Se Eu Não Te Vir Primeiro
Capítulo 13
TREZE
quase uma da tarde de sábado e estou a bordo do Serviço Silencioso de Transporte da tia Celia para o shopping. Houve um momento constrangedor quando ela sugeriu que a Sheila fosse comigo, mas, antes que eu pudesse abrir a boca, Sheila disse “Não posso, dever de
casa” e correu para cima. Minha descrença só foi silenciada pela minha concordância de não querê-la junto. A conversa sobre eu sair para um encontro e o Jason me levar para casa de carro levou mais tempo, mas no
m cou combinado que eu prometia responder a quaisquer mensagens de
texto e chegar em casa às dez. Reclamei sobre essa última parte, mais pra dar um show. Vou encontrar com o Jason às cinco, então ainda é bastante tempo.
Por alguma razão, não cruzei mais com o Jason nem quinta, nem sexta. Provavelmente, ele estava nas provas ou, pelo menos, na pista de corrida. Prometi a mim mesma que não ia car perambulando, torcendo para ele me ver, e não posso procurá-lo sem sair perguntando. Conversei com o treinador Underhill de novo e decidimos nos encontrar em uma semana, contando da segunda-feira, depois de ter acabado o caos das provas e dos resultados, para falar do que poderíamos fazer. Mas depois do meu tombo estou ainda mais em dúvida sobre a coisa toda.
Foi só na noite de quinta-feira que percebi que o Jason e eu não tínhamos os celulares um do outro, mas me convenci de que se alguma coisa tivesse mudado, ele teria me encontrado. Na noite de sexta eu já não estava tão certa. Logicamente, tudo estava bem, mas estaria mentindo se dissesse que eu mantinha a lógica o tempo todo. A Sarah tentou ajudar falando casualmente a respeito, mas a Sarah sair da personagem dela para falar casualmente de qualquer coisa me deixa ainda mais ansiosa.
Mas, apesar de toda incerteza, estou surpreendentemente otimista. Sarah e Faith estão me esperando no meio- o e a tia Celia se afasta sem despejar mais regras, lembretes ou qualquer coisa assim.
Estou passada com a esquisitice do quanto esse passeio é tão trivial e, ainda assim, tão extraordinário. Eu vejo amigos todos os dias, e a gente conversa e manda muitas mensagens fora da escola – embora na maior parte seja entre a Sarah e eu –, mas a gente di cilmente sai para fazer alguma coisa. Muito disso sou eu não querendo me incomodar com cinema, restaurantes e tudo isso, mas costumávamos fazer mais coisas quando éramos crianças e os nossos pais nos levavam de carro e organizavam programas. Parou quando entramos no ensino médio.
Sarah diz que é minha culpa, não só porque sou cega, mas também porque eu mudei quando o Scott acabou com qualquer esperança que eu tinha de con ar num cara que não fosse o meu pai, palavras dela. Eu não nego, mas não falamos do divórcio dos pais dela, que aconteceu perto da mesma época, e de como o pai dela basicamente desapareceu. Isso diminuiu muito o brilho dela. Uma vez eu falei que aquilo quebrou o depositório de risadas dela e a conversa acabou tão rápido que prometi para mim mesma que nunca mais ia trazê-la à tona. Mas eu escutei uma nota de interesse verdadeiro na voz dela quando falamos de ir ao shopping com a Faith, então estou esperando o melhor, que depois a gente vai se arrepender por ter passado tanto tempo sem fazer isso.
– Você não vai direto daqui pra um encontro? – pergunta Faith.
– O que tem de errado com isso? – Estendo os braços, devagar para não bater em nada. Estou de calça jeans com uma camiseta de gola azul-escura de algodão, ambas justas, em vez de mais confortáveis e um número maior, como costumo usar. Estou usando meu lenço de Folhas de Outono, a nal de contas é outono, e vestindo o colete do exército com os broches, é claro.
– Por onde eu começo? Pela pilha de folhas na sua cabeça e vou descendo – diz ela –, ou dos pés à cabeça, começando com esses tênis pretos de basquete?
