Poemas

Júlio Dinis · Capítulo 30 de 93

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Poemas

Quinze Anos

(NO ÁLBUM DO MEU AMIGO J. M. NOGUEIRA LIMA)

Que são quinze anos, quando a virgem cora? Quando, já triste, na solidão vagueia?

Que são quinze anos, se ao surgir da aurora, A embala em sonhos embriagante ideia?

Se ao fim da tarde, em languidez caída,

Do peito sente o palpitar inquieto,

E aspira, ansiosa, mas ardente vida,

Vida de amores, de paixões, de afeto?

Que são quinze anos, quando um sangue ardente No peito infunde abrasadora lava?

Quando aos assomos da paixão nascente, A alma da virgem se submete escrava?

Ai, quantas vezes nesses jovens seios

Se esvai bem prestes a infantil bonança?

Quantas se ocultam juvenis enleios,

Nas aparências de pudor, criança?

Vês a palmeira, que no nosso clima

Arbusto humilde, um vendaval derruba,

Como nas plagas, que o calor anima,

Eleva altiva a majestosa juba?

A mesma vida, que recebe a planta

Nessas paragens onde o Sol dardeja,

O amor, o astro que a existência encanta, A mesma vida ao coração bafeja.

E tu, que deixas os pueris folguedos,

Como a grinalda que esfolhada viste,

E erras em choro por jardins e olmedos,

Ai, virgem, virgem, já o amor sentiste.

Já o aspiraste, percorrendo a relva,

Entre perfumes de violeta e rosas;

Falou-te dele o rouxinol na selva,

E a estrela em noites de Verão formosas.

Falou-te dele a matutina brisa,

Por entre as folhas sussurrando meiga;

No prado a linfa, que a correr desliza,

E a borboleta nos rosais da veiga.

Falou-te dele esta gentil paisagem,

O azul dos céus, a secular floresta.

Esse o mistério que em subtil linguagem

Às virgens conta a natureza em festa.

Ouvindo, pois, as namoradas falas,

Que eu delirante te falei, donzela,

O que receias? porque assim te calas,

Rubra de pejo, que te faz mais bela?

Esconde a cara no meu peito, esconde,

Mas não hesites ao dizer-me que amas.

Que são quinze anos, linda flor? responde, Quando o teu seio se devora em chamas?