Poemas

Júlio Dinis · Capítulo 4 de 93

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Poemas

O Segredo Destas Lágrimas

Quem te disse o segredo destas lágrimas, Pra assim me consolares?

Quem te disse que a dor que me angustiava Cedia aos teus olhares?

Criança, onde aprendeste essa ciência,

Ignorada de tantos?

Algum anjo do Céu é quem te inspira

Do conforto os encantos?

Oh! Vem, vem junto a mim com os teus sorrisos Livrar-me destas trevas,

Rir-te do meu ar lúgubre, falar-me, Vem, que só tu me enlevas.

Protegido por ti em círculo mágico,

Desafio a tristeza,

Que onde a infância se mostra tudo folga, Homens e natureza;

Para ti, para a tua idade descuidosa

Semeou Deus as flores,

Deu-te o cantar das aves por cortejo,

Deu-te o Céu por amores.

Vem, pois, os teus cabelos de ouro puro

A pousar-me na cara,

Como os raios do Sol cingindo as serras

Ao surgir no horizonte.

Vem, que junto de ti nem compreendo

Estes falsos tormentos;

Mensageira celeste, sê bem-vinda,

Longe meus pensamentos!

Quando, baixando o rosto, os olhos pousam Em sorrisos de infantes,

Esquece-se o infortúnio, os risos voltam

E erguemo-nos radiantes.

Assim como nos rimos dos teus ogos,

Tu ris das nossas penas;

Ambos somos crianças, variando

O nosso brinquedo apenas.

Tu criaste uma vida imaginária

Que cede à fantasia.

Nós com a vida real também brincamos,

Porém sem alegria.

3 de Junho de 1862.