– Foi o Jason que me vendeu esses tênis! E eles não são de solado alto, são de corrida!
– Talvez a gente possa descolar alguma coisa pra você aqui. Algo menos…
– Eu não vou me trocar! – Embora eu olhe para o futuro e suspeite que deva.
– Aí vem a Molly – informa Sarah. – Ela parece bem chateada. E não está sozinha.
– E aí – cumprimenta Molly. Para mim, ela não parece chateada. Está mais para resignada. – Parker, Sarah, Faith… essa é a minha irmã, Danielle.
– Podem me chamar de Dani – diz uma voz mais aguda que não se parece nem um pouco com a da Molly. – Eu cheguei hoje de manhã cedinho e tenho que pegar algumas coisas. Vocês se incomodam se eu for junto?
– É claro que não – responde Faith, absolutamente sincera ou ngindo brilhantemente; a única de nós educada o su ciente para responder imediatamente e salvar a todas de um silêncio constrangedor esperando alguém mais responder. – Quanto mais, mais divertido. Você está fora na universidade ou…?
– O quê? Não! – gargalha Dani. – A inteligente é a Molly.
– E a Dani é a bonita – comenta Molly, como se já tivesse dito isso antes um milhão de vezes.
Dani gargalha de novo.
– Isso não é verdade! Eu só tenho um exército de especialistas me arrumando o tempo inteiro. É um trabalho difícil, acreditem!
E partimos. Dentro do shopping, com a Faith e a Dani na frente, já nos deixando para trás, ou pelo menos eu, com a Faith cando por dentro do que eu e Sarah já sabemos, que Dani é um cabide de roupas barra cabideiro ambulante pro ssional que acabou de chegar de Milão e seguindo para Chicago e depois Nova York assim que… bem, eu perco o trilho a essa altura porque a Sarah me assusta sussurrando no meu ouvido:
– Ah. Meu. Deus.
– Tudo bem – digo. – Vai ser divertido. Não é como se a gente tivesse um roteiro que ela vai estragar…
– Não, eu… Não é isso… Eu… eu… gostaria que você pudesse ver isso… Ela é… ela é…
– Caramba, Sarah. – Eu paro de andar. Isso é bizarro. Sarah parece inquieta. Ela nunca ca inquieta. – Ela o quê?
Sarah agarra meu antebraço com as mãos e chega mais perto:
– Ela é linda.
– É – comenta Molly. – Uma verdadeira explosão de curvas. Sem a parte das curvas, en m. Ela me pegou de surpresa. Quando se ofereceu para dirigir, eu sabia que ela…
– Eu achei que essas coisas só aconteciam em lmes – diz Sarah, como se a Molly não estivesse falando. – Tem cabeças se virando de verdade. Dois caras perto da fonte acabaram de esbarrar um no outro. Três outros caras deram meia-volta e estão seguindo a gente. Seguindo ela. Cacete, olha pra isso tudo !
– Opa – falo num risinho, tentando não gargalhar, mantendo a voz baixa. – O que há de errado com você? Não é como se você nunca tivesse visto uma menina bonita antes, mesmo que só em lmes…
– Bonita? Bonita? Ela não é bonita, Parker. Você é bonita. Ela é de outro planeta. Não é a mesma coisa. Eu não sabia até agora, mas não é absolutamente a mesma coisa. Eu estou tendo uma reação física. Estou vendo a Teoria da Evolução. Estou começando a entender a Guerra de Troia. Estou começando a questionar minha orientação sexual…
– Sarah, psiiiu! – É difícil sussurrar tentando não rir. – Controle-se!
– Eu sei que o Rick ia se amarrar num ménage com ela e tenho quase certeza que eu também…
– Sarah! – Eu não consigo mais me segurar e começo a rir. – Sarah! Cadê você? Tem alguém aqui ngindo ser você e fazendo um trabalho de merda!
