Poemas

Júlio Dinis · Capítulo 66 de 93

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Poemas

Dispersas

As riquezas deste mundo

Para mim não têm valor;

Eu sou rica nos teus braços,

Sou rica do teu amor.

De: Uma Família Inglesa.

Dorme, filho, que eu vigio,

E enquanto dormes, sorri;

Que a tua porção de lágrimas

Eu as chorarei por ti.

De: Uma Família Inglesa.

Aquele que tanto amei

Esqueceu meu pensamento

Como o rio esquece as rosas

Que retratou um momento.

De: Justiça da sua Majestade.

O amor que me juraste

Bem cedo o vi acabar,

Foi fumo de labareda

Que já se desfez no ar.

De: Justiça da sua Majestade.

O teu amor era falso,

Teve pouca duração.

Mas deixou mágoas eternas

No meu pobre coração.

De: Justiça da sua Majestade.

Flor dos campos, flor singela,

Pra quem guardas tuas cores?

Deus criou-te entre verdores

Só para os campos enfeitar?

Desconhecem-te a beleza

Outras flores que ta invejam

E as brisas, se te bafejam,

Não o sabem revelar.

Há tanto que corro os prados

Por sobre viçosas relvas!

Tantas flores pelas selvas,

Tantas no monte encontrei!

Há tanto! e porque só hoje,

Alva cecém da campina,

Quis a minha ingrata sina

Que te encontrasse? Não sei.

Não sei. O peito agitado

Os seus segredos não revela.

Se ao ver-te foi minha estrela,

Se é sorte pensar em ti...

Pensarei, sim; tua imagem

Há de seguir-me incessante,

Em ti só, flor vicejante,

Pensarei, já que te vi.

A noite nos arvoredos

Onde formas vaporosas Vagueiam misteriosas,

Irei procurar-te, a sós.

De manhã, quando no outeiro

Surja a chama matutina,

Já o teu nome, Paulina,

Repetirá minha voz.

De: As apreensões de uma mãe

Mais vida! Meu Deus, mais vida!

Que a chama ainda arde violenta!

E a alma, de viver sedenta,

Outros sonhos concebeu.

De: As apreensões de uma mãe

Vem livrar-me com os teus olhos

Que eu por eles me perdi;

Dá-me a vida com os teus beijos,

Já que por beijos morri.

De: As Pupilas do Sr. Reitor.

Caçador, que vais à caça,

Muito bem armado vais;

Os olhos levas por armas,

E, em vez de tiros, dás ais.

Singular caçada a tua,

Arrojado caçador,

Que, em lugar de penas de aves,

Só trazes penas de amor.

De: As Pupilas do Sr. Reitor.

Meia-noite, tudo dorme;

Só eu não posso dormir;

Pois não me deixa este amor,

Que me fizeste sentir.

Este amor, que é minha vida,

Vida do meu coração,

Atrás do qual meus suspiros

E meus pensamentos vão.

De: As Pupilas do Sr. Reitor,

Se estás mais perto do Céu

Nestas alturas da serra,

Ai, porque tens, peito meu,

Inda saudades da Terra?

Em vez de erguer os olhares

À luz deste firmamento,

Desço-os à sombra dos lares,

Onde tenho o pensamento.

De: A Morgadinha dos Canaviais.