Poemas
O Destino das Flores
Um dia em que ambos nós, sobre a mesa do estudo Numa noite hibernai, da lâmpada ao clarão, Ele curvado a ler, eu a escutá-lo mudo,
Seguíamos com pausa, atentos, a lição.
Inda me lembro bem! Falávamos das plantas, De sua curta vida e a sua amena cor,
Tantas pelos vergéis e pelos montes tantas, Que vivem, fenecendo após aberta a flor!
— «Triste destino o seu», disse ele com voz lenta, Pousando com tristeza a cara sobre a mão, — «Deus as manda florir, de seiva as alimenta, Mas cedo com as flores caem murchas no chão.»
Triste destino o teu, ao delas semelhante, Pobre alma de poeta! Oh! que destino o teu! Deus te mandou cantar e o canto vacilante Na Terra começado acabaste-o no Céu.
28 da junho de 1882.