– Cala a boca! Cala a boca! Cala a boca! – sussurra Sarah e tenta cobrir a minha boca e eu espanto as mãos dela. – Elas tão vindo!
– Tá tudo bem por aqui? – pergunta Faith numa voz que está tentando nos dizer algo, provavelmente relacionado à maturidade.
– Está tudo ótimo, sim – responde Sarah. – Estamos todas bem por aqui. E vocês duas?
– Achei que você tinha dito que a Moletom era a quietinha – comenta Dani.
– Normalmente, ela é – diz Faith, de forma suspeita. – Talvez ela esteja tendo um derrame.
– O meu nome – diz Sarah enfaticamente, embora por dentes cerrados – não é… Moletom… – e a escuto tentando não gargalhar.
Eu a aperto num abraço de urso e a levanto do chão, de tão feliz que estou em ouvir isso. Ela grita e tenta se desvencilhar e eu a coloco no chão.
– Vocês estão bem? – pergunta um cara. Provavelmente da nossa idade ou um pouquinho mais velho, não sei com certeza.
– É, as moças precisam de ajuda? – diz outro cara.
– Moças? – comenta Sarah. – Tem alguma moça por aqui?
– Tem uns caras aleatórios que a gente nunca viu antes falando com a gente? – pergunto alto a ela. – Que bizarro.
– Estamos bem, obrigada – a rma Faith. – Para algumas pessoas, nunca é cedo demais para beber.
Nenhuma de nós almoçou antes de ir para o shopping, então vamos para a praça de alimentação. Apesar disso, ainda leva uma hora para chegarmos lá, porque alguém – bem, a Faith ou a Dani – nos para em cada loja pelo caminho para entrar e não comprar nada. Não consigo nem começar a descrever o quanto as pessoas cegas amam quando os outros só cam olhando as vitrines sem comprar nada, mas, apesar da Sarah ter se acalmado um pouco, ela continua me divertindo.
Entre as opções da praça de alimentação, escolho um burrito por ser um encontro de melhor sabor e mais fácil de comer. Exijo relatórios e co sabendo que a Molly pegou enchiladas e feijão na mesma bancada, a Sarah escolheu uma tigela de pão de fermentação natural cheia de creme de sopa de cogumelos, a Faith, uma salada pequena de espinafre e a Dani, um pouco de comida tailandesa. Meu nariz con rma a veracidade dos relatórios e atacamos.
– Com licença – diz um cara pra gente.
– Festa particular! – declaro. – Obrigada, de qualquer forma!
– Pode pegar, tudo bem – comenta Molly com ele. E depois, para mim: – Ele queria a nossa cadeira extra para sentar com a mulher e os lhos.
– Ah. – Talvez eu devesse car constrangida, mas não, não estou.
– Dani – diz Faith. – Mais cedo, a gente tava discutindo. Sobre a roupa da Parker. Ela vai num primeiro encontro hoje à noite.
– Aaah! – exclama Dani. – O que você vai usar?
Eu franzo as sobrancelhas.
– Ganhei – declara Faith sem se vangloriar. Não sei como ela faz isso.
– Isso aqui é bem parecido com o que eu estava usando quando ele me chamou pra sair, então ele deve gostar do meu estilo.
– É o que você usa todos os dias da sua vida – argumenta Faith. – Mas isso não é um dia, é um encontro. Tudo bem usar algo especial. Mais do que bem.
– Tipo o quê, um vestido? Um traje de gala? Sapatinhos de cristal?
– Talvez algo que tenha visto uma máquina de lavar recentemente.
– Isso magoa – respondo, erguendo o meu colete. – Você sabe que isso não é fácil de lavar. E com que frequência lava jaquetas, a nal? – Eu cheiro o tecido, ele está mesmo fedendo um pouquinho a mofo.
– Não estou falando que você precisa de uma transformação – alega Faith, com o tom dizendo o contrário. – Talvez você esteja certa; talvez ele tenha te chamado pra sair porque gosta do jeito que você não combina o azul e o verde. Eu sei que você não vai ligar ou ao menos saber se ele aparecer de macacão ou de smoking, mas tenho certeza de que ele ia gostar de te ver um pouco mais arrumadinha, mesmo dentro do seu próprio… estilo… único.
