti...
Pensarei, sim; tua imagem
Há de seguir-me incessante,
Em ti só, flor vicejante,
Pensarei, já que te vi.
A noite nos arvoredos
Onde formas vaporosas Vagueiam misteriosas,
Irei procurar-te, a sós.
De manhã, quando no outeiro
Surja a chama matutina,
Já o teu nome, Paulina,
Repetirá minha voz.
De: As apreensões de uma mãe
Mais vida! Meu Deus, mais vida!
Que a chama ainda arde violenta!
E a alma, de viver sedenta,
Outros sonhos concebeu.
De: As apreensões de uma mãe
Vem livrar-me com os teus olhos
Que eu por eles me perdi;
Dá-me a vida com os teus beijos,
Já que por beijos morri.
De: As Pupilas do Sr. Reitor.
Caçador, que vais à caça,
Muito bem armado vais;
Os olhos levas por armas,
E, em vez de tiros, dás ais.
Singular caçada a tua,
Arrojado caçador,
Que, em lugar de penas de aves,
Só trazes penas de amor.
De: As Pupilas do Sr. Reitor.
Meia-noite, tudo dorme;
Só eu não posso dormir;
Pois não me deixa este amor,
Que me fizeste sentir.
Este amor, que é minha vida,
Vida do meu coração,
Atrás do qual meus suspiros
E meus pensamentos vão.
De: As Pupilas do Sr. Reitor,
Se estás mais perto do Céu
Nestas alturas da serra,
Ai, porque tens, peito meu,
Inda saudades da Terra?
Em vez de erguer os olhares
À luz deste firmamento,
Desço-os à sombra dos lares,
Onde tenho o pensamento.
De: A Morgadinha dos Canaviais.