Poemas

Júlio Dinis · Capítulo 22 de 93

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Poemas

Solta aos ventos as trancas douradas

NOVA VÉNUS

Solta aos ventos as trancas douradas,

Meiga filha das bordas do mar,

E no meio das vagas iradas

Solta aos ventos o alegre cantar.

Não, não temas as nuvens sombrias.

Que uma a uma se elevam d'além,

Que rodeado d'amor e alegrias,

O teu céu dessas nuvens não tem.

Canta sempre; de noite às estrelas,

De manhã ao luzir do arrebol,

Ao passarem no mar as procelas, Ao sorrir aos outeiros do sol.

Canta sempre, ó alcíone destas vagas,

Nova filha da espuma do mar,

Canta sempre, e eu sentado nas fragas,

Voltarei para ouvir-te cantar.

28 de Fevereiro de 1863.