– Ei, assim eu co ofendida! Só porque eu não enxergo, não signi ca que não ligo para o que ele está vestindo… o que… acho que não ligo mesmo… mas, en m, ele está no trabalho, então vai estar usando roupas de trabalho! – Giro a cabeça, como se olhando de forma triunfante para todo mundo.
– Tenho certeza de que ele vai se trocar – observa Faith com sua voz sim-estou-sendo-paciente. – Ele não vai usar o uniforme pra sair com você. Acho que eles nem podem usá-lo fora de serviço.
– O uniforme dele?
Molly diz:
– Todos eles usam uma camiseta preta com Corrida Desenfreada impresso em branco. As duas letras R de “Corrida” usam uns tênis de corrida nas pernas ou algo assim.
– Isso tudo não vem ao caso – comenta Faith. – E não é uma discussão
losó ca. São compras. Compras querem dizer adquirir roupas. Termine o
seu almoço e vamos comprar umas roupas.
– Eu acho que é arrojado – declara Dani.
– Começou… – diz Molly na sua voz de revirar os olhos.
– O que é arrojado? – pergunto.
– O seu visual. Ele não segue as regras, mas… é como se você estivesse um passo à frente. É assim que as novas tendências acontecem. Eu gosto dele. Principalmente do lenço como uma venda. É incrível.
Eu me inclino na direção da Faith.
– A pro ssional gosta do meu estilo.
– Vem cá, levante-se e chegue um pouco pra trás – pede Dani. – E ajeite a postura.
Eu co reta. Estou pronta para qualquer coisa.
– Você já pensou em deixar o seu lenço pendurado pra frente em vez de pra trás? – pergunta Dani. Ela toca os meus ombros e depois ajusta o lenço, dispondo as pontas, com mais ou menos trinta centímetros, para baixo do lado esquerdo do meu peito.
– Você tem algumas curvas e isso destaca a sua silhueta. Aí. Seu sex appeal acabou de aumentar consideravelmente.
Fico perfeitamente imóvel. Ninguém diz nada. Não quero ser a primeira a falar.
– Droga – diz Sarah. – Vamos fazer compras.
Por dias, pensei mais em encontrar o Jason do que nessa excursão de compras, mas, ainda assim, são quase cinco da tarde e quero continuar com o grupo. Todo mundo, a não ser a Faith, cou do meu lado achando a minha calça jeans e os tênis de corrida ok, mas agora estou com uma blusa azul diferente, com uma gola V que termina bem em cima do meu sutiã esportivo branco, e por cima estou usando uma blusa lisa azul-clara desabotoada… sobre a qual ainda não estou totalmente segura, mas todo mundo, inclusive Faith, disse que estava perfeita e era exatamente do meu estilo, como uma garota que normalmente usa um colete de exército desabotoado todo dia. Também estou com um novo lenço, mais comprido que o normal: um azul-marinho forte que a Faith disse que era muito escuro, mas a Dani falou que era maravilhoso e isso resolveu a questão. A Molly está me ajudando, segurando as minhas roupas para mais tarde. Não consigo explicar direito, mas com a minha roupa nova, eu me sinto até um pouco mais alta.
Tento me manter atualizada no que todas elas compraram, mas é difícil lembrar quando só lhe dizem uma vez e sem lembrar o que rolou ou não em todo aquele caos. O que eu sei é que a Sarah comprou alguns pares de calças de ioga sob a desculpa de que são tão confortáveis quanto moletons, mas, como disse a Dani, mais agradáveis aos olhos.
– Com quem você normalmente faz compras? – pergunta Molly enquanto a gente espera pela Dani, que está fazendo sabe-se lá Deus o quê.
Levo um instante para responder.
– Com o meu pai.
O silêncio me dá uma pista de que provavelmente a conversa não vai continuar, mas aí ela pergunta:
– Como é que ele era no departamento de conselhos de moda?
