Poemas

Júlio Dinis · Capítulo 93 de 93

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Poemas

Primavera

Nota: Última carta em verso que Júlio Dinis dirigiu a José Joaquim Pinto Coelho. Era desta maneira que festejava os aniversários do seu primo.

«Veste-se a planta de flores

Quando a Primavera assoma;

E a espessura de verdores

Perfuma com o seu aroma.

«Mas nem sempre a mesma vida

Transluz nas flores abertas;

Uma seiva empobrecida

Só lhes dá cores incertas.

«Todos os anos floresce,

Ao despertar este dia,

A planta que, ignota, cresce,

Da minha pobre poesia.

«Porém, desta vez, roçada

Do mal, pela mão funesta,

Uma flor só, desmaiada,

Abriu para a tua festa.

«Mas seja o tributo pago,

Embora com pobre oferta;

Essa mesma aí a trago,

Desbotada e mal aberta.»

1866.

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