Eu dou risada.
– Ele só descrevia as coisas. Cores, formatos, en m. Ele me contava o que as outras pessoas estavam usando, embora eu saiba que ele só me falava do que gostava ou pelo menos não odiava. Também tenho ajuda dos vendedores, procurando o meu tamanho e aí falando sobre o que pegar.
O meu telefone apita, meu lembrete.
– Eu tenho que ir – informo. – Onde está todo mundo?
– A Dani está cercada de gente no balcão de maquiagem. Aposto que aquelas pessoas nunca viram tantos caras carem perto do balcão por tanto tempo antes.
– A Sarah e a Faith?
– Na aba dela – comenta Molly. Aí ela grita – Ei! Vou levar a Parker. Daqui a pouco eu volto.
O coro de tchaus e boa sorte numa voz mais aguda do que eu jamais ouvi, principalmente da Sarah, me perturba enquanto me afasto.
– Eu sei que você não precisa da minha ajuda – justi ca Molly. – Eu só precisava de um descanso.
– Na verdade – admito –, me levaram tanto pra lá e pra cá que não sei mais onde estou. Me leva até a fonte e me coloca na direção certa. De lá eu vou sozinha.
Não falamos enquanto saímos da loja de departamentos, acho que a Macy’s, ou talvez a Nordstrom, um curso de obstáculos de araras de roupas feitos para impedir que você ande numa linha reta. Eu programei o meu lembrete para me dar bastante tempo, imaginando que estaria sozinha, então quando saímos para o corredor principal, relaxamos e demos uma volta. Tá, relaxar talvez não. Meu estômago está cando apertado e estou um pouco trêmula, mas pelo menos estamos andando devagar.
Para me distrair, eu digo:
– Não consigo imaginar como é ser a Dani.
– Eu consigo – responde Molly numa voz que, bem, está meio soturna.
– Você não pode car com inveja – digo com leveza. – É tipo ter inveja de Einstein ou Mozart… – Eu me arrependo disso imediatamente. Na minha cabeça, soava como uma perspectiva de conforto.
– Com inveja? – diz Molly. – Eu tenho pena dela. Todos esses caras falando com a gente hoje…
– Foi só por causa dela.
– Mas eles também não estavam falando com ela. Às vezes eles estavam falando com nós quatro, Garota Cega, Moletom, Gordinha e… sei lá… Inseto Fashion, mas na verdade só estavam tentando chegar na Bonitona. Se eles pudessem car com ela sem ter que falar com ela, fariam isso.
– Alguns deles, é claro. Imagino que acabe enchendo o saco…
– Não. Imagina ganhar um bilhão de dólares da loteria e de repente tá todo mundo falando com você, sendo legal, te procurando, constantemente, o tempo todo, nunca dão um tempo. Num dia, ninguém, no dia seguinte, todo mundo, só por causa da sua conta bancária. Não enche o saco… é tipo sufocante.
– Bom, quando você coloca dessa for…
– Quando você tem a aparência dela, 99% das pessoas que falam com você, homens e mulheres, só estão querendo você ou algo de você. Eles estão mentindo ou falando o que acham que você quer ouvir, então não dá pra con ar em ninguém ou mesmo encontrar o 1% que não está mentindo. É horrível pensar nisso, mas é o dia a dia dela.
– Molly… – Não sei mais o que dizer.
– Desculpa, Parker. Eu… eu sei que isso não era sobre o que você queria falar agora. É só que ela me liga do mundo todo normalmente chorando… esse ano ela fez isso mais vezes do que eu já chorei na minha vida toda. Já é exaustivo só ser a irmã dela; eu nunca conseguiria sobreviver sendo efetivamente ela. Todo mundo acha que a Dani é suuupersortuda, mas ela é a pessoa mais infeliz que eu conheço. Fico alegre que ninguém consiga enxergar meus ossos por baixo de tudo… isso. Eu não trocaria de lugar com ela